Faça o download aqui da versão em PDF do Conexão Ciência.
Boa Leitura!
Faça o download aqui da versão em PDF do Conexão Ciência.
Boa Leitura!
Projeto de pesquisa pretende contrastar o modo como as duas ciências concebem a psicopatologia
Edição: Beto Carlomagno e Vitor Oshiro
Pauta: Ana Carolina Contato
Reportagem: Tatiane Hirata

“É importante adoecer as pessoas, patologizando a sua existência, pra que elas possam consumir medicamentos”, critica a psicanalista Rosane Zétola Lustoza
Enquanto a psiquiatria entende o sofrimento psíquico como algo detectável no campo da objetividade, a psicanálise acredita que a causalidade dos transtornos mentais pode ser entendida por meio da história de vida do sujeito. É o que afirma a Professora Doutora Rosane Zétola Lustoza – Bacharel em Psicologia e em Formação de Psicólogo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro; mestre e doutora em Teoria Psicanalítica pela mesma universidade – coordenadora do projeto do Departamento de Psicologia e Psicanálise da Universidade de Londrina (UEL) intitulado “A definição de Psicopatologia na Psicanálise e na Psiquiatria e suas implicações para o diagnóstico e a avaliação da cura”.
Conexão Ciência: O que é psicopatologia? E qual o objetivo do estudo?
Profª Drª Rosane Zétola Lustoza: Psicopatologia é o estudo dos processos psíquicos anormais. Quanto ao projeto, ele pretende fazer uma distinção entre as definições de psicopatologia na psicanálise e na psiquiatria.
Conexão Ciência: De que forma o estudo ocorreu?
Profª Drª Rosane Zétola Lustoza: Nós fizemos um levantamento bibliográfico da história da psiquiatria – etimologia da psiquiatria e da psicanálise. Eu usei, sobretudo, a obra do Lacan(1), psicanalista francês que releu a obra de Freud. Lacan trata as psicopatologias não como anormalidades ou estudo dos processos psíquicos anormais, mas sim como lógicas diferentes de funcionamento. Ele considera três lógicas de funcionamento como referência para o estudo da psicanálise: a psicose, a neurose e a perversão. Para ele, inclusive, não existe um indivíduo normal – totalmente saudável, no pleno exercício de suas capacidades. Baseado na obra de Freud, Lacan afirma que todos nós temos dificuldades em duas coisas: assumir a nossa identidade sexuada e assumir os nossos papéis na sociedade, nossos deveres em uma rede simbólica. Todos temos essa dificuldade. Ele entende o sujeito como uma ‘falta-ser’. Nós nos estruturamos tentando dar conta dessa falta. Isso não é uma anormalidade. Nem normalidade. Todos nós temos dificuldade em lidar com problemas de existência.
Conexão Ciência: Quais as principais diferenças nas formas como a Psiquiatria e a Psicanálise concebem a psicopatologia?
Profª Drª Rosane Zétola Lustoza: A psiquiatria possui hoje um Manual de Diagnósticos Estatísticos de Transtornos Mentais – o DSM IV(2) – que trabalha com a noção de transtorno, entendido como um conjunto de sinais e sintomas, em casos considerados anormais. O sinal é algo que o médico observa e o sintoma é algo que o paciente relata. A partir deles, é feito o diagnóstico dos transtornos mentais. Esse manual foi elaborado com o intuito de acabar com a confusão que reinava no campo da psiquiatria, sobretudo no início da década de 70, em que havia uma multiplicidade de diagnósticos e ninguém se entendia quanto às causalidades das doenças. Os psiquiatras que participaram do comitê de elaboração do DSM pretendiam chegar em um nível consensual, que produzisse acordo entre os diferentes pesquisadores. O comitê então decidiu permanecer no campo descritivo – sinais e sintomas. O intuito do DSM IV é permanecer em um plano não-litigioso. Eles pretendiam um manual descritivo e ateórico, ou seja, sem compromisso teórico explícito. Eu digo explícito porque há certo compromisso teórico implícito, pois o DSM acabou dando força para uma re-medicalização da psiquiatria. Há hoje um peso muito grande da psiquiatria biológica, ou seja, a hipótese biológica é hoje uma das mais fortes. Implicitamente, o DSM acabou dando impulso também para uma leitura biológica das psicopatologias. A psicanálise entra tentando resgatar uma leitura que contemple o sentido dos sinais e sintomas. Não só a descrição, mas uma explicação que não seja biológica, que esteja ligada à história do sujeito. A psicanálise quer entender o sentido desses sintomas. O sentido para Freud tem duas acepções diferentes. A primeira: de onde vieram os sintomas, qual a ligação deles com a história e o passado do sujeito? A segunda: para que serve? Qual a finalidade? Os dois sentidos são contemplados no conceito de sentido em psicanálise. Eu diria que a psicanálise não quer permanecer nesse plano puramente descritivo. Ela quer ir para um plano do sentido, um plano que eu diria causal.
Conexão Ciência: É possível detectar a forma mais adequada de conceber a psicopatologia?
Profª Drª Rosane Zétola Lustoza: Eu sou psicanalista. Então, obviamente, estou trabalhando a partir do referencial da psicanálise. Para reconhecer uma doença, nunca é suficiente permanecer apenas no campo objetivo. É necessário contar com o relato do sujeito, com o depoimento, a posição dele em relação à ‘coisa’. É a partir do sujeito que você sabe se determinada regra do organismo vai mal. Mas é importante dizer que isso não significa desqualificar o saber médico. Nem estou falando de psiquiatras específicos. O que está sendo discutido é o uso que se faz do medicamento. O medicamento tem uma eficácia comprovada, inegável, ele é um aliado do tratamento psicanalítico. O que deve ser evitado é a medicalização do psíquico – tratar exclusivamente o transtorno mental como se tivesse uma origem orgânica, descuidando de aspectos importantes, que são ligados ao sentido que aqueles sintomas tem na história do sujeito.
Conexão Ciência: Quais os resultados obtidos até agora e quais são as perspectivas até o fim do projeto?
Profª Drª Rosane Zétola Lustoza: Eu falaria de dois pontos relevantes. O primeiro é justamente a inexistência de uma fronteira nítida separando o normal do patológico na psiquiatria. Isso faz com que o psiquiatra não consiga se proteger, tanto de resultados falso-positivos quanto falso-negativos. Na prática, o que ocorre é uma super elevação dos resultados falso-positivos, por conta dos interesses da indústria farmacêutica e todo um complexo médico industrial que vende a ideia para os pacientes de que é preciso identificar em si próprio alguma espécie de transtorno. Ligada a esses interesses de mercado, há uma epidemia de diagnósticos, pois o paciente já chega ao consultório se rotulando, por exemplo, como deprimido. Isso exerce uma pressão sobre o médico, para dar determinado resultado para o paciente, ocasionando uma medicalização extrema do psíquico. O segundo ponto refere-se ao fato de que, na psiquiatria, os transtornos não estão claramente ligados a uma causalidade específica. Eles são apenas descrições de sinais e sintomas. Não há a doença, propriamente dita, em psiquiatria. Isso quer dizer que é errado dizer, por exemplo, ‘eu não tenho vontade de trabalhar, porque estou deprimido’, como se a depressão fosse a causa de não querer trabalhar. A depressão não é uma causa, é um transtorno. A causa da depressão é que é a questão. A psiquiatria biológica tende a dizer que é uma causa biológica. A psicanálise vai justamente tentar dizer que é uma causalidade psíquica, ligada ao sentido que tem esse sintoma na vida do sujeito.
Conexão Ciência: Os resultados foram ou serão publicados em revistas científicas ou publicações do gênero?
Profª Drª Rosane Zétola Lustoza: Eu já publiquei resultados parciais na Arquivos Brasileiros de Psicologia(3) , sobre ‘medicalização do psíquico’. Na revista Fractal(4) da UFF (Universidade Federal Fluminense), um artigo sobre naturalização do psíquico. Na Ágora(5), que é uma revista específica de psicanálise, há um artigo sobre ‘discurso capitalista’, que é um produto da minha pesquisa. Há também um artigo que eu enviei, mas não foi publicado ainda, para a revista Psicologia em Estudos, da Universidade Estadual de Maringá, que tematiza as ‘estruturas clínicas na psicanálise’.
Conexão Ciência: A senhora disse algo interessante agora sobre a relação entre a sua pesquisa e o capitalismo. Para finalizar, poderia nos dizer como é isso?
Profª Drª Rosane Zétola Lustoza: Este é um aspecto novo que eu ainda estou estudando. Há várias relações. Uma delas, talvez a menos complexa, trata do seguinte: essa epidemia de diagnósticos atende a interesses de mercado, claramente. O capitalismo trabalha com o princípio de que a oferta cria a demanda. Como, no capitalismo, um volume crescente de mercadorias é oferecido, esse volume precisa ser escoado. Então, é necessário provocar a demanda. Acho que, hoje, o discurso médico provoca o adoecimento nas pessoas. É importante adoecer as pessoas, patologizando a sua existência, para que elas possam consumir medicamentos. Isso atende a interesses não só da indústria farmacêutica, mas de todo um complexo médico industrial. Então, eu trabalho com essa hipótese, de que a demanda crescente por medicamentos atende a interesses de mercado.
(1) Jacques-Marie Émile Lacan, Formado em Medicina, passou da neurologia à psiquiatria, tendo sido aluno de Gatian de Clérambault. Teve contato com a psicanálise através do surrealismo. A partir de 1951, afirmando que os pós-freudianos haviam se desviado, propõe um retorno a Freud. (Fonte: Wikipedia)
(2) O DSM IV é um manual de classificação de doenças mentais elaborado pela Associação de Psiquiatria Norte-Americana. Este manual de diagnósticos passou a tomar importância a partir da 3º edição, na qual foi optada uma postura descritiva das doenças (fenomenológica), sem qualquer conotação etiológica ou explicativa, restringindo-se ao trabalho de descrever os sintomas e agrupá-los em síndromes. (Fonte: Psicosite)
(3) O artigo pode ser conferido na página: http://pepsic.bvs-psi.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1809-52672008000100011&lng=pt&nrm=iso
(4) O download do artigo pode ser efetuado através do link: http://www.uff.br/periodicoshumanas/index.php/Fractal/article/viewPDFInterstitial/196/271
(5) O artigo sobre a relação entre psicopatologia e discurso capitalista também está disponível na rede: http://www.scielo.br/pdf/agora/v12n1/03.pdf
Créditos Foto: Tatiane Hirata
Evento abordou temas variados e contou com uma série de atividades para os estudantes e interessados na área
Edição: Beto Carlomagno e Vitor Oshiro
Pauta: Ana Carolina Contato
Reportagem: Lucas Oliveira Martins

Palestra de abertura da semana, com a jornalista Rachel Bragatto, cuja discussão envolvia o papel da mídia na democracia de um país
A importância da mídia para a democracia, relações entre comunicação e cultura, assessoria de imprensa, marketing e tantos outros assuntos foram abordados pelos eventos que ocorreram durante a I Semana de Comunicação da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que se realizou entre os dias 26 e 29 de outubro no Centro de Educação, Comunicação e Artes (CECA).
Segundo o presidente do Centro Acadêmico de Comunicação e graduando do 3º ano de Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo da UEL, Auber Silva, a semana teve o objetivo de discutir a prática comunicacional entre estudantes, professores e profissionais. Ainda segundo ele, o evento recebeu 95 inscrições, atingindo um pouco menos do que um terço de todos os estudantes de Comunicação Social da Universidade.
Entre as oficinas oferecidas pelo evento, estavam atividades de produção gráfica, jornalismo online, produção radiofônica e de oratória. De acordo com Auber Silva, “a origem de cada oficina tem como base a necessidade ou de introduzir algum conhecimento importante ou de aperfeiçoar este conhecimento já apresentado nas disciplinas dos cursos.”
Para abrir a Semana, a jornalista Rachel Bragatto (graduada em Comunicação Social – Jornalismo/Publicidade e Propaganda pela Universidade Federal do Paraná, mestre em Sociologia – na área de Sociedade e Políticas Públicas nas Democracias Contemporâneas na mesma instituição, e membro da Comissão Paranaense Pró-Conferência Nacional de Comunicação) ministrou palestra sobre o papel da mídia na democracia de um país.
Para Rachel Bragatto, “a liberdade de expressão e o acesso à informação são direitos de todos. Entretanto, no Brasil, esse direito não é respeitado pelos detentores dos meios de comunicação.” Além disso, ela afirma que “94% dos proprietários das emissoras são de identidade privada e não apresentam nenhum comprometimento com a função de noticiar a verdade para a população”.
Na palestra, a jornalista ainda declarou que tudo que é veiculado pela imprensa apresenta alguma forma de intenção ou uma razão que esteja de acordo com os interesses dos donos da chamada “grande mídia” – os principais meios de comunicação nacional.
A seguir, a cobertura de duas mesas redondas da Semana.
Jornalismo esportivo
“Marginalizado e precisando de renovação”. Essas foram as palavras citadas por Lúcio Flávio (graduado em Comunicação Social – Jornalismo pela Faculdade Metropolitana de Londrina – IESB – e repórter esportivo da rádio Paiquerê AM desde 1997) e Diego Prazeres (formado em Comunicação Social – Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUCPR – e editor da seção de esportes do Jornal de Londrina) para descrever a atual situação do jornalismo esportivo.
Segundo os participantes da mesa redonda que ocorreu na manhã do dia 27 de setembro no CECA, essa modalidade do jornalismo sempre foi considerada à parte de todas as outras. Eles explicam que isso ocorre porque “há muita promiscuidade no meio esportivo”. Os convidados da mesa redonda contaram que, a exemplo disso, são solicitados e abordados, várias vezes, por dirigentes de clube e até mesmo por parentes de jogadores para que promovam a imagem do atleta ou do próprio time. Para superar essa confusão, Lúcio Flávio atenta que é necessário que o profissional saiba separar o que é fonte e o que não passa de uma tentativa de promoção pessoal ou coletiva motivada por interesses.
Questionados sobre a preferência dos profissionais da área em querer só cobrir assuntos futebolísticos, os jornalistas argumentaram que essa predileção por futebol é uma questão cultural e que essas são as notícias mais lidas e procuradas pelo público do jornal. Eles afirmaram que, para tentar mudar essa situação, eles dão destaques a fatos referentes a outras modalidades esportivas.
A colaboração da tecnologia nas coberturas de campeonatos também foi pauta para a mesa redonda. Diego Prazeres e Lúcio Flávio explicaram que, graças às inovações tecnológicas, várias dificuldades encontradas anteriormente pelos profissionais da área estão sendo superadas. Eles ainda destacaram que é preciso ficar atento para não se tornar dependente dessas modernidades para cumprir uma reportagem.
Os integrantes da mesa ainda responderam às perguntas feitas pelos participantes e abordaram sobre alguns aspectos da política esportiva brasileira em relação à Copa e Olimpíadas.
Comunicação Online
Profissionais que começaram no meio impresso e que passaram a expressar suas ideias nas páginas da internet foram os convidados para a mesa redonda da noite do dia 27 de setembro, que tinha como assunto, a comunicação online. Nelson Capucho (autor do portal Londrix*) e Claudio Osti (graduado em Comunicação Social – Jornalismo pela UEL e criador do blog Paçoca com Cebola**) discutiram sobre essa nova forma de se fazer jornalismo.
Para os participantes da mesa, a migração do impresso para o meio virtual é um processo irreversível. Eles acreditam que, daqui a 15 ou 20 anos, os leitores dedicarão tempo para se informar somente por meio da internet. Capucho e Osti também afirmam que a comunicação online será uma das ferramentas que dará ao jornalismo um novo fôlego. Entretanto, para que isso ocorra, será necessário que esse canal sofra algumas mudanças.
Entre essas modificações, está uma melhor forma de se controlar os direitos autorais dos criadores da notícia. Pois, segundo Osti, a internet é um meio onde não há leis e que, consequentemente, a originalidade daquilo que é veiculado pela transmissão online perde a sua função.
Durante o debate, Capucho ainda afirmou que não existe uma padronização em relação à linguagem utilizada por esse meio. De acordo com o criador do portal Londrix, existem endereços eletrônicos que utilizam um tipo formal e outros que se valem da linguagem mais informal. Entretanto, ele acredita que esse processo nunca mudará devido às inúmeras ferramentas de comunicação digital que são criadas.
Os participantes da mesa ainda responderam às perguntas das pessoas presentes que se referiram sobre a censura dos comentários na internet, a febre do twitter, o processo pelo qual o jornalismo impresso está passando e sobre o futuro dos jornalistas quanto às novas práticas midiáticas.
* http://www.londrix.com.br/
** http://pacocacomcebola.blogspot.com/
Créditos Foto: Vitor Oshiro
Oficina ministrada por ex-coordenador do SIATE atenta aos cuidados que se deve ter na hora dos primeiros socorros
Edição: Beto Carlomagno e Vitor Oshiro
Pauta: Ana Carolina Contato
Reportagem: Leonardo Caruso

Capitão Wilson demonstra técnicas de primeiros socorros na jornada da Liga do Trauma realizada no Hospital Universitário
Sirenes, Polícia, bombeiros, ambulância. Cena típica de um atropelamento ou de uma batida entre automóveis. Os motivos que ocasionaram o acidente podem ser analisados posteriormente. O importante agora é salvar as vidas em perigo. Os primeiros socorros são essenciais nesse momento.
E é sobre este assunto queo Capitão Wilson Oliveira Paulino, ou apenas Capitão Wilson, formado pela Academia da Polícia Militar de Guatupê, ex-coordenador do SIATE (Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma e Urgência) e atualmente Oficial do Corpo de Bombeiros de Londrina, trabalhando no Departamento de Pessoal, falou na oficina ABCD Primário, ministrada durante a VIII Jornada da Liga do Trauma. O evento, realizado entre os dias 28 e 30 de setembro, no anfiteatro e nas salas de aula do Hospital Universitário (HU), contou com a participação de profissionais e estudantes da área de saúde.
A primeira palavra do oficial dos bombeiros na oficina foi “prevenção”. Mas, e quando a prevenção não evita que um acidente ocorra? É neste ponto que entram os primeiros socorros. De acordo com o Capitão, não existe uma teoria de primeiros socorros e sim uma doutrina. “Teoria você contesta, doutrina você cumpre”, enfatiza.
“O primeiro dos itens a ser cumprido é o controle de cena”, diz o Cap. Wilson, que vê esta etapa como a mais importante em um primeiro instante. “Muitas vezes a pessoa fica desesperada e se esquece de fazer coisas simples, como desligar o motor do carro e sinalizar a área, e que podem evitar o agravamento de uma situação”, explica.
Durante a palestra, o socorrista afirmou que, quando você se identifica como médico ou enfermeiro, a vítima se sente mais tranqüila e até coopera mais, mas, mesmo assim, ele é da opinião de que todos deveriam ter oficinas de primeiros socorros. “As escolas deveriam ter no currículo algumas aulas sobre noções de primeiros socorros”, argumenta.
Ariana Martins Coutinho, do curso de Enfermagem, e Nathalia Monti Arone, do curso de Medicina, ambas estudantes da Universidade Estadual de Londrina (UEL), concordam com o Capitão. Para elas, “é uma obrigação as pessoas saberem o básico” e acrescentam que atividades desse tipo ajudam a sanar dúvidas.
Sempre reiterando que o mais importante é a segurança da vítima e das pessoas que estão ajudando, o capitão instrui: “As pessoas, sejam especialistas de saúde ou não, ao se depararem com um acidente, devem manter a calma, analisar a situação, sinalizar o local adequadamente, checar se há outros riscos e acionar apoio”.
Com vários anos de experiência na área, o Cap. Wilson, que esteve recentemente no Japão em um curso de combate a incêndios, analisou a cultura e as tradições japonesas e aponta a causa do grande número de tragédias no trânsito brasileiro como sendo um problema cultural. “No Brasil, as pessoas são egoístas. Só pensam em suas agendas e se esquecem que as leis existem para garantir a integridade humana”, explica.
A Liga do Trauma promove e colabora com outros eventos, como campanhas de prevenção, semana do trânsito e outras atividades que levam informações úteis aos estudantes do Hospital Universitário e à sociedade em geral. As estudantes de Medicina na UEL e organizadoras da Jornada, Alyne de Angelis e Débora Anhaia, afirmam que ter noções de procedimentos de primeiros socorros é essencial e, por isso, ressaltam que é um tema de destaque no evento. “Devido à relevância do assunto, a oficina é item obrigatório em toda jornada realizada pela Liga do Trauma”, concluem.
Créditos Foto: Leonardo Caruso
A pesquisa leva em conta todos os fatores que induzem o jovem a entrar na criminalidade, como a história social e familiar e o anseio pelo reconhecimento da sociedade
Edição: Beto Carlomagno e Vitor Oshiro
Pauta: Ana Carolina Contato
Reportagem: Guilherme Santana

A Dra. Vera Lúcia Suguihiro afirma que o projeto alcançará o resultado desejado quando conhecer a motivação do envolvimento do jovem com o crime
Quem é o responsável pela criminalidade infanto-juvenil? O jovem infrator? O governo mesmo? Ou a sociedade? Se essas e outras perguntas sobre o tema norteiam seus pensamentos, a resposta provavelmente virá com o projeto de pesquisa “Criminalidade Juvenil: A vulnerabilidade dos adolescentes”. Segundo a coordenadora do projeto, assistente social e professora Dra. Vera Lúcia Tieko Suguihiro¹, o estudo tem como objetivo encontrar as razões que caracterizam o envolvimento do jovem com a criminalidade.
Além do acompanhamento da Dra. Vera Suguihiro na prática do Serviço Social, o projeto possui a colaboração da psicóloga professora Dra. Mari Nilza Ferraride Barros². As duas professoras identificaram a ampliação do envolvimento de adolescentes em relação à criminalidade junto da grande discussão sobre reduzir a maioridade penal³, e segundo a psicóloga, os dois fatores coincidindo dão o significado de que a sociedade vem imputando ao jovem a culpa de seu crime. “Nós percebemos que é mais fácil transferir ao adolescente um nível de envolvimento com o crime do que pensar em políticas públicas”, afirmou a coordenadora, que em seguida cita duas questões que permeiam o trabalho: “Porque o jovem está se envolvendo com a criminalidade?” e “O que determina esse aumento de infratores?”. A pesquisa, de acordo com a assistente social, resgatou toda a condição sócio-histórica e familiar das crianças e dos adolescentes em situação de risco para entender o envolvimento com o crime e, a partir daí, encontrar as falhas das políticas públicas de atendimento ao adolescente.
O projeto se desenvolveu em duas etapas. A primeira, pesquisa quantitativa, com um levantamento estatístico de quantos jovens cumpriram medida sócio-educativa nos últimos cinco anos no CENSE II (Centro de Sócio-Educação). “Tentamos realizar o trabalho no CENSE I, mas pela permanência nesse órgão ser pequena, 45 dias, não era possível conseguir resultados sem um grupo focal, então passamos para o CENSE II, que é onde os jovens já estão cumprindo a medida sócio-educativa e de internamento, determinada pelo juiz”, explica a Dra. Mari Nilza Barros, a respeito da maneira como se deu o primeiro passo do projeto, que ainda levaria em conta o registro de passagem, se há ou não reincidências, a natureza do crime e a idade desse jovem.
A segunda etapa, segundo a Dra. Mari Nilza, é baseada em entrevistas com os adolescentes no CENSE II. “Explicamos o objetivo da pesquisa, pedimos autorização para os familiares, pois era importante reconstruir a história familiar, socialização e o histórico da prática de delitos. Ao mesmo tempo eram realizadas entrevistas com os familiares para conhecer a história familiar e todos os aspectos da criação dos filhos”, esclarece a pesquisadora. De acordo com a Dra. Vera Lúcia Suguihiro, até o fim do ano será formulado um relatório que será encaminhado à Secretaria de Estado da Criança e da Juventude (SECJ) cuja sede fica em Curitiba. “A intenção é elaborar medidas públicas que possam prevenir a criminalidade na juventude, ou seja, a partir dos programas, evitar os problemas e não mediá-los depois”, afirma a coordenadora.
Até o momento, o projeto já obteve alguns resultados com o grupo focal no CENSE II. A psicóloga Mari Nilza explica que há vários programas que podem ser implantados: “o que nós observamos é que, antes de praticarem os delitos, muitos desses jovens estavam trabalhando. Por lei, eles não podem trabalhar antes dos 14 anos (a partir dessa idade e antes dos 18, são considerados aprendizes). A maioria não conclui a escola, deste modo acabam fracassando”, completa. “Esses adolescentes têm necessidade de reconhecimento social, como não conseguem isso dentro da legalidade, e sua necessidade continua, ele busca outras estratégias, às vezes o tráfico, ou o roubo”, continua a psicóloga, que logo finaliza: “Eles querem dinheiro, status, poder, essas coisas que todo ser humano procura; mas o tráfico é mais sedutor. Geralmente se engajam nessas práticas por não terem projeto de vida, e vivem o momento em um consumismo e loucuras para se satisfazerem”.
Algumas soluções apontadas pela coordenadora Vera Lúcia são o desenvolvimento de habilidades e competências que esses adolescentes possuem, além de os estimularem a acreditar em si mesmos. A psicóloga Dra. Mari Nilza complementa que “é necessário um envolvimento desses jovens em outros projetos, como de artes cênicas, literatura, entre outros. Dessa forma, valorizar a capacidade desse adolescente que não se sente valorizado, que é discriminado e anseia por reconhecimento social”.
<i>¹ Vera Lúcia Tieko Suguihiro, graduada em Serviço Social pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), mestrado e doutorado em Políticas Sociais na Pontifica Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).
² Mari Nilza Ferraride Barros, graduada em Psicologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), com pós-graduação e mestrado em Psicologia na PUC-SP.
³ A maioridade penal, também conhecida como “idade da responsabilidade criminal”, é a idade a partir da qual o indivíduo pode ser penalmente responsabilizado por seus atos, em determinado país ou jurisdição. A maioridade penal no Brasil ocorre aos 18 anos, segundo o artigo 27 do Código Penal, reforçado pelo artigo 228 da Constituição Federal de 1988 e pelo artigo 104 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) – Lei nº 8.069/90.(fonte: www.wikipedia.com.br)
Créditos foto: Guilherme Santana
Projeto busca mostrar quais as funções destas empresas públicas e em que contexto se deu sua formação
Pauta: Daniela Brisola
Reportagem: Vanessa Freixo
Edição: Beatriz Assumpção e Marcia Boroski

O Departamento de Administração da Universidade Estadual de Londrina, UEL, está desenvolvendo um estudo histórico e sociológico sobre como as instituições públicas, em seu funcionamento normal e como sua forma de administrar, impactam a natureza. Quem coordena a pesquisa é o professor doutor em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Benilson Borinelli. Ele é graduado e mestre em Administração pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e está a frente do projeto “A Institucionalização da gestão ambiental nas empresas e no governo do Estado do Paraná: etapas, contextos e padrões de relações no período de 1970 a 2006”.
O projeto, segundo o professor, envolve estudantes dos cursos de Administração e Ciências Econômicas e tem o objetivo de buscar os grandes momentos de transição da política pública, as etapas da evolução da política ambiental entre 1970 e 2006. “A configuração da política ambiental moderna é da década de 90, quando se fundem instituições e se criam fundos. No Paraná, isso é evidente. A partir do governo de Álvaro Dias, 1986, as reservas florestais paranaenses só cresceram. O governo de Roberto Requião foi também um grande marco na política ambiental paranaense, pois nesse governo muitas medidas e instituições ambientais foram criadas”, afirmou o professor. Durante o período que a pesquisa se propõe a analisar, algumas medidas foram tomadas em prol do meio ambiente. “ O Paraná é pioneiro em muitas medidas ambientais. O estado criou o 1º Código Florestal do Brasil, em 1907 que visou principalmente um controle sobre a exploração de madeireiras, mas o código ficou restrito aos papéis. Em 1990, foi criado o 1º ICMS ecológico brasileiro (ICMS- Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços), que surgiu como incentivo econômico aos municípios para proteger mananciais e matas” afirma Benilson Borinelli.
O coordenador do projeto também citou outras instituições relacionadas. “Atualmente, também são importantes o SEMA (Secretaria de Estado do Meio Ambiente) e o IAP (Instituto Ambiental do Paraná). Elas foram criadas em 1992, durante o governo do Requião”. Professor Borenilli explicou inclusive que o IAP foi a junção de dois outros órgãos: a SUREHMA (Superintendência de Recursos Hídricos e Meio Ambiente) e o ITCF (Instituto de Terras, Cartografia e Florestas).
A pesquisa, de acordo com Benilson Borinelli, está dividida em duas etapas, a primeira delas buscou informações sobre o passado ambiental do Paraná pela internet e em bibliotecas de Londrina e região, além de possíveis nomes para entrevistas, e acabou de ser concluída. “Nessa primeira fase também foram feitos levantamentos jurídicos, todas as leis desde 1906, relacionados à questão ambiental e que foram aprovadas aqui no Paraná”, complementou o professor. Já na segunda etapa, dados e documentos serão consultados em Curitiba – do Arquivo Público, de bibliotecas das sedes dos órgãos ambientais e do Tribunal de Contas – onde eles se encontram em maioria. A pesquisa procura mapear a evolução da política nesses aspectos e levantar novas questões para futuras pesquisas.
Créditos da foto: Vanessa Freixo
O projeto de extensão “Moda e a terceira idade” faz parte do programa Universidade Aberta à Terceira Idade e ensi
na técnicas de moda aos idosos
Pauta: Daniela Brisola
Reportagem: Beatriz Pozzobon
Edição: Beatriz Assumpção e Marcia Boroski

Universidade Aberta à Terceira Idade, UNATI, é um programa de extensão da Universidade Estadual de Londrina, UEL. Esse programa é coordenado pela mestre em Serviço Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Sandra da Cruz Perdigão Domiciano. De acordo com a coordenadora, o objetivo do programa é realizar trabalhos com características sócio-educativas junto aos idosos de Londrina. “Desenvolvemos um conjunto de atividades inerentes a cada um dos projetos que integram o UNATI, acrescidas as discussões sobre as questões do envelhecimento, da família, da convivência social, da importância de se dedicar um tempo pra si, além de conscientizá-los do Estatuto do Idoso”, explica a coordenadora. O programa, é um projeto do departamento de Serviço Social e abriga subprojetos de diversos departamentos da UEL.
Dentre estes está o projeto de extensão “Moda e terceira idade”, coordenado pela mestre em Educação pela UEL, Margareth Anna Zekveld Daher. A professora é graduada em Educação Artística pela UEL e especialista em Moda pela mesma instituição e é, atualmente, professora do Curso de Design de Moda.
Nas oficinas de Moda, o idoso tem a possibilidade de fazer tingimento, interferência em superfícies, estamparia, produzir echarpes, entre outros. “Nas aulas, eu dou as informações sobre moda, nós discutimos sobre isso, ouço a opinião deles”, afirma Margareth Daher. “É muito gratificante, pois é uma troca de informações”, completa. Ela ressalta que o aprendizado adquirido nas oficinas é, muitas vezes, passado para outros idosos que convivem com os participantes do UNATI. “A intenção do projeto é que cada idoso seja multiplicador do conhecimento que eles adquirem aqui, levando esse conhecimento à comunidade onde estão integrados, seja na igreja, no centro social, em um núcleo de convivência”, explica a professora.
Outra vantagem da oficina de moda é que o idoso produz coisas “palpáveis”, que ele pode usar depois. Margareth Daher conta que na última aula, vários idosos vieram com a camiseta que tinham tingido na aula anterior. “Eu percebo o prazer que eles têm de fazer o trabalho que estão fazendo. Eles escolhem a cor, escolhem a interferência que vão fazer na camiseta. E depois mostram com orgulho, porque é algo feito por eles próprios”, afirma. Ela diz também que com a participação nas oficinas, o idoso pode fazer da atividade um trabalho, produzindo o que aprende para vender.
Conforme salientado pela professora Margareth Daher, a principal vantagem do projeto é que ele reanima os idosos e permite uma renovação na vida deles. “Quando eles entram no projeto eles estão praticamente esquecidos pela família e de repente adquirem de novo uma personalidade, adquirem vontade própria, eles conseguem se manifestar melhor e as pessoas da família passam a respeitá-los mais; parece que eles voltam a ter a importância que eles tinham perdido ao longo do passar dos anos”, conta a professora. Essa reintegração do idoso na sociedade se dá pelo convívio com o grupo, pois o idoso conhece novas pessoas, faz novas amizades, troca conhecimentos.
“Eles descobriram que a saúde deles ainda os permite exercer várias atividades. Inclusive uma das nossas telas, diz: UNATI-UEL: Mais Vida. A Universidade dá realmente essa oportunidade para eles, proporcionando mais vida, com mais qualidade, valorizando a si próprio”, salienta Margareth Daher, satisfeita com os resultados obtidos.
Os participantes do UNATI têm a cima de 60 anos, e hoje são 58 inscritos. As oficinas de moda acontecem todas as terças e quintas feiras à tarde. O projeto é gratuito, as inscrições para 2010 podem ser feita com a professora Sandra da Cruz, coordenadora do programa UNATI, pelo telefone 3371-4614.
Créditos da foto: Beatriz Pozzobon
Departamento de Biologia promoveu Ciclo de Palestras sobre evolução e origem da vida no Cine ComTour
Pauta: Ana Carolina Contato
Reportagem: Alessandra Vitti
Edição: Beatriz Assumpção e Marcia Boroski

No final do mês de outubro, aconteceu o 4º Ciclo de Palestras Origem e Evolução do Universo, da Terra e da Vida, promovido pelo Departamento de Biologia do Centro de Ciências Biológicas (CCB) da Universidade Estadual de Londrina(UEL). O coordenador do Ciclo de Palestras, o professor Rogério Fernandes de Souza, doutor em Genética pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, diz que o evento surgiu a partir de uma ideia conjunta entre ele e mais dois professores da UEL, o professor Dimas A. M. Zaia, doutor em Química Analítica pela Universidade de São Paulo e o professor Luiz Carlos Bruschi, doutor em Histologia, também pela Universidade de São Paulo, já aposentado.
O professor doutor Rogério F. de Souza considera importante a discussão desse tema que, segundo ele, chama a atenção da comunidade acadêmica. “Tenho observado um interesse geral dos alunos na disciplina de evolução. Eu ofereço uma disciplina especial de Evolução Humana, e normalmente temos alunos de vários cursos da Universidade que acabam se inscrevendo”, afirma. O professor ressaltou que o objetivo do evento é exatamente o de integrar as diversas áreas do conhecimento que trabalham com evolução e origem da vida. “De um modo geral, propusemos cobrir esse assunto de diferentes formas, para enriquecer o conhecimento que se tem de evolução. O que vemos nos nossos cursos de graduação hoje é que não há uma integração entre as várias áreas. O aluno de biologia só vê a evolução a partir da questão biológica, o de geologia, a parte geológica e os de filosofia, por uma visão filosófica”, disse. Rogério de Souza ressalta que essa interação entre as disciplinas é muito enriquecedora.
O evento contou com a participação de professores de diversas áreas, como a Geologia, Física, Química e Antropologia, porém sempre tendo em vista esse propósito comum. De acordo com o professor Rogério de Souza, “o objetivo do Ciclo é justamente começar a discutir o assunto dentro do campus. Chamamos vários professores que trabalham em diversos setores da Universidade e que estão ligados de alguma maneira com o tema evolução”.
O Ciclo de Palestras foi direcionado à comunidade, acadêmica e leiga, interessada em evolução e origem da vida, e trouxe uma abordagem bastante diversificada do tema proposto. As palestras trataram de temas como a Astrobiologia, campo da ciência que procura determinar quais são as condições que permitem a origem da vida não só na Terra, como fora do nosso Sistema Solar; a evolução do nosso sistema nervoso; a evolução biocultural do ser humano; bioética e uma palestra sobre a obra da cientista britânica Rosalind Franklin, uma das responsáveis pela descoberta da estrutura helicoidal do DNA.
Além das palestras, esse ano o evento contou com o lançamento do livro, “Avanços da biologia celular e da genética molecular”, escrito pelos professores André Luís Laforga Vanzela, doutor em Ciências Biológicas (Botânica) pela Universidade de São Paulo, e o professor doutor Rogério Fernandes de Souza. O livro trata de temas recentes e polêmicos sobre a manipulação das células e do material genético usado para o desenvolvimento da humanidade. Ele se apresenta com a proposta de abordar temas ligados à Biologia Celular e à Genética, como assuntos que já fazem parte do nosso cotidiano. O livro é voltado para acadêmicos e leigos. Ele é editado pela UNESP e custa R$ 15,00. Pode ser encontrado no site da editora www.editoraunesp.com.br .
Legenda:Rogério Fernandes de Souza, coordenador do 4º Ciclo de Palestras Origem e Evolução do Universo, da Terra e da Vida
Créditos da foto: Alessandra Vitti
Projeto de extensão do Departamento de Estudos do Movimento do Corpo incentiva crianças do Colégio de Aplicação a conhecer o próprio corpo e a respeitar seus limites
Pauta: Daniela Brisola
Reportagem: Camila Venceslau
Edição: Beatriz Assumpção e Marcia Boroski

Está sendo desenvolvido no CEFE, Centro de Educação Física e Esportes da UEL, da Universidade Estadual de Londrina, UEL, o projeto de extensão “Dança na escola: uma proposta para ampliar a socialização de alunos do ensino fundamental em acompanhamento progressivo da 1ª a 3ª série em escola pública de Londrina/PR”. Quem coordena o projeto é a professora especialista em Movimento Humano pela UEL, Débora Beatriz Martins. O trabalho é feito com o auxílio dos estagiários do curso de Licenciatura em Educação Física da Universidade. Eles ensinam dança para 40 crianças do Colégio de Aplicação da UEL e as ajudam a criar consciência de seu espaço e a respeitar o espaço dos outros. Os ensaios do grupo acontecem duas vezes por semana, na quadra de esportes do CEFE. O projeto “Dança na escola” teve início em junho do ano passado, mas os ensaios do grupo só começaram este ano. Seu término está previsto para maio de 2011.
Conexão Ciência: Qual o objetivo do projeto?
Profa. Débora Beatriz Martins – O objetivo, no geral, é intervir junto aos estudantes de forma progressiva. Comecei com os alunos da primeira série do Colégio de Aplicação da UEL e vou com eles até a terceira série, para inserir a dança como elemento de ampliação da socialização. Na socialização você prepara a pessoa e tudo aquilo que há ao redor dela.
Conexão Ciência: Por que a escolha de alunos da 1ª a 3ª série?
Profa. Débora Beatriz Martins -Eu escolhi a primeira série por que o nosso objetivo é um trabalho contínuo com a dança. É como ensinar a criança a ler e escrever. E a proposta que eu sempre tive com a dança é de fazer uma união com outras disciplinas.Com toda sua imaginação, elas ajudam a montar as próprias coreografias, baseadas nas brincadeiras que mais gostam, mas sempre respeitando o que o colega gosta também. Quem assiste, vê um pouquinho de cada um e não uma dança com a “cara” do professor de dança.
Conexão Ciência: De que maneira a dança funciona como elemento de socialização?
Profa. Débora Beatriz Martins - A socialização vai ser feita ao longo do projeto, isso ao longo dos três anos de sua duração. Hoje quando se trabalha com crianças tem que ter muito cuidado, porque os movimentos que eles desenvolvem, se analisarmos, são próprios de cada um deles. Eu não chego lá e falo “vocês vão fazer esse passo”. Nós só orientamos as atividades que eles vão desenvolver, pois a forma como eles desenvolvem as atividades são próprias deles. Espero que ao final do acompanhamento da dança, a criança tenha uma melhor interação com as outras pessoas e que não tenha bloqueios. As atividades que desenvolvemos servem para que a criança aprenda a se gostar, a reconhecer seus limites e os limites dos outros. No final destes três anos de ensino de dança no Aplicação eu quero que a criança saia com a consciência de que aprendeu algo para sua vida.
Conexão Ciência: Existem atividades específicas e direcionadas para cada faixa etária?
Profa. Débora Beatriz Martins - Não, todas as atividades desenvolvidas com crianças de primeira série também podem ser aplicadas em pessoas adultas também. É claro que algumas se voltam para o lado emocional, por que não tem como desenvolver um movimento que não tenha uma ação justificada. A criança tem que sentir prazer naquilo que ela realiza e este prazer deve ser intrínseco a ela, pois se não, ela não vai conseguir se desenvolver na dança. Trabalhando dessa maneira é possível perceber quem são os mais agressivos, os líderes da turma, identificar quais são as crianças que tem dificuldade maior de relacionamento e assim, podemos fazer um mapeamento das necessidades de cada criança, para definirmos de que maneira isso pode ser melhorado.
Conexão Ciência: Já foi feito algum diagnóstico do projeto?
Profa. Débora Beatriz Martins - Ainda não fizemos nenhum diagnóstico, pois o projeto teve início praticamente no segundo semestre deste ano, mas eu e os estagiários que me auxiliam, discutimos quais as melhores atividades a serem aplicadas e em conjunto decidimos o que vai ser feito de acordo com as necessidades que as crianças possuem.No final das atividades, pretendemos desenvolver um caderno pedagógico, para que outros professores da escola possam dar continuidade ao trabalho. Ao longo dos anos em meu trabalho com dança, percebi que depois que terminei as atividades nas escolas o projeto não tinha continuidade. Agora, a nossa proposta é que a professora da turma que estamos trabalhando também atue junto conosco. Assim, além de formar a criança, formamos o professor também.
Conexão Ciência: Para você, o que a dança significa na vida destas crianças?
Profa. Débora Beatriz Martins - Hoje, o que eu observo nos colégios que não possuem aulas de dança, é que todos pensam que a dança é para quem sabe dançar, e isso não é verdade, pois todo movimento repetido ao som de uma música se transforma em dança. É claro que não exigimos que a criança possua técnica de um dançarino de balé. Queremos que elas tenham prazer nos movimentos e uma outra concepção sobre a dança.
Créditos da foto: Camila Venceslau