Transtorno de Ansiedade Social prejudica relações interpessoais

Outubro 11, 2009

Projeto de extensão da UEL trata de pacientes que sofrem deste transtorno e auxilia na formação acadêmica dos estudantes do curso de Psicologia

Josiane Cecília Luzia

Pauta:Ana Carolina Contato
Repórter: Marcia Boroski
Edição: Beatriz Assumpção e Fernanda Cavassana

Medo persistente. Esse é o principal sintoma de quem sofre do transtorno de ansiedade social. Isso é o que estuda Josiane Cecília Luzia, formada em Psicologia pela Universidade Estadual de Londrina, UEL, mestre em Psicologia (Neurociências e Comportamento) pela Universidade de São Paulo e doutorando em Psicologia Clínica na Universidade de Salamanca, em Salamanca – Espanha. Segundo Josiane Luzia, pesquisas da Organização Mundial de Saúde relatam que essa doença atinge 13% da população mundial. Ela é professora do departamento de Psicologia Geral e Análise do Comportamento da UEL. Em entrevista ao Conexão Ciência, aqui no Brasil, a professora fala qual o público alvo do projeto de extensão que ela coordena, denominado “Desenvolvimento de comportamentos alternativos para adolescentes e adultos jovens com transtorno de ansiedade social”. Também aponta como será feito o tratamento, além de especificidades da doença.

Conexão Ciência: O que é Transtorno de Ansiedade Social?
Josiane Cecília Luzia: A definição de Transtorno de Ansiedade Social está baseada no medo persistente, irracional e acentuado, relacionado com situações sociais ou de desempenho em público. A exposição a estes estímulos produz, geralmente, uma resposta imediata de ansiedade e esta resposta pode conduzir a uma crise de angústia relacionada com a situação.

Conexão Ciência: Quais as conseqüências para o indivíduo que é portador deste transtorno?
Josiane Cecília Luzia: As conseqüências variam conforme o caso. A pessoa pode simplesmente não conseguir ter nenhum tipo de desempenho, ficar paralisada. Isso como conseqüência imediata, analisando uma crise específica. A longo prazo, o doente pode ter prejuízo em todas as áreas de atuação social como trabalho, amigos e com a própria família. Então, o indivíduo começa a evitar situações que lhe possam causar estes estímulos. Outra conseqüência é o fato destas pessoas trabalharem bem em atividades solitárias. Quando é requerido, por exemplo, que ocupe um cargo de chefia, pede demissão. Mesmo sendo um emprego bom e rentável, não consegue administrar os relacionamentos interpessoais que deve exercer ocupando essa função. Conforme o indivíduo vai se isolando, ele deixa de ser produtivo, podendo desenvolver outras patologias ou até passar a consumir drogas para aliviar a pressão da doença.

Conexão Ciência: A população escolhida para participar do projeto de extensão são pessoas na faixa etária de 13 a 28. Por que foi feita esta escolha? Há mais incidência neste grupo?
Josiane Cecília Luzia: Não há maior incidência nessa população específica. Mas essa patologia está no terceiro lugar dentre as doenças psiquiátricas. Para um melhor resultado, é importante trabalhar diretamente com crianças. Mas hoje a Clínica Psicológica da UEL não tem estrutura para atender pacientes com este perfil. Pesquisas mostram que o ápice desta doença é na adolescência. Por isso, nós entendemos que quanto antes nós pudermos intervir melhores serão os benefícios para esta pessoa.

Conexão Ciência: A Clínica de Psicologia da UEL atende pacientes com diversos problemas psicológicos. Os indivíduos que se enquadram no tema do projeto de extensão passam então a ser atendidos pelo grupo. O que acontece depois disso?
Josiane Cecília Luzia:
Após diagnosticar psiquiatricamente o indivíduo com Transtorno de Ansiedade Social, ele tem que apresentar condições para o atendimento em grupo e isso vai depender da fase da doença. Também é feita uma avaliação psicológica.

Conexão Ciência: Como é feito o tratamento dentro do projeto de extensão?
Josiane Cecília Luzia:
Primeiramente, o paciente tem que ser preparado para ser tratado em grupo. Esse período será de sessões individuais que poderão ocorrer duas ou quatro vezes, dependendo do caso. Após isso, ele deverá ser encaminhado para o seu subgrupo. Eles serão divididos em três grupos, conforme faixa etária. Cada grupo deverá ter, aproximadamente, 12 pessoas. Esses pacientes, subdivididos, serão atendidos em 12 sessões com intervalo de uma semana, com o objetivo de proporcionar condições naturais de interação social, para que eles aprendam novas formas de interação interpessoal. Cada grupo será tratado com técnicas específicas e isso vai depender do diagnóstico ou das queixas. Ao fim destas 12 sessões, os indivíduos passam a ser acompanhados quinzenalmente durante quatro encontros para verificar possíveis recaídas. Aqueles que não conseguirem reagir beneficamente ao tratamento em grupo, serão encaminhados para atendimento individual. Isso pode acontecer em qualquer momento do projeto de extensão. O tratamento em grupo é mais rápido porque os que sofrem de Transtorno de Ansiedade Social percebem que não são os únicos com esta doença e conhecem outros com as mesmas dificuldades. Porém, alguns pacientes necessitam de atendimento individual ou são encaminhados para um médico para que este receite um medicamento.

Conexão Ciência: Os pacientes serão atendidos por professores e por estudantes do terceiro, quarto e quinto ano do curso de Psicologia. Qual a importância desse projeto de extensão para a formação dos estudantes que participam?
Josiane Cecília Luzia:
Ele capacita os estudantes para uma intervenção psicológica utilizando o referencial prático e teórico da análise do comportamento. O projeto também vai produzir dados que permitam que os estudantes aprendam a sistematizar e conhecer o método científico, além de oferecer a oportunidade de atendimento em grupo.

Conexão Ciência: É possível prevenir essa doença?
Josiane Cecília Luzia:
Sim, de um jeito prático nós deveríamos capacitar professores das séries iniciais da rede pública e privada para que percebam a diferença entre um aluno tímido e um portador do Transtorno de Ansiedade Social. Porque quanto mais cedo você intervir nesse comportamento que a criança apresenta, melhor será para esse indivíduo durante a sua vida.


Cascas de frutas modificadas podem diminuir poluição por metais pesados

Outubro 11, 2009

Projeto de mestrado em química melhora características de cascas de frutas para que possam servir como adsorventes naturais, adquirindo uma utilidade ambiental

Professor Alfaya

Pauta: Ana Carolina Contato
Repórter: Juliana Mastelini
Edição: Beatriz Assumpção e Fernanda Cavassana

O trabalho intitulado “Estudo e Desenvolvimento de Biossorventes para Metais Pesados” examina as propriedades de frutas para a adsorção dos metais cobre, cádmio e chumbo em soluções aquosas. Metais pesados são aqueles que apresentam efeitos adversos à saúde humana e o processo de adsorção é a utilização de um sólido para reter substâncias diluídas em água. O trabalho é desenvolvido pela bióloga mestranda do programa desenvolvido pelo Departamento de Química e professora da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Talita Caretta. Seu orientador no projeto é o professor Antônio Alfaya, graduado em Química pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mestre em Química pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e doutor pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A entrevista foi realizada com o professor Antônio Alfaya.

“O trabalho segue uma tendência mundial de busca de adsorventes naturais, ou biossorventes”, assegura Antônio Alfaya. Segundo o professor, trabalha-se com materiais baratos e que geralmente são descartados, dando um valor agregado para que possam resolver um problema ambiental: a contaminação das águas por metais pesados. “A pesquisa melhora características das cascas das frutas para que possam servir como adsorventes”, completa. Segundo ele, o objetivo do projeto é transformar as cascas em uma farinha que concentre os poluentes de grandes volumes em pequenas quantidades de água. Assim, diminui-se o volume da poluição, podendo fazer o tratamento de forma mais eficiente. “O tratamento de concentrações de metais pesados diluídas em grandes volumes é muito caro”, afirma.

Segundo Alfaya, “as indústrias geram esses poluentes, mas devido ao preço e por não se sentirem fiscalizadas, não usam adsorventes e descartam de forma irregular os materiais sem fazer o tratamento adequado. Hoje temos bons adsorventes sintéticos, mas são muito caros”.

O projeto, afirma o professor, pretende desenvolver um adsorvente de metais pesados com custo reduzido para que os industriais se interessem pela utilização do produto e não lancem os poluentes no meio ambiente. “O primeiro objetivo da pesquisa é ambiental, pois os adsorventes contribuem para diminuir a poluição, e tecnológico porque busca que a indústria implante o método sem resistência”, completa.

“No projeto, trabalhamos com três tipos de metais pesados que são os materiais mais comuns na nossa região por causa das empresas de baterias, o cobre, o cádmio e o chumbo”, conta Alfaya. Segundo o professor, os metais pesados acarretam riscos específicos nos seres vivos e os mais perigosos são o chumbo, o cádmio e o mercúrio. “O chumbo, por exemplo, acarreta problemas no sistema nervoso”, afirma o professor.

Talita Caretta participa da linha de pesquisa de desenvolvimento de novos materiais para aplicações ambientais e/ou tecnológicas do Grupo  de Estudo de Novos Materiais (GENM) da UEL, CNPq e Departamento de Química. Segundo Alfaya, como bióloga, o primeiro passo da mestranda foi levantar dados sobre as cascas de frutas que sobram das indústrias e quais seriam as mais interessantes para a linha de pesquisa escolhida. A partir das informações, o projeto foi elaborado e os estudos prosseguem com os materiais mais promissores na adsorção de metais pesados. “As expectativas são boas e os resultados preliminares são melhores do que o esperado”, afirma.

De acordo com o professor, o projeto será publicado em revista científica como critério do programa de pós-graduação. Junto com a mestranda Talita Caretta e o professor-orientador Antônio Alfaya, a aluna do segundo ano de Química da UEL, Camila Inagaki, trabalha no projeto como bolsista do Programa de Iniciação Científica (ProIC) do CNPq. A bolsa ProIC é um programa de apoio ao desenvolvimento da iniciação científica.


Pesquisa analisa o crescimento físico e demográfico da Região Metropolitana de Londrina

Setembro 21, 2009

Projeto do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UEL busca conhecer as conseqüências da expansão urbana londrinense

DSC03660
Pauta: Lígia Zampar
Repórter: Vanessa Freixo
Edição: Beatriz Assumpção

De acordo com dados do site www.rc.unesp.br, o geógrafo e pesquisador da UNESP, Roberto Braga, classifica uma região metropolitana como “um aglomerado urbano composto por vários municípios administrativamente autônomos, mas integrados física e funcionalmente, formando uma mancha urbana praticamente contínua”. Londrina e mais sete cidades vizinhas fazem parte da Região Metropolitana de Londrina desde julho de 2007, por meio da lei complementar estadual nº 81. A Região Metropolitana de Londrina é constituída pelas cidades de Bela Vista do Paraíso, Cambé, Ibiporã, Jataizinho, Rolândia, Sertanópolis, Tamarana, além da própria Londrina. Segundo a contagem da população em 2007, pelo IBGE, a população estimada da cidade de Londrina é de 497.833 habitantes e da região metropolitana, 741.928.
E é a respeito dessa região metropolitana que o professor doutor Nestor Razente está desenvolvendo o projeto “O Processo de Expansão Urbana na Região Metropolitana de Londrina” na Universidade Estadual de Londrina (UEL). Nestor Razente, coordenador do projeto, é formado em Arquitetura pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), tem mestrado em desenvolvimento urbano pela Universidade Federal do Pernambuco (UFPE) e doutorado pela Universidade de São Paulo (USP). Para o professor Razente, esse projeto tem como objetivo levantar dados, do ponto de vista urbanístico, de como as cidades dessa região estão se agrupando e integrando funções públicas de interesse comum umas com as outras, além dos problemas por elas enfrentados. Ele também acrescenta que esse tema de pesquisa se torna importante à medida que existe pouca informação no estado do Paraná sobre o assunto.
Razente afirma que uma região metropolitana é formada quando as malhas urbanas das cidades se conectam, dando-se assim a conurbação. Para ele, Londrina e Cambé, inclusive, têm pouco para crescer para leste e oeste, pois praticamente emendaram com cidades vizinhas. A tendência dessas cidades é crescer para norte e sul. O coordenador do projeto também cita o problema de crescimento de Londrina para o norte, “para que isso ocorra, o Rio Jacutinga terá que ser atravessado. Já o problema de crescer para o sul é atingir o local de captação de água e porque o relevo dessa região é bem acidentado”, segundo o professor.
“De qualquer forma Londrina tem infra-estrutura para crescer. Esse crescimento se dá na atualidade principalmente pela demanda por espaços seguros, em especial pelos condomínios fechados, tanto horizontais, com casas, quanto verticais, prédios”, e é isso que Nestor Razente acredita. Ele também traz a informação de que a expansão da classe média e as facilidades de financiamentos contribuem da mesma forma para esse crescimento. Razente diz que “o Banco Nacional de Habitação, nos anos 70 e 80, foi igualmente importante, como agente financiador de políticas habitacionais, para o aumento do espaço físico da cidade. Também a queda da produção cafeeira no norte do Paraná, principalmente na década de 70, foi determinante para o crescimento das cidades dessa região. Porque além da migração para outros estados, houve a migração campo-cidade e a migração de cidades pequenas para maiores”.
Segundo o professor, também se forma uma região metropolitana quando há fluxos de dependência entre esses municípios, sejam eles econômicos, culturais ou educacionais, de uma maneira que se tiver um problema em um município, a solução pode estar no outro. Nestor Razente ilustra essa idéia com o problema de abastecimento de água enfrentado pela Região Metropolitana de Londrina. Há uma dependência de Londrina e Cambé de 35% no sistema de água de Cafezal do Sul. Mas a água retirada desta cidade vem de nascentes de Rolândia, Cambé e Londrina. Ou seja, as cidades tornam-se dependentes umas das outras e a solução de um problema envolve um comum acordo entre elas.
“As regiões metropolitanas melhorariam se houvesse uma unificação mais forte entre os municípios, de uma maneira que eles não apresentassem diferenças físicas e tivessem os mesmos pontos de ônibus, um padrão de iluminação, de limpeza e coleta de lixo, entre outros”, é o que afirma Razente. Ele também acrescenta que outra dificuldade desse tipo de região é não ser uma estância de poder, como a estadual e a municipal, e com isso a resolução de problemas da área se torna mais complicada.
As bases de pesquisa do projeto, segundo Nestor Razente, são levantamentos iconográficos, como mapas e fotografias, resquícios de fragmentos de memórias não catalogadas, registros das prefeituras municipais e também registros pessoais. O projeto ainda está em fase de desenvolvimento e tem previsão de conclusão para setembro de 2011.


Pesquisa estuda a utilização de vigas de madeira como reforço para pontes

Junho 16, 2009

Professor de Engenharia Civil da UEL propõe aumento de resistência de pontes de madeira com vigas armadas feitas de Pinus e Eucalipto

Foto-Camila -   httpwww.der.ro.gov.brmenorPauta: Ana Carolina Contato
Repórter: Camila Venceslau
Edição: Beatriz Assumpção
“No Brasil cerca de 1.600.000 km do sistema viário são de estradas, e deste total apenas 10% é pavimentado. Os 90% que sobram ainda são de estradas sem asfalto”, de acordo com o professor da UEL e doutor em Engenharia de Estruturas pela Universidade de São Paulo (USP), Everaldo Pletz.
As estradas asfaltadas contam com pontes feitas em concreto, que, segundo o professor da UEL, são mais resistentes. Já a parte que não tem pavimentação possui pontes em madeira, que muitas vezes não suportam cargas muito pesadas.
Pensando em solucionar parte dos problemas com as pontes em madeira, o pesquisador Everaldop Pletz juntamente com estudantes do curso de Engenharia Civil da Universidade implantou o projeto Estudo de Vigas de Madeira ” EVAM.
Pletz afirma que apesar de a maioria das pontes brasileiras serem em madeira e se localizarem em estradas secundárias, possuem um papel importante na economia do país. Desse modo, o objetivo do projeto é desenvolver alternativas para este tipo de ponte, viabilizando o processo econômico do país, com o uso de madeiras de reflorestamento.
O projeto que teve início em 2005 estudou primeiramente as vigas de madeira de Pinus Taeda e Eucalipito Citriodora. Para o professor, as madeiras destas espécies são de crescimento rápido e sua extração não afeta a natureza, desde que as árvores extraídas sejam substituídas por outras.
Para que a armação das pontes fique mais resistente, os participantes do EVAM propõem utilizar as vigas de Pinus e de Eucalipto armadas com barras de aço, o que aumenta a capacidade de suportar a passagem de caminhões com cargas pesadas.
Outra técnica apresentada pelo projeto é a fixação das vigas uma do lado da outra, juntamente com barras de aço. Este sistema também provoca um efeito cooperativo entre as vigas, o que aumenta seu potencial de sustentação.
O coordenador do projeto diz ainda, que o que influenciou na escolha dessas espécies, é que o Pinus Taeda é rejeitado pelas construtoras por ser mais leve. Apesar disso, possui muitas qualidades nas construções. “O Pinus é bastante leve e assimila bem os tratamentos de preservação da madeira. Por ser leve, ninguém imagina que pode ser utilizado para este fim. Por isso, estamos agregando valor a uma madeira que muitos desacreditam e que pode ser encontrada em grande quantidade no estado do Paraná”, completa. Segundo Pletz, o Eucalipito Citriodora é mais procurado, pois possui bastante resistência e por isso é mais utilizado em construções e grandes estruturas.
O professor ressalta também, que a madeira de reflorestamento possui propriedades diferentes da madeira de lei, que é a mais usada na confecção de pontes, por isso, a de reflorestamento precisa ser estudada em todas as suas possibilidades de uso para ser bem aproveitada.
O teor de umidade, por exemplo, é uma das características da madeira que deve ser analisada. A umidade influi na rigidez das peças de madeira, podendo causar sua degradação ao longo do tempo. Peças umidecidas demais podem ficar inchadas e se secas em excesso, sofrem retração. Para solucionar as variações que acontecem com a madeira, os pesquisadores utilizam o processo de compensação com o acréscimo de vigas no início das estruturas das pontes, para que caso aja a retração ou inchaço da madeira, estes efeitos sejam compensados sem prejudicar o potencial de cargas das pontes.
O projeto EVAM já está em fase de conclusão e apresentou resultados positivos até agora. “Constatamos a viabilidade do sistema. Uma técnica simples e que utiliza matéria prima de reflorestamento”, conclui o coordenador do projeto.
Após o término dos relatórios que marcam o encerramento do projeto, ele será apresentado às secretarias de agricultura das cidades, responsável pela construção de pontes de madeira em propriedades rurais.

 

Ano 6 – Edição 68 - 15/06/2009

 


Teoria e prática no ensino de Ciências

Maio 12, 2009

Projeto do Departamento de Biologia Geral da UEL auxilia professores de Biologia e Ciências

Pauta: Ana Carolina Contato
Reportagem: Marcia Boroski
Edição: Beatriz Assumpção

“O professor de Biologia e Ciências tem dificuldade de transpor o conhecimento formal para uma realidade cotidiana porque sua formação está centrada em uma grande quantidade de conhecimentos de conteúdos conceituais e de propostas teóricas”. Isso é o que diz a Professora Doutora em Educação Científica pela Universidade Federal de Santa Catarina, Vera Lúcia Bahl de Oliveira, que coordena o projeto “Dos saberes docentes ao ensino de conteúdos: uma proposta de ensino de Biologia no contexto escolar contemporâneo”. O projeto está ligado ao Departamento de Biologia Geral na Universidade Estadual de Londrina – UEL – que tem, dentro da área de metodologia e prática do ensino, a linha de pesquisa de formação de professores, na qual o projeto esta inserido.

Durante a formação acadêmica, o estudante de Ciências Biológicas que faz opção pela licenciatura, é obrigado de fazer estágio que costuma ser realizado em escolas públicas. Neste contato direto com professores e alunos, a professora Vera Lúcia Bahl afirma que os professores que já lecionam nas escolas mostravam apenas as dificuldades da profissão. “Os professores reclamam da falta de recursos, de que a escola dificultava o trabalho com os alunos fora da sala. O professor já no mercado aponta várias dificuldades tentando induzir o estagiário a fazer uma aula somente expositiva, como a que ele dá. Em função disso, nós resolvemos, oferecer aos professores ativos oficinas para uma reflexão sobre os saberes que ele já detém e o que ele precisaria ainda adquirir”, disse a pesquisadora.

As oficinas ocorreram em três momentos e, conforme Vera Lúcia Bahl, houve grande participação da população de professores da área. Cada uma delas teve uma temática diferente e todas aconteceram no Centro de Ciências Biológicas. “Primeiramente nós demos um conteúdo de fundamentação teórica e também propomos uma reflexão sobre os recursos que estão disponíveis e que são sub aproveitados. Como por exemplo, laboratórios de informática, modelos de maquetes do corpo humano produzidos por alunos, e o próprio livro didático. Na segunda oficina problematizamos temas da atualidade como transgênicos, células tronco, reprodução humana assistida e genética que são conteúdos que estão na mídia e que o aluno pergunta mas o professor tem dificuldade de trabalhar. Foi muito perceptivo que aquele conhecimento havia chegado na hora certa. Já na terceira oficina explicamos a importância de levar o aluno para fora da sala. Então nós fizemos oficinas de educação ambiental, dando enfoque na mudança do olhar de quem educa e de quem é educado. E em cima disso inserimos algumas dinâmicas que pudessem ser aplicadas a realidade deles”, explicou a professora.

A pesquisa deve prosseguir com outros enfoques nas oficinas visto que, conforme Vera Lúcia Bahl, o projeto ganhou espaço, credibilidade e aceitação do público alvo. Há a necessidade de orientá-los a gerenciar as mudanças das diretrizes curriculares (o Ensino Fundamental passou a ter nove anos).

Porém, para realmente tratar a causa destas lacunas na formação do profissional que leciona Biologia ou Ciências é necessário adequações na formação acadêmica. No momento, o curso de Ciências Biológicas da UEL está com um programa em andamento, portanto não é possível fazer alterações no currículo e também, não há autonomia para alterações na ementa. Então, esta formação complementar está sendo inserida nas horas complementares em formato parecido aos das oficinas, em disciplinas eletivas e seminários com temáticas atuais.

 Para os pequenos

 O Professor do Departamento de Educação da UEL, Carlos Toscano, Doutor em Educação pela Universidade Metodista de Piracicaba, pesquisa sobre o ensino de Ciências Naturais nas séries iniciais. Para ele a realidade desta área é extremamente complexa e desafiadora. “A um professor dos anos iniciais, cabe a tarefa do ensino de conteúdos e conceitos retirados de várias áreas de conhecimento como, a língua, a matemática, a história, a geografia e as ciências naturais, que por sua vez resulta em uma construção didática que se alimenta de outras 5 áreas de conhecimento: a física, a química, a biologia, a astronomia e a geologia”, afirma Toscano. Então, o professor destas séries fica incumbido de possuir este leque de conhecimentos e passá-los de forma dinâmica as crianças.


A cura para os solos na própria natureza

Maio 4, 2009

Projeto pretende utilizar microorganismos no tratamento de solos contaminados por petróleo e derivados

Pauta: Ana Carolina Contato
Reportagem: Beto Carlomagno
Edição: Vitor Oshiro

conexao-001pq1A questão do envolvimento do petróleo e seus derivados na poluição do meio ambiente é discutida há tempos. Com uma necessidade de se avaliar os solos contaminados e tentar encontrar técnicas para o tratamento destes, surgiu a idéia para o projeto “Análise dinâmica e diversidade da comunidade microbiana ativa no tratamento de solos contaminados por derivados de petróleo”. O projeto tem como coordenador o professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL) André Luiz Martinez de Oliveira, que é graduado em Agronomia pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, e doutor em Agronomia com ênfase em ciências do solo pela mesma.
O projeto tem como base técnicas de biorremediação (uso de organismos para o tratamento de áreas impactadas) e está sendo realizado com amostras de solo colhidas na área da REPAR (Refinaria Presidente Getúlio Vargas), empresa do setor petroquímico localizada na cidade de Araucária, Paraná. “O projeto busca identificar microorganismos em solos contaminados com o petróleo e seus derivados, que apresentam capacidade de degradação de compostos recalcitrantes. Estes compostos são moléculas de difícil degradação e responsáveis no que diz respeito à contaminação do solo”, diz Oliveira.
Os principais problemas causados pelo derramamento dessas substâncias no solo são a eliminação quase total da vegetação e de organismos conhecidos como microfauna (besouros, minhocas, formigas) por causa do impacto desses elementos nos ciclos naturais como o do carbono, nitrogênio e da água. A água é outra muito afetada, já o óleo pode descer para camadas mais profundas do solo contaminando lençóis freáticos e aquíferos. Todos esses impactos na natureza afetam diretamente a economia, isso porque para a recuperação ou remediação de uma área impactada há um alto custo financeiro, diz o pesquisador.
Segundo Oliveira, para cada caso há um estudo específico com uma avaliação de custo. Entre os meios há a biorremediação, que é o objeto de estudo da pesquisa. Além disso, há ainda a possibilidade de remoção do solo contaminado para tratamento em outro local, como um isolamento, ou o uso de produtos químicos. O ponto importante, para ele, é o fato de nenhum desses processos ser barato, mas, dentre eles, a biorremediação tem destaque por utilizar microorganismos vivos para decompor ou modificar esses contaminantes para componentes menos tóxicos. “Por ser feito por organismos vivos, você teria o custo da implementação da tecnologia, seja planta ou microorganismos que já vivem ali. Esse custo é muito baixo comparado aos outros tratamentos”, diz o pesquisador.
Quanto a participação da REPAR, Oliveira diz não haver qualquer envolvimento direto da empresa, a não ser pelo solo cedido para a pesquisa. Ainda segundo ele, os resultados serão disponibilizados tanto para a comunidade científica, quanto para a REPAR. Resultados esses que já estão chegando. Oliveira disse já ter identificado dois isolados bacterianos com grande potencial para a utilização como agentes de biorremediação. “A partir da classificação desses isolados pretendemos fazer alguns testes piloto, pegar áreas previamente contaminadas ou até mesmo pegar um solo virgem e adicionar o óleo bruto para fazer o acompanhamento de como esse óleo vai desaparecendo a partir da utilização desses microorganismos”.
A pesquisa tem como previsão para seu término março de 2010, e a ideia é, segundo o pesquisador André Luiz Martinez de Oliveira, dar andamento no assunto com novos projetos, utilizando o conhecimento adquirido e propondo novas metodologias para a utilização dos isolados obtidos na remediação de áreas impactadas.

Ano 6 - Edição 62 - 04/05/2009