Alternativas para humanizar o ambiente hospitalar

Sensibilizart realiza a segunda Jornada de Humanização da Saúde e discute a contribuição do lúdico para a cura

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Pauta: Lígia Zampar
Reportagem: Daniela Brisola
Edição: Kauana Neves

Com a participação de estudantes de medicina, farmácia, fisioterapia, enfermagem e odontologia e profissionais das áreas da saúde, o Sensibilizart é um projeto que tenta humanizar o ambiente hospitalar, usando o lúdico e as artes como instrumento. O projeto promoveu, entre os dias primeiro e dois de junho, no Hospital Universitário da Universidade Estadual de Londrina, a Segunda Jornada de Humanização da Saúde. Como no ano passado, em sua primeira jornada, o projeto promoveu palestras e oficinas e contou com a participação de estudantes dos cursos citados.

Uma das palestras do evento foi a ministrada pela professora doutora do departamento de Educação da Universidade Estadual de Londrina, Francismara Neves Oliveira. A professora possui graduação em pedagogia, pela Universidade Estadual de Londrina e mestrado e doutorado em Educação pela Universidade Estadual de Campinas. Com o tema “Resiliência: a importância do lúdico em sua construção”, Francismara Neves Oliveira iniciou a palestra com um vídeo sobre a atividade dos “palhaços dos hospitais”. Após esse vídeo, a professora falou sobre alguns princípios norteadores da resiliência como o da autonomia versus heteronomia que é um conceito instrumentalizador, na formação do profissional da área médica, em que o médico deve enxergar o ser humano que existe além do paciente, com seus medos, angústias e expectativas. Outro vídeo foi exibido para contar a vida do médico, as suas dificuldades e as formas de tratamento para cada paciente e isso foi contado com trechos de filmes com personagens médicos.

Após o vídeo, Francismara Neves Oliveira explicou a relação entre o lúdico e a resiliência. Para ela, o lúdico é uma alternativa ao processo de cura e possui diversos tratamentos nas diversas áreas médicas. Também explicou que o lúdico promove a saúde emocional e atenua a hostilidade imposta pelas condições adversas às quais a pessoa está submetida. “Todos temos uma “ludicidade” que deve ser resgatada”, afirmou durante a palestra.

Em entrevista após o evento, Francismara Neves Oliveira explicou que resiliência é a capacidade do sujeito de oferecer respostas aos desafios aos quais ele é submetido na vida. “Algumas pessoas enfrentam problemas e parecem ter uma estrutura melhor para esse enfrentamento do que outras. Algumas adoecem psiquicamente, emocionalmente e às vezes até fisicamente em decorrência daquela situação que elas estão enfrentando”, explicou. Segundo a pedagoga, esse é um termo que vem da física e que significa a capacidade do material de sofrer pressão e não se deformar.

Francismara Neves Oliveira também explicou que através do lúdico é possível observar as relações internas do sujeito, evocando novas elaborações intrínsecas e permitindo surgir as representações que a pessoa faz de si mesma, do mundo e das possibilidades de enfrentamento dos problemas. “O lúdico é, para nós, um excelente veículo de aproximação, uma possibilidade muito rica de aproximação.”, afirmou. Ela relacionou o lúdico ao projeto Sensibilizarte. “Eles têm uma frente que é da música, eles têm grupo de palhaço e eles têm artesanato e nas três frentes eles priorizam o lúdico, porque eles trabalham com criança em situação de enfrentamento, uma condição muito adversa, que é a de internamento prolongado, de quimioterapia e de outras situações que fragilizam essas crianças.”, disse. Nessas situações adversas se manifestam as vulnerabilidades, sendo necessária a intervenção do lúdico. “A relação que nós estamos tentando fazer agora é como promover resiliência a essa população por meio do lúdico. Como o lúdico pode oferecer possibilidade de enfrentamento, como é que o lúdico pode desencadear a construção da resiliência, tornar essas crianças mais fortalecidas para o enfrentamento que elas têm que ter”, contou.

A importância do lúdico no tratamento foi ressaltada pela professora. “Tanto ele permite que essas questões, a dor da criança, a dor não só física, a angústia, a ansiedade diante daquele quadro, daquilo que está acontecendo com ela, as perdas, as situações que elas enfrentam, as emoções que ela tem que enfrentar por conta da situação, ela vem à tona por meio do lúdico. É um modo de resignificação que a criança encontra. Ele é fundamental. E para quem está acompanhando também, tanto a família quanto a equipe médica.”. A professora contou também que o lúdico serve como forma de atenuar o tratamento médico tradicional, beneficiando a criança. “Nós acreditamos que o lúdico pode fazer esse papel e também pode trazer para nós um observável que é o que essa criança está vivendo que talvez de outra forma nós não tivéssemos acesso.”

Francismara Neves Oliveira é a nova professora responsável pelo Sensibilizarte que anteriormente tinha apenas cunho voluntário, sendo coordenado por estudantes. Ela falou sobre a mudança que deseja fazer. “Nós estamos estudando a possibilidade. Hoje o foco do projeto é o voluntariado, são os alunos que trabalham de forma voluntária no projeto. A idéia é transformar em um projeto de extensão da universidade.Ele vai perder esse caráter de voluntariado, mas ele vai ganhar muito com a questão de um projeto que possa ter espaço, não só do que eles fazem do ponto de vista prático lá no hospital, mas também como um campo de estudo, de diferentes áreas do conhecimento, questões interdisciplinares, o olhar da saúde, o olhar da educação, o olhar da psicologia sobre essa questão”, disse a professora, que vai tentar voltar o foco do projeto para a questão da resiliência. “É uma discussão que eu venho fazendo a parte e que agora nós estamos tentando incorporar ao que o Sensibilizarte já faz. Como por meio do lúdico a resiliência pode ser promovida nessas crianças que estão passando por situações muito adversas”, afirmou.

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Uma resposta para Alternativas para humanizar o ambiente hospitalar

  1. Jaleco Vida disse:

    Olá!!!
    Estou divulgando meu Blog. È sobre o desenvolvimento de uma vestimenta de segurança contra risco biológico para o profissional da saúde, foi tema do meu TCC. Será um prazer recebe-lo como visitante. Se puder deixar sua opinião a respeito, eu agradeço desde já.

    Viviane Bernal

    http://jalecovida.wordpress.com

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