Crianças do CEI participam da caminhada pela paz

outubro 2, 2011
Acompanhando a “onda” de movimentos pela paz em Londrina, o Centro de Educação Infantil da UEL mobiliza crianças e realiza passeata no campus universitário

A pedagoga Keli Cristina da Silva Ferreira, chefe de divisão da educação infantil do CEI, explicou como ocorreu a caminhada dos alunos.

Edição: Beatriz Pozzobon
Pauta: Cláudia Hirafuji
Reportagem: Ana Maria Simono 
Cerca de 90 alunos do Centro de Educação Infantil (CEI) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) realizaram, no dia 19 de setembro, a Caminhada pela Paz. Vestidas de branco, com cartazes e faixas na cabeça, crianças de dois a seis anos de idade caminharam por todo o calçadão do campus Universitário rumo ao letreiro da UEL, localizado em frente ao Centro de Ciências Biológicas (CCB).

Durante o percurso, as crianças pediam “queremos a paz na cidade e no mundo!”. As faixas que usavam e os cartazes que carregavam, segundo a pedagoga Keli Cristina da Silva Ferreira*, foram confeccionados, em classe, pelos próprios alunos. “A caminhada faz parte de um trabalho realizado anteriormente. As professoras trabalharam a temática da paz em sala de aula, contaram histórias e construíram com as crianças os cartazes e bandeirinhas utilizados na passeata”, ressalta.

A ideia é da professora Giselle Aparecida Marcatu Almeida, e representa mais uma das inúmeras campanhas que tem se espalhado sobre o assunto no mundo todo. As chacinas escolares, que antes pareciam restringir-se apenas aos americanos, “chegaram” ao Brasil. Massacres como Realengo (zona oeste do Rio de Janeiro), em abril, e casos como o do menino David Mota Nogueira, de 10 anos, que se matou após atirar em uma professora, em setembro, na região do ABC Paulista (SP), tem se tornado cada vez mais frequentes. Por vezes, a opinião pública tem sido surpreendida com notícias de violência nas escolas.

Dessa forma, surgem campanhas pela paz em Londrina, no Brasil e no mundo. Para Keli Ferreira, o objetivo principal da instituição ao promover ações desse tipo é mostrar e enfatizar as noções de paz e respeito inclusive no cotidiano dos indivíduos. Ela falou sobre o modo como procuram tratar do assunto com os alunos menores: “Começamos falando da paz e da não-violência em atos simples, como não bater, não morder, não gritar. Com o tempo, essa compreensão alcança o âmbito social e as crianças maiores já conseguem entender a importância dessas práticas sociais”, explica.

A pedagoga esclarece ainda que o evento foi inspirado no “Abraço do Lago Igapó”, que ocorreu um dia antes da passeata e reuniu cerca de 3 mil pessoas para celebrar a paz em Londrina.“É fundamental trabalharmos com a questão de valores porque, segundo a psicologia, é esse o momento em que o indivíduo começa a construir sua personalidade, seu caráter. Então abordamos, em sala de aula, muitos aspectos como solidariedade, respeito, amor ao próximo, paz e cooperação entre os alunos”, destaca.

De acordo com Keli Ferreira, a caminhada foi bastante significativa para os estudantes, que ficaram muito felizes com a ação. Ela também afirma que o evento mobilizou também as famílias dos alunos. “Os pais, que não trabalhavam no período, se animaram com a iniciativa e se dispuseram a participar do evento, concedendo inclusive entrevistas para a imprensa local”, observa.

A pedagoga explica que o evento faz parte do projeto “Sou Criança, Sou Cidadão”, criado em 2004 e abordado durante o segundo semestre deste ano pelo CEI da UEL. A próxima ação do projeto, segundo ela, será a distribuição, via alunos, de caixas nos diversos centros da Universidade para coletar roupas e brinquedos infantis que serão doados a duas instituições assistenciais.

O trabalho de conscientização em prol das práticas cidadãs continua, e o CEI convida toda a comunidade a juntar-se aos alunos da educação infantil para realizar atividades de cidadania, paz e respeito nas escolas.

*Keli Cristina da Silva Ferreira é formada em pedagogia e especializada em psicopedagogia pela Universidade Estadual de Londrina. Atualmente, atua como chefe de divisão da educação infantil do CEI/CAMPUS.

Crédito da foto: Ana Maria Simono

Departamento de Enfermagem da UEL realiza Simpósio sobre idosos

outubro 2, 2011
Evento reuniu estudantes e profissionais das áreas de geriatria e gerontologia para discutir a respeito da assistência integral e de qualidade a idosos

Solenidade de abertura do Simpósio. Segundo dados apresentados no evento, o grupo dos muito idosos é a parcela da população que, proporcionalmente, mais cresce no mundo.

Edição: Beatriz Pozzobon
Pauta: Cláudia Hirafuji
Reportagem: Ana Luisa Casaroli 
O departamento de Enfermagem da Universidade Estadual de Londrina (UEL) promoveu, nos dias 23 e 24 de setembro, o Simpósio de Assistência Integral e de Qualidade a Idosos. “O objetivo do Simpósio é possibilitar reflexões sobre a qualidade da assistência que se tem prestado aos idosos e compartilhar os trabalhos que estão sendo realizados na área”, conta Mara Solange Gomes Dellaroza, coordenadora do evento. Ela é graduada em Enfermagem e Obstetrícia pela UEL, mestre em Enfermagem Fundamental pela Universidade de São Paulo (USP) e responsável pelo Grupo de Estudos do Envelhecimento (GESEN) da UEL.

Segundo a professora, dentre os cerca de 140 inscritos, estão acadêmicos da própria Universidade, profissionais da saúde, integrantes da secretaria do Idoso e estudantes de pós-graduação. Os assuntos abordados abrangem as áreas de geriatria e gerontologia. A primeira é uma especialidade médica, enquanto a segunda é uma especialização que outros profissionais também podem adquirir. Ambas tratam da saúde do idoso.

A professora Mara Dellaroza enfatizou as diferenças a serem consideradas quanto à condição de cada paciente. “Há pacientes praticamente autônomos. Nesses casos, trabalhamos formas de estimular um estilo de vida saudável. Mas também temos que pensar no paciente altamente dependente, no limite de sua fragilidade”, salienta. A enfermeira mencionou o falecido Papa João Paulo II como uma pessoa que soube viver e sempre buscou a melhor forma para isso.

Na solenidade de abertura, Martha Beatriz Issa, representante da Secretaria Municipal da Saúde, ressaltou a importância da prevenção, e não apenas da cura, com relação à saúde na terceira idade. Também presente, Liz Clara Ribeiro de Campos, secretária Municipal do Idoso, lembrou que Londrina é a única cidade do Paraná que possui uma secretaria específica para o idoso.

Ainda no primeiro dia, os participantes assistiram à palestra do presidente da seção Paraná da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, Rodolfo Augusto Alves Pedrão, que também é médico geriatra. Entre os temas apresentados, estavam dados sobre a população idosa. Ele citou, por exemplo, que, em 1950, os idosos representavam 4% da população brasileira. Hoje, já são 10%.

Rodolfo Pedrão também comentou a respeito do fenômeno denominado “feminização da velhice”, o qual se refere ao maior número de mulheres que chegam à terceira idade. Segundo ele, em 1960, eram 98 homens idosos para cada 100 mulheres idosas. A previsão para 2020 é que essa relação seja de 77 para 100.

No segundo dia do evento, foram realizadas três mesas redondas, uma palestra e duas apresentações de relatos e experiências. O princípio de integralidade no tratamento dos anciãos foi bastante ressaltado no Simpósio. “É necessário que se tenha integração de serviços por meio de redes assistenciais, reconhecendo a interdependência das ações e das instituições. Não se deve tratar cada problema isoladamente”, finaliza o médico Rodolfo Pedrão.


Professor da UEL estuda História Ambiental do rio Tibagi

outubro 2, 2011
Professor do departamento de História da UEL desenvolve projeto que objetiva traçar um perfil histórico entre a bacia hidrográfica Tibagi e a colonização do norte do Paraná

Professor doutor Gilmar Arruda é o autor do projeto História Ambiental do Rio Tibagi

Edição: Beatriz Pozzobon
Pauta: Ana Karla Teixeira
Reportagem: Roberto Alves 

“O campo historiográfico definido como História Ambiental é um ramo que se propõe investigar as relações entre o ser humano e a natureza, com o fim de avaliar o lugar da natureza na sociedade humana e o lugar dos homens na natureza”. É o que afirma o professor doutor Gilmar Arruda, formado em História, mestre e doutor em História pela Unesp (Assis). Possui pós-doutorado em Meio Ambiente e Desenvolvimento pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Ele desenvolveu o projeto “História Ambiental do rio Tibagi”, com o objetivo de traçar um perfil histórico entre a bacia hidrográfica Tibagi e a colonização do norte do Paraná.

De acordo com o professor doutor, o que se examina com este projeto, em relação ao rio Tibagi são: estradas e territórios, as transformações, a era das barragens, ciência, ambientalistas e política, entre outros temas que recobrem o período entre os séculos XIX a XXI. “A temática de pesquisa faz parte dos desdobramentos que ocorrem na carreira de um pesquisador” diz o professor doutor Gilmar Arruda, que na época de doutorado elaborou um trabalho chamado “Cidades e sertões”. Um dos capítulos desse trabalho aborda a perspectiva moderna de natureza na sociedade brasileira, em que trata da ideia de natureza como recurso natural e a ocupação humana dos territórios.

Após o doutorado, realizado em 1997, o professor doutor dedicou-se a uma pesquisa chamada “Cidades de fronteiras”, que traçou um estudo a respeito de cidades nas regiões que outrora eram florestas, tais como Londrina, Maringá ou pequenas cidades como Ibiporã e Cambé. Cidades relativamente novas que surgiram durante a década de 1930. A partir desse projeto, Arruda começou a elaborar a pesquisa sobre o rio Tibagi, relacionando com a ocupação do território.

Gilmar Arruda foi convidado para ser suplente representante no Comitê da bacia do rio Tibagi, órgão que gerencia a política de ocupação e aproveitamento do rio. Com isso, ele aproximou-se da ideia de estudar mais profundamente a natureza dos rios.

Percebendo haver uma carência de estudos para esse campo, surgiu a ideia de desenvolver o projeto “História Ambiental do Rio Tibagi”. “Na História Ambiental há muitos estudos sobre desmatamento, que é a parte mais visível do ambiente; já sobre as relações do homem com o rio há poucos estudos”, observa o professor doutor.
Partindo do principio que o rio, na verdade, é uma enorme bacia hidrográfica, dispondo de um enorme conjunto de fatores naturais tais como as microbacias, solo, fauna, flora.

O projeto estuda que todos os recursos de que o rio dispõe vão ao encontro das necessidades do homem no aspecto da formação das populações locais, das quais se originaram as cidades que compõem grande parte do norte do Paraná.

Gilmar Arruda explica que os estudos do projeto avaliam o desenvolvimento das cidades e as transformações tanto da natureza quanto da sociedade, e os conflitos decorrentes do uso rio e do território dentro da perspectiva de um cruzamento da história da bacia do Rio Tibagi com a formação das cidades que cerceiam o rio e o desenvolvimento das mesmas.

O projeto já atraiu vários participantes em iniciação cientifica, além de render artigos científicos nas revistas Signos Históricos (México) e na Varia História publicada em Belo Horizonte.

Crédito da foto: Roberto Alves

Departamento de Física da UEL promove Semana de Física

setembro 12, 2011
Evento realizado no anfiteatro do CESA chega à 16ª edição com foco na atividade profissional da área de Física  

Professor Edson Laureto, coordenador da Semana de Física

Edição: Beatriz Pozzobon
Pauta: Cláudia Hirafuji
Reportagem: Roberto Alves 
Entre o final de agosto e o início de setembro foi realizada a 16ª edição da Semana de Física, em uma parceria entre a Universidade Estadual de Londrina (UEL) e o Colégio Portinari. Este ano, o evento coordenado pelo professor doutor Edson Laureto*, tem como tema: “Física: perspectivas profissionais”, no qual foram debatidas as diversas possibilidades de campo de trabalho para os profissionais de Física.

A abertura do evento foi realizada no Teatro Marista com a presença do astronauta brasileiro Marcos Pontes. “O astronauta ministrou uma palestra extremamente motivadora para os que fazem Física, ou querem ingressar no ramo. Ele é um dos grandes divulgadores da ciência no nosso país atualmente”, destaca o professor doutor Edson Laureto.

Entre outras atrações, o evento contou com a presença de Edson Kuramoto, físico e presidente da Associação Brasileira de Energia Nuclear. Kuramoto fez importantes esclarecimentos sobre a tragédia ocorrida na cidade de Fukushima, no Japão, vitimada por um tsunami no início do ano, e também sobre a viabilidade do uso de energia nuclear no Brasil e no mundo.

Outra grande presença no evento foi do professor Espero Morato, do Instituto de Pesquisas Médicas de São Paulo (IPEM). O professor Morato é um físico empreendedor, pois tem uma empresa que realiza pesquisas e aplicações do raio laser em diversas áreas industriais e aplicações médicas. “O professor Morato abordou em sua palestra um trabalho muito interessante sobre a fabricação de stents, pequenas molas que são inseridas nas artérias do coração e que são produzidas com a tecnologia do laser”, explica Edson Laureto.

Tendo como foco as atividades profissionais da Física, foram realizadas mesas redondas entre alunos participantes e diversos representantes tais como Diuza de Souza Almeida, técnica pedagoga da área de Física do núcleo regional de ensino. Foram debatidas questões sobre as perspectivas profissionais para o futuro da Física.

O professor Amando Ito, da USP de Ribeirão Preto concedeu palestra na noite de sexta-feira, dia 2 de setembro. “Ito trabalhou diretamente na comissão que elaborou uma proposta para regulamentar a profissão do físico no Brasil, que atualmente está em discussão no Congresso Nacional” diz o professor doutor Edson Laureto.

Segundo Edson Laureto, a Física passa por um período de expansão no Brasil, pois na história do ensino nunca houve tantos investimentos como tem ocorrido atualmente. “Para citar um exemplo a UEL tem todos os seus pós-graduandos com bolsas do governo federal, bolsas da CNPQ e bolsas da Fundação Araucária do Paraná. Ninguém está fazendo pós-graduação na UEL sem bolsa, pois o governo está custeando as bolsas de todos os estudantes”, destaca o professor doutor.

Ele também revela que há uma perspectiva de conseguir aumentar a “fatia” de físicos nas indústrias, pois estas estão percebendo o potencial dos profissionais de física para desenvolver projetos e aplicar conhecimentos na área industrial. “Acreditamos que a Física é a mãe de todas as ciências e é um conhecimento estratégico para o país se desenvolver científica e tecnologicamente”, finaliza o professor doutor Edson Laureto.

*Edson Laureto: Graduado em Física pela UEL, mestre e doutor em Física pela Unicamp. Atualmente, é professor adjunto da UEL.

Crédito da foto: Roberto Alves

Curso de Atualização em Biotecnologia e Biossegurança é promovido na UEL

setembro 12, 2011
Departamento de Agronomia e Programa de Pós-graduação em Agronomia da UEL oferecem curso; livro “Culturas transgênicas: uma abordagem de benefícios e riscos” é lançado 

Ouvintes assistem à palestra do Dr. Marcelo Nishikawa. O potencial do mercado agrícola brasileiro e os desafios para o futuro da Biotecnologia foram os principais assuntos tratados.

Edição: Beatriz Pozzobon
Pauta: Cláudia Hirafuji
Reportagem: Ana Luisa Casaroli

Os dois primeiros dias do mês de setembro marcaram a agenda dos estudantes e profissionais da área de agronomia, em Londrina. O Departamento de Agronomia, em parceria com o Programa de Pós-graduação em Agronomia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), promoveu um curso sobre Biotecnologia e Biossegurança. A professora doutora Valéria Carpentieri Pípolo, chefe do Departamento, também aproveitou a oportunidade para lançar seu livro “Culturas transgênicas: uma abordagem de benefícios e riscos”.

Valéria Pípolo é formada em Agronomia pela UEL, tem mestrado em Genética e Melhoramento de Plantas pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP), doutorado em Agricultura também pela UNESP, além de duas especializações e dois pós-doutorados realizados fora do país. Ela conta que a Biotecnologia, dentro das tecnologias agrícolas, tem sido a de maior adesão. “Por isso, nós, como cientistas, temos o dever de testar os benefícios que ela traz e avaliar seus ricos e sua sustentabilidade”, explica.

O curso foi dividido em dois dias. Ambas as apresentações foram realizadas no Anfiteatro Maior do Centro de Ciências Humanas (CCH), no campus da UEL. No primeiro dia do curso, os alunos tiveram uma palestra com o doutor Marcelo Nishikawa, líder de desenvolvimento da Monsanto Brasil, importante empresa agrícola.

Ele é graduado em Agronomia pela UNESP, tem mestrado em Genética e Melhoramento de Plantas também pela UNESP, doutorado no mesmo tema pela Universidade de São Paulo (USP), além de uma especialização e dois pós-doutorados. “No Brasil, precisamos de profissionais com conhecimento em Biotecnologia; temos dificuldades imensas em encontrar mão-de-obra nesse ramo”, atenta Nishikawa.

No segundo dia, os participantes assistiram à palestra de Giuliano Degrassi, pesquisador do International Centre for Genetic Engeneering and Biotechnology (ICGEB), da Itália. O professor fez uma avaliação dos impactos negativos potenciais das culturas transgênicas e de seus produtos e derivados.

Segundo a professora Valéria Pípolo, inscreveram-se para o curso cerca de 200 pessoas. “São profissionais da iniciativa privada, professores da Universidade, estudantes de graduação e estudantes de pós-graduação de diversos cursos”, afirma.

Com tema semelhante ao curso, o livro “Culturas transgênicas: uma abordagem de benefícios e riscos”, organizado pela professora doutora, reúne pesquisas e experiências de 37 autores de cinco países diferentes (Brasil, Argentina, Estados Unidos, Suíça e Itália).

De acordo com Valéria Pípolo, o livro visa fornecer aos leitores as informações necessárias para um debate a respeito dos transgênicos, com embasamento científico, sem o envolvimento emocional ou ideológico. “Foi com muita satisfação que organizei essa obra, e acredito que, nesse trabalho de parceria, cumprimos nosso papel de disponibilizar a informação científica e contribuir para o desenvolvimento de competências”, comenta.

O livro está disponível na Livraria da UEL, que funciona das 8h às 19h, de segunda a sexta-feira, em frente à Biblioteca Central. Mais informações pelo telefone (43) 3371-4691 ou pelo e-mail livraria-uel@uel.br.

Crédito da foto: Ana Luisa Casaroli


Presidente do IPEA discute problemas socioeconômicos brasileiros

setembro 12, 2011
Em palestra ministrada na UEL, o economista Márcio Pochmann ilustrou o panorama econômico mundial e brasileiro

O presidente do IPEA, Márcio Pochmann, explicou, em palestra na UEL, o panorama social e econômico atual do Brasil

Edição: Beatriz Pozzobon
Pauta: Cláudia Hirafuji
Reportagem:Rafael Gratieri
No fim de agosto, o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e economista, professor doutor Márcio Pochmann*, ministrou uma palestra na Universidade Estadual de Londrina (UEL). No evento, sob o título “Conjuntura socioeconômica brasileira e Universidade”, Pochmann discutiu temas da economia brasileira.

Antes de se aprofundar na realidade do Brasil, o presidente do IPEA expôs o atual cenário socioeconômico mundial. “Estamos diante de uma transição de uma velha ordem para outra ordem. Ela revela-se justamente pelo fato que há um deslocamento do centro dinâmico do mundo, constituído dos Estados Unidos, para outros países. Aos Estados Unidos acresce a União Européia, a Ásia, especialmente a China, e o Brasil”, explica Márcio Pochmann.

Temas ambientais também foram abordados pelo economista. Ele utilizou como exemplo o padrão de desenvolvimento industrial dos Estados Unidos. “Esse padrão não pode atingir mais do que um quarto da população mundial. Mais do que isso há efeitos maléficos desse padrão de produção e consumo, que se tornaria insustentável do ponto de vista ambiental”, afirma Pochmann.

Esse modelo norte-americano não poderia se aplicar a todos os países ou pessoas do globo. “O debate que estamos vivendo hoje é como transitar desse padrão de desenvolvimento insustentável ambientalmente para outro. Evidentemente, temos dificuldades que não são pequenas, apesar de esforços de determinados setores”, esclarece o economista.

A partir disso, o professor doutor Márcio Pochmann discutiu a problemática brasileira, comentando algumas deficiências do país quando comparado a países mais ricos. “Nós não somos um país desenvolvido, ele ainda é caracterizado pelo subdesenvolvimento, pela profunda desigualdade que marca a sociedade, pelas diferenças entre pobres e ricos. E ademais, não reunimos as características básicas dos países capitalistas desenvolvidos, como: moeda de curso internacional, um sistema de defesa, ou seja, forças armadas de nome e inovações tecnológicas”, exemplifica o presidente do IPEA.

O economista elucida os desafios que serão enfrentados pelas políticas públicas no futuro, como a questão da demografia e envelhecimento da população brasileira, fatos intimamente ligados. “A partir de 2030, devemos entrar em uma fase de regressão absoluta no número de brasileiros. Nós vamos ter uma quantidade de pessoas que nascem menor do que o número de pessoas que morrem”, mostra Pochmann. “Nós não estamos preparados para conviver com essa mudança etária, considerando o que significa do ponto de vista da saúde pública, o impacto que vai ter isso do ponto de vista da mobilidade social, da mobilidade territorial”, completa.

Com base em estatísticas e levando em consideração as características da sociedade brasileira de hoje, o professor doutor Márcio Pochmann explica por quê levar em consideração o fator étnico. “Em 2030 podemos ter quase 70% dos brasileiros na condição de não-brancos. Digo isso não por uma questão preconceituosa, mas pelo reconhecimento de que as pessoas não-brancas no Brasil são aquelas que têm mais dificuldade de acesso à educação, à saúde e aos bons empregos. Se nós não tivermos uma ação adequada, do ponto de vista de políticas públicas, nós corremos o risco de aprofundar as desigualdades no Brasil”, esclarece o economista.

Ainda sobre o tema, o presidente do IPEA comenta sobre as cotas, relacionando-as sob um viés econômico e social do país. “As políticas de cotas são um avanço certamente, mas elas se mostram suficientes apenas para gerar uma elite não-branca. Nós precisamos trabalhar cada vez mais na universalização das políticas. É um desafio inegável no Brasil de hoje”, destaca Pochmann.

O papel da educação ao longo da vida, incluindo o cidadão inserido no mercado de trabalho, também foi abordado por Márcio Pochmann. “Na sociedade atual, do conhecimento, é fundamental estudar a vida toda. Mesmo estando no mercado de trabalho, mesmo sendo adulto, é necessário estudar – seja para o trabalho, seja para a complexidade da vida que representa o mundo moderno das tecnologias de informação”, esclarece o presidente do IPEA.

Após mostrar o panorama completo socioeconômico brasileiro, o economista encerrou sua palestra fazendo um apelo. “Nós que temos acesso à educação temos mais responsabilidade, pois nós temos o conhecimento, que é uma peça fundamental da construção do novo Brasil. Não há nada que nos impeça de transformar o Brasil senão o medo. O medo de ousar, de se rebelar, de escrever a nossa história com nossas próprias mãos”, conclui o professor doutor Márcio Pochmann.

* Márcio Pochmann é economista e formou-se pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com especialização em ciências políticas e em relações do trabalho. É mestre e doutor em economia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).Desde 2007 é o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).

Crédito da foto: Rafael Gratieri

Abertura da “Exposição UEL 40 anos” reúne convidados no Museu Histórico de Londrina

agosto 21, 2011
Em comemoração aos 40 anos da Universidade, exposição e revista comemorativa são lançadas em noite no Museu Histórico    

Durante a solenidade, a reitora Nádina Aparecida Moreno destacou: “Quantas pessoas não construíram e ajudaram a edificar essa instituição? É o momento de resgatar essa memória, porque sem memória não há história”.

Edição: Beatriz Pozzobon
Pauta: Cláudia Yukari Hirafuji
Reportagem: Ana Luisa Casaroli
“É uma grande emoção celebrar os 40 anos da nossa Universidade, depois de tantas dificuldades que passamos para fundá-la”, frisa Ascêncio Garcia Lopes, o primeiro-reitor da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Ele foi um dos convidados presentes na inauguração da exposição que comemora a data, no Museu Histórico de Londrina.

O evento foi realizado na noite do dia 11 de agosto e, após a cerimônia de abertura, todos saborearam um grande bolo de aniversário. Em seu discurso, a reitora da UEL, Nádina Aparecida Moreno, conta que, tanto ela, como a vice-reitora Berenice Quinzani Jordão, entraram na UEL em 1977, como alunas.  “Quarenta anos atrás, ninguém podia imaginar o que seria a Universidade Estadual de Londrina e, hoje, é difícil imaginar a cidade sem ela”, completa a reitora.

A exposição não foi o único presente que a Universidade recebeu. Também foi lançada uma revista comemorativa, produzida pela equipe de jornalismo da Coordenadoria de Comunicação Social da UEL (COM), com projeto gráfico dos estudantes do Curso de Design Gráfico. As 64 páginas vêm repletas de fotos antigas e atuais, que mostram o crescimento da instituição.

A edição apresenta temas variados: detalhes sobre o Campus, especificidades de cada centro, vestibular, Movimento Estudantil, Hospital Universitário, Orquestra Sinfônica, histórias de ex-alunos, entre outros temas. Também traz uma entrevista com o ex-governador do Paraná, Paulo Pimentel, quem assinou, em 1970, o decreto de criação da Universidade. No ano seguinte, ela seria plenamente reconhecida pelo Ministério da Educação.

Maria Lopes Kireff, presidente da Associação Amigos do Museu, compareceu à solenidade. Ela destacou a importância do Museu Histórico de Londrina para a preservação da história da cidade. “Essa exposição é bastante especial porque os 40 anos da UEL representam muito para uma jovem cidade de menos de 80 anos”, afirma.

A exposição está disposta em três salas, totalizando 180 metros quadrados. Entre as curiosidades, há relíquias como o primeiro rádio gravador utilizado pela rádio universitária e instrumentos cirúrgicos e odontológicos da década de 70. Um grande painel mostra dados sobre a instituição: são 64 cursos, 1.635 docentes, 13.549 estudantes de graduação ativos e 61.350 concluintes (1971-2010). Somando alunos, professores e servidores, há cerca de 23 mil pessoas diariamente na UEL, uma das 15 maiores universidades do país.

As fotos dos jardins e árvores do Campus colorem a exposição. Outro destaque é o mural de fotografias “3X4”. O fotógrafo do museu Rui Cabral foi responsável por fotografar alunos, professores e funcionários em diversos pontos da Universidade. “Conseguimos aproximadamente 1.370 fotos, mas aceitamos voluntários. Quem quiser, pode nos trazer sua foto”, garante.

A “Exposição UEL 40 anos” ficará aberta até o fim de outubro, no Museu Histórico de Londrina (Rua Benjamin Constant, 900), de terça a sexta-feira da 9h às 11h30 e das 14h30 às 17h30. Aos sábados e domingos, das 9h às 11h30 e das 13h30 às 17h. A reitora lembrou que haverá um baile no Iate Clube, no dia 7 de outubro, para festejar o aniversário da UEL, e pediu a presença dos londrinenses.


Biblioteca Central promove exposição para marcar o Dia da Fotografia

agosto 21, 2011

Exposição comemora o Dia Mundial da Fotografia com obras do fotógrafo José Juliani   

Comissão organizadora da exposição. Respectivamente: Maria Aparecida Letrari, Claudete Spuzeti, Izabel Aguiar, Enidelci Zaquia e Olga Nishimura.

Edição: Beatriz Pozzobon
Pauta: Cláudia Yukari Hirafuji
Reportagem: Rafael Gratieri 
A exposição “José Juliani: o colono fotógrafo” teve início no dia 15 de agosto, na Biblioteca Central da Universidade Estadual de Londrina (UEL). A exposição é uma comemoração ao Dia Mundial da Fotografia, celebrado em 19 de agosto. A mostra é composta por quadros com reproduções de algumas das principais fotografias de José Juliani* e pode ser visitada até o dia 26 deste mês.

Izabel Aguiar, uma das organizadoras da exposição na biblioteca, explica porque escolheu José Juliani para representar o Dia Mundial da Fotografia. “Ele percebeu a importância de registrar o começo de uma cidade. Captou os momentos mais importantes da história: do início, do desbravamento e da construção da cidade de Londrina”, observa Izabel Aguiar.

No local podem ser encontrados quadros com fotografias de José Juliani como empregado da Companhia de Terras Norte do Paraná, registrando cenas do empreendimento colonizador. Também podem ser vistas fotografias de estúdio, onde o fotógrafo retratou a entidade familiar, por exemplo. Izabel  Aguiar comenta sobre essa pluralidade. “José Juliani foi um autodidata. Leu, estudou e descobriu como era ser fotógrafo. Foi um sonhador”.

Os quadros com fotografias de José Juliani já estiveram expostos em outros locais, como no Museu Histórico de Londrina Padre Carlos Weiss. Agora estão inseridos na Biblioteca Central da UEL, por ser uma exposição itinerante. “Ela é fácil de levar, por isso pode ir para escolas, museus e faculdades”, explica Izabel Aguiar.

Além disso, a comissão organizadora da exposição tem por objetivo divulgar ainda mais o trabalho de José Juliani. “Qualquer pessoa pode vir à mostra. Estamos fazendo uma ampla divulgação, e até quem é de fora pode vir. Quem não teve a oportunidade de ir até o museu, pode vir até aqui, na biblioteca”, convida a organizadora.

A Biblioteca Central aproveita a ocasião para mostrar livros sobre o fotógrafo. É o caso do livro “Juliani: um homem, sua máquina e a história de Londrina”, escrito por sua filha Maria Juliani e inserido na exposição em conjunto com os quadros. “A gente procura, além de expor quadros, expor livros que falem sobre o assunto. Assim divulgamos nosso acervo também”, encerra Izabel Aguiar.

* José Juliani:  Fotógrafo que retratou a história da cidade de Londrina, nasceu em Piracicaba, no interior de São Paulo, mas estabeleceu-se em Londrina em 1933. Foi contratado pela Companhia de Terras Norte do Paraná parra registrar o empreendimento colonizador. Como fotógrafo de estúdio, perseguiu a composição perfeita para enquadrar a infância, a família, a beleza da moça, os noivos. Como fotógrafo contratado, registrou o crescimento da vida urbana e de suas instituições. Como fotógrafo de rua congelou as feições dos transeuntes que assim o desejavam, numa época onde as câmeras fotográficas eram extremamente raras. Suas imagens são de indiscutível valor histórico.


A internet perde o papel de vilã na educação

agosto 15, 2011

Projeto de pesquisa do departamento de Letras Vernáculas e Clássicas da UEL utiliza a internet como meio inovador de métodos pedagógicos

Folha de rosto da 1ª edição do livro "Dom Casmurro" de Machado de Assis

Pauta: Laura Almeida
Edição: Fernanda Cavassana
Reportagem: Paola Moraes

Indo na direção oposta de muitos pesquisadores que criticam o “mau uso” da internet apenas para fins sociais, o professor Alamir Aquino Correa, graduado em Letras pelo Centro de Ensino Unificado de Brasília, em Direito pela Universidade Estadual de Londrina, mestre em Literatura pela Universidade de Brasília e doutorem Literaturas Hispânicaspela Indiana University Bloomington, decidiu tirar proveito dos sites de relacionamentos a fim de averiguar quais eram as impressões disponibilizadas por leitores medianos a respeito de suas leituras obrigatórias e de entretenimento; para, então, pensar em novas propostas pedagógicas que aproximassem e envolvessem os estudantes na prática literária.

“Leitor mediano é aquele que lê de forma obrigatória ou pelo seu hábito de leitura, porém sem a preocupação de um leitor letrado que, devido ao seu treino escolar, analisa a obra ou procura as que sejam mais rebuscadas”, esclarece Alamir Aquino. Através das pesquisas etnográficas realizadas por Alamir e colaboradores de seu projeto “Hipercontexto: estudo da literatura em meio eletrônico”, pode-se observar como esses leitores medianos vêem o mundo literário e o caracterizam e como a escola trabalha o texto literário com seus discentes. O entrevistado aponta que ao recolher esses dados, o objetivo do projeto é pensar como incluir o mundo digital na escola de forma estimulante tanto para alunos quanto professores.

É nesse contexto de utilização benéfica da internet que entra a criação do site Hipercontexto. Este site, que está fechado para experimentação com alunos da área de Letras, funciona como canal comunicativo de cursos à distância sobre a leitura de poemas e estudo das figuras de linguagem. O coordenador do projeto destaca os lados positivos das aulas realizadas em salas de bate-papo exclusivas: “A flexibilidade do horário de aula é muito importante. Você pode marcar uma aula e participar dela sem sair de casa e interagir mais facilmente, já que na sala de aula convencional só participam o professor e o aluno que tem coragem para levantar a mão. Outro ponto é ter o histórico de conversa da aula. Por meio dele você pode analisar melhor o comportamento e as ideias de cada aluno sobre determinado assunto”.

Outras vertentes do projeto são citadas pelo pesquisador: armazenamento de técnicas de trabalho para futuros professores e recuperação de obras literárias que foram modificadas ao longo dos anos. A primeira é destacada por Alamir Aquino como a prevenção de perda de dados pedagógicos e bibliográficos. Segundo o doutor, há cada vez menos procura pelo curso de Letras no Brasil para formação de novos professores e, os que se interessam pela prática, deixam de lado os estudos literários de séculos passados. Dessa forma, armazenar as análises já realizadas poupa a necessidade de erudição do novo professor para compreender tanto o vocabulário quanto a complexidade de tais obras.

Sobre a recuperação de obras literárias, Alamir Aquino explica que este é um trabalho de recuperação da 1ª edição do livro escolhido, a fim de detectar fielmente seu conteúdo, sem cortes ou anexos. Após isso, é realizada uma atualização vocabular. “No livro ‘Dom Casmurro’, Machado de Assis usa a palavra ‘aposentação’. Hoje, essa palavra foi substituída por ‘aposentadoria’. Assim, nós trocamos palavras arcaicas pelas utilizadas atualmente”, exemplifica o docente. Sobre o exemplo citado, Alamir expõe que esta obra foi recuperada e corrigida pelo projeto da Universidade Estadual de Londrina, integrado com o NUPILL (Núcleo de Pesquisas em Informática, Literatura e Linguística) da Universidade de Santa Catarina e a Universidade Federal do Piauí.

A edição de “Dom Casmurro” feita pelas instituições de ensino superior citadas foi adotada pelo Ministério da Educação em 2008 e disponibilizada eletronicamente para todo o país. No site da FUVEST (Fundação Universitária para o Vestibular) – fundação responsável por elaborar o vestibular da Universidade de São Paulo, o mais concorrido do país – a edição realizada pela integração da UEL, UFSC e UFPI é a disponibilizada para download.

O professor Alamir Aquino lembra que o tempo para realização dos objetivos propostos pelo projeto é longo e este deve durar muitos anos. Por fim, o entrevistado comenta que uma curiosidade encontrada nas pesquisas da mídia eletrônica é sobre o caráter sagrado destinado ao livro em papel. “Os escritores usam a internet para divulgar sua obra, mas almejam a sua impressão no papel como uma forma de eternizar seu trabalho e torná-lo sagrado. A internet pode popularizar a literatura, mas não descarta a procura pelo livro impresso.”


Semana Mundial do Aleitamento Materno de 2011 é celebrada no Hospital Universitário

agosto 15, 2011

O evento teve como objetivo discutir a importância do aleitamento materno e da comunicação como parte essencial em sua promoção, apoio e defesa

Pauta: Cláudia Hirafuji
Edição: Paola Moraes
Reportagem: Yudson Koga

A World Alliance for Breastfeeding Action (WABA) é uma rede mundial que reúne pessoas, instituições e outras redes que trabalham em prol da amamentação. Em 1992, a organização criou a Semana Mundial do Aleitamento Materno, que é comemorada anualmente de 1 a 7 de agosto em mais de 150 países, com o intuito de promover e defender o aleitamento. O tema deste ano foi “Fala Comigo! Amamentação – Uma Experiência em 3 Dimensões”, visando discutir as três dimensões de proteção, promoção e apoio à amamentação: tempo (o período de gravidez ao desmame), lugar (casa, comunidade, etc.) e comunicação (para compartilhar informações e dúvidas por diferentes meios).

      Em Londrina, a celebração da Semana se deu no Hospital Universitário (HU), e a programação contou com duas exposições: uma na entrada do hospital e outra na maternidade, com informações e fotos de mães internadas no HU amamentando seus filhos. Palestras foram realizadas diariamente na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e Unidade de Cuidados Intermediários (UCI) neonatal, informando a respeito de todo o período pré-gravidez ao desmame e direitos garantidos pela Constituição. Vários vídeos educativos foram exibidos. Dentre eles, o vídeo do Ministério da Saúde, em que a madrinha da campanha deste ano, a atriz Juliana Paes, fala a respeito dos benefícios do aleitamento. No dia 05, foi feita uma dinâmica com as mães internadas sobre mitos e verdades, encerrando, assim, a programação dentro do HU. Foi um evento interno, para mães internadas com bebês na UTI e UCI neonatal e seus acompanhantes – quando alguma atividade estivesse sendo realizada no horário de visitas.

     Foi realizado também, por meio do Comitê de Aleitamento Materno (CALMA), o VIII Simpósio de Aleitamento Materno de Londrina e Região, no dia 04, apresentando palestras e mesas redondas e, tendo como público alvo, agentes comunitários, profissionais de nível superior, auxiliares, técnicos e estudantes de cursos da área de saúde.

Silvia Brochado, responsável pelo evento

      A programação no HU foi oferecida por meio da Divisão Materno Infantil, chefiada por Silvia Brochado, graduada em Enfermagem e especializada em Bioética pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), que explica: “O objetivo dessa Semana é divulgar a importância da amamentação para os bebês de 0 a 6 meses de idade e também alertar que, mesmo aos 2 anos, quando a criança passar a receber outra alimentação, deve-se continuar o processo de aleitamento.” E também destaca: “A comunicação, tema deste ano, é fundamental para alcançar pessoas que, em geral, são menos interessadas nessa questão, como, por exemplo, o pai. É muito importante a participação da família. O pai também precisa colaborar com a mãe, auxiliando-a no que for preciso. Caso ele não esteja ali do lado, ajudando-a, ela pode se desestimular, comprometendo assim o aleitamento. Por isso, precisa ser uma campanha que englobe a todos. Divulgamos o evento em blogs e até criamos uma página do Facebook, com informações a respeito.”

     Segundo Silvia Brochado, o leite materno é totalmente preparado e específico para os bebês. “Em sua composição há nutrientes, vitaminas, sais minerais, proteínas e anticorpos da mãe, que serão passados ao filho, impedindo que ele adoeça. O colostro, o primeiro leite que sai do seio materno, é rico em anticorpos e contém uma ação laxativa, que limpa e ajuda a amadurecer o intestino do bebê. Por isso é conhecido como uma ‘vacina natural’ e daí a importância da mãe amamentar seu filho logo após seu nascimento.”, explica.

      A enfermeira ressalva que projetos como esse são muito importantes, pois o índice de crianças alimentadas com leite materno está longe de alcançar os 100%, que é a meta do Ministério da Saúde: “No Brasil, estamos numa faixa de 41%. Aqui em Londrina, no ano de 2002, a taxa de crianças com até 6 meses de idade alimentadas com leite materno era de 21%. Em 2008, subiu para 33%. E em 2010, atingimos os 40%. É um crescimento razoável, mas que deve ser considerado como uma vitória. Não conseguimos mudar o pensamento da população de um dia pro outro, mas é um sinal de que as mães estão se conscientizando”, garante.

        Silvia Brochado termina a entrevista com otimismo: “O governo federal está muito empenhado em lançar várias campanhas e propostas para que a gente chegue ao índice de 100% de crianças alimentadas com leite materno.” Para exemplificar, ela cita o exemplo da lei 11.770/08, em vigência desde o ano passado, que prorroga a licença-maternidade de 120 dias para 180, e também uma norma técnica estabelecida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), junto do Ministério da Saúde, que define as exigências técnicas para a instalação de salas de apoio à amamentação em empresas públicas e privadas. Essas salas são locais apropriados para as mães retirarem o leite durante o expediente de trabalho, armazenarem e levarem posteriormente para seus filhos. “Aos poucos estamos conquistando espaço para desenvolver essa questão do aleitamento materno. Não sei se chegaremos aos 100%, mas estamos trabalhando agora para futuramente colhermos os frutos”, finaliza.

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