Download da edição 65

maio 25, 2009

Para baixar a edição 65 do Conexão Ciência na íntegra é só clicar no link abaixo:

http://www.4shared.com/file/107740813/60bd2de6/Conexo_Cincia_-_circulao_dirigida.html


Projeto estuda a violência no cotidiano das escolas sob uma nova perspectiva

maio 25, 2009

Observando a crescente incidência da violência nas escolas, pesquisadora da UEL se atentou para os problemas das escolas públicas de periferia

Materia BETO - SITE

Pauta: Lígia Zampar
Reportagem: Beto Carlomagno
Edição: Vitor Oshiro

Escola sempre foi sinônimo de aprendizado e um meio para a evolução como ser humano, mas, atualmente, uma das principais preocupações da sociedade, a violência, tem manchado essa reputação. Hoje em dia, nas salas de aulas e nos pátios são encontrados todos os tipos de violência comuns a sociedade contemporânea, vai desde o desrespeito de um aluno para com seu professor até furtos e tráfico. A assistente social e professora da UEL, Andréa Pires Rocha, graduada em Serviço Social pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP) e mestre em Educação pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), desenvolveu o projeto Violência que atinge o cotidiano de escolas das periferias de Londrina. O projeto irá analisar casos violentos em escolas da periferia de Londrina, estudando o ensino fundamental, de quinta a oitava série, e o ensino médio.

Conexão Ciência: No que consiste o projeto basicamente?
Andréa Pires Rocha: A idéia do projeto é observar os tipos de violência que se materializam na escola e que perpassam aquela notícia de jornal. Porque eu entendo lendo sobre o assunto, que aquilo é o ápice crítico de vários tipos de violência presentes na escola e que fazem com que a escola se torne um palco de conflito. É uma perspectiva diferente de entender a violência escolar, até porque a violência não é escolar. Ela acontece na escola, mas é decorrente de vários outros tipos de violência, como a violência policial sofrida na porta da escola e o desemprego. Além do próprio professor estar submetido à violência, com as políticas educacionais. Várias questões da violência estrutural interagem e fazem com que, na escola, a violência se materialize de diversas maneiras.

Conexão Ciência: Como surgiu a idéia para o projeto?
Andréa Pires Rocha: No início de 2007, apareceram alguns desses fenômenos na mídia. Algumas questões bem graves. E eu comecei a observar essa questão da violência nas escolas aqui em Londrina. Entre 2007 e 2008, fiquei observando e surgiu um assunto polêmico que é a patrulha escolar, que é a polícia dentro da escola revistando os estudantes como uma forma de minimizar a violência. Então, comecei a ler sobre o assunto e, acompanhando matérias sobre a violência nas escolas, pensei nessa outra discussão: discutir também essa violência que os adolescentes e professores estão submetidos, que não é só essa chamada de agressão física.

Conexão Ciência: Quais são as ações violentas mais comuns nesse ambiente?
Andréa Pires Rocha: Nas leituras preparatórias, observamos que a agressão que faz parte das chamadas, pelo conceito da teorização da violência, violências intersubjetivas aparecem bastante. Elas acontecem entre pessoas conhecidas e entre grupos, como gangues por exemplo. Há também a violência do educador para com o aluno. Outras pesquisas avançam no mesmo aspecto encontrado na minha pesquisa. Nelas, a violência doméstica e a falta de investimento nas políticas educacionais são as causas para que as escolas tenham se tornado palco de violência.

Conexão Ciência: Qual a metodologia utilizada no projeto?
Andréa Pires Rocha: A metodologia do trabalho foi uma pesquisa bibliográfica, desenvolvida ano passado, para preparar os estudantes participantes do projeto para poderem chegar nas escolas e conversar. Agora, estamos com pesquisa de campo por meio de formulários fechados e depois com entrevistas abertas nas escolas com maior número de casos de violência. Pretendemos escolher três escolas dessas e conversar com todos os envolvidos: professores, pedagogos e estudantes. Utilizaremos, nesta parte final, uma abordagem grupal. Ao fim faremos uma análise qualitativa.

Conexão Ciência: Qual o número de escolas estudadas?
Andréa Pires Rocha: Entre 30 e 35 escolas. Todas escolas públicas, estaduais, e só da periferia. Escolas centrais não entraram na pesquisa porque paralelamente à pesquisa estamos tentando conhecer o que há para o jovem da periferia de Londrina. Queremos saber quais as políticas que podem fazer, de uma forma ou outra, que o adolescente canalize as energias em outras atividades. Porque a violência é também resultado de uma negação de direitos, o que não tira a responsabilização do adolescente por seus atos. Não naturalizamos a atitude violenta do adolescente, mas pretendemos refletir mais profundamente o porquê daquilo.

Conexão Ciência: As escolas possuem uma participação ativa no projeto?
Andréa Pires Rocha: Existe uma dificuldade inicial, porque quando os estudantes participantes do projeto ligam para as escolas para marcar, algumas instituições tem uma dificuldade para aceitar a visita, há uma certa resistência. Na bibliografia que li para o projeto, vi que normalmente a escola é culpabilizada e acredito que seja esse o medo deles. Mas, depois que conseguimos chegar à escola e mostramos o projeto, eles percebem que a intenção do nosso projeto é o contrário: não culpabilizar a escola, e sim mostrar que a escola e a juventude merecem ser olhadas com mais atenção. A partir disso eles aceitam mais facilmente.

Conexão Ciência: Qual deve ser a reação de um educador diante de um ato violento?
Andréa Pires Rocha: Temos que tentar entender a diferença entre um problema de comportamento de um adolescente e um ato infracional, que é a ação de um adolescente que pode ser comparada a um crime. Muitas vezes, o professor se depara com uma questão de comportamento, um xingamento, por exemplo, e chamam o conselho tutelar e a polícia, para resolver questões de comportamento, o que deveria ser resolvido na própria escola. Agora, em uma situação que pode ser enquadrada dentro do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) como ato infracional, a escola tem que proceder como deve, dependendo da gravidade até com um boletim de ocorrêcia. Mas, eu não defendo nunca polícia dentro da escola.

Conexão Ciência: Mas, não seria culpa da própria escola e dos estudantes ela ter que recorrer à polícia como uma maneira de reprimir e controlar essa violência?
Andréa Pires Rocha: Vejo, e ainda estou vendo, que a escola quer a intervenção policial. Por escola digo, professores e diretores. Em alguns encontros pude notar isso. A reflexão que se deve fazer com essa informação é “Por que que a escola quer a intervenção policial?”. É porque se sente impotente diante de tanta violência. Não dá pra dizer de quem é a culpa, mas também não dá pra acreditar que a intervenção policial vá resolver. É certo que vai reprimir. Tendo um policial na escola, os adolescentes terão mais receio de ter uma atitude mais violenta, mas isso não quer dizer que resolveu. Eles podem sair da escola e promover a violência fora dela. Então, a violência é um fenômeno muito complexo. A escola deveria ser um lugar para discutir e fazer com que canalizem essa violência. Eu não culpo os professores e diretores por acreditarem que a única saída é a polícia. Eles estão submetidos a muita pressão.

Conexão Ciência: Qual a previsão para o término do projeto?
Andréa Pires Rocha: Pretendo até agosto ou setembro fechar essa parte quantitativa, de identificação da violência, para, a partir de setembro, iniciar a outra parte, de conversa mais próxima, com três escolas. Essa parte deve ir até o fim do ano, para poder começar a produzir sobre o assunto, já que o projeto se encerra em abril de 2010.

Conexão Ciência: Quais são os resultados esperados?
Andréa Pires Rocha: Primeiro, na identificação da violência, que é o objeto central, não esperamos muitas novidades no que vai aparecer, já que existem muitas pesquisas sobre o assunto e Londrina não está fora desse universo geral do país. Todavia, o que esperamos com o levantamento dessas informações e com a comprovação de que Londrina está dentro do contexto geral de escola pública no Brasil é criar um debate sobre o assunto e trazê-lo para a UEL, envolver outros departamentos, levar os Conselhos – o de Educação e o de Direito da Criança e do Adolescente – a pensar estratégias, possibilidades, que não dependam muito do protagonista, para uma melhora. Além de lutar por políticas públicas voltadas para o jovem, eles precisam de lazer e cultura.


Pesquisadora desenvolve estudo de gerenciamento do trânsito de Londrina

maio 25, 2009

A falta de sincronia dos semáforos seria uma das causas das filas de congestionamento na cidade

Silvia_Ga.. - materiaTATI - SITE

Pauta: Lígia Zampar
Reportagem: Tatiane Hirata
Edição: Vitor Oshiro

Atualmente, Londrina conta com mais de 500 mil habitantes e um dos principais setores afetados por esse grande contingente populacional é o trânsito. Pode-se dizer que ele se encontra mais problemático principalmente nos horários de pico, entre às 07h00 e 08h00 e entre às 17h00 e 19h00. Para se ter uma idéia, segundo dados do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran), entre abril de 2008 e abril de 2009, a frota de veículos da cidade aumentou de 239.328 para 255.557. São 16.229 veículos a mais no intervalo de um ano, sem contar os veículos das cidades vizinhas que transitam em Londrina.
Para o condutor londrinense, isso representa perda de tempo em filas de congestionamento, um trânsito perigosamente complicado e muito mais estresse no final do dia. Paulo Corso, que dirige há 15 anos, afirma que é difícil manobrar e estacionar no trânsito de Londrina, porque o “motorista é obrigado a ficar costurando entre os carros”. Para ele, uma das causas do problema é a falta de sincronia dos semáforos, um dos fatores que provoca a criação de filas.
Embora não seja a única causa, a falta de sincronia dos semáforos é um dos maiores agravantes na problemática do trânsito. Pelo menos é isso que afirma a engenheira Silvia Galvão de Souza Cervantes, doutora em engenharia elétrica pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Segundo ela, em Londrina, dos 70 semáforos localizados na malha central, cerca de apenas 10 são elétricos. Os outros todos ainda são eletromecânicos, controlados pelo homem. Eles possuem uma temporização que se mantém constante, baseada em estudo empírico que não atende às necessidades do trânsito do centro de Londrina.
Silvia Cervantes coordena um grupo de pesquisa da Universidade Estadual de Londrina que desenvolve trabalhos de gerenciamento do tráfego de Londrina. A pesquisa é uma continuidade do trabalho de doutorado da engenheira. Ao voltar para Londrina, em 2005, depois de estudar quatro anos em Santa Catarina, a engenheira quis aplicar o estudo na cidade. Procurou a prefeitura e entrou em contato com membros do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (IPPUL), em busca de um convênio para o projeto. “Nós começamos em uma parceria”, conta Silvia, “eles me forneceram dados do funcionamento da malha viária central de Londrina, que é uma das mais problemáticas, e a contagem de veículos, que normalmente é uma informação difícil de obter das prefeituras. Nesse caso, porém, ela foi extremamente participativa, porque também tinha interesse no trabalho”.
A princípio, o trabalho consistia na instalação de sensores magnéticos nos semáforos da malha viária central da cidade. Esses sensores são compostos por um software que faz a contagem dos veículos, que depois pode ser transferida para o computador. Com os dados, desenvolve-se um algoritmo em tempo real a partir do qual se desenvolve um cálculo do melhor tempo de verde para diminuir o tamanho das filas e, conseqüentemente, o atraso. Com isso, obtém-se uma coordenação dos semáforos, a chamada “onda verde”, nome pelo qual se denomina o projeto no site do IPPUL (http://www.londrina.pr.gov.br/ippul/transito/projeto_ondaverde.php).
Entretanto, isso se tornou inviável. “Seria difícil aplicar aqui em Londrina, porque o tempo real envolve um custo maior de implantação. Teria que ter detectores em todas as vias e controladores semafóricos eletrônicos, coisa que não existe muito aqui. Há alguns na Higienópolis, na JK, na Tiradentes e na Maringá, mas no restante, é tudo eletromecânico ainda. São super antigos, não recebem uma programação eletrônica. Então, teria que trocar todos os controladores semafóricos”, afirma a pesquisadora. Além disso, Silvia Cervantes explica que os sensores magnéticos inicialmente aplicados são produzidos fora do país e são difíceis de serem importados.
Com isso, o grupo de pesquisa partiu para o desenvolvimento de um algoritmo em tempo fixo. “Conhecemos a quantidade de veículos que estão circulando na malha e, com essa quantidade, faço um plano de tempo semafórico. Então, calculamos esses tempos semafóricos em tempo fixo e aplicamos esses tempos semafóricos de tal forma a minimizar as filas. Por fim, aplicamos algoritmos de otimização”, diz a engenheira. O sensor utilizado para a contagem de veículos passou a ser um móvel, que funciona através de laços indutivos, que são dispositivos capazes de detectar a passagem de uma massa metálica por um campo indutivo.
Com o atual equipamento semafórico de Londrina, a temporização colocada é fixa. Para mudá-la, um funcionário responsável faz isso manualmente. A pesquisadora diz que o ideal seria ter um tempo de verde e vermelho para cada horário do dia, variando em dias da semana, feriados e finais de semana, de acordo com o movimento de veículos. “Também precisaria de controladores melhores, que recebessem essa programação”, afirma.
Como exemplo, a pesquisadora cita um dos trechos mais problemáticos da malha viária central de Londrina: o cruzamento das ruas Goiás e Duque de Caxias. Conforme dados obtidos pela pesquisa no primeiro semestre de 2008, a capacidade do semáforo (o número suportável de veículos que chega das duas vias, medido de acordo com a largura e tamanho da via) nesse cruzamento é de 1800 veículos por hora, em cada via. Como são duas vias, a capacidade total é de 3.600 veículos. Nos horários de pico, o grupo de pesquisa colheu dados de 2.700 veículos cruzando as duas vias, um número menor do que a capacidade. Teoricamente, portanto, não haveria filas, mas elas existem. Para a pesquisadora, isso se deve ao tempo errado de verde e vermelho utilizado no semáforo da via. O objetivo da pesquisa é desenvolver cálculos de tempo de verde que minimizem problemas como esse.
Atualmente, para vencer a falta de investimentos, o projeto tenta estabelecer um convênio com a atual administração de Londrina. A pesquisadora afirma que isso seria bastante importante para “realizar alguns testes que faltam e para comprar um simulador que revalidaria os resultados obtidos”.
A professora Silvia cervantes afirma ainda que em nenhuma cidade só o gerenciamento semafórico resolve, mas Londrina tem esse problema e precisa ser resolvido. Mesmo que o convênio não saia e não seja possível aplicar os resultados da pesquisa em Londrina, o estudo continuará. “Se não for aplicado aqui, será aplicado em outro lugar”.


UEL recebe Programa Educativo sobre Fissuras Labiopalatinas

maio 25, 2009

Entre causas e consequências, o evento discutiu as maneiras para tratar o chamado “lábio leporino”

Sorriso - materiaFELIPE - SITE

Pauta: Ana Carolina Contato
Reportagem: Felipe Barros
Edição: Vitor Oshiro

Vulgarmente conhecida por “lábio leporino”, as fissuras labiopalatinas comprometem a anatomia facial do recém-nascido, como resultado de uma malformação durante a 4ª e a 12ª semana de gestação. Consistem em uma abertura na região do lábio, ou do palato ” estrutura que separa as cavidades nasal e bucal ” , podendo, também, atingi-las simultaneamente.*
Foi este o tema do evento realizado, no início do mês, no Hospital Universitário, com a presença de estudantes e profissionais das áreas de medicina, enfermagem, odontologia, pediatria, nutrição e fonoaudiologia. O primeiro Programa Educativo sobre Fissuras Labiopalatinas teve apoio do Centro de Apoio e Reabilitação dos Portadores de Fissura Lábio-Palatal de Londrina e Região (CEFIL), cujo escritório está localizado em Londrina, e da Operação Sorriso do Brasil (OSB).
A OSB é um órgão privado, sem fins lucrativos, que pertence à Operation Smile, uma organização internacional fundada em 1982 e presente em 27 países, atendendo mais de 120.000 crianças. No Brasil, a OSB realiza programas humanitários com profissionais voluntários nos mutirões em regiões carentes do território nacional. Criada em 1997, a OSB já visitou nove estados brasileiros: Ceará, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Mais de 28 mutirões atenderam 2,6 mil crianças carentes desses estados.**
Integrante da Operation Smile, Álvaro Fagotti Filho, formado em Medicina pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e especializado em cirurgia plástica pela mesma Instituição, foi um dos palestrantes do evento. “O objetivo principal desse encontro é mobilizar os universitários, estimulando a parte científica e médica do tema”, explica.
Em Londrina, a realização de cirurgias plásticas reparadoras ainda é recente. “O Cefil, até dois anos atrás, encaminhava crianças para locais como Curitiba e Bauru. Há dois anos, eu comecei a fazer cirurgias no HU e as crianças não precisam mais tratar fora da cidade. Elas tem, aqui, um centro de tratamento”, afirma.
O Hospital de Reabilitação de Anomalias Cranofaciais da Universidade de São Paulo, mais conhecido por Centrinho, estima que um em cada 650 recém-nascidos apresente fissura labiopalatina, representando, atualmente, 280.000 pessoas. As causas específicas, porém, ainda não foram descobertas. De acordo com Fagotti Filho, os pais precisam estar atentos a possíveis perigos no período da gravidez. “Vários estudos apontam que a maioria dos casos se relaciona com problemas como nutrição não-balanceada, uso de drogas, cigarros ou medicamentos”, esclarece. O cirurgião plástico, no entanto, ressalva: “existem os casos randômicos, que são a minoria, ligados ao fator genético. Por vezes, tudo é feito corretamente e, mesmo assim, a criança nasce com fissura”.
As diferentes formas da anomalia permitem uma série de tratamentos distintos, os quais envolvem a colaboração de profissionais de diferentes áreas da saúde durante um longo processo. São feitas, no mínimo, duas cirurgias reparadoras na região do lábio e do palato. O aleitamento materno exige um maior cuidado para evitar a aspiração do leite e uma eventual desnutrição do bebê. A criança, também, deve praticar exercícios de fonoaudiologia a fim de não ter a fala comprometida, bem como fazer uso de aparelhos ortodônticos. Psicólogos podem ser necessários em casos de difícil aceitação dos pais à criança com fissura.***
O diagnóstico da fissura labiopalatina pode ser feito durante a gravidez através do ultrassom e é recomendável o tratamento do paciente ainda no início de vida. Para quem quiser mais informações, entrar no site http://www.centrinho.usp.br.

* Fonte: http://www.centrinho.usp.br
**Fonte: http://www.operacaosorriso.org.br/
***Fonte: http://www.saudetotal.com.br/artigos/fonoaudiologia/fissura.asp


Novos equipamentos e instalaçõs melhoram o atendimento da Clínica Odontológica Universitária

maio 25, 2009

Materia LUCAS - SITE

Novidades como o raio-X panorâmico e a sala de patologia bucal possibilitarão exames mais detalhados

Pauta: Ana Carolina Contato
Reportagem: Lucas Martins
Edição: Vitor Oshiro

A Clínica Odontológica da Universitária (COU) foi criada em 1963. Desde então, ela passou a oferecer suporte para as atividades de ensino e a atender aos moradores da cidade.* No dia 23 de abril, a instituição inaugurou as novas instalações e o recebimento de equipamentos doados pelo Governo Federal por meio do Pró-Saúde (Programa Nacional de Reorientação do Processo da Formação em Saúde).
De acordo com o site do programa (http://www.prosaude.org), entre as Universidades que oferecem o curso de Odontologia, a Unversidade Estadual de Londrina (UEL) foi uma das poucas que foram contempladas pelo Pró-Saúde. Criado pelo Ministério da Saúde e pela Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação em Saúde (SGTES), o programa tem, como objetivo, financiar projetos universitários da área que realizam trabalhos direcionados para a população local e que ao mesmo tempo ajudam na formação do futuro profissional. Para conseguir esse financiamento, as Instituições de Ensino Superior (IES) interessadas precisaram enviar seus projetos para uma banca que examinou se o trabalho pretendido pela universidade é adequado ao que foi exigido pelo programa.
A coordenadora do Projeto Pró-Saúde, Professora Elisa Emi Tanaka Carloto – graduada em Odontologia pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) mestre e doutora em Diagnóstico Bucal/Radiologia pela Universidade de São Paulo (USP) – afirmou que para a realização do projeto elaborado pelos professores do curso de Odontologia da UEL, foram construídos uma sala de videoconferência, outra para abrigar reuniões e mais um laboratório de diagnóstico de patologia bucal. Em equipamentos, foram doados um aparelho que realiza a radiografia em raio-X panorâmico ” que registra todo o interior da cabeça ” e os equipamentos necessários – que vão desde aparelhos de raio-x até extensores de parafina – para o novo laboratório construído.
Segundo a professora, a construção e a adequação das novas instalações darão suporte para os serviços já prestados pela Clínica. “Todos esses equipamentos foram doados para a UEL com a finalidade de trabalhar junto com o Serviço Municipal de Saúde de Londrina e de todas as outras cidades que pertencem à 17ª Regional de Saúde**. Todos os pacientes que apresentam problemas relacionados à saúde bucal são direcionados para a Clínica e recebem todo o tratamento adequado.”
A coordenadora do Pró-Saúde também ressaltou que a aparelhagem doada poderá melhorar a qualidade dos serviços da COU (Clínica Odontológica Universitária), pois um dos equipamentos recebidos, o aparelho de raio-X panorâmico, não existe em nenhuma outra unidade de saúde da região e é de grande importância para o tratamento odontológico, já que ele é o único que pode registrar todo o interior da cabeça e identificar as patologias alojadas nessa região do corpo.
Outra inovação para os serviços da Clínica é a sala de diagnóstico de patologia bucal, onde poderão ser identificadas as doenças referentes à boca. “Não existia e não existe até hoje um laboratório específico que faça análise histo-patológica*** das biópsias tiradas de dentro da boca. Agora, será possível identificar se o paciente apresenta alguma doença bucal, como, por exemplo, o câncer”, afirma a professora Elisa Tanaka.
Segundo a coordenadora do Pró-Saúde, muito ainda tem que ser feito. Entre os futuros planos, está a compra de consultórios portáteis ” maletas com um peso de aproximadamente 5 a 7 kg, onde são guardados todos os equipamentos necessários para um eventual atendimento ” e que ajudarão na abrangência dos serviços prestados pela COU nas áreas rurais.

* Informações retiradas do site da Clínica Odontológica Universitária (http://www.uel.br/orgaos-suplementares/cou/?content=historico.htm).
** Segundo a Secretaria de Saúde do Estado do Paraná, a 17ª Regional da Saúde envolve Lupionópolis, Cafeara, centenário do Sul, Porecatu, Alvorada do Sul, Primeiro de Maio, Florestópolis, Guaraci, Miraselva, Bela Vista do Paraíso, Sertanópolis, Jaguapitã, Prado Ferreira, Cambé, Pitangueiras, Rolândia, Ibiporã, Jataizinho, Tamarana e Londrina.
*** Análise histo-patólogica = análise de tecidos e/ou células que determinam uma doença (fonte: http://www.ufrgs.br/bioetica/glossa1.htm)


Representações do luto na literatura

maio 19, 2009

Projeto mostra que o luto é uma fase importante das obras literárias

Reportagem: Marina Carvalho Dias
Pauta e Edição: Kauana Neves

O projeto “Representações do Luto na Literatura” estuda como a morte aparece nos livros e sua influência sobre as personagens literárias. Os estudos foram iniciados em 2007, sob coordenação do Professor Alamir Aquino Correa ” graduado em Letras pelo Centro de Ensino Unificado de Brasília, em Direito pela UEL e doutor em literaturas hispânicas pela Indiana University Bloomington, é também pró-reitor de pesquisa e pós-graduação da Universidade Estadual de Londrina.

“O luto é uma etapa em que se lida com a perda do outro e que afeta a todos. Essa sensação é encontrada em toda a literatura”, diz Alamir Correa. De acordo com o professor, o luto é há muito tempo encontrado na literatura. Em Édipo Rei, por exemplo ” tragédia grega escrita por Sófocles 400 anos antes de Cristo ” é necessário que haja uma punição para quem matou o rei.
Apesar de a morte ter presença frequente em toda a literatura, o projeto trabalha somente com autores brasileiros, como Jorge Amado, Cornélio Pena e Ricardo Ramos. Segundo o professor Alamir, os personagens literários não lidam somente com a falta de quem morreu. “Acontece muitas vezes de a personagem ter que lidar com a permanência do morto”. É o que ocorre em “Dona Flor e seus dois maridos”, obra de Jorge Amado, onde a viúva Dona Flor continua a ver Vadinho, o marido falecido.

“O texto literário faz o sujeito pensar sobre ele mesmo, coloca algo que conhecemos como estranho, proporcionando visões diferentes”, afirma Alamir Correa. A literatura, com sua função lúdica e reflexiva, faz com que o leitor se prepare melhor para encarar a morte de um ente querido. Para o professor, o texto literário revela características psicológicas do ser humano o leva a uma maior compreensão do que ocorre com ele e dos acontecimentos à sua volta.

“Temos trabalhado recentemente com a elegia, canção que pranteia o morto”. O professor explica que as elegias são poemas de tom terno e triste, que aparecem nos túmulos e dão mostra do que a pessoa foi. Houve, nos últimos tempos, uma modificação nas elegias. “A sensação moderna de humanidade está acabando com a sensação de que somos frágeis”. Alamir Correa cita poetas da década de 60, que viram seus entes morrerem na guerra e diz que a modernidade tem modificado a visão da morte. “O avanço da ciência nos faz pensar que somos imortais. O texto literário mostra que essa sensação de imortalidade proporcionada pelo avanço da medicina faz com que acabemos desconsiderando o processo da morte”.

Apesar de ter iniciado o projeto “Representações do luto na literatura” em 2007, Alamir Correa é estudioso do assunto há 10 anos e afirma que não há uma época ou um gênero literário em que o luto é mais presente. “O luto aparece uniformemente em toda a literatura”.


Departamento de Comunicação oferece aulas de histórias em quadrinhos

maio 19, 2009

Desenhista Eloyr Pacheco leciona curso de criação e roteirização de HQs no CECA

Pauta: Lígia Zampar Bernardi
Reportagem: Willian Casagrande Fusaro
Edição: Kauana Neves

O professor José Abílio Perez Junior, graduado em Publicidade e Propaganda e mestre em Educação pela Universidade de São Paulo, é o organizador do curso de “Extensão: criação e roteirização em histórias em quadrinhos” do Departamento de Comunicação Social da UEL. O quadrinista Eloyr Pacheco vai ministrar as aulas que serão nas terças e quintas, do dia cinco de maio até 30 de junho, no Centro de Educação, Comunicação e Artes- CECA.

As aulas tratarão de assuntos variados e importantes relacionados ao tema, como a caracterização dos quadrinhos (mangá*, manhwa*, comics* e europeus), o estudo dos clássicos (“O Cavaleiro das Trevas” e “Watchmen”, por exemplo), o debate sobre os mestres do quadrinho nacional (Lourenço Mutareli e Flávio Colin, dentre outros), a narrativa gráfica (transição de cenas, narratividade etc.) e a criação e roteirização de HQs. Pacheco, graduado em Jornalismo pela UEL, conta que a finalidade do curso é divulgar as histórias em quadrinhos como uma das muitas formas de leitura existentes. “O objetivo é mostrar os quadrinhos como uma opção de literatura, entretenimento e cultura. Criar profissionais é algo secundário, não tão importante quanto a formação de apreciadores e conhecedores”, defende o quadrinhista. O professor afirma que não dará ênfase em suas aulas à prática do quadrinho autoral, forma autodidata de criação. “Pretendo dividir os alunos em grupos e estimular o trabalho em parceria, do mesmo jeito que a indústria, a forma comercial faz. Enquanto um se encarrega do desenho, o outro cria, e assim por diante”, salienta Pacheco.

Sob uma ótica mais científica, o objeto de estudo do curso relaciona-se com a comunicação humana. O especialista explica que as histórias em quadrinhos são ricas em formas de expressão. “O quadrinho é uma arte híbrida, pois é imagem e, acima de tudo, texto e metalinguagem. Uma linguagem só é completa quando ela se desdobra sobre si mesma, e os quadrinhos fazem isso, pois são ferramentas de comunicação”, esclarece o desenhista.

O quadrinhista explana, ainda, que as HQs mantêm também uma forte proximidade com a história do Jornalismo brasileiro, chegando a ser usadas em impressos e revistas para criticar ou enaltecer figuras públicas, geralmente políticos. “Basta voltar à Revista Ilustrada ou ao Pasquim, ambos da década de 60, para ver as caricaturas, desenhos e quadrinhos nos exemplares. No final dos anos 80, as tiras avançaram para a capa dos periódicos. Isso foi um grande avanço para o reconhecimento, haja vista que antes as tiras ficavam lá no fim da Página 2, não muito visíveis”.

Os apreciadores dos quadrinhos no Brasil são dos mais diferenciados perfis. Eloyr conta que essa arte é vista de diversas formas no país. No Brasil, segundo professor, há públicos de todas as idades, desde o infantil, que acompanha obras do Ziraldo ou do Maurício de Souza, até o adolescente e adulto, com os super-heróis, ou os eróticos. Há também os brasileiros que emprestam seus talentos para o exterior, trabalham em empresas multinacionais e se tornam reconhecidos por isso. Pacheco, do mesmo modo, comenta que o mercado das histórias em quadrinhos no país é abrangente e rico por causa da grande demanda por profissionais, levando em conta que muitos deles têm de estar envolvidos para uma edição de revista em quadrinhos ser produzida. Do mesmo modo cresce o cenário independente, com os fanzines* e as revistas criadas por fãs.

O público consumidor das HQs também se modificou muito com o passar dos anos. Segundo Pacheco, o investimento dos criadores em temas variados ajudou esse estilo literário a cativar fãs com gostos cada vez mais variados. “O perfil dos apreciadores é muito aberto, desde adultos, crianças e adolescentes. O público adulto começou a ser trabalhado com a publicação de obras antigas em livros há pouco tempo. O público infantil também variou muito, e chega a contar com crianças com idades a partir de 5, 6 anos, que geralmente leem gibis”, diz.

Influenciado por “Capitão América”, “Asterix” e “Os Defensores”, entre muitos outros, Pacheco afirma que iniciou nos quadrinhos ainda criança. “Aprendi a ler com os quadrinhos, aos sete anos de idade. Profissionalmente, só comecei em 1984 e até hoje não parei”, confirma o especialista, criador do personagem Escorpião de Prata, ex-empregado da revista Metal Pesado e dono da editora Brainstore, inativa no momento.

Glossário:
Mangá:
quadrinho japonês
Manwha: quadrinho coreano
Comics: quadrinho norte-americano
Fanzine: produção independente, feita por apreciadores de revistas em quadrinhos. Geralmente, não é comercializado, restringindo-se ao entretenimento.


Alimentos – Carne bovina perde espaço no mercado interno

maio 19, 2009

Consumo da carne vermelha teve queda de 2% em 2008

Reportagem: Leonardo Felix
Pauta: Lígia Zampar Bernardo
Edição: Kauana Neves

A carne vermelha sempre foi um alimento muito presente na mesa dos brasileiros. Uma pesquisa realizada pela comunidade científica National Geographic Society e pelo instituto GlobalScan mostram que o Brasil é atualmente o segundo país do mundo que mais consome carne bovina, perdendo apenas para a Argentina. Seja cozida na panela de pressão, assada, grelhada, frita, à milanesa, à parmegiana, à rolet ou mesmo moída, é um dos itens preferidos na dieta de muita gente no nosso país. Os vendedores de calçados, da loja Humanitarian, Augusto Gregório Alves e Larissa Tomás de Aquino são exemplos de consumidores assíduos de carne bovina. Ambos comem esse tipo de alimento de uma a duas vezes por dia, quase todos os dias da semana.

Entretanto, a carne bovina tem perdido espaço nos últimos anos para outros tipos de carne, principalmente a de frango. De acordo com a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), só em 2008 o consumo de frango no Brasil subiu 5,8% enquanto o de boi teve queda de 2%. Hoje, segundo a Abrafrigo, cada brasileiro consome em média, durante um ano, o equivalente a 41 quilos de carne de frango. Quando se trata do gênero bovino, o consumo por pessoa num período anual tem média de 37 quilos.

Aline Suddat Cuper é proprietária do restaurante Come-Come, desde 2002, e confirma que, de fato, a maior parte dos clientes prefere a carne de frango e que a procura pela carne vermelha diminuiu. “Do início [desde a aquisição do restaurante] para cá teve uma queda [na procura pelo gênero bovino]. O pessoal comia mais carne de boi”. A fim de contornar a queda e estimular a volta ao consumo da carne bovina, a Associação Nacional dos Produtores de Bovinos de Corte (ANPBC) lançou, durante a 49ª Exposição Agropecuária de Londrina, em abril, uma campanha que divulga os benefícios desse tipo de carne para a alimentação.

Mas quais serão os fatores determinantes para a diminuição da escolha pela carne vermelha? Para a professora pós-doutora pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), com especialização em produção animal, Ana Maria Bridi, uma das causas é a propaganda negativa de que consumir carne bovina seria prejudicial à saúde. Ela também ressalta outro fator: “a carne vermelha tem diminuído o consumo não só por questões nutricionais, mas também pelo valor do produto”.
Pelos dados do Instituto de Economia Agrícola (IEA), só de dezembro de 2007 a dezembro de 2008, o preço da carne bovina para a compra em varejo subiu 26% no Brasil. Tamanha alta explica porque a artesã de bijuterias Eliete Veiga Lopes e a professora de ensino pré-escolar Alessandra Cristina da Silva comem atualmente a carne vermelha poucas vezes durante a semana, apenas uma vez ao dia e em porções pequenas. A artesã é enfática ao responder o motivo pelo qual restringiu o consumo da carne de boi: “diminuí por causa do preço!”.

Ana Maria Bridi explica que não é recomendável excluir totalmente a carne vermelha de uma dieta alimentar: “é possível sobreviver sem o consumo da carne vermelha? É. Mas você vai ter dificuldades para encontrar alimentos que substituam todos os nutrientes que a carne bovina proporciona. Porque a carne [bovina] tem uma [alta] quantidade de ferro, de aminoácidos, de zinco e principalmente de vitamina B12, que fazem parte de vários aspectos do desenvolvimento de um indivíduo, e que a carne vermelha já traz prontos”.

A professora coordena o projeto de pesquisa “Ciência e tecnologia de carnes e derivados”, que estuda como os recursos científicos e tecnológicos podem auxiliar no aumento qualitativo da criação do gado bovino e, consequentemente, numa maior qualidade da carne comercializada. Ela aponta melhorias já consumadas na produção de carne vermelha, como a queda no percentual de gordura dos bois criados nos dias de hoje. Bridi ainda prevê que a tendência para o futuro é a busca pela melhoria na qualidade da alimentação do gado, promovendo assim uma carne com maior quantidade de nutrientes.

A nutricionista Elaine Cristina de Melo, especializada em nutrição clínica pela Universidade do Sagrado Coração (USC) de Bauru, concorda que a carne bovina é um elemento essencial na alimentação de qualquer indivíduo. Ela destaca que a biodisponilidade do ferro contido nessa carne é muito maior do que a do ferro encontrado em alimentos de origem vegetal. Isso significa que o ferro existente na carne do boi é mais bem aproveitado pelo nosso organismo do que o ferro contido no feijão, por exemplo. A nutricionista também ressalta que a carne vermelha disponibiliza proteínas necessárias para a formação e reposição de nossos tecidos musculares e aminoácidos que ajudam em nossa imunidade e no transporte de nutrientes.

Mas Elaine Cristina de Melo faz alguns alertas quanto ao consumo da carne de boi: “o problema maior da carne vermelha é o excesso. Uma quantidade pequena ou razoável por refeição, uma ou duas vezes por dia, já é o suficiente. Só que a quantidade tem que ser pequena, equivalente a um bife médio, por exemplo. E tem pessoas que comem o dobro, o triplo dessa quantidade”.

A nutricionista recomenda a inserção da carne vermelha na alimentação em uma freqüência de três a quatro vezes por semana, numa quantidade de 100 a 120 gramas por dia, para uma pessoa de estatura e peso médios, que não realiza nenhuma atividade com grande gasto calórico. Dá também uma dica: é melhor comer alimentos de gênero animal durante o dia, pois o nosso sistema digestivo tem maior dificuldade em realizar a digestão de alimentos pesados no período noturno. Elaine Cristina de Melo alerta ainda para um cuidado maior na ingestão de peças mais gordurosas do boi, como picanha, costela, cupim e bisteca. Segundo ela, mesmo que se separe a fibra muscular da gordura exterior desses tipos de carne, a peça ainda conterá um alto teor gorduroso. “Essas carnes gordurosas têm embutida no meio da fibra da própria carne a gordura. E é o mesmo tipo da gordura que está aparente”, diz. “Não é que você nunca deve comer [carnes mais gordurosas]. As pessoas que adoram costela, picanha, vão poder comer. Só que com menos freqüência”, reitera.

Elaine Cristina de Melo conclui que em uma dieta alimentar é até possível substituir carne bovina por outros alimentos, dos quais ela destaca a mistura entre arroz e feijão e também a soja. Porém, nem todos os nutrientes contidos na carne vermelha serão encontrados da mesma forma nessas outras fontes.


Viagens ao mundo alternativo: a contracultura dos anos 80

maio 19, 2009

A obra retrata a viagem do pesquisador Cesar Augusto pelo interior do Brasil

Reportagem: Daniela Oliveira Brisola
Pauta: Ana Carolina Felipe Contato
Edição: Kauana Neves

O livro “Viagens ao mundo alternativo: a contracultura dos anos 80” foi escrito por Cesar Augusto de Carvalho, professor de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Londrina. Graduado em Ciências Políticas e Sociais, pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, com mestrado em Sociologia pela Universidade Estadual de Campinas e doutorado em História pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, o autor retrata na obra as suas experiências vivenciadas durante a excursão feita pelo interior do Brasil. A viagem teve a finalidade de encontrar as comunidades alternativas presentes no país e analisá-las segundo a contracultura. O lançamento do livro foi feito no dia 24 de abril na livraria Porto de Londrina.

Conexão Ciência: Quando e como surgiu a idéia da viagem?
Cesar Augusto de Carvalho: A idéia da viagem foi conseqüência de um projeto de pesquisa que eu desenvolvia há muito tempo. Comecei a estudar essa coisa da contracultura no final dos anos 70. Primeiramente estudei ensaios teóricos e depois resolvi fazer uma pesquisa de campo, que foi quando eu descobri que existia gente aqui no Brasil que estava vivendo em comunidade, que se encontravam uma vez por ano e ai eu resolvi fazer essa pesquisa. A viagem acabou acontecendo de uma vez só, porque eu tive uma facilidade. Um amigo meu precisava ir para Paris, tinha que concentrar as aulas dele em um único período, então, ele trocou comigo e eu fiquei com um semestre limpinho pra poder viajar, foi assim que aconteceu a viagem.

Conexão Ciência: Quanto tempo levou a viagem?
Cesar Augusto de Carvalho: Antes dessa viagem principal eu fiz diversas viagens picotadas, nas férias, nos feriados. Quando surgiu a oportunidade de eu fazer a viagem saí no dia 20 de janeiro de 1986 e voltei no dia 17 de julho de 1986, foram seis meses de viagem em cima de uma moto.

Conexão Ciência: Da onde o senhor partiu?
Cesar Augusto de Carvalho: Eu parti de Marília, no Estado de São Paulo, fui para o Mato Grosso do Sul, depois Rondônia, Acre, Manaus, Belém do Pará , então cruzei o sertão nordestino em direção a Salvador, fui até Vitória, de Vitória fui até Brasília, no Centro Oeste porque lá tinha um encontro e de Brasília eu retornei.

Conexão Ciência: Quantos quilômetros deram a viagem?
Cesar Augusto de Carvalho: De moto 16 mil, mais um trecho eu fiz de avião, entre Porto Velho e Rio Branco porque não tinha como ir de moto. O trajeto de barco, porque na Amazônia tem que ser barco. Não sei quantos quilômetros deram, mas eu fui de Humaitá, que é divisa do estado do Amazonas com Rondônia, até Manaus e de Manaus até Belém do Pará de barco.

Conexão Ciência: Por que a opção pela moto?
Cesar Augusto de Carvalho: A idéia da moto não foi uma idéia, foi o que eu tinha. Eu tinha uma moto e para eu ir e usar outro meio de transporte ficava inviável. Porque se eu fosse de ônibus ou fosse fazer o mesmo percurso de avião, primeiro que os lugares que eu visitei eram lugares difíceis de chegar, então a moto facilitava. Claro, não era uma moto fantástica, apesar de poderosa. Era uma 125 bem fraquinha, mas ela agüentou o tranco.

Conexão Ciência: Como a viagem é abordada no livro?
Cesar Augusto de Carvalho: Quando eu fui escrever a tese de doutorado eu tinha algumas opções, mas eu preferi trabalhar a viagem como um relato de viagem mesmo, de forma narrativa. Eu achei que fosse adequado, porque essa viagem reflete aquele famoso arquétipo mítico do viajante. Todo pesquisador é isso, você sai em busca de algo e eu narrei essa procura em busca desse objeto, no caso o objeto do conhecimento, que era o meu objeto de desejo na época.

Conexão Ciência: A história é narrada em ordem cronológica?
Cesar Augusto de Carvalho: Em um certo sentindo sim. A questão é que à medida que ela vai se desfazendo eu vou narrando. Só que assim, na narração, eu mesclo as minhas reflexões teóricas com os diálogos, então fica uma história quase que ficcional. Aliás, o limite ali da realidade e da ficção é bem tênue, porque a partir do momento que você opta por fazer uma narrativa na primeira pessoa, contando a tua experiência pessoal e dialogando a partir dessa experiência com o objeto que você vai conseguindo nesse percurso, os limites ficam quase ficcionais. Tanto é que eu já tive leituras de pessoas que leram como uma história e gostaram e outros leem e ficam frustrados porque querem encontrar um ensaio acadêmico no sentido tradicional e isso não tem. Toda a discussão intelectual-acadêmica está diluída nas conversas com o pessoal do movimento alternativo, reflexões que eu vou fazendo na medida em que eu vou viajando, fica uma coisa assim, uma narrativa de viagem.

Conexão Ciência: Quais foram as comunidades alternativas investigadas?
Cesar Augusto de Carvalho: Então esse é um problema, porque na verdade as comunidades alternativas naquele momento já tinham ruído. Até tem um momento no livro que eu comento: “acho que o meu objeto não existe”. Porque houve uma grande transformação no movimento alternativo, o pessoal percebeu que essa idéia de montar comunidade é um “furo na água”. Eles percebiam que era muito difícil viver em comunidades e, então, eles mudaram um pouco o tipo de proposta. Então é assim, por exemplo, na Chapada dos Guimarães no lugar de montar comunidade, o pessoal vivia com as suas famílias, normal, e desenvolviam uma política de alto-ajuda, então é uma comunidade no sentido mais amplo da palavra, não mais aquela idéia de comunidade “ah vamos viver juntos, vamos compartilhar tudo”, porque todo mundo que tentou esse tipo de comunidade tradicional acabou tendo problemas. Os problemas foram maiores do que as soluções e eles acabaram desistindo.

Conexão Ciência: Como foi feita a análise das comunidades alternativas?
Cesar Augusto de Carvalho: Confesso a você que eu não sigo nenhum autor em particular, eu não sigo uma linha. Claro que tem ali uma série de autores que acabam influenciando, porque a viagem na realidade, apesar de o objeto ser a contracultura, eu estou menos preocupado com a contracultura, eu estou mais preocupado em encontrar uma outra forma de produzir conhecimento que não seja exclusivamente conhecimento lógico-racional, que tenha uma metodologia prévia, nada disso. Então, a abordagem intelectual, nesse sentido, ela é original, ela vai se fazendo na medida em que eu vou construindo o objeto e eu defendo uma série de idéias que, se quiser rotular, é uma abordagem holística na qual eu procuro perceber a interdependência dos elementos. Eu levo em conta valores que não são extremamente racionais. Então, é um objeto que vai se fazendo com base em muitos tipos de informação sem que um deles se sobreponha ao outro. É uma abordagem metodológica bem original.

Conexão Ciência: Por que o senhor estudou a contracultura?
Cesar Augusto de Carvalho: Porque na verdade quando eu comecei a estudar a contracultura eu já estava em busca de um novo tipo de conhecimento e a contracultura, desde o início dela nos anos 50 com a geração beatniks nos Estados Unidos, sempre propôs essa busca, era uma espécie “olha, a sociedade que existe é ruim, ela é inflexível, autoritária, não temos liberdade” e nós queremos pensar no mundo de forma diferente e participar do mundo de forma diferente. E era uma crítica ao status , não só ao status como modo de comportamento como também em relação ao modo de pensar, porque toda contracultura busca uma nova percepção. E tinha uma identidade entre mim e a contracultura, porque eu também buscava uma nova percepção do conhecimento, da realidade para produzir um conhecimento diferenciado.

Conexão Ciência: A viagem ocorreu na década de 80, por que o lançamento do livro só ocorreu agora?
Cesar Augusto de Carvalho: Essa é uma grande pergunta. Eu demorei vinte anos para deglutir, para processar essas informações. Porque o que aconteceu: quando eu voltei de viagem os meus paradigmas conceituais estavam absolutamente ruídos. Eu não conseguia encontrar um caminho para trabalhar isso e fui levando. Até que chegou na época do doutorado, quase vinte anos depois, e eu consegui perceber que eu já estava preparado para trabalhar aquelas informações. Se eu estivesse escrito esse livro logo depois da viagem ele não traria, nem para o leitor nem para mim, nenhuma contribuição, seria uma viagem chinfrim. Então eu precisei esperar todo esse tempo para amadurecer as idéias, para arrumar a cabeça, construir uma nova forma de pensar.

Professor Cesar Augusto, autor do livro, viajou durante seis meses atrás das comunidades alternativas espalhadas pelo país

Professor Cesar Augusto, autor do livro, viajou durante seis meses atrás das comunidades alternativas espalhadas pelo país


Carinho e cuidado com as famílias de prematuros

maio 13, 2009

Um projeto da UEL atende, auxilia e assiste às familias de bebês prematuros que nascem no HU

Pauta e Reportagem: Beatriz Assumpção
Edição: Kauana Neves

Recém-nascido prematuro é todo aquele que nasce antes do final da gestação. Isso pode acontecer por diversos problemas. Normalmente essas crianças precisam ficar algum tempo internadas para que seus orgãos possam se desenvolver e amadurecer. Por isso, elas e suas famílias precisam de um atendimento especial. Essa é a proposta do projeto de extensão coordenado pela enfermeira e professora Sarah Nancy Deggau Hegeto de Souza.  Sarah Nancy de Souza é formada em Enfermagem e Obstetrícia pela UEL e tem mestrado em Enfemagem Fundamental pela Universidade de São Paulo. O projeto ‘Atendimento de Enfermagem ao recém-nascido de risco e sua família no ambulatório do Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Londrina’ presta assitência e orienta as famílias de bebês prematuros que nasceram no Hospital Universitário.

Conexão Ciência: Como surgiu a ideia desse projeto?

Prof. Sarah Nancy de Souza: A nossa área de atuação sempre foi voltada pra neonatologia, que é o recém-nascido, e nós víamos nessa atuação o grande sofrimento das famílias. Todo o nosso empenho era para o bom atendimento do bebê, mas sentíamos falta que a família também fosse amparada em todo esse processo. Então, a partir disso, eu e a Edilaine Rosseto (Enfermeira formada pela UEL, especialista em Neonatologia, mestre em Enfermagem pela USP/SP, doutoranda pela USP), tivemos a ideia de fazer, em forma de extensão, um projeto para atender às famílias nesse momento de crise que é o nascimento de um filho prematuro.

Conexão Ciência: O que caracteriza um bebê prematuro?

Prof. Sarah Nancy de Souza: Bebê prematuro é aquele que não chegou ao fim da gestação. Por conta disso, ele tem organicamente inúmeras imaturidades. O sistema nervoso central é imaturo, assim como o pulmão, todos os órgãos têm algum grau de imaturidade e, por causa da imaturidade, não funcionam bem. Então, o desafio da assistência é dar as condições clínicas e biológicas para que aquele organismo chegue à maturidade e consiga desempenhar as suas funções.

Conexão Ciência: E qual a importância da família do prematuro nesse processo?

Prof. Sarah Nancy de Souza: Já está comprovado na literatura científica que a inclusão da família no tratamento do prematuro é benéfica. O apoio do pai, da mãe, da família, acelera e muito a recuperação do bebê. Então, nesse momento crítico, o simples fato de conversar, de tocar, de estar presente já é importante para o recém-nascido. À medida que a criança se estabiliza um pouco mais, o contato pele a pele (mãe canguru) melhora o peso, melhora a recuperação e o bebê aprende a sugar com mais facilidade. Todos esses fatores diminuem o tempo de internação. O nosso grande alvo, desde que essa criança é internada, é que ela fique lá o menor tempo possível, e tudo que nós pudermos fazer para diminuir 1 ou 2 dias de internação, nós precisamos fazer. E nós do projeto acreditamos que uma família incluída, que participa, que aprende a cuidar desse bebê, vai ter muito mais condições de enfrentar a sua crise com um pouco mais de tranqüilidade do que enfrentaria se ela estivesse totalmente excluída. Além disso, ela vai estar apta aos cuidados domiciliares quando esse recém-nascido for para casa.

Conexão Ciência: E quais os processos usados pela equipe do projeto para ajudar essa família?

Prof. Sarah Nancy de Souza: A atuação do projeto começa no dia do nascimento da criança. Nós fazemos o acolhimento da mãe e da família, deixando eles contarem sobre as suas ansiedades, as suas frustrações. Nós também incentivamos a visita precoce, porque quanto mais tempo a mãe fica imaginando como esse bebe é, pior. Depois disso, durante todos os dias de internação, eles vão receber apoio. Além disso, a família recebe uma visita pré-alta em casa, o que ajuda a preparar o ambiente domiciliar para a chegada da criança. Recebe também todo o treinamento para a alta, além de uma visita pós-alta, para ver como foi a adaptação do bebê à família. Por fim, recebe atendimento no Hospital de Clinicas até que a criança tenha um ano de idade. O atendimento no HC é feito pelas mesmas pessoas que a atenderam no HU. Dessa forma, nós fechamos todo um ciclo de atendimento e estabelecemos uma relação de confiança e de muito respeito.

Conexão Ciência: Esse projeto está produzindo conhecimento por meio de pesquisas que vocês desenvolveram com essas famílias. Quais são as principais constatações que vocês perceberam sobre elas?

Prof. Sarah Nancy de Souza: Alguns dados que nós temos estabeleceram o perfil das famílias atendidas. Antes de tudo, nós precisamos entender quem são as pessoas que estamos atendendo. Detectamos que 20% das mães possuíam idade inferior a 18 anos, ou seja, a cada cinco mulheres atendidas, uma era adolescente. 41,3% das mães não completaram o ensino fundamental e 47,9% não são do município de Londrina. Sobre a gestação, 50,8% não foram planejadas, 20% foram de gêmeos e quase 10% das mães não realizaram consultas pré-natais.

Conexão Ciência: Quais são as aspirações do projeto daqui pra frente?

Prof. Sarah Nancy de Souza: Nós queremos ampliar o projeto de extensão para um serviço, principalmente a parte do trabalho que é realizada no HC. Nós temos que melhorar ainda a relação com a Unidade Básica de Saúde (UBS), queremos estender o nosso conhecimento de como atender um prematuro para as UBS, para que eles se sintam mais habilitados para acolher essa criança.