Convencionais versus Orgânicos

Repórter: Soraia Barros

Edição: Vitor Oshiro

 

“Que alimentação seja teu único remédio”, dizia Hipócrates, que ficou conhecido anos mais tarde como o pai da medicina. Essa mesma citação foi usada por Júlio Carlos Veiga Silva, coordenador de recursos naturais e produção vegetal pelo Centro Paranaense de Referência em Agroecologia (CPRA). Julio Silva, graduado na Universidade Federal do Paraná (UFPR) em Agronomia e mestrado em Ecossistemas pela Universidade Estadual de Santa Catarina (UFSC), foi um dos palestrantes no seminário “Os Venenos em Nossos Pratos”, realizado no dia último dia 12. Na ocasião, ele falou sobre os benefícios oferecidos pelos produtos orgânicos. 

De acordo com o pesquisador, os alimentos orgânicos são aqueles produzidos de forma ecológica, sem o uso de agrotóxicos, fertilizantes sintéticos, transgênicos, reguladores de crescimento e aditivos químicos. Em sua palestra, Júlio Silva, apontou como benefícios dos alimentos orgânicos:

      – Promoção da qualidade de vida, tanto para quem produz como para quem consome esses produtos;

      – Melhoria de renda para agricultura familiar;

      – Preservação da natureza e harmonia social;

      – Mais sabor e maior vida útil desses alimentos;

      – Valorização do tradicionalismo na produção;

      – Maior valor nutricional;

Mesmo com tantos benefícios, a agroecologia ainda não é um sistema de produção dominante. O coordenador da CPRA explica que os orgânicos não chegam a 2% da produção total de alimentos no Paraná. Esse percentual se aplica também a pesquisas nessa área.  Para Júlio Silva, o papel do agricultor mudou. “O agricultor não é mais o produtor de alimento. Hoje, a grande maioria, é produtor de mercadoria”. Ele acrescenta que condicionado à demanda industrial, o produtor se submete a um ambiente industrializado e produz com uma alta carga de insumos. Para o pesquisador, é necessário o resgate do papel do agricultor como produtor de alimento.

Julio Silva conta que o Paraná é o primeiro no país em número de agricultores adeptos da agroecologia, apresentando cerca de 6000 agricultores agroecológicos dentre os 15 mil existentes no país. Em área o Paraná perde para o Mato Grosso por se tratar de agricultura familiar. Segundo o palestrante, está sendo iniciado o Programa Estadual de Agricultura Orgânica. Sob a coordenação de Edney Cunha, esse programa reúne instituições como Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (EMATER), CPRA e Instituto Tecnológico do Paraná (TECPAR) com o objetivo de desenvolver um plano estadual de agricultura orgânica.

Julio Carlos Veiga Silva considera que a pequena oferta em vista da grande procura pelos alimentos orgânicos torna esses produtos caros e por isso acessível apenas a uma elite econômica e política. Julio Silva assinala algumas medidas possíveis para tornar os orgânicos acessíveis à população, como esforços governamentais, melhor preparo dos técnicos para atender os agricultores e organização de associações de agricultores e consumidores. “Tenho um colega meu, em Ivaiporã, que é da EMATER. E ele está organizando um grupo de pessoas com médicos, professores, entre outros. E esse grupo de consumidores está bancando um agricultor, dois ou três. Aí, faz a venda direta. Isso é possível”, exemplifica o pesquisador.  “Mas o importante realmente é que tenha uma explosão de agricultores agroecológicos”, conclui Julio Silva.

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