Projeto prevê controle biológico do mofo branco

Novembro 23, 2009

Pesquisa busca algumas medidas para amenizar a aparição da doença que atinge culturas de grande interesse econômico

Pauta: Daniela Brisola

Reportagem: Juliana Benetti

Edição Beatriz Assumpção e Fernanda Cavassana

Segundo o site da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (SEAB)*, acessado no dia 28 de setembro de 2009, o plantio da soja vai aumentar na safra do próximo verão. A SEAB afirma que a soja é uma das principais culturas de plantio do estado, tem elevada importância econômica e que os produtores preferem o plantio desse grão “pelos preços mais compensadores, pela maior liquidez no mercado e menor risco na condução das lavouras”.

Entretanto, de acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o plantio da soja e de outras culturas pode ser comprometido devido à existência de pragas. Uma das doenças mais relevantes é o mofo branco, causado pelo fungo Sclerotinia sclerotiorum, hospedeiro de mais de 300 espécies de plantas. A partir desta informação, o professor Martin Homechin, docente do curso de Agronomia na Universidade Estadual de Londrina (UEL), graduado em Agronomia pela Fundação Faculdade de Agronomia Luiz Meneghel, mestre e doutor em Agronomia pela Universidade de São Paulo (USP), desenvolveu o projeto de controle biológico da podridão ou mofo branco da soja.

Segundo Homechin, o projeto surgiu devido a dificuldade do controle biológico de seu agente causador (o fungo Sclerotinia sclerotiorum), que consegue sobreviver por um período prolongado e acaba formando uma estrutura de resistência às tentativas de controle, como o uso de fungicidas. Além disso, Martin Homechin observa que tentar amenizar a ocorrência do fungo é de extrema necessidade, porque ele afeta diferentes culturas de grande importância econômica, como a soja, o feijão e o algodão.

O projeto, que foi iniciado em 2007 e ainda está em desenvolvimento, tem como objetivo avaliar as alternativas de controle integradas do fungo. Homechin exemplifica algumas delas, como o emprego de tecnologias de microorganismos como biocontroladores e o teste de diferentes tipos de sistemas de aplicação – o que inclui desde a maneira de plantar as sementes, o melhor tipo de solo e a melhor época para o plantio. Após as alternativas de controle serem aplicadas, é feito o acompanhamento da sobrevivência do patógeno (agente causador da doença) para avaliar se a medida foi eficaz.

Homechin ressalta que outro ponto importante do projeto é tentar reduzir a utilização de componentes químicos nas culturas, o que, atualmente, é uma exigência do consumidor, que busca alimentos mais saudáveis, e porque existem leis que limitam o uso de tais componentes. Ele ainda afirma que “hoje em dia a linha de pesquisa do projeto tem interesse relevante, pois leva em consideração a saúde humana e o controle de doenças e pragas”.

 

* http://www.seab.pr.gov.br/modules/qas/aviso.php?codigo=2084

 


Londrina recebeu o 12º Encontro Nacional de Astronomia

Novembro 16, 2009

Evento, que aconteceu na UEL, reuniu cerca de mil pessoas interessadas em divulgar e discutir a astronomia

Exposição..

Pauta: Ana Carolina Contato
Reportagem: Guilherme Popolin
Edição: Kauana Neves

A Universidade Estadual de Londrina (UEL) recebeu nos dias 31 de Outubro e 1º de Novembro, o 12º Encontro Nacional de Astronomia (ENAST).O evento, que é um dos mais importantes da América Latina, reuniu astrônomos profissionais, amadores e a comunidade em geral. Como parte das comemorações do ano internacional da astronomia, também foram realizados o 1º Encontro Brasileiro de Observadores de Cometas (EBOC) e o 1º Encontro Latino-Americano de Astronomia (ELAST), que aconteceram simultaneamente.

Segundo Miguel Fernando Moreno, astrônomo amador e coordenador do evento, o ENAST começou como um encontro de astrônomos amadores e pessoas que tinham interesse pela astronomia. “Hoje, contamos com cerca de mil participantes, desde o mais leigo ao mais profissional, justamente para poder fundir os esforços para divulgar a astronomia”, afirma.

O coordenador explica que o empenho e os trabalhos do Grupo de Estudo e Divulgação de Astronomia de Londrina (GEDAL), o qual é presidente, foram fatores primordiais para que a cidade de Londrina fosse aceita, em 2007, como a sede do ENAST em 2009. “Esse é o maior evento de astronomia que já aconteceu no Brasil, e leva o nome de Londrina e da UEL para o país todo. Mostramos que a astronomia é mais que ficar olhando o céu com telescópio a procura de estrelas”, completa Moreno. O GEDAL é uma associação civil sem fins lucrativos formado por indivíduos das mais variadas formações culturais e profissionais.O grupo promove observações, palestras e eventos em prol da divulgação da astronomia.

Várias atividades foram oferecidas aos participantes do 12º ENAST /1º ELAST, como palestras e exposição de painéis, divididos nas áreas de ensino, pesquisa e construção amadora de telescópio. Também foram ministrados mini-cursos específicos para professores do ensino fundamental e médio, auxiliando os docentes a desenvolverem atividades relacionadas à astronomia com seus respectivos alunos. Os mini-cursos tratavam de diversas temáticas, desde formas de reconhecimento do céu à introdução meteorítica e análise e classificação de meteoritos.

Para contemplar o público mais jovem, ocorreram apresentações para estudantes de ensino fundamental e médio (“ENASTINHO”), que de forma lúdica e didática, promoveram uma melhor compreensão das questões astronômicas e instigaram uma maior curiosidade pelo cosmos. As pessoas que participaram do ENAST também puderam conferir a exposição de instrumentos astronômicos, que foi aberta ao público, e aproveitar a Astrofesta, em que vários equipamentos foram montados, a fim de observar o céu, que na noite do dia 31 estava com a lua cheia. O evento contou com a ajuda de vários patrocinadores, o que possibilitou que fosse gratuito e oferecido a uma grande parcela de interessados, de leigos a especialistas.

Como parte da programação, foram realizados uma exposição e um concurso de astrofotografias. O administrador e astrônomo amador, Sandro Vieira Rosa, do Clube de Astronomia de Brasília, expôs o seu trabalho e explicou que as fotografias são feitas com equipamentos astronômicos, sendo a grande maioria com câmeras fotográficas semiprofissionais, que são encaixadas diretamente no telescópio.A exposição foi aberta a todos que tivessem uma astrofotografia, e os ganhadores do concurso receberam prêmios fornecidos pelos patrocinadores.


Curso de moda colabora com o mercado de Londrina

Novembro 15, 2009

Projeto da UEL busca fortalecer o setor da moda londrinense

prof. Lucimar

Pauta: Ana Carolina Contato
Reportagem: Isabela Verri Sanches
Edição: Kauana Neves

“Para mim design de moda é o mesmo que o curso de moda”, foi a resposta dada por Camila Suemi, estudante do 2° ano do curso de Química da UEL, quando perguntada sobre o que significa design de moda para ela; a estudante completa dizendo que ao comprar roupas leva em consideração fatores tais como: se a peça veste bem, se é barata e do que seu tecido é feito. Já para Lara Zapata, estudante do 3° ano do curso de Biologia da UEL, os fatores levados em conta são outros: “Ao comprar uma roupa procuro ver se ela é estilosa, não muito se está na moda, mas se ela faz o meu estilo”.

E é sobre moda e sua produção, que a professora Lucimar de Fátima Bilmaia, junto das professoras Cleuza Bittencourt Ribas, Maria Celeste de Fátima e Valdirene Aparecida de Freitas, trata no projeto: “Gestão integrada e cultura organizacional do design de moda”. Lucimar Bilmaia, coordenadora do projeto, é graduada em Letras pela Universidade Estadual de Londrina (1996), especializada em Moda (1998) e em Gestão do Design (2004) pela Universidade Estadual de Londrina, mestre em desenho industrial pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2006), e atualmente é professora do Curso de Graduação em Design de Moda e de Especialização em Moda da UEL.

Segundo a coordenadora, o projeto surgiu em conjunto com o Arranjo Produtivo Local (APL) do vestuário de Londrina. A APL atua no setor de vestuário atendendo a toda cadeia têxtil da região, bem como o mercado nacional e internacional, e a professora Lucimar Bilmaia, que hoje faz parte da governância da APL, se integrou a ela logo em seu início, no final de 2006, e lá, em contato com entidades e empresários do setor, percebeu o quanto seria interessante interligá-la a um projeto de pesquisa na UEL. “A maior conquista desse projeto foi ter inserido a instituição de ensino às empresas do setor. Através da APL nós conseguimos levantar os dados de como está o mercado e, simultaneamente, disseminar o nosso trabalho”, afirma.

Para a professora, design de moda é produzir algo inovador, que movimente o setor; “é pensar o produto do design de moda no âmbito de projeto do produto, e não no âmbito de cópia de produtos já disseminados e encontrados no mercado”. Lucimar Bilmaia explica que o setor de moda em Londrina ainda sobrevive da imitação de produtos já em circulação no mercado, que possuem, assim, um formato já saturado pelo setor e que não é mais propício para os dias atuais.

Nesse sentido, o projeto, de acordo com a professora, visa contribuir para a formação de uma cultura de design de moda, que pense a confecção de roupas desde a sua concepção ao seu descarte. Segundo ela, o projeto busca elaborar planos estratégicos para fortificar o setor; “estudamos os seus pontos fracos e fortes, e a partir daí, apontamos quais devem ser as estratégias adotadas pelas empresas do ramo”. Para a professora a parceria entre instituição de ensino e empresas do setor de moda foi uma grande conquista, pois com ela foi aberto espaço para que os alunos do curso possam atuar profissionalmente, por meio de estágios, e em contrapartida as empresas que dão espaço para esses profissionais recebem o retorno, tornando-se mais competitivas.

“Nós trabalhamos a gestão de design de moda para micro e pequenas empresas, que são maioria em Londrina e região, ajudando-as a conceber os seus produtos, consequentemente, tornando-as mais competitivas e com identidade própria, para que Londrina seja, assim, produtora de moda e não reprodutora”, explica a especialista, “Um dos maiores índices de empregabilidade está na área de moda e design, tratando-se de um mercado promissor, que pode ser ainda mais fortificado com a presença de profissionais sérios formados e atuantes na área”.

De acordo com coordenadora do projeto, muito se conquistou desde o surgimento do curso de Design de Moda da UEL, em 1997; a mentalidade do mercado está se modificando e o setor está se firmando como cultura de moda. “Esse avanço deve-se a esse número de profissionais formados, que nós indicamos às empresas, e às marcas que os estão empregando já sentem o diferencial que eles provocam”.

O projeto, iniciado em 1° de setembro de 2008, tem seu término previsto para setembro de 2010, no entanto, a professora Lucimar Bilmaia destaca que o trabalho junto ao grupo não terminará e que ele dará lugar há novos projetos.


O perfil da violência em Londrina

Novembro 15, 2009

Projeto do departamento de Geociências “Geografia da Violência Urbana em Londrina” analisa dados referentes a agressões e acidentes na cidade

foto Geografia

Pauta: Ana Carolina Contato
Reportagem: Willian Casagrande Fusaro
Edição: Kauana Neves

Os números em relação à violência urbana na cidade são preocupantes: ocupa o 60° lugar no índice de assassinatos de jovens, com uma média de 3,01 em cada mil vítimas, de acordo com o Instituto de Homicídios na Adolescência (IHA), e tem 65% de seus moradores inseguros com relação à violência urbana, segundo pesquisa feita pelo instituto Paraná Pesquisas, de Curitiba/PR. Com vistas a estudar esse quadro, iniciou-se o projeto “Geografia da Violência Urbana de Londrina”, coordenado pela professora doutora Márcia Siqueira de Carvalho, do Departamento de Geociências da Universidade Estadual de Londrina (UEL). O projeto, que iniciou em 2008, tem previsão de término para 2011.

A professora, graduada em Geografia pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e pós-doutora em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo (USP), explica os objetivos do projeto e seus pontos básicos. “Pretendemos estabelecer uma geografia da violência urbana em Londrina, tanto em ambientes públicos, como ruas, praças, quanto em lugares privados, como residências, lojas etc.”, explica. O projeto também aborda, de acordo com a docente, os tipos de violência que ocorrem na cidade e como se dá essa análise. “A grande divisão (do objeto de estudo do projeto) se dá entre acidentes, muitos deles automobilísticos, e agressões, tanto por armas brancas ” armas perfurantes ou cortantes, como facas, espadas, punhais etc. – quanto por armas de fogo. Para conseguir os dados, estamos atrelados a SIATE (Polícia Militar do Paraná), que nos passa as informações para listarmos os acontecimentos”.

Os dados do SIATE são importantes, segundo Márcia Siqueira, porque possibilitam observar a localização do ocorrido, a idade da vítima e a hora em que acontecem os acidentes e agressões. Apesar de o estudo abordar a criminalidade tanto nos espaços privados quanto nos públicos, a coordenadora afirma que as ocorrências se dão mais em locais públicos. “Observamos que os acidentes e as agressões acontecem mais em vias públicas. As referências para os atendimentos de que o SIATE dispõe são basicamente de locais públicos, como ruas, praças, dentre outros lugares”, comenta.

O tráfico de drogas, de acordo com a pesquisadora, é o fator que mais se associa à criminalidade em Londrina. O maior motivo de mortes por causa externas é a violência vinculada a armas de fogo e armas brancas, entretanto há, segundo a pesquisadora, um “alto índice de letalidade” nos acidentes com carros. Em relação à região mais afetada, a professora afirma que é a central, tanto nos acidentes automobilísticos quanto nas agressões, estas que acontecem, na maioria das vezes, próximas ao Terminal Central. Os motivos das agressões e dos desastres não são estudados pelo projeto. pois há o intuito primeiro de localizar e mapear os ocorridos. “É evidente que há influência de fatores externos em alguns casos, mas os acidentes de bicicleta, por exemplo, ocorrem geralmente às cinco e meia e seis horas, ou seja, em horários em que não há grande uso de bebidas alcoólicas pelos indivíduos. Também não consideramos a presença ou não de unidades policiais. Apenas observamos o quanto são perigosas algumas áreas urbanas de Londrina”.

Para o estudo do projeto, a docente esclarece buscar em princípios sociológicos a explicação dos fatores da violência nas cidades. “No campo da Sociologia, há fatores que fomentam e também os que afirmam a violência urbana. A pobreza, por exemplo, é um fator que pode levar à violência, embora não seja um fator causal das agressões. Alguns fatores existem e, às vezes, não são tão relevados, como a cultura machista, que pode levar à violência contra as mulheres, e o fator cultural, o qual faz os indivíduos obterem, geralmente por meio do crime, da prostituição ou do tráfico, produtos que representam status social”, diz a doutora Márcia Siqueira. A docente afirma, também, que a análise dos “fatores sociais” ajuda na compreensão das relações de violência localizadas na sociedade.

Além da coordenadora, projeto conta com a participação do graduando Leandro Balan, bolsista do CNPQ e estudante de iniciação científica, e das mestrandas em Geografia Carolina Kobayashi e Saadia Maria Borba Martins.

Legenda da foto: Carolina Kobayashi, Márcia Siqueira de Carvalho e Leandro Balan, participantes do projeto “Geografia da Violência Urbana em Londrina”, que iniciou em 2008 e tem previsão de término para 2011


Mal-estar no ambiente de trabalho

Novembro 15, 2009

Projeto da UEL estuda o fenômeno do assédio moral nas relações profissionais e ajuda na prevenção e tratamento de vítimas

Cristiane

Pauta: Daniela Brisola
Reportagem: Guilherme Popolin
Edição: Kauana Neves

“Frequência, tempo e intencionalidade”.Segundo a professora Cristiane Vercesi, da UEL, esses são os fatores determinantes para que exista o assédio moral. Formada em psicologia pelo Centro de Estudos Superiores de Londrina, e Doutora em Educação pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, utiliza sua experiência na área de Psicologia Organizacional e do Trabalho para coordenar o projeto de extensão: “Assédio Moral: Uma proposta preventiva da manutenção do bem-estar nas relações de trabalho”.

O objetivo do projeto é conscientizar e reduzir as formas de opressão, perseguição e ameaça nas relações de trabalho. De acordo com a professora, a prática sistemática de assédio moral está presente em vários aspectos da sociedade, mas nos ambientes em que se tem relação de poder (pai-filho, chefe-subordinado) é encontrada com mais frequência. “As vítimas são pessoas muito envolvidas com seus trabalhos, e exercem muito bem as suas tarefas. Provocam a insegurança do assediador, que aproveita qualquer oportunidade para destruí-la”, afirma Cristiane Vercesi.

Segundo a professora Cristiane Vercesi, esse tipo de ação é feita de forma que pareça irrelevante, como pequenos atos e comentários pejorativos, que formam uma complexa rede do assédio. “As situações criadas, como boicote ou informações errôneas, criam situações que fazem a vítima entrar em crise, sua exercitando incompetência”, afirma. De acordo com a professora, além do mal-estar no ambiente de trabalho, que pode resultar na remoção de setor ou demissão do funcionário, também acarreta problemas, como insônia, queda de cabelo e, em casos mais extremos, suicídios.

O projeto consiste em reuniões semanais com o grupo de supervisão, em que participam estudantes do 4º e 5º anos de psicologia. São realizadas atividades de leitura, que preparam os estudantes para o bom entendimento e abordagem do tema. Na clínica psicológica* são realizados atendimentos a servidores em dois horários semanais. A professora Cristiane Vercesi já proferiu palestras em Curitiba e em várias cidades do norte do Paraná. O grupo de estudantes acompanha a professora durante as palestras para receber essa formação e poder esclarecer as pessoas. Para a doutora, o trabalho é a própria divulgação, sendo o “boca-a-boca”, o principal meio.

“Minha perspectiva é dentro da psicologia social“, afirma a professora Cristiane Vercesi, para explicar como é feita a avaliação do projeto, que é através dos aspectos da consciência e subjetividade. Para a professora, o resultado das ações do projeto é imediato, já que o sujeito, ao conversar ou assistir uma palestra, começa a entender toda a situação que está acontecendo com ele, e, assim, se proteger. “É um processo de conscientização e reflexão. Configuramos o fenômeno para a pessoa, e ao se dar conta do problema, ela já apresenta uma melhora”, explica a doutora, que compartilha a idéia da socialização do problema, como benefício para o sujeito, pois causa um relaxamento e um olhar diferenciado sobre as dificuldades.

Para a professora, as pessoas, quando assumem o poder sobre alguma coisa, muitas vezes não refletem se elas são competentes, e acham que o poder é suficiente para realizar a função. “Espero que as pessoas parem de ser perversas em suas atividades cotidianas, e que sejam mais competentes”, conclui.

*O atendimento na clínica psicológica acontece duas vezes por semana, no horário de almoço. O contato para obter mais informações e agendar uma consulta é o telefone do Centro de Ciências Biológicas (CCB): 3371-4487. Não é cobrada nenhuma taxa e o sigilo é absoluto.


Pesquisa estuda as instituições ambientais no Estado do Paraná

Novembro 1, 2009

Projeto busca mostrar quais as funções destas empresas públicas e em que contexto se deu sua formação

Pauta: Daniela Brisola

Reportagem: Vanessa Freixo

Edição: Beatriz Assumpção e Marcia Boroski

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O Departamento de Administração da Universidade Estadual de Londrina, UEL, está desenvolvendo um estudo histórico e sociológico sobre como as instituições públicas, em seu funcionamento normal e como sua forma de administrar, impactam a natureza. Quem coordena a pesquisa é o professor doutor em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Benilson Borinelli. Ele é graduado e mestre em Administração pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e está a frente do projeto “A Institucionalização da gestão ambiental nas empresas e no governo do Estado do Paraná: etapas, contextos e padrões de relações no período de 1970 a 2006”.

O projeto, segundo o professor, envolve estudantes dos cursos de Administração e Ciências Econômicas e tem o objetivo de buscar os grandes momentos de transição da política pública, as etapas da evolução da política ambiental entre 1970 e 2006. “A configuração da política ambiental moderna é da década de 90, quando se fundem instituições e se criam fundos. No Paraná, isso é evidente. A partir do governo de Álvaro Dias, 1986, as reservas florestais paranaenses só cresceram. O governo de Roberto Requião foi também um grande marco na política ambiental paranaense, pois nesse governo muitas medidas e instituições ambientais foram criadas”, afirmou o professor. Durante o período que a pesquisa se propõe a analisar, algumas medidas foram tomadas em prol do meio ambiente. “ O Paraná é pioneiro em muitas medidas ambientais. O estado criou o 1º Código Florestal do Brasil, em 1907 que visou principalmente um controle sobre a exploração de madeireiras, mas o código ficou restrito aos papéis. Em 1990, foi criado o 1º ICMS ecológico brasileiro (ICMS- Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços), que surgiu como incentivo econômico aos municípios para proteger mananciais e matas” afirma Benilson Borinelli.

O coordenador do projeto também citou outras instituições relacionadas. “Atualmente, também são importantes o SEMA (Secretaria de Estado do Meio Ambiente) e o IAP (Instituto Ambiental do Paraná). Elas foram criadas em 1992, durante o governo do Requião”. Professor Borenilli explicou inclusive que o IAP foi a junção de dois outros órgãos: a SUREHMA (Superintendência de Recursos Hídricos e Meio Ambiente) e o ITCF (Instituto de Terras, Cartografia e Florestas).

A pesquisa, de acordo com Benilson Borinelli, está dividida em duas etapas, a primeira delas buscou informações sobre o passado ambiental do Paraná pela internet e em bibliotecas de Londrina e região, além de possíveis nomes para entrevistas, e acabou de ser concluída. “Nessa primeira fase também foram feitos levantamentos jurídicos, todas as leis desde 1906, relacionados à questão ambiental e que foram aprovadas aqui no Paraná”, complementou o professor. Já na segunda etapa, dados e documentos serão consultados em Curitiba – do Arquivo Público, de bibliotecas das sedes dos órgãos ambientais e do Tribunal de Contas – onde eles se encontram em maioria. A pesquisa procura mapear a evolução da política nesses aspectos e levantar novas questões para futuras pesquisas.

Créditos da foto: Vanessa Freixo


Oficina de moda ajuda na valorização do idoso

Novembro 1, 2009

O projeto de extensão “Moda e a terceira idade” faz parte do programa Universidade Aberta à Terceira Idade e ensi

na técnicas de moda aos idosos

Pauta: Daniela Brisola

Reportagem: Beatriz Pozzobon

Edição: Beatriz Assumpção e Marcia Boroski

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Universidade Aberta à Terceira Idade, UNATI, é um programa de extensão da Universidade Estadual de Londrina, UEL. Esse programa é coordenado pela mestre em Serviço Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Sandra da Cruz Perdigão Domiciano. De acordo com a coordenadora, o objetivo do programa é realizar trabalhos com características sócio-educativas junto aos idosos de Londrina. “Desenvolvemos um conjunto de atividades inerentes a cada um dos projetos que integram o UNATI, acrescidas as discussões sobre as questões do envelhecimento, da família, da convivência social, da importância de se dedicar um tempo pra si, além de conscientizá-los do Estatuto do Idoso”, explica a coordenadora. O programa, é um projeto do departamento de Serviço Social e abriga subprojetos de diversos departamentos da UEL.

Dentre estes está o projeto de extensão “Moda e terceira idade”, coordenado pela mestre em Educação pela UEL, Margareth Anna Zekveld Daher. A professora é graduada em Educação Artística pela UEL e especialista em Moda pela mesma instituição e é, atualmente, professora do Curso de Design de Moda.

Nas oficinas de Moda, o idoso tem a possibilidade de fazer tingimento, interferência em superfícies, estamparia, produzir echarpes, entre outros. “Nas aulas, eu dou as informações sobre moda, nós discutimos sobre isso, ouço a opinião deles”, afirma Margareth Daher. “É muito gratificante, pois é uma troca de informações”, completa. Ela ressalta que o aprendizado adquirido nas oficinas é, muitas vezes, passado para outros idosos que convivem com os participantes do UNATI. “A intenção do projeto é que cada idoso seja multiplicador do conhecimento que eles adquirem aqui, levando esse conhecimento à comunidade onde estão integrados, seja na igreja, no centro social, em um núcleo de convivência”, explica a professora.

Outra vantagem da oficina de moda é que o idoso produz coisas “palpáveis”, que ele pode usar depois. Margareth Daher conta que na última aula, vários idosos vieram com a camiseta que tinham tingido na aula anterior. “Eu percebo o prazer que eles têm de fazer o trabalho que estão fazendo. Eles escolhem a cor, escolhem a interferência que vão fazer na camiseta. E depois mostram com orgulho, porque é algo feito por eles próprios”, afirma. Ela diz também que com a participação nas oficinas, o idoso pode fazer da atividade um trabalho, produzindo o que aprende para vender.

Conforme salientado pela professora Margareth Daher, a principal vantagem do projeto é que ele reanima os idosos e permite uma renovação na vida deles. “Quando eles entram no projeto eles estão praticamente esquecidos pela família e de repente adquirem de novo uma personalidade, adquirem vontade própria, eles conseguem se manifestar melhor e as pessoas da família passam a respeitá-los mais; parece que eles voltam a ter a importância que eles tinham perdido ao longo do passar dos anos”, conta a professora. Essa reintegração do idoso na sociedade se dá pelo convívio com o grupo, pois o idoso conhece novas pessoas, faz novas amizades, troca conhecimentos.

“Eles descobriram que a saúde deles ainda os permite exercer várias atividades. Inclusive uma das nossas telas, diz: UNATI-UEL: Mais Vida. A Universidade dá realmente essa oportunidade para eles, proporcionando mais vida, com mais qualidade, valorizando a si próprio”, salienta Margareth Daher, satisfeita com os resultados obtidos.

Os participantes do UNATI têm a cima de 60 anos, e hoje são 58 inscritos. As oficinas de moda acontecem todas as terças e quintas feiras à tarde. O projeto é gratuito, as inscrições para 2010 podem ser feita com a professora Sandra da Cruz, coordenadora do programa UNATI, pelo telefone 3371-4614.

Créditos da foto: Beatriz Pozzobon


Origem e Evolução do Universo, da Terra e da Vida

Novembro 1, 2009

Departamento de Biologia promoveu Ciclo de Palestras sobre evolução e origem da vida no Cine ComTour

Pauta: Ana Carolina Contato

Reportagem: Alessandra Vitti

Edição: Beatriz Assumpção e Marcia Boroski

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No final do mês de outubro, aconteceu o 4º Ciclo de Palestras Origem e Evolução do Universo, da Terra e da Vida, promovido pelo Departamento de Biologia do Centro de Ciências Biológicas (CCB) da Universidade Estadual de Londrina(UEL). O coordenador do Ciclo de Palestras, o professor Rogério Fernandes de Souza, doutor em Genética pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, diz que o evento surgiu a partir de uma ideia conjunta entre ele e mais dois professores da UEL, o professor Dimas A. M. Zaia, doutor em Química Analítica pela Universidade de São Paulo e o professor Luiz Carlos Bruschi, doutor em Histologia, também pela Universidade de São Paulo, já aposentado.

O professor doutor Rogério F. de Souza considera importante a discussão desse tema que, segundo ele, chama a atenção da comunidade acadêmica. “Tenho observado um interesse geral dos alunos na disciplina de evolução. Eu ofereço uma disciplina especial de Evolução Humana, e normalmente temos alunos de vários cursos da Universidade que acabam se inscrevendo”, afirma. O professor ressaltou que o objetivo do evento é exatamente o de integrar as diversas áreas do conhecimento que trabalham com evolução e origem da vida. “De um modo geral, propusemos cobrir esse assunto de diferentes formas, para enriquecer o conhecimento que se tem de evolução. O que vemos nos nossos cursos de graduação hoje é que não há uma integração entre as várias áreas. O aluno de biologia só vê a evolução a partir da questão biológica, o de geologia, a parte geológica e os de filosofia, por uma visão filosófica”, disse. Rogério de Souza ressalta que essa interação entre as disciplinas é muito enriquecedora.

O evento contou com a participação de professores de diversas áreas, como a Geologia, Física, Química e Antropologia, porém sempre tendo em vista esse propósito comum. De acordo com o professor Rogério de Souza, “o objetivo do Ciclo é justamente começar a discutir o assunto dentro do campus. Chamamos vários professores que trabalham em diversos setores da Universidade e que estão ligados de alguma maneira com o tema evolução”.

O Ciclo de Palestras foi direcionado à comunidade, acadêmica e leiga, interessada em evolução e origem da vida, e trouxe uma abordagem bastante diversificada do tema proposto. As palestras trataram de temas como a Astrobiologia, campo da ciência que procura determinar quais são as condições que permitem a origem da vida não só na Terra, como fora do nosso Sistema Solar; a evolução do nosso sistema nervoso; a evolução biocultural do ser humano; bioética e uma palestra sobre a obra da cientista britânica Rosalind Franklin, uma das responsáveis pela descoberta da estrutura helicoidal do DNA.

Além das palestras, esse ano o evento contou com o lançamento do livro, “Avanços da biologia celular e da genética molecular”, escrito pelos professores André Luís Laforga Vanzela, doutor em Ciências Biológicas (Botânica) pela Universidade de São Paulo, e o professor doutor Rogério Fernandes de Souza. O livro trata de temas recentes e polêmicos sobre a manipulação das células e do material genético usado para o desenvolvimento da humanidade. Ele se apresenta com a proposta de abordar temas ligados à Biologia Celular e à Genética, como assuntos que já fazem parte do nosso cotidiano. O livro é voltado para acadêmicos e leigos. Ele é editado pela UNESP e custa R$ 15,00. Pode ser encontrado no site da editora www.editoraunesp.com.br .

Legenda:Rogério Fernandes de Souza, coordenador do 4º Ciclo de Palestras Origem e Evolução do Universo, da Terra e da Vida

Créditos da foto: Alessandra Vitti


Fatos e Mitos do Aquecimento Global

Outubro 27, 2009

Palestra sobre mudanças climáticas é destaque na XXV Semana de Geografia da UEL

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Pauta: Daniela Brisola
Reportagem: Karina Constâncio
Edição: Kauana Neves

O Departamento de Geografia realizou nos dias 5 a 9 de outubro a XXV Semana de Geografia da Universidade Estadual de Londrina. O evento teve como tema “A Geografia no início do século XXI: tendências e perspectivas”. Dentro da programação da Semana, foi destaque a palestra sobre mudanças climáticas que ocorreu no dia 6 de outubro no Anfiteatro do Centro de Ciências Humanas (CCH) da UEL. Denominada “Mudanças Climáticas Globais” foi ministrada pelo Professor Doutor Luiz Carlos Baldiero Molion da Universidade Federal de Alagoas. Ele possui graduação em Física pela Universidade de São Paulo, Phd em Meteorologia pela University of Wisconsin em Madison, pós-doutorado em Hidrologia de Florestas pelo Institute of Hydrology em Wallingford (UK), pesquisador Senior aposentado do INPE/MCT (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais / Ministério da Ciência e Tecnologia), atualmente trabalha como professor associado da Universidade Federal de Alagoas, professor visitante da Western Michigan University e professor de pós-graduação da Universidade de Évora em Portugal.

Molion critica o aquecimento global e afirma que nos próximos anos, na verdade, vai haver um resfriamento do planeta. Segundo o físico, o aquecimento ocorreu mesmo entre 1977 a 1998 e atualmente não existem bases científicas sólidas para o aquecimento global, ao contrário, todos os dados convergem para a conclusão de que a Terra está esfriando. Outra crítica estabelecida por ele é quanto à interferência humana no clima. Para o professor, as mudanças climáticas globais acontecem por causas naturais e não pelas mãos do homem.

De acordo com o gráfico apresentado por Molion, o planeta já passou por dois resfriamentos e dois aquecimentos: até 1920 a temperatura era mais baixa que a atual e foi chamada de Pequena Era do Gelo, depois disso houve um rápido aquecimento entre 1925 e 1946, sucedido por um novo resfriamento entre 1947 e 1976 e de 1977 a 1998 as temperaturas voltaram a atingir índices mais elevados. Ele analisa que no primeiro aquecimento, o homem praticamente não lançava carbono na atmosfera, já após a Segunda Guerra Mundial, quando começou o desenvolvimento acelerado da indústria, ocorreu o aumento da emissão de carbono e a temperatura diminuiu. “Eu concluí, em um artigo escrito em 1990, que esse aquecimento de 1925 a 1946 teria sido por causas naturais, como o aumento da atividade solar e o aumento da transparência da atmosfera, e não tinha nada a ver com o efeito estufa já que o homem na época lançava menos de 10% do carbono que lança hoje. Curiosamente, depois que o homem intensificou suas atividades houve um decréscimo na temperatura, então não posso dizer que está havendo um aquecimento global e muito menos atribuir ao homem culpa sobre as mudanças no clima” completou o professor.

O IPPC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas) afirmou, no ano de 2007, em seu “Sumário Executivo para Formuladores de Política”, que o aumento da temperatura média global, a partir de 1950, foi devido ao crescimento da emissão dos gases de efeito estufa, como o gás carbônico e o metano. Conforme Molion, nem o metano nem o gás carbônico controlam a temperatura global. Nota-se, de acordo com ele, que nos últimos 10 anos, mesmo tendo aumentado as fontes, o metano se estabilizou e, embora tenha aumentado a concentração de gás carbônico na atmosfera, as temperaturas continuam caindo. O físico também critica o “Protocolo de Kyoto” que propõe reduzir 5,2% das emissões humanas de 2008 a 2012. Segundo ele, reduzir a emissão de gás das fontes artificiais não vai adiantar nada. “Estima-se que os fluxos naturais de carbono ” que vêm dos oceanos, da vegetação e do solo ” sejam da ordem de 200 bilhões de toneladas por ano (com um erro de 20%, podendo então ser 40 bilhões para mais ou 40 bilhões para menos) e o homem coloca na atmosfera 6 bilhões de toneladas por ano. A margem de erro é 7 vezes maior do que o que homem coloca. Reduzir então a emissão das fontes artificiais não adianta enquanto nós não tivermos uma idéia muito boa do controle das fontes naturais.”

Molion ainda afirma que o clima é complexo e depende de fatores internos e externos e destaca que o sol, o ciclo hidrológico e a temperatura do Oceano Pacífico são grandes controladores da temperatura do planeta. A cada 90 anos, o sol entra em um mínimo de atividade produzindo menos energia e causando, portanto, o resfriamento da Terra. De acordo com o professor, até 2030 o sol vai atingir esse mínimo, o Pacífico também estará em uma nova fase fria e, baseado nos acontecimentos do passado, podemos esperar primaveras mais violentas, frequências maiores de tempestades, tornados, tempestades elétricas, chuvas de granizos e invernos mais rigorosos. O resfriamento do planeta, segundo ele, é uma péssima notícia, o frio é terrível para o ser humano, com o aumento da ocorrência de epidemias, e para a agricultura. O físico ressalta que não estamos preparados para o resfriamento, mas que podemos nos adaptar, procurando cultivos e métodos que sejam mais resistentes a geadas e preservando o ambiente.

O que está por trás de todo o aparato ideológico em cima do aquecimento global, de acordo com o professor, só a história poderá dizer, mas existem interesses econômicos e políticos envolvidos. Como justificativa, ele estabelece uma comparação com o caso dos gases CFC (Clorofluorcarbono) que acusados de destruir a camada de ozônio foram, por meio do “Protocolo de Montreal” (1987), eliminados e substituídos por outros gases e percebe-se hoje que cinco indústrias localizadas nos EUA, Inglaterra, Alemanha, França e Canadá é que realmente se beneficiaram. Molion chama essa atitude de neocolonialista, ou seja, para conseguir uma dominação econômica e tecnológica, aponta que o aquecimento global está seguindo o mesmo caminho com o “Protocolo de Kyoto” e acusa que quando os países falam em redução da emissão de carbono eles estão falando na redução de energia elétrica e isso significa acabar com o desenvolvimento social dos países em desenvolvimento ou que vão se desenvolver. Para o físico o que deve ser combatido é a poluição (enxofre) e não o gás carbônico.

Molion finaliza destacando a importância da preservação ambiental para a humanidade “A conservação ambiental é necessária independente do clima. Inevitavelmente, vai ocorrer o aumento da população e se nós não passarmos a preservar o ambiente, mudar hábitos de consumo, reciclar, economizar energia, vai ser muito difícil a raça humana permanecer nesse planeta.”


O ensino da música para crianças

Outubro 27, 2009

Conferência de abertura do XVIII Congresso Nacional da Associação Brasileira de Educação Musical trata da maneira como se ensina música para crianças

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Pauta: Daniela Brisola
Reportagem: Isabella Verri Sanches
Edição: Kauana Neves

Entre os dias seis a nove de outubro aconteceu, em Londrina, o XVIII Congresso Nacional da Associação Brasileira de Educação Musical (ABEM), junto com o 15º Simpósio Paranaense de Educação Musical, promovido pela UEL. Segundo o site oficial do ABEM (http://www.abemeducacaomusical.org.br/abem2009/), o evento teve como objetivo debater, redefinir e estabelecer novas ações que possam ampliar e consolidar formas de atuações da ABEM. A sua programação contou com apresentações musicais, rodas de discussão, bate-papo e painéis temáticos, cursos e palestras.

A Conferência de abertura do evento realizou-se no Cine Teatro Ouro Verde, ministrada pela americana Patrícia Campbell, e teve como tema: “A educação musical nos diferentes contextos”. Patrícia Campbell é Docente na Universidade de Washington, onde ministra cursos com interfaces entre a educação musical e etnomusicologia, além de coordenar projetos comunitários musicais universitários, entre eles o Music Alive! no vale do Yakima, em Washington.

A palestrante define seu trabalho como sendo “pelo amor das crianças: música, educação e cultura”, onde música, educação e cultura seriam as palavras-chaves para entendermos sua forma de trabalhar com as crianças. Patrícia Campbell fala que todos nós precisamos de uma expressão musical, “todos os homens são musicais, a música é um ato social e é acolhimento”. Ela afirma que todas as crianças já nascem para pulsar música, ou seja, elas já nascem musicais, porém a sociedade reprime isso nelas. Uma questão muito presente, então, no trabalho de Patrícia Campbell é modo de ensinar a música para essas crianças.

Para a palestrante, todos temos histórias que permeiam os nossos trabalhos, onde nós transmitimos as nossas experiências, “o que eu aprendo eu acabo transmitindo, pois sou professora”, afirma ela. Entretanto, Patrícia Campbell enfatiza o fato de que as “crianças não são nós”, elas não são partituras em branco, elas trazem seu jeito específico de processar a música, que se baseia nas suas culturas, e é na sala de aula que há pontes que ligam a musicalidade dos professores com a dos estudantes. Ela diz que os professores devem se questionar quanto a: quem são as crianças que ensinam, como elas aprendem à música, que música elas valorizam, se o que realmente importa é o contexto ou a forma como as crianças recontextualizam as músicas, entre outros questionamentos.

Patrícia Campbell defende que cabe aos professores reconhecer os diferentes e a responsabilidade de ir além da superficialidade da música, colocando as pessoas em estado de questionamento e troca, “me preocupo com que ao ensinar eu não faça com que as pessoas entrem em desacordo com elas mesmas”. Segundo ela, para que o ensino da música não acabe desafinando as crianças é preciso que as escolas não se apeguem a uma única tradição cultural, trazendo, assim, várias culturas musicais para a sala de aula.

A palestrante fala que não se deve ensinar música separando canto, dança e o tocar dos instrumentos, essa concepção se relaciona com a visão das crianças, pois para elas todos esses elementos não se separam um do outro, “o que as crianças entendem por música é diferente da nossa concepção”, explica.

Patrícia Campbell afirma que na hora de lecionar, primeiro ensina-se o que está mais próximo de você, a sua herança, depois o treinamento musical e o que você absorveu da música e, por fim, ensina-se a música da comunidade, o que as crianças trazem como herança. “O que ensinamos vem da gente, das crianças, da família e da comunidade”, define a palestrante.

“Tenho sorte por trabalhar com as crianças”, explica Patrícia Campbell. Segundo ela, as crianças, quando possuem a oportunidade, falam sobre o caráter social familiar da música, do seu lado funcional, da influência do professor e de suas preferências. A professora dá exemplos de frases proferidas pelas crianças durante essas conversas: “música me dá forças para continuar meu caminho”, “eu amo o sentimento da música”, “quando canto parece que todo mundo gosta de mim”, “me relaciono com as pessoas através da música”, “algumas músicas ajudam as histórias a passarem”, “ninguém conhece a minha música além de mim”, entre outros exemplos.

Para Patrícia Campbell “a música depende da sua história, do treino, daquilo que se recebe da comunidade, do que é meu e do que é nosso”, e um professor que a ensina é poderoso enquanto esperança e diferença, acreditando naquilo que faz.