Música aproxima Universidade de realidade social

Outubro 27, 2009

Dois projetos do Departamento de Música da UEL têm objetivo de interligar a erudição musical da Academia com conhecimentos musicais de comunidades carentes

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Pauta: Daniela Brisola
Reportagem: Leonardo Felix
Edição: Kauana Neves

Sair das teorias da Universidade e ingressar na realidade prática das comunidades londrinenses. Esse é o objetivo descrito no resumo do projeto Movimentos Sociais e práticas musicais no contexto da periferia urbana de Londrina iniciado em abril de 2007. Para a coordenadora do projeto Cleusa Erilene dos Santos Cacione, graduada em música pela Faculdade de Música Mãe de Deus e mestre em Educação pela Universidade Estadual de Londrina, mais do que um objetivo, essa filosofia é uma necessidade: “antes a Universidade era um “castelo” e o pesquisador não punha o pé para fora dele. Hoje, o pesquisador tem que trabalhar junto com a comunidade, estar inserido nela e as pesquisas têm que sair dessa relação”.

A professora conta como houve a percepção de que estudantes e professores deveriam imergir nos costumes de uma comunidade antes de trabalhar com ela: “a maioria dos nossos estudantes, quando fazia suas inserções e estágios, sempre levava informações a respeito da música que eles traziam, já que eles eram músicos de orquestra, coral ou da noite. Quando eles entravam em contato com os adolescentes, cujo meio musical é bem distante do que nosso curso oferece, o papel desses universitários de levar a música à comunidade ficava comprometido. A partir disso, existiu a preocupação de se aproximar do contexto social do indivíduo com o qual nós queríamos trabalhar”.

Assim, iniciaram a ideia de uma oficina de música para crianças de colégios da periferia, que respeitasse o discurso musical desses alunos. Cleusa Cacione afirma que Movimentos Sociais só foi posto em prática após um estudo da cultura juvenil. E foi a cultura juvenil que os participantes utilizaram no período inicial de contato com os jovens do colégio estadual Antônio Moraes de Barros, situado no Jardim Bandeirantes, zona oeste de Londrina. Depois da aproximação, houve a inserção gradativa de estilos musicais até então desconhecidos dessas pessoas. Uma das ações foi aproveitar músicas já conhecidas e acolhidas pela maioria dos adolescentes e fazer rearranjos delas, inserindo elementos mais sofisticados. Romper o bloqueio natural que os estudantes do colégio ofereciam com relação ao novo foi outro desafio enfrentado, ressalta a professor Cleusa Cacione, mas com o uso de estratégias de aproximação, como o uso de músicas e textos presentes em suas realidades, a receptividade aos integrantes do projeto foi positiva.

Além de rearranjos de músicas já existentes, alguns estudantes do Colégio Antônio Moraes de Barros chegaram a apresentar composições próprias: “houve um grupo da 7ª série que nos apresentou um rap que eles tinham composto e foi uma grata surpresa, porque eles faziam todos os sons dos instrumentos e da percussão só com o corpo e com a voz”, elogia a coordenadora. Cleusa Cacione frisa que nunca passou por nenhum problema de comportamento com qualquer aluno que tenha participado das oficinas musicais.

O projeto recebeu recursos da Fundação Araucária para compra de equipamentos e materiais como computadores, impressoras, câmeras de vídeo e fotografia digitais, data shows, livros e para pagar bolsas aos estagiários. Com esses equipamentos, o grupo pôde registrar as oficinas e apresentações realizadas pelos jovens. A intenção, segundo a coordenadora, é de que esse material seja editado e apresentado ao público, embora ainda não haja previsão. Movimentos Sociais e práticas musicais no contexto da periferia urbana de Londrina também objetiva “trazer para dentro do curso de Música toda a análise dos materiais coletados para o projeto, revertendo todos esses dados em literatura para os alunos de Música não só da UEL, mas de uma maneira geral”, nas palavras da professora. A finalização do projeto era prevista para o dia 30 de setembro de 2009, mas, devido a atrasos em seu início, Movimentos Sociais só vai ter os trabalhos concluídos em 2010.

Enquanto o resultado final desse projeto não sai, um segundo de mesmo cunho e inspirado no primeiro já está em curso. Trata-se do projeto Identidades e culturas juvenis: agregando escola e comunidade na busca da transformação social, coordenado pelo professor do Departamento de Música Leandro Ernesto Maia, graduado em Música e mestre em Literatura brasileira pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Os princípios e objetivos são semelhantes aos do anterior, mas com local diferente: o colégio estadual Ana Garcia Molina, no Jardim Interlagos, zona leste da cidade.

As oficinas musicais ocorrem aos sábados, no período matutino, e ainda estão em processo de iniciação. Para chamar os moradores e, principalmente, os jovens do bairro a participar, os integrantes saem às ruas do Interlagos com instrumentos na mão, batucando. “No primeiro dia teve algumas resistências à nossa música, como aquele senhor que fica observando do portão de casa e olhando para nós com cara feia”, descreve Leandro Maia. Ele explica que apesar dessas exceções, o grupo tem sido bem recebido pelas pessoas, principalmente, crianças. O estudante Pedro Henrique, de 12 anos, é morador do Jardim Interlagos e participa da oficina pela primeira vez: “estou gostando muito, porque você aprende a fazer música e a ouvir eles (os músicos do projeto) tocando também”, diz.

Para o coordenador, o processo de iniciação visa criar uma motivação musical. Serão utilizados nessa evolução instrumentos como flauta doce, violão e principalmente a percussão, considerada pelo professor como o principal ponto estratégico para aproximar músicos e população. Maia ainda pondera que “o papel da Universidade durante as oficinas é aprender e articular junto com a comunidade e a escola as possibilidades de construção da cidadania, da auto-estima, da formação de valores sociais, da convivência social, de uma cultura de paz e, no futuro, de alternativas sociais dentro das artes e da cultura para esses jovens”.

A realização das oficinas durante os sábados só é possível porque o colégio Ana Garcia Molina é o único da cidade a praticar um projeto escolar chamado Escola Aberta, que consiste em abrir as dependências durante os fins de semana e oferecer aos habitantes de seu entorno diversas atividades culturais. Segundo o diretor auxiliar do período noturno do colégio, Jorgisnei Rezende, já foram oferecidas pelo Escola Aberta mais de dez oficinas para os residentes da região. Atividades como artesanato, capoeira, teatro, culinária, hip hop, grafite, dança de salão, futebol, línguas, violão e, agora, a oficina musical coordenada pelo professo Leandro Ernesto Maia. O diretor justifica que, além da integração e inclusão social geradas pelas oficinas, há um outro fator que motiva ao colégio a praticar o Escola Aberta: “Existe um estigma negativo com relação ao colégio Ana Garcia Molina, que sempre aparecia na mídia por aspectos negativos: ou porque achavam armas e drogas na escola, ou porque algum aluno agredia o professor. E nós temos conseguido grandes avanços na tentativa de resgatar a imagem do colégio, através de eventos e projetos como o Escola Aberta”.

O grupo musical formado pelos integrantes de Identidades e culturas juvenis: agregando escola e comunidade na busca da transformação social e pelos jovens participantes da oficina já tem uma apresentação prevista a ser realizada em 20 de novembro, no próprio Ana Garcia Molina, durante a semana da Consciência Negra. Já existem também convites para que eles se apresentem em outros colégios de Londrina, mas o coordenador do projeto preferiu não citar os nomes e as datas até que as apresentações estejam confirmadas.


Além de sujar as ruas, os pombos também podem transmitir doenças respiratórias

Setembro 21, 2009

Especialista em aves da UEL explica porque é importante controlar a população de pombos em Londrina

IvensgomesPauta: Ana Carolina Contato
Repórter: Fernanda Cavassana
Edição: Beatriz Assumpção

Em Londrina, este ano, já foi registrada a morte de uma pessoa por criptococose – uma infecção fúngica, conhecida como “doença do pombo”. Segundo o professor Ivens Gomes Guimarães, graduado em Medicina Veterinária pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com mestrado em Patologia Animal e doutorado em Biologia Animal, ambos pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), a ave não é o único meio de transmiti-la. Atualmente, Ivens Gomes é professor da Universidade Estadual de Londrina e coordenador do Centro de Investigação em Medicina Aviária do Paraná (Cimapar).
De acordo com Ivens Guimarães, o fungo causador da doença pode ser o Cryptococcus neofarmans ou Cryptococcus Gatti. “Eles aparecem em fezes de animais, assim como podem se desenvolver em qualquer matéria orgânica. Por meio da inalação das hifas – filamentos que em conjunto formam o talo de um fungo – do cryptococcus, em ambientes contaminados, é que se inicia a infecção”, disse o professor. Os fungos, na natureza, vegetam em ambientes favoráveis a seu desenvolvimento. A umidade, as temperaturas baixas e as zonas de sombreamento favorecem seu crescimento. “Após crescerem, como um bolor, eles florescem, produzem sementes e assim vão se proliferando. Onde há proliferação, há esporos do fungo pelo ar, que podem ser inalados e com isso causarem a contaminação”, completou.
“Ao ser inalado, o ar contaminado vai para o pulmão, passando pela traquéia, e assim infecciona”. Segundo o professor, a hifa do fungo faz o ciclo completo de acordo com o local do organismo. “No homem, por exemplo, é possível desenvolver o bolor na traquéia pelas condições de umidade apresentadas nela. É uma complicação grave, porque esse mofo chegará ao pulmão e causará uma inflamação. No caso do pulmão humano, pode-se não enxergar o bolor presente na região a partir de um exame, mas isso é evidente no sistema respiratório das aves. Como o mofo se desenvolve em lugares com bastante ar e temperatura mais baixa, com a análise dos sacos aéreos de uma ave é possível identificá-lo”, de acordo com o professor.
“A doença traz várias complicações sérias ao organismo humano, como no caso do fungo acabar vivendo como saprófito (que se alimenta de animais em decomposição) e agir como decompositor na árvore brônquica”, complementou. O professor Ivens Gomes também citou a meningite como uma enfermidade grave como consequência da criptococose. “Se a hifa chega ao Sistema Nervoso Central, nas meninges, causará uma meningite ou uma encefalite, mesmo não apresentando o bolor. Haverá uma doença micótica”, afirmou. A meningite causada pelo Cryptococcus, se não tratada a tempo, pode levar à morte.
Sobre o caso de morte na cidade por causa da doença, Ivens Guimarães ressaltou o fato da vítima não apresentar nenhum histórico, já que essas enfermidades podem ser favorecidas por uma inter-ocorrência. As crianças, os imunodeprimidos, como os aidéticos, assim como os operados que tomam remédios imunosupressores para evitar rejeição de transplantes, são alvos mais frágeis à doença. “A pessoa pode já ter uma doença crônica de insuficiência respiratória, pode ser um homem que tem um enfisema crônico agudo ou que tenha doenças de fibrose intersticial pulmonar, pode até ser um alérgico. O clima, a época do ano, além do frio que traz junto a umidade, tudo tem que ser analisado. A população é mais suscetível devido ao seu estado imunológico ou a inter-ocorrência de vários fatores que levem a um quadro de doenças, ou uma síndrome por exemplo”, ressaltou.
Praças e Pombas
As praças são apontadas por muitos como principal local para transmissão da doença. O professor Ivens Gomes discorda e afirma que os sistemas de ventilação podem representar um perigo maior para a população. “Nós falamos de limpeza de praças, de fezes, de contaminação nelas e às vezes esquecemos que estamos numa sala com ar condicionado. Portanto, nós não podemos só nos ater à questão da praça pública, mas também ao sistema de ar artificial dos prédios, disse. De acordo com o professor, se há uma contaminação ambiental, é preciso acabar com ela por meio de limpeza, desinfecção e arejamento do local.
Sobre a grande quantidade de pombas na cidade, o coordenador da Cimapar disse que é importante o controle da população do animal, a partir de uma política sanitária de controle de pragas. “Nós temos que criar mecanismos inteligentes para controlar as populações de animais em geral. Se até o homem controla sua população utilizando todos os medicamentos necessários para o controle da natalidade, por que quando se fala em fazer isso com aves tem gente que acha um absurdo? É como se ninguém usasse pílulas anticoncepcionais ou preservativos”, argumentou Ivens Guimarães. Segundo o professor, deve-se levar em consideração até que ponto o papel natural das pombas é positivo para a cidade. “Tudo que é demais ou de menos faz mal. Hoje, por exemplo, vemos em Londrina uma população de pombos que extrapola os limites da normalidade da parte boa e começa a se tornar um problema, chamado de distúrbios tipos sinantrópicos. Esses distúrbios surgem em função da evolução, das ações do homem, das cidades, aglomerados urbanos, do desmatamento para o plantio da agricultura, se não morremos de fome com uma superpopulação”.
Para Ivens Guimarães, é inevitável a interferência para solução do problema. “Diante desses momentos que eu diria caóticos, nós temos que interferir. Desenvolver sistemas, métodos, ferramentas, produtos que mantenham as aves em locais que elas podem ficar sem que prejudiquem a humanidade ou o meio ambiente. E também temos que discutir muito o assunto, com o tempo pode-se planejar e implementar ações efetivas”, ressaltou. Ivens Gomes ainda alegou que é impossível erradicar o problema, mas que um monitoramento ativo e um controle permanente de animais que são pragas devem ser feitos. O professor elogiou as medidas tomadas pela prefeitura na gestão do prefeito Roque Neto, como o decreto que proibiu a população de alimentar os pombos da cidade, e as que estão entrando em vigor com o prefeito Barbosa Neto. “A educação do povo em não alimentar essas aves precisa ser realmente implementada. Eu apóio o que o ex-prefeito fez assim como apóio também agora mesmo com o Barbosa Neto, é um passo a frente.


Adição de vitamina E em carnes de frango aumenta a validade do produto

Setembro 21, 2009

A constatação é resultado de uma pesquisa realizada na Universidade Estadual de Londrina

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Pauta: Ana Carolina Contato
Repórter: Beatriz Pozzobon
Edição: Beatriz Assumpção

A adição de vitamina E uma semana antes do abate pode aumentar em até 50% o prazo da validade da carne de frango nos supermercados. A conclusão está na dissertação de mestrado de Adriana Lourenço Soares, orientada pela professora Elza Iouko Ida. “É perceptível que a vitamina E atua como melhor antioxidante quando fornecida ao animal na sua dieta durante o seu desenvolvimento, inibindo mais efetivamente a rancidez da carne, do que quando injetada após o abate do animal”, afirma a pesquisadora.
Hoje, Adriana Soares é doutora em Ciência dos Alimentos pela Universidade Estadual de Londrina – UEL e docente do Departamento de Ciência e Tecnologia de Alimentos da UEL. Ela foi orientada pela professora Elza Ida na sua dissertação de mestrado, atualmente,  as duas trabalham juntas na UEL e continuam pesquisando o assunto. Elza Ida, que conversou com o Conexão Ciência sobre a pesquisa, é doutora em Ciência dos Alimentos pela Universidade de São Paulo – USP. O nome da dissertação de Adriana Soares é “Ação de ácido fítico e alfa-tocoferol na oxidação lipídica e alteração de cor de carnes de frango”.
Adriana constatou que “o processo de oxidação lipídica é considerado a causa primária da perda de qualidade de carnes e produtos cárneos, conduzindo a perda do valor nutritivo, mudanças no sabor, textura e odor e também a formação de produtos tóxicos a saúde do consumidor”. Por isso, o controle da oxidação lipídica torna-se essencial, e pode ser feito por antioxidantes sintéticos (já utilizados pelas indústrias) e naturais (como no caso da vitamina E).

Segundo a pesquisadora, o uso de antioxidantes naturais vem sendo preferido devido à menor toxidade à saúde dos consumidores. “Além disso, a oxidação lipídica e a geração de radicais livres (substâncias provenientes do próprio processo oxidativo) estão associados com o desenvolvimento de várias doenças como envelhecimento, diabetes, mal de Alzheimer e câncer”, afirma Soares.
A professora doutora Elza Ida explica que a vitamina E, também chamada de tocoferol, foi utilizada como antioxidante. “A função do antioxidante é aumentar o tempo de prateleira da carne”, explicou. “Nós testamos também outro antioxidante, o ácido fítico, que está presente em muitos grãos como o gérmen de milho, farelo de arroz, casca de trigo e diversos outros tipos”. A partir dessa combinação foram realizados testes na dieta do frango e depois que esse era abatido, para verificar se realmente a vida do produto se estendia, o que foi comprovado.
Os testes também constataram que ao requentar a carne de frango, que contenha vitamina E, ela não apresenta um sabor desagradável, o que foi relatado pela professora: “Na hora que você requenta o frango cozido ou assado, o sabor muda totalmente, o que não é agravável para o consumidor, e é também um indicador que o produto sofreu oxidação. Com a vitamina E o sabor de requentado é inibido, o que torna a carne favorável para o consumo”.
Como explica a professora Elza Ida, a vitamina E é lipossolúvel, o que significa que ela é solúvel em meios gordurosos. “É por isso que nós utilizamos a vitamina E como antioxidante, pois ao estar junto com as gorduras, ela inibe a oxidação dessas, o que a torna mais vantajosa”, garantiu. Segundo ela, a vitamina E é permitida para ser utilizada como antioxidante, o que não acontece com todos os conservantes e aditivos.
A idade das aves interfere no processo de adição das vitaminas. “É recomendado que os suplementos sejam adicionados uma semana antes do abate; as aves, por sua vez, devem ter 42 dias de idade, aproximadamente”, explicou Ida. De acordo com ela, o procedimento é necessário para a qualidade do produto final. “Normalmente, a carne fica nos supermercados por 5 ou 6 dias, e com esse processo é possível aumentar a estabilidade da carne por mais 2 ou 3 dias”, afirmou.
Após o período de congelamento foi detectado que houve uma considerável diminuição da oxidação do produto. “A redução foi de cerca de 80 a 90% do processo de oxidação, o que aumentou o tempo de validade da carne”, constatou a professora.
Essa pesquisa foi publicada em 2004 na revista internacional: “Brazilian Archives of Biology and Tecnology”, além de ter sido apresentada em congressos e eventos da área.


Ensino a distância na UEL

Setembro 14, 2009

Projeto iniciado no Centro de Educação Física pretende levar a modalidade para toda a universidade  

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Pauta: Ana Carolina Contato
Reportagem: Guilherme Popolin
Edição: Kauana Neves

De acordo com a Associação Brasileira de Educação a Distância, a incorporação dos avanços tecnológicos está presente em vários segmentos da sociedade e o processo de ensino, em escolas ou universidades, vê uma nova possibilidade de dinamizar suas metodologias. (http://www.abed.org.br/) “É inevitável o avanço da educação à distância”, diz o professor Dr. Ronaldo José Nascimento, graduado em Educação Física, doutor em Ciências da Educação pela Universidade Técnica de Lisboa, Pós-Doutorando da Faculdade de Motricidade Humana de Lisboa-Portugal e docente da Universidade Estadual de Londrina (UEL), onde coordena o projeto da Escola Virtual.

Nascimento explica que essa temática do ensino à distância vem sendo desenvolvida há um longo período pela Faculdade de Motricidade Humana de Lisboa, Universidade Nacional de Educação a Distância de Madrid e na Universidade de Poitiers, na França. O professor esclarece que, na UEL, está em curso o processo para que seja firmado pelo reitor, Wilmar Marçal, o acordo de cooperação internacional com a Universidade de Poitiers e com a BLC, empresa portuguesa que detém os direitos sobre a plataforma NET-Forma, base dos estudos sobre educação a distância.A previsão é de que as pesquisas levem 3 anos, tempo que a plataforma, que é de uso privado, estará disponível para o projeto, com a possibilidade de uso contínuo após o término do mesmo.

De acordo com Nascimento, a plataforma portuguesa de gestão do conhecimento, NET-Forma, desenvolvida pelo professor Dr. Antônio Augusto Fernandes, pró-reitor de educação à distância da Universidade Católica Portuguesa, possibilita o uso de diversos recursos, como vídeos, áudios, Power Point ou manuais eletrônicos. O professor explica que na UEL, primeiramente, terão acesso os docentes e discentes do Centro de Educação Física e Desporto (CEFD), mas que será estendido para os outros centros da universidade. Os participantes necessitam ter uma conexão com a Internet, e mediante a um login e senha poderão acessar os conteúdos.

Segundo Nascimento, o modelo usado na UEL deverá ser pioneiro no Brasil, uma vez que usará o moodle, um software livre, sem custos para utilização, que estará disponível para ações dentro da universidade, em conjunto com a NET-Forma, que é o tema principal do seu projeto de pesquisa.

Na UEL, as pesquisas com o ensino à distância foram possíveis após uma parceria entre a Prograd e o CEFD, intermediada pelo NEAD (Núcleo de Educação a Distância). “Em breve, poderemos ofertar, dentro do curso de educação física e esportes, as formações semipresenciais e à distância para os acadêmicos”, afirma o professor. Nascimento esclarece que no Brasil inúmeras instituições utilizam plataformas on-line para implantar os programas de educação a distância, como a Universidade Estadual de Maringá (UEM), Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), que utilizam o moodle, e UNOPAR, que utiliza um sistema de satélites.  

“Segundo dados da UNESCO, o conhecimento é atualizado a cada trimestre”, esclarece Nascimento. Para o professor, com essa plataforma, as mudanças do conteúdo ficarão mais compreensíveis, e “o profissional poderá estar sempre atualizado, não só do conhecimento teórico, mas da prática, e principalmente, do aspecto tecnológico”, salienta. Para o professor, um fator importante é que o aluno será parte integrante do processo, podendo participar da concepção, desenvolvimento e produção dos conteúdos, “vai estar inserido na produção do material a ser utilizado durante a formação”, completa.

O professor explica que nesse primeiro momento será aberta uma disciplina de seminários acadêmicos em educação física, uma disciplina de tecnologia de informação e comunicação aplicada à educação física e ao esporte. “Nossa intenção é de ofertar outras disciplinas também, com a ajuda de professores dos outros centros”, afirma Nascimento. Segundo o professor, as avaliações podem ser on-line, presenciais ou intercaladas, já que a legislação brasileira exige que seja realizado ao término do processo um exame presencial. “Eu vejo totalmente desnecessário (as avaliações), pois todo processo pode ser feito à distância, visto que essa é a sua característica diferencial”, expressa o Nascimento. Outra característica salientada pelo professor é a possibilidade de encontros com os professores, tutores e apresentações de seminários.

Nascimento acredita na possibilidade de duas grandes universidades: uma presencial e outra à distância, uma vez que “os estudos desenvolvidos têm mostrado resultados positivos sobre a modalidade, e que alunos oriundos de uma formação à distância têm o mesmo rendimento ou superior aos alunos presenciais”, conclui o professor.


Alternativas para humanizar o ambiente hospitalar

Junho 29, 2009

Sensibilizart realiza a segunda Jornada de Humanização da Saúde e discute a contribuição do lúdico para a cura

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Pauta: Lígia Zampar
Reportagem: Daniela Brisola
Edição: Kauana Neves

Com a participação de estudantes de medicina, farmácia, fisioterapia, enfermagem e odontologia e profissionais das áreas da saúde, o Sensibilizart é um projeto que tenta humanizar o ambiente hospitalar, usando o lúdico e as artes como instrumento. O projeto promoveu, entre os dias primeiro e dois de junho, no Hospital Universitário da Universidade Estadual de Londrina, a Segunda Jornada de Humanização da Saúde. Como no ano passado, em sua primeira jornada, o projeto promoveu palestras e oficinas e contou com a participação de estudantes dos cursos citados.

Uma das palestras do evento foi a ministrada pela professora doutora do departamento de Educação da Universidade Estadual de Londrina, Francismara Neves Oliveira. A professora possui graduação em pedagogia, pela Universidade Estadual de Londrina e mestrado e doutorado em Educação pela Universidade Estadual de Campinas. Com o tema “Resiliência: a importância do lúdico em sua construção”, Francismara Neves Oliveira iniciou a palestra com um vídeo sobre a atividade dos “palhaços dos hospitais”. Após esse vídeo, a professora falou sobre alguns princípios norteadores da resiliência como o da autonomia versus heteronomia que é um conceito instrumentalizador, na formação do profissional da área médica, em que o médico deve enxergar o ser humano que existe além do paciente, com seus medos, angústias e expectativas. Outro vídeo foi exibido para contar a vida do médico, as suas dificuldades e as formas de tratamento para cada paciente e isso foi contado com trechos de filmes com personagens médicos.

Após o vídeo, Francismara Neves Oliveira explicou a relação entre o lúdico e a resiliência. Para ela, o lúdico é uma alternativa ao processo de cura e possui diversos tratamentos nas diversas áreas médicas. Também explicou que o lúdico promove a saúde emocional e atenua a hostilidade imposta pelas condições adversas às quais a pessoa está submetida. “Todos temos uma “ludicidade” que deve ser resgatada”, afirmou durante a palestra.

Em entrevista após o evento, Francismara Neves Oliveira explicou que resiliência é a capacidade do sujeito de oferecer respostas aos desafios aos quais ele é submetido na vida. “Algumas pessoas enfrentam problemas e parecem ter uma estrutura melhor para esse enfrentamento do que outras. Algumas adoecem psiquicamente, emocionalmente e às vezes até fisicamente em decorrência daquela situação que elas estão enfrentando”, explicou. Segundo a pedagoga, esse é um termo que vem da física e que significa a capacidade do material de sofrer pressão e não se deformar.

Francismara Neves Oliveira também explicou que através do lúdico é possível observar as relações internas do sujeito, evocando novas elaborações intrínsecas e permitindo surgir as representações que a pessoa faz de si mesma, do mundo e das possibilidades de enfrentamento dos problemas. “O lúdico é, para nós, um excelente veículo de aproximação, uma possibilidade muito rica de aproximação.”, afirmou. Ela relacionou o lúdico ao projeto Sensibilizarte. “Eles têm uma frente que é da música, eles têm grupo de palhaço e eles têm artesanato e nas três frentes eles priorizam o lúdico, porque eles trabalham com criança em situação de enfrentamento, uma condição muito adversa, que é a de internamento prolongado, de quimioterapia e de outras situações que fragilizam essas crianças.”, disse. Nessas situações adversas se manifestam as vulnerabilidades, sendo necessária a intervenção do lúdico. “A relação que nós estamos tentando fazer agora é como promover resiliência a essa população por meio do lúdico. Como o lúdico pode oferecer possibilidade de enfrentamento, como é que o lúdico pode desencadear a construção da resiliência, tornar essas crianças mais fortalecidas para o enfrentamento que elas têm que ter”, contou.

A importância do lúdico no tratamento foi ressaltada pela professora. “Tanto ele permite que essas questões, a dor da criança, a dor não só física, a angústia, a ansiedade diante daquele quadro, daquilo que está acontecendo com ela, as perdas, as situações que elas enfrentam, as emoções que ela tem que enfrentar por conta da situação, ela vem à tona por meio do lúdico. É um modo de resignificação que a criança encontra. Ele é fundamental. E para quem está acompanhando também, tanto a família quanto a equipe médica.”. A professora contou também que o lúdico serve como forma de atenuar o tratamento médico tradicional, beneficiando a criança. “Nós acreditamos que o lúdico pode fazer esse papel e também pode trazer para nós um observável que é o que essa criança está vivendo que talvez de outra forma nós não tivéssemos acesso.”

Francismara Neves Oliveira é a nova professora responsável pelo Sensibilizarte que anteriormente tinha apenas cunho voluntário, sendo coordenado por estudantes. Ela falou sobre a mudança que deseja fazer. “Nós estamos estudando a possibilidade. Hoje o foco do projeto é o voluntariado, são os alunos que trabalham de forma voluntária no projeto. A idéia é transformar em um projeto de extensão da universidade.Ele vai perder esse caráter de voluntariado, mas ele vai ganhar muito com a questão de um projeto que possa ter espaço, não só do que eles fazem do ponto de vista prático lá no hospital, mas também como um campo de estudo, de diferentes áreas do conhecimento, questões interdisciplinares, o olhar da saúde, o olhar da educação, o olhar da psicologia sobre essa questão”, disse a professora, que vai tentar voltar o foco do projeto para a questão da resiliência. “É uma discussão que eu venho fazendo a parte e que agora nós estamos tentando incorporar ao que o Sensibilizarte já faz. Como por meio do lúdico a resiliência pode ser promovida nessas crianças que estão passando por situações muito adversas”, afirmou.


Estudo analisa o crescimento do Movimento Pentecostal

Junho 23, 2009

Um projeto da UEL investiga os motivos que levam homens e mulheres a aderirem ao pentecostalismo

imagemPauta: Ana Carolina Contato
Reportagem: Luciana de Castro
Edição: Beatriz Assumpção

“O Pentecostalismo é uma doutrina que se sustenta na relação individual e individualista com Deus e a Igreja”, como define a Professora Doutora Claudia Neves da Silva que ainda frisa que “o Movimento Pentecostal é baseado na emoção e na subjetividade”.

Formada em Ciências Sociais e Serviço Social pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro e mestra e doutora em História pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Claudia Neves da Silva, professora de Serviço Social da Universidade Estadual de Londrina, estuda a religiosidade desde 1993. Esses estudos levaram ao tema do projeto de pesquisa intitulado “Religiosidade e adesão religiosa: motivações que levam homens e mulheres a adentrarem as portas do templo de uma Igreja Pentecostal”, que a professora coordena e que conta com a participação de acadêmicos de Serviço Social.

O projeto teve início em agosto de 2008 e trabalha com o Movimento Pentecostal em suas diversas manifestações, isto é, tanto nas entidades evangélicas como em outras que seguem preceitos da doutrina, como é o caso da Renovação Carismática Católica. De acordo com a coordenadora, através do estudo os alunos podem compreender como os fenômenos sociais refletem no aumento do número de adeptos do pentecostalismo. Ou seja, “como a situação econômica, que hierarquiza a sociedade, as crises financeiras e políticas, as catástrofes, a crescente valorização do “ter” e a vasta gama de problemas pessoais que atingem os indivíduos, estão ligados ao aspecto emocional dessa manifestação religiosa, que permite que seus adeptos descarreguem suas emoções dentro do templo e que mantenham uma relação pessoal com Deus”, de acordo com ela.

Além de incentivar os estudantes de Serviço Social à pesquisa, o projeto tem como objetivo fazê-los compreender que nenhuma esfera da sociedade se separa, assim como Max Weber trabalhou em “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo” ” estudo sobre a relação ambígua da religião calvinista com a política e a economia ” e também fazê-los observar que a religião não se dissolve do ser humano até mesmo dentro da Universidade, apesar de a maioria dos universitários declarar que não a leva para dentro do local, como salienta Claudia Neves.

Dentro do estudo é observado como o número de manifestações pentecostais cresce dentro do Brasil e de Londrina. A professora comenta que entre os anos de 1960 e 1980 o catolicismo trabalhava com a “Teoria da Libertação”, que atentava aos problemas sociais, porém com o advento do pentecostalismo os problemas individuais começam a ser mais valorizados. O fiel adentra ao templo com o propósito de se consultar com o pastor (similar à relação de psicólogo-paciente) e ele tem o direito de fugir à realidade durante as celebrações, diferentemente das Igrejas históricas tradicionais (Católica, Presbiteriana, Batista, e outras). Claudia Neves afirma que “o Movimento Pentecostal acolhe tudo aquilo que as outras Igrejas consideram como segundo plano e, de certo modo, deixa os problemas sociais de lado para a construção da melhora da sociedade a partir da melhora de vida de seus fiéis”.

De acordo com ela, o projeto já pode concluir que dentre as adversidades cotidianas das pessoas, a Igreja Pentecostal oferece um conforto, uma atenção maior. Por isso o crescimento no número de adeptos que procuram uma renovação, uma melhora de vida e, sobretudo, procuram sanar os dramas pessoais que alteram diretamente suas vidas, como conclui a professora.

Por enquanto o projeto tem trabalhado com a observação da realidade social e da adesão religiosa e refletido acerca do material recolhido. Nesse mês de maio começam as observações e a coleta de dados estatísticos sobre os rituais pentecostais, como cultos e missas.


Museus londrinenses se unem em prol da cultura local

Junho 16, 2009

A 7ª Semana Nacional de Museus marca a pretensão da instituição em conquistar o maior público possível com atrativos diferenciados

Foto-GUI1menorPauta: Ana Carolina Contato
Repórter: Guilherme Santana
Edição: Vitor Oshiro

Frequentar museu não é um hábito da maioria dos brasileiros, mas, mesmo assim, essas instituições que abrigam uma parte da História e artefatos de domínio público estão presentes e querem conquistar espaço na cultura brasileira. A 7ª Semana Nacional de Museus, realizada em todo o país entre os dias 17 e 23 de maio desse ano provou essa ambição. Em Londrina, pela primeira vez em sete edições, o Museu Histórico de Londrina (MHL), o Museu de Arte de Londrina (MAL) e o Museu de Ciência e Tecnologia de Londrina (MCTL) trabalharam em conjunto na comemoração da semana dedicada ao dia internacional do museu – 18 de maio.
Segundo a coordenadora do evento no MHL, Angelita Marques Visalli, as atividades oferecidas correspondem ao trabalho de três museus integrados em resposta ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), que organiza a semana de museus desde 2003. “No país inteiro, os museus apresentam atividades que vão ser desenvolvidas particularmente durante essa semana, respondendo ao tema proposto pelo Conselho Internacional de Museus (ICOM), que para o ano de 2009 propôs: Museus e Turismo”, explicou Angelita Visalli, graduada em História pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com mestrado em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e doutorado também em História Social pela Universidade de São Paulo (USP).
A temática apresentada, de acordo com a coordenadora, possibilita uma visibilidade maior das atividades que já eram desenvolvidas, e durante a semana, há a proposta de trabalhos que possam apresentar ao público em geral qual o cotidiano do museu, o que tem a oferecer e possibilitar um espaço de reflexão no relacionamento dessa instituição com seus visitantes. “Na maioria dos casos, esses visitantes são turistas que procuram referências históricas e artísticas, ou fonte de conhecimento e de prazer pela cidade; a idéia é apresentar de forma organizada e estruturada, pela semana de museus, essas atividades”, especificou a coordenadora Angelita Visalli.
Um dos destaques do evento foi a exposição tátil “Para ver com o dedos”, que reservou alguns objetos do museu para ser admirada de uma maneira singular por um grupo diferenciado: os deficientes visuais. Com a possibilidade de tocar algumas peças e encontrar uma explicação em braile sobre a história delas, a estudante Luana Regina Soares, que possui baixa visão, pôde pela primeira vez ir ao museu e “ver” o que os outros “sentem”: “Aqui eu posso sentir do que tudo é feito, para que servem, coisas que fizeram parte da História. É como se as pessoas estivessem “abrindo os olhos” para nós que não enxergamos”.
Para explicar a relação entre os museus e o turismo, foi realizada uma conferência pela coordenadora do Curso de Turismo E Hotelaria da Universidade Norte do Paraná (UNOPAR) e professora do Departamento de Comunicação da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Dirce Vasconcellos, graduada em Turismo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com mestrado em Comunicação Social pela Université Catholique de Louvain (UCL) e doutorado em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP). “A intenção é desenvolver a relação dos museus, como potencial artístico e histórico, com o turismo. O foco é no turista estrangeiro, que possui interesse cultural muito grande pelas instituições, e esse atrativo turístico nem sempre é apresentado como uma opção. O ideal é mostrar a importância dos museus para o turismo local e ações para incluir as visitas, como por exemplo, nos pacotes turísticos, como acontece em outros contextos”, explicou a professora a respeito dos principais pontos abordados na conferência do tema estabelecido pelo ICOM em 2009.

Ainda sobre o tema Museus e Turismo, Dirce Vasconcellos aponta uma problemática: “Em Londrina, não há um vínculo de propostas de visitação, não só aos museus, mas também com o patrimônio arquitetônico da cidade, que tanto como o MHL, o MAL e o MCTL, não são incluídos em eventos culturais como o Festival Internacional de Londrina (FILO) e o Festival de Música de Londrina (FML)”. Segundo a professora, deveria existir uma divulgação maior, incluir em programações de evento visitas aos museus, não como parte do acontecimento, mas como uma opção de turismo.

Serviço:
O MHL está localizado na Rua Benjamim Constant, 900 ” Centro (Antiga Estação Ferroviária)
O MAL está localizado na Rua Sergipe, 640 ” Centro
O MCTL se divide em três setores: Centro de Ciências, Observatório e Planetário. Os dois primeiros se situam, um ao lado do outro, no campus da UEL, próximo ao Centro de Educação Física e Esportes (CEFE), enquanto o Planetário está localizado na Rua Benjamin Constant, 800.


O grafite na escola pública

Junho 8, 2009

Professor de Psicologia estuda as marcas deixadas pelos alunos como manifestações  de suas realidades no contexto escolar 

João+Mart.. 

Pauta: Ana Carolina Felipe Contato
Reportagem: Isabella Verri Sanches
Edição: Kauana Neves

“As marcas que os estudantes deixam são uma prática comum, nós de modo geral deixamos marcas, até mesmo de uma maneira ‘inconsciente’”, essa foi a realidade constatada pelo Professor João Batista Martins, que analisou os desenhos e escritos deixados por estudantes de diferentes idades e classes sociais em carteiras, cadeiras, muros, portas e paredes. Sendo esse o tema estudado pelo projeto: “Grafite: Expressão dos alunos no contexto escolar”. O projeto é o resultado de pesquisas realizadas sobre pichação nas escolas públicas da cidade pelo professor Martins, coordenador do projeto, que é graduado em Psicologia pelas Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU) e doutor em Educação pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR) e que trabalha atualmente no Departamento de Psicologia Social e Institucional da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

O projeto buscou abordar essas pichações, definidas aqui como escritas e marcas deixadas pelos alunos, como sendo uma forma de expressão. “Ali eu discutia questões relativas ao espaço de pichação e aos seus grupos como sendo um espaço de convivência, um espaço de construção de identidade e um espaço aonde o jovem se movimenta no contexto da cidade se relacionando com outros grupos e construindo, assim, sua identidade”, explica o professor Martins.

A equipe do projeto trabalhou com três escolas públicas de diferentes regiões de Londrina (Centro, Zona Oeste e Zona Norte) de ensino fundamental e médio, fotografando carteiras, paredes, cadeiras, muros e portas. Foram recolhidas cerca de 700 fotos, que segundo o professor, foram mapeadas de acordo com seus temas abordados sendo também estabelecidos diálogos entre elas. “A idéia era observar que tipo de expressão os alunos deixavam nos suportes”, ressalta.

Martins menciona que os desenhos mais comuns estão relacionados a sexualidade, que ele explica ser “uma temática muito presente na vida dos adolescentes e na medida em que a escola não oferece o espaço para esse tipo de abordagem, eles vão dar um jeito de expressar isso no seu cotidiano”, Outros temas recorrentes nas pichações são de ordem cultural, como marcas religiosas, disputas entre grupos e disputas por espaços, outros fazem apologia à violência e ao uso de drogas. Em relação às drogas, o professor conta tratar-se mais de um apontamento, “isso nos indica a presença das drogas no contexto escolar, não percebi nenhum tipo de expressão no sentido disso ser bom ou ruim”.

O professor aponta que as marcas deixadas nos suportes escolares são causadas devido a um tratamento dúbio dado pelas escolas às pichações, pois nas escolas pesquisadas a pichação é contra as normas, porém percebe-se não haver advertências a quem as pratica. “Na medida que você tem uma regra que não é aplicada, cria-se um espaço de expressão”, afirma.

O projeto, iniciado em 2004, terminou no ano de 2006 e com ele o professor pôde concluir que a escola passa a ser um espaço de convivência entre os jovens. “A condição do adolescente é uma condição de mudança e no momento que isso passa a ser expresso é necessário cuidar disso”. Ressalta, no entanto, que as escolas, buscando tratar seus estudantes de maneira homogênea, não conseguem lidar com os jovens, “os adolescentes vivem uma série de experiências que a escola não está dando conta”.

Nessa perspectiva, o professor destaca que as informações obtidas pela pesquisa são indicadores de como os jovens estão se organizando e que tipos de problemática enfrentam. “A partir dessas informações é possível fazer um diagnóstico da realidade deles e, de certa forma, promover estratégias que diminuam a tensão existente entre os grupos”, menciona o professor de psicologia.

Segundo Martins, na medida do possível, foi dado o retorno da pesquisa às escolas que dela participaram. Ele informa também que a pesquisa já está sendo divulgada em congresso e que está previsto, provavelmente para o segundo semestre, que ela seja publicada na revista espanhola Athenea Digital.


Arquitetura estuda o conforto nos ambientes hospitalares

Junho 2, 2009

A arquiteta Ana Virginia Sampaio revela a importância de um planejamento dos ambientes hospitalares para garantir bem-estar

arquitetura

Pauta: Lígia Zampar
Reportagem: Beatriz Pozzobon
Edição: Beatriz Assumpção

“Um projeto arquitetônico para um hospital é complexo porque existem muitas regras a serem seguidas. Por isso, às vezes o conforto dos pacientes é deixado em segundo plano na hora da construção ou adequação da obra.” É o que afirma a professora Ana Virginia Sampaio, doutora em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo e docente da Universidade Estadual de Londrina. A partir desse problema, ela desenvolveu sua tese de doutorado que estuda os ambientes hospitalares e o conforto que eles proporcionam. “O comum é deparar-se com hospitais que apresentam incompatibilidade físico-funcional e que não privilegiam o conforto e o meio ambiente”, segundo ela.

Ana Virginia estuda a qualidade e o conforto de ambientes hospitalares. “Na minha tese levantei a preocupação, não só de o arquiteto levar em consideração a questão dos recursos naturais, mas também uma atenção ao bem-estar de todo o pessoal que ocupa o espaço hospitalar, como pacientes, médicos, equipe de enfermagem e visitantes”, explica.

Ana Virginia Sampaio cita que foram realizadas pesquisas com pacientes de hospitais preocupados com o bem-estar, e que a partir dessas pode-se notar a eficiência do ambiente para a melhor e mais rápida recuperação dos internos. Segundo ela, isso pode ser medido a partir da diminuição da quantidade de analgésicos solicitada e da pressão arterial dos pacientes, por exemplo. A arquiteta acrescenta que ambientes que possuem um contato maior com a natureza proporcionam mais conforto ao paciente. “Há várias pesquisas que mostram que em casos de procedimentos dolorosos, se o paciente espera em um ambiente confortável, no qual ele tem vegetação, barulho de água, às vezes, até um passarinho cantando, ele ficará mais calmo e esse procedimento ficará menos doloroso”, exemplifica. Em sua tese, a professora fez uma avaliação do Hospital Universitário ” HU. Agora, ela coordena o projeto de pesquisa “Sustentabilidade, qualidade e conforto nos ambientes hospitalares” que está analisando outros três prontos-atendimentos de Londrina: Mater-Dei, Pronto Atendimento Infantil – PAI e Santa Casa.

A partir de avaliações do ambiente físico e com os usuários, Ana Virgínia Sampaio elaborou uma planilha simplificada, denominada “Avalhospit”. Segundo ela, essa planilha leva em consideração cinco aspectos: ambientais, de conforto e qualidade, construtivos, funcionais e estéticos, e de acordo com esses avalia-se a verdadeira preocupação do projeto hospitalar. Segundo a professora, nos aspectos ambientais é necessário levar em consideração: a forma da implantação, água, energia e resíduos. Na questão do conforto o que se avalia são os seguintes subitens: conforto térmico, luminoso, visual, acústico e a qualidade do ambiente. O acesso, a circulação e o espaço são avaliados a partir da funcionalidade de um hospital; enquanto, instalação e aparência são analisadas tendo como base os aspectos construtivos e estéticos, respectivamente. Baseado nessa avaliação, os hospitais são pontuados e os aspectos descritos são hierarquizados de acordo com a pontuação. Ana Virginia Sampaio observa ainda que a planilha pode ser utilizada também enquanto o arquiteto elabora seu projeto, para ele analisar em que questão está pecando, tanto por excesso, como por falta.

Segundo a professora, a adoção de medidas ambientais é, aparentemente, inviável para os hospitais: “Um dos questionamentos é exatamente esse, você está perdendo área que poderia ser construída para deixar espaço para um jardim. Economicamente, isso é viável? Não é”. No entanto, Ana Virginia Sampaio demonstra em seu estudo que a implantação dessas medidas além das vantagens apresentadas, torna-se economicamente mais viável ao acelerar o processo de recuperação dos pacientes. Conforme sua observação, em caso de ambientes já construídos, é possível trabalhar com as deficiências através de ações de baixo custo e medidas simples, entretanto com impacto ambiental significativo. “Obras de arte, tais como gravuras e esculturas, tratamento diferenciado no teto e na cortina, uma fonte, são exemplos que surtem resultados positivos no bem estar e na recuperação dos que estão internados”, afirma.

Essa pesquisa está sendo realizada pela professora Ana Virginia Sampaio,pelo professor Nelson Schietti de Giacomo (graduado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Braz Cubas Mogi das Cruzes e mestre em Arquitetura Hospitalar pela Tulane University, atualmente é professora da UEL) e com a colaboração de dez alunos do curso de Arquitetura e Urbanismo da UEL. O objetivo final da pesquisa é a utilização da planilha “Avalhospit” na elaboração e avaliação da qualidade de ambientes hospitalares, o que deverá ser publicado em artigos científicos e eventos da área.


Pesquisadora desenvolve estudo de gerenciamento do trânsito de Londrina

Maio 25, 2009

A falta de sincronia dos semáforos seria uma das causas das filas de congestionamento na cidade

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Pauta: Lígia Zampar
Reportagem: Tatiane Hirata
Edição: Vitor Oshiro

Atualmente, Londrina conta com mais de 500 mil habitantes e um dos principais setores afetados por esse grande contingente populacional é o trânsito. Pode-se dizer que ele se encontra mais problemático principalmente nos horários de pico, entre às 07h00 e 08h00 e entre às 17h00 e 19h00. Para se ter uma idéia, segundo dados do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran), entre abril de 2008 e abril de 2009, a frota de veículos da cidade aumentou de 239.328 para 255.557. São 16.229 veículos a mais no intervalo de um ano, sem contar os veículos das cidades vizinhas que transitam em Londrina.
Para o condutor londrinense, isso representa perda de tempo em filas de congestionamento, um trânsito perigosamente complicado e muito mais estresse no final do dia. Paulo Corso, que dirige há 15 anos, afirma que é difícil manobrar e estacionar no trânsito de Londrina, porque o “motorista é obrigado a ficar costurando entre os carros”. Para ele, uma das causas do problema é a falta de sincronia dos semáforos, um dos fatores que provoca a criação de filas.
Embora não seja a única causa, a falta de sincronia dos semáforos é um dos maiores agravantes na problemática do trânsito. Pelo menos é isso que afirma a engenheira Silvia Galvão de Souza Cervantes, doutora em engenharia elétrica pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Segundo ela, em Londrina, dos 70 semáforos localizados na malha central, cerca de apenas 10 são elétricos. Os outros todos ainda são eletromecânicos, controlados pelo homem. Eles possuem uma temporização que se mantém constante, baseada em estudo empírico que não atende às necessidades do trânsito do centro de Londrina.
Silvia Cervantes coordena um grupo de pesquisa da Universidade Estadual de Londrina que desenvolve trabalhos de gerenciamento do tráfego de Londrina. A pesquisa é uma continuidade do trabalho de doutorado da engenheira. Ao voltar para Londrina, em 2005, depois de estudar quatro anos em Santa Catarina, a engenheira quis aplicar o estudo na cidade. Procurou a prefeitura e entrou em contato com membros do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (IPPUL), em busca de um convênio para o projeto. “Nós começamos em uma parceria”, conta Silvia, “eles me forneceram dados do funcionamento da malha viária central de Londrina, que é uma das mais problemáticas, e a contagem de veículos, que normalmente é uma informação difícil de obter das prefeituras. Nesse caso, porém, ela foi extremamente participativa, porque também tinha interesse no trabalho”.
A princípio, o trabalho consistia na instalação de sensores magnéticos nos semáforos da malha viária central da cidade. Esses sensores são compostos por um software que faz a contagem dos veículos, que depois pode ser transferida para o computador. Com os dados, desenvolve-se um algoritmo em tempo real a partir do qual se desenvolve um cálculo do melhor tempo de verde para diminuir o tamanho das filas e, conseqüentemente, o atraso. Com isso, obtém-se uma coordenação dos semáforos, a chamada “onda verde”, nome pelo qual se denomina o projeto no site do IPPUL (http://www.londrina.pr.gov.br/ippul/transito/projeto_ondaverde.php).
Entretanto, isso se tornou inviável. “Seria difícil aplicar aqui em Londrina, porque o tempo real envolve um custo maior de implantação. Teria que ter detectores em todas as vias e controladores semafóricos eletrônicos, coisa que não existe muito aqui. Há alguns na Higienópolis, na JK, na Tiradentes e na Maringá, mas no restante, é tudo eletromecânico ainda. São super antigos, não recebem uma programação eletrônica. Então, teria que trocar todos os controladores semafóricos”, afirma a pesquisadora. Além disso, Silvia Cervantes explica que os sensores magnéticos inicialmente aplicados são produzidos fora do país e são difíceis de serem importados.
Com isso, o grupo de pesquisa partiu para o desenvolvimento de um algoritmo em tempo fixo. “Conhecemos a quantidade de veículos que estão circulando na malha e, com essa quantidade, faço um plano de tempo semafórico. Então, calculamos esses tempos semafóricos em tempo fixo e aplicamos esses tempos semafóricos de tal forma a minimizar as filas. Por fim, aplicamos algoritmos de otimização”, diz a engenheira. O sensor utilizado para a contagem de veículos passou a ser um móvel, que funciona através de laços indutivos, que são dispositivos capazes de detectar a passagem de uma massa metálica por um campo indutivo.
Com o atual equipamento semafórico de Londrina, a temporização colocada é fixa. Para mudá-la, um funcionário responsável faz isso manualmente. A pesquisadora diz que o ideal seria ter um tempo de verde e vermelho para cada horário do dia, variando em dias da semana, feriados e finais de semana, de acordo com o movimento de veículos. “Também precisaria de controladores melhores, que recebessem essa programação”, afirma.
Como exemplo, a pesquisadora cita um dos trechos mais problemáticos da malha viária central de Londrina: o cruzamento das ruas Goiás e Duque de Caxias. Conforme dados obtidos pela pesquisa no primeiro semestre de 2008, a capacidade do semáforo (o número suportável de veículos que chega das duas vias, medido de acordo com a largura e tamanho da via) nesse cruzamento é de 1800 veículos por hora, em cada via. Como são duas vias, a capacidade total é de 3.600 veículos. Nos horários de pico, o grupo de pesquisa colheu dados de 2.700 veículos cruzando as duas vias, um número menor do que a capacidade. Teoricamente, portanto, não haveria filas, mas elas existem. Para a pesquisadora, isso se deve ao tempo errado de verde e vermelho utilizado no semáforo da via. O objetivo da pesquisa é desenvolver cálculos de tempo de verde que minimizem problemas como esse.
Atualmente, para vencer a falta de investimentos, o projeto tenta estabelecer um convênio com a atual administração de Londrina. A pesquisadora afirma que isso seria bastante importante para “realizar alguns testes que faltam e para comprar um simulador que revalidaria os resultados obtidos”.
A professora Silvia cervantes afirma ainda que em nenhuma cidade só o gerenciamento semafórico resolve, mas Londrina tem esse problema e precisa ser resolvido. Mesmo que o convênio não saia e não seja possível aplicar os resultados da pesquisa em Londrina, o estudo continuará. “Se não for aplicado aqui, será aplicado em outro lugar”.