Artigo sobre blogs e ética

março 25, 2009

A emergência dos blogs como fontes de informação tem provocado mudanças profundas não apenas no mercado jornalístico, mas também nos processos de produção e difusão informativa.

No momento em que pesquisas apontam para a perda de credibilidade da mídia convencional para os meios online, surgem também novos sistemas de reputação, buscando outras modalidadesde aferição de qualidade aos serviços. Fração de uma pesquisa maior, este trabalho – apoiado em levantamento e revisão bibliográficos – identifica alguns elementos para a credibilidade dos  blogs no jornalismo online, observando a zona de atrito entre o trabalho dos jornalistas profissionais e meios tradicionais, de um lado, e os blogueiros e redes sociais, de outro. Os resultados evidenciam a interpenetração dos dois universos, o diálogo tenso e a mútua influência entre blogueiros e jornalistas, num cenário em rápida transformação.

Você encontra o artigo na íntegra no:

http://www.4shared.com/file/94989216/2371a8d4/Christofoletti_Laux.html

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Os rumos da pós-graduação no Brasil

março 25, 2009

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Repórter: Vitor Oshiro

Edição: Betariz Assumpção

Convidado a participar da aula inaugural do curso de “Mestrado em Comunicação – Área de Concentração: Comunicação Visual” da Universidade Estadual de Londrina, o professor doutor Marcius Cesar Soares Freire conversou com o Conexão Ciência sobre a importância desse programa recém-criado pela UEL e como está a pós-graduação no Brasil.

Marcius Freire fez graduação em “Études Cinématographiques et Audiovisuelles” na Université Paris VIII e em “Arts Plastiques” na mesma universidade. Tem mestrado em “Cinéma” pela Université Paris VIII e é doutor em “Cinématographie” pela Université Paris X-Nanterre, com pós-doutorado na New York University. Atualmente é professor doutor da Univesridade Estadual de Campinas (UNICAMP) e coordenador da área de Ciências Sociais Aplicada I, na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, a CAPES.

Conexão Ciência: Como o senhor avalia a criação deste mestrado em comunicação, mais especificamente na área de comunicação visual, na UEL?

Marcius Freire: É muito importante, pois vem preencher um vazio geográfico que nós temos na pós-graduação em comunicação. Ou melhor, alguns vazios. No Paraná, nós tínhamos somente um programa e em todo o sul um total de quatros programas de pós em comunicação, sendo que criamos mais dois agora. Se analisarmos que no Brasil há um leque de 31 programas de pós-graduação na área de comunicação, percebemos que estão muito mal distribuídos em termos regionais. Para termos uma idéia, desses 31 programas, onze estão no estado de São Paulo. No nordeste, nós temos dois. E no norte não tinha nenhum, sendo que criamos um agora no Amazonas. Além da importância em contribuir para melhorar esta distribuição, este mestrado da UEL é relevante porque tem uma originalidade na abordagem. É o primeiro programa nesta sub-área da comunicação, que é a comunicação visual. Então este programa iniciado na UEL tem este traço distintivo em relação a todos os outros programas de comunicação criados no país.

 

ConCiência: Como este mestrado ajudará na produção científica nacional?

Marcius: Na área de comunicação há um desequilíbrio grande entre os programas de graduação e pós-graduação. Existe um número muito grande de cursos de graduação em comunicação muito superior a estes 31 programas de pós. Então se fizermos esta relação, veremos que, na área de comunicação, são formados mestres e doutores para lecionar para os cursos de graduação. Mas, devido a esta diferença numérica ainda ocorre este desequilíbrio. Os programas atuais, como este da UEL, contribuem em dois pontos. O primeiro é formar quadros para suprir estas carências já existentes na graduação e o segundo é na própria produção de conhecimento, pois, na grande maioria das áreas, a produção cientifica é realizada especificamente nos cursos de pós-graduação. Então, este mestrado ajudará na própria produção como também na formação de quadros que contribuirão na formação de graduandos de qualidade para, futuramente, poderem produzir o conhecimento.

 

ConCiência: Há aproximadamente um ano, em entrevista ao Conexão Ciência, o senhor afirmou que a produção científica nacional estava crescendo bastante. Como o senhor avalia este quadro hoje?

Marcius: A produção científica cresceu realmente. Desses 31 programas, 24 foram avaliados e nós tivemos um resultado que supera a média de duas produções bibliográficas por ano por docente, que é o padrão de excelência da área. Salvo raras exceções, todos os docentes desses 24 programas atingiram este padrão. Isso significa que este acompanhamento da CAPES e estes critérios determinados pela própria área estão surtindo efeito. E este crescimento em termos quantitativos aparece também em termos qualitativos, mesmo que ainda tenhamos muito a melhorar. Foi criado há alguns anos uma classificação que atribui conceitos aos periódicos e o que podemos ver é que o grosso da produção ainda é veiculado em periódicos qualificados como nacionais. Precisamos romper a barreira nacional para atingir periódicos internacionais. Se pensarmos assim, em termos quantitativos e qualitativos a produção cresceu realmente, mas com relação à qualidade ainda temos que melhorar um pouco.

 

ConCiência: A CAPES está bem estruturada para exercer o papel de fomentadora da pós-graduação?

Marcius: A CAPES, além dos recursos para bolsa, está criando cada vez mais fomentos para pesquisa. Por exemplo, foi criado há alguns anos o PROCAD (Programa Nacional de Cooperação Acadêmica), que permite o financiamento de pesquisas envolvendo mais de um programa de pós-graduação. Agora, foi criado um programa de pós-doutorado no próprio país. Então, dentro das limitações orçamentárias, a CAPES dispõe de recursos de financiamentos e fomentos de pesquisas. Porém, esta questão orçamentária é complicada. Quando eu assumi a coordenação da área há três anos, havia 19 cursos de pós-graduação em comunicação. Hoje, já está com 31, um crescimento de mais de 50%. Mas o volume de recursos é praticamente o mesmo. Então, por um lado queremos aumentar os programas, mas, por outro, os recursos são os mesmos. Sendo assim, teremos que pensar em alternativas para financiamentos e bolsas. Chegamos a um quadro em que a pós-graduação como um todo cresce muito, mas os recursos não crescem na mesma proporção.

 

ConCiência: Para encerrar, como o senhor avalia a questão do aluno que termina a graduação e já ingressa na pós, sem uma experiência de trabalho?

Marcius: Eu acho que tudo depende do projeto profissional de cada um. Quem quer ingressar no mercado de trabalho não necessita propriamente de uma pós-graduação. Mas se ele quer se dedicar a uma área especifica talvez uma pós o ajude. Aquele profissional que quer uma carreira acadêmica obrigatoriamente tem que passar pela pós-graduação. Então depende do projeto de cada um. O que a CAPES tem estimulado, mas tem tido pouca resposta na área de comunicação, é a criação de mestrados profissionais, que são programas mais dirigidos ao profissional que quer atuar no mercado, mas quer ao mesmo tempo uma especialização. E quando digo que na área da comunicação não há resposta, podemos ver pelos números, sendo que não há nenhum no Brasil e nem mesmo aparecem propostas desse tipo na área de comunicação. Nos últimos três anos, lembro de duas propostas, que foram recusadas pela CAPES, e, quando voltaram, vieram já em forma de mestrado acadêmico. Então existe uma resistência curiosa a estes mestrados profissionais.    


Convencionais versus Orgânicos

março 25, 2009

Repórter: Soraia Barros

Edição: Vitor Oshiro

 

“Que alimentação seja teu único remédio”, dizia Hipócrates, que ficou conhecido anos mais tarde como o pai da medicina. Essa mesma citação foi usada por Júlio Carlos Veiga Silva, coordenador de recursos naturais e produção vegetal pelo Centro Paranaense de Referência em Agroecologia (CPRA). Julio Silva, graduado na Universidade Federal do Paraná (UFPR) em Agronomia e mestrado em Ecossistemas pela Universidade Estadual de Santa Catarina (UFSC), foi um dos palestrantes no seminário “Os Venenos em Nossos Pratos”, realizado no dia último dia 12. Na ocasião, ele falou sobre os benefícios oferecidos pelos produtos orgânicos. 

De acordo com o pesquisador, os alimentos orgânicos são aqueles produzidos de forma ecológica, sem o uso de agrotóxicos, fertilizantes sintéticos, transgênicos, reguladores de crescimento e aditivos químicos. Em sua palestra, Júlio Silva, apontou como benefícios dos alimentos orgânicos:

      – Promoção da qualidade de vida, tanto para quem produz como para quem consome esses produtos;

      – Melhoria de renda para agricultura familiar;

      – Preservação da natureza e harmonia social;

      – Mais sabor e maior vida útil desses alimentos;

      – Valorização do tradicionalismo na produção;

      – Maior valor nutricional;

Mesmo com tantos benefícios, a agroecologia ainda não é um sistema de produção dominante. O coordenador da CPRA explica que os orgânicos não chegam a 2% da produção total de alimentos no Paraná. Esse percentual se aplica também a pesquisas nessa área.  Para Júlio Silva, o papel do agricultor mudou. “O agricultor não é mais o produtor de alimento. Hoje, a grande maioria, é produtor de mercadoria”. Ele acrescenta que condicionado à demanda industrial, o produtor se submete a um ambiente industrializado e produz com uma alta carga de insumos. Para o pesquisador, é necessário o resgate do papel do agricultor como produtor de alimento.

Julio Silva conta que o Paraná é o primeiro no país em número de agricultores adeptos da agroecologia, apresentando cerca de 6000 agricultores agroecológicos dentre os 15 mil existentes no país. Em área o Paraná perde para o Mato Grosso por se tratar de agricultura familiar. Segundo o palestrante, está sendo iniciado o Programa Estadual de Agricultura Orgânica. Sob a coordenação de Edney Cunha, esse programa reúne instituições como Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (EMATER), CPRA e Instituto Tecnológico do Paraná (TECPAR) com o objetivo de desenvolver um plano estadual de agricultura orgânica.

Julio Carlos Veiga Silva considera que a pequena oferta em vista da grande procura pelos alimentos orgânicos torna esses produtos caros e por isso acessível apenas a uma elite econômica e política. Julio Silva assinala algumas medidas possíveis para tornar os orgânicos acessíveis à população, como esforços governamentais, melhor preparo dos técnicos para atender os agricultores e organização de associações de agricultores e consumidores. “Tenho um colega meu, em Ivaiporã, que é da EMATER. E ele está organizando um grupo de pessoas com médicos, professores, entre outros. E esse grupo de consumidores está bancando um agricultor, dois ou três. Aí, faz a venda direta. Isso é possível”, exemplifica o pesquisador.  “Mas o importante realmente é que tenha uma explosão de agricultores agroecológicos”, conclui Julio Silva.


Uma nova forma de consumir café

março 25, 2009

cimg041022222221Repórter:Bruna Komarchesqui

Edição: Vitor Oshiro

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Ipsos revela que a saúde não é a primeira preocupação do brasileiro na hora de escolher os alimentos. Dos 1024 entrevistados, 61% consideram o sabor como principal quesito na compra dos produtos. Marca e preço aparecem empatados (54%), na frente de praticidade (46%) e saúde (35%).  Apesar disso, se forem considerados os hábitos alimentares, 67% das pessoas consultadas concordam com a afirmativa “hoje me preocupo muito mais com a minha alimentação do que no passado” e 66% com a frase “procuro ter uma boa alimentação para me manter saudável e prevenir doenças”. Não à toa, os chamados alimentos funcionais têm conquistado cada vez mais espaço nas gôndolas dos supermercados. Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), alimentos funcionais são aqueles que, além de suas propriedades nutricionais, podem trazer benefícios à saúde, quando consumidos como parte de uma dieta saudável.

O projeto de mestrado intitulado “Produção de geléia de café com propriedades funcionais”, do Departamento de Ciências e Tecnologia de Alimentos da Universidade Estadual de Londrina (UEL), foi concluído em janeiro deste ano e teve como objetivo desenvolver um produto que seguisse a tendência dos alimentos funcionais. Graduada em Farmácia Bioquímica, com habilitação em Tecnologia de Alimentos, pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), a mestranda Ana Augusta Odorissi Xavier, que desenvolveu a geléia, explica que o café foi escolhido como matéria-prima devido a suas propriedades anti-oxidantes bem definidas. “Os anti-oxidantes estão em alta na área de Ciência de Alimentos por serem considerados anti-cancerígenos, anti-mutagênicos, por contribuírem para melhorar as funções do organismo e retardarem o envelhecimento celular”.

Além do café, os outros ingredientes da geléia são a água e a inulina, que é uma fibra alimentar extraída de tubérculos. “Por ser uma fibra solúvel, a inulina tem como objetivo melhorar o funcionamento do intestino”, ressalta Ana Xavier. Quanto ao sabor, 60 provadores avaliaram a geléia, por meio de uma escala hedônica (escala de 10 pontos em que se marca o nível de aprovação ou reprovação do produto: o número 1 indica “desgostei muitíssimo”, o 10 “gostei muitíssimo” e o 5 “não gostei nem desgostei”). “Todas as avaliações da geléia de café ficaram com nota entre 7 e 8. O resultado foi bastante satisfatório”, comemora.

Para o orientador do projeto, professor Fábio Yamashita, graduado e doutorado em Engenharia de Alimentos pela Universidade de Campinas (UNICAMP), além do produto desenvolvido, a intenção principal de um projeto de pesquisa é a formação do aluno. “Nesses dois sentidos, a avaliação foi positiva”. Yamashita faz questão de ressaltar que, como o objetivo não era provar a funcionalidade do produto, a geléia foi desenvolvida a partir de componentes comprovadamente funcionais, como o café e a inulina. “Provar a funcionalidade de um alimento demanda tempo e não é o perfil da área de Ciência de Alimentos. Nós estamos mais voltados para a questão dos componentes e para o desenvolvimento de produtos, enquanto a comprovação da funcionalidade faz mais parte da área médica e da área clínica”, conclui.

Ana Xavier não descarta a possibilidade de comercialização da geléia de café, mas garante que este nunca foi o objetivo inicial da pesquisa. A dissertação de mestrado está em fase de conclusão e deve ser defendida até o final de abril.

 

Leia mais sobre alimentos funcionais em:

http://www.cenargen.embrapa.br/publica/trabalhos/doc085.pdf

 

Pesquisa Ipsos:

http://www2.uol.com.br/infopessoal/noticias/_HOME_TOP_985896.shtml


Hello world!

março 25, 2009

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