Download da edição 65

maio 25, 2009

Para baixar a edição 65 do Conexão Ciência na íntegra é só clicar no link abaixo:

http://www.4shared.com/file/107740813/60bd2de6/Conexo_Cincia_-_circulao_dirigida.html


Projeto estuda a violência no cotidiano das escolas sob uma nova perspectiva

maio 25, 2009

Observando a crescente incidência da violência nas escolas, pesquisadora da UEL se atentou para os problemas das escolas públicas de periferia

Materia BETO - SITE

Pauta: Lígia Zampar
Reportagem: Beto Carlomagno
Edição: Vitor Oshiro

Escola sempre foi sinônimo de aprendizado e um meio para a evolução como ser humano, mas, atualmente, uma das principais preocupações da sociedade, a violência, tem manchado essa reputação. Hoje em dia, nas salas de aulas e nos pátios são encontrados todos os tipos de violência comuns a sociedade contemporânea, vai desde o desrespeito de um aluno para com seu professor até furtos e tráfico. A assistente social e professora da UEL, Andréa Pires Rocha, graduada em Serviço Social pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP) e mestre em Educação pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), desenvolveu o projeto Violência que atinge o cotidiano de escolas das periferias de Londrina. O projeto irá analisar casos violentos em escolas da periferia de Londrina, estudando o ensino fundamental, de quinta a oitava série, e o ensino médio.

Conexão Ciência: No que consiste o projeto basicamente?
Andréa Pires Rocha: A idéia do projeto é observar os tipos de violência que se materializam na escola e que perpassam aquela notícia de jornal. Porque eu entendo lendo sobre o assunto, que aquilo é o ápice crítico de vários tipos de violência presentes na escola e que fazem com que a escola se torne um palco de conflito. É uma perspectiva diferente de entender a violência escolar, até porque a violência não é escolar. Ela acontece na escola, mas é decorrente de vários outros tipos de violência, como a violência policial sofrida na porta da escola e o desemprego. Além do próprio professor estar submetido à violência, com as políticas educacionais. Várias questões da violência estrutural interagem e fazem com que, na escola, a violência se materialize de diversas maneiras.

Conexão Ciência: Como surgiu a idéia para o projeto?
Andréa Pires Rocha: No início de 2007, apareceram alguns desses fenômenos na mídia. Algumas questões bem graves. E eu comecei a observar essa questão da violência nas escolas aqui em Londrina. Entre 2007 e 2008, fiquei observando e surgiu um assunto polêmico que é a patrulha escolar, que é a polícia dentro da escola revistando os estudantes como uma forma de minimizar a violência. Então, comecei a ler sobre o assunto e, acompanhando matérias sobre a violência nas escolas, pensei nessa outra discussão: discutir também essa violência que os adolescentes e professores estão submetidos, que não é só essa chamada de agressão física.

Conexão Ciência: Quais são as ações violentas mais comuns nesse ambiente?
Andréa Pires Rocha: Nas leituras preparatórias, observamos que a agressão que faz parte das chamadas, pelo conceito da teorização da violência, violências intersubjetivas aparecem bastante. Elas acontecem entre pessoas conhecidas e entre grupos, como gangues por exemplo. Há também a violência do educador para com o aluno. Outras pesquisas avançam no mesmo aspecto encontrado na minha pesquisa. Nelas, a violência doméstica e a falta de investimento nas políticas educacionais são as causas para que as escolas tenham se tornado palco de violência.

Conexão Ciência: Qual a metodologia utilizada no projeto?
Andréa Pires Rocha: A metodologia do trabalho foi uma pesquisa bibliográfica, desenvolvida ano passado, para preparar os estudantes participantes do projeto para poderem chegar nas escolas e conversar. Agora, estamos com pesquisa de campo por meio de formulários fechados e depois com entrevistas abertas nas escolas com maior número de casos de violência. Pretendemos escolher três escolas dessas e conversar com todos os envolvidos: professores, pedagogos e estudantes. Utilizaremos, nesta parte final, uma abordagem grupal. Ao fim faremos uma análise qualitativa.

Conexão Ciência: Qual o número de escolas estudadas?
Andréa Pires Rocha: Entre 30 e 35 escolas. Todas escolas públicas, estaduais, e só da periferia. Escolas centrais não entraram na pesquisa porque paralelamente à pesquisa estamos tentando conhecer o que há para o jovem da periferia de Londrina. Queremos saber quais as políticas que podem fazer, de uma forma ou outra, que o adolescente canalize as energias em outras atividades. Porque a violência é também resultado de uma negação de direitos, o que não tira a responsabilização do adolescente por seus atos. Não naturalizamos a atitude violenta do adolescente, mas pretendemos refletir mais profundamente o porquê daquilo.

Conexão Ciência: As escolas possuem uma participação ativa no projeto?
Andréa Pires Rocha: Existe uma dificuldade inicial, porque quando os estudantes participantes do projeto ligam para as escolas para marcar, algumas instituições tem uma dificuldade para aceitar a visita, há uma certa resistência. Na bibliografia que li para o projeto, vi que normalmente a escola é culpabilizada e acredito que seja esse o medo deles. Mas, depois que conseguimos chegar à escola e mostramos o projeto, eles percebem que a intenção do nosso projeto é o contrário: não culpabilizar a escola, e sim mostrar que a escola e a juventude merecem ser olhadas com mais atenção. A partir disso eles aceitam mais facilmente.

Conexão Ciência: Qual deve ser a reação de um educador diante de um ato violento?
Andréa Pires Rocha: Temos que tentar entender a diferença entre um problema de comportamento de um adolescente e um ato infracional, que é a ação de um adolescente que pode ser comparada a um crime. Muitas vezes, o professor se depara com uma questão de comportamento, um xingamento, por exemplo, e chamam o conselho tutelar e a polícia, para resolver questões de comportamento, o que deveria ser resolvido na própria escola. Agora, em uma situação que pode ser enquadrada dentro do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) como ato infracional, a escola tem que proceder como deve, dependendo da gravidade até com um boletim de ocorrêcia. Mas, eu não defendo nunca polícia dentro da escola.

Conexão Ciência: Mas, não seria culpa da própria escola e dos estudantes ela ter que recorrer à polícia como uma maneira de reprimir e controlar essa violência?
Andréa Pires Rocha: Vejo, e ainda estou vendo, que a escola quer a intervenção policial. Por escola digo, professores e diretores. Em alguns encontros pude notar isso. A reflexão que se deve fazer com essa informação é “Por que que a escola quer a intervenção policial?”. É porque se sente impotente diante de tanta violência. Não dá pra dizer de quem é a culpa, mas também não dá pra acreditar que a intervenção policial vá resolver. É certo que vai reprimir. Tendo um policial na escola, os adolescentes terão mais receio de ter uma atitude mais violenta, mas isso não quer dizer que resolveu. Eles podem sair da escola e promover a violência fora dela. Então, a violência é um fenômeno muito complexo. A escola deveria ser um lugar para discutir e fazer com que canalizem essa violência. Eu não culpo os professores e diretores por acreditarem que a única saída é a polícia. Eles estão submetidos a muita pressão.

Conexão Ciência: Qual a previsão para o término do projeto?
Andréa Pires Rocha: Pretendo até agosto ou setembro fechar essa parte quantitativa, de identificação da violência, para, a partir de setembro, iniciar a outra parte, de conversa mais próxima, com três escolas. Essa parte deve ir até o fim do ano, para poder começar a produzir sobre o assunto, já que o projeto se encerra em abril de 2010.

Conexão Ciência: Quais são os resultados esperados?
Andréa Pires Rocha: Primeiro, na identificação da violência, que é o objeto central, não esperamos muitas novidades no que vai aparecer, já que existem muitas pesquisas sobre o assunto e Londrina não está fora desse universo geral do país. Todavia, o que esperamos com o levantamento dessas informações e com a comprovação de que Londrina está dentro do contexto geral de escola pública no Brasil é criar um debate sobre o assunto e trazê-lo para a UEL, envolver outros departamentos, levar os Conselhos – o de Educação e o de Direito da Criança e do Adolescente – a pensar estratégias, possibilidades, que não dependam muito do protagonista, para uma melhora. Além de lutar por políticas públicas voltadas para o jovem, eles precisam de lazer e cultura.


Pesquisadora desenvolve estudo de gerenciamento do trânsito de Londrina

maio 25, 2009

A falta de sincronia dos semáforos seria uma das causas das filas de congestionamento na cidade

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Pauta: Lígia Zampar
Reportagem: Tatiane Hirata
Edição: Vitor Oshiro

Atualmente, Londrina conta com mais de 500 mil habitantes e um dos principais setores afetados por esse grande contingente populacional é o trânsito. Pode-se dizer que ele se encontra mais problemático principalmente nos horários de pico, entre às 07h00 e 08h00 e entre às 17h00 e 19h00. Para se ter uma idéia, segundo dados do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran), entre abril de 2008 e abril de 2009, a frota de veículos da cidade aumentou de 239.328 para 255.557. São 16.229 veículos a mais no intervalo de um ano, sem contar os veículos das cidades vizinhas que transitam em Londrina.
Para o condutor londrinense, isso representa perda de tempo em filas de congestionamento, um trânsito perigosamente complicado e muito mais estresse no final do dia. Paulo Corso, que dirige há 15 anos, afirma que é difícil manobrar e estacionar no trânsito de Londrina, porque o “motorista é obrigado a ficar costurando entre os carros”. Para ele, uma das causas do problema é a falta de sincronia dos semáforos, um dos fatores que provoca a criação de filas.
Embora não seja a única causa, a falta de sincronia dos semáforos é um dos maiores agravantes na problemática do trânsito. Pelo menos é isso que afirma a engenheira Silvia Galvão de Souza Cervantes, doutora em engenharia elétrica pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Segundo ela, em Londrina, dos 70 semáforos localizados na malha central, cerca de apenas 10 são elétricos. Os outros todos ainda são eletromecânicos, controlados pelo homem. Eles possuem uma temporização que se mantém constante, baseada em estudo empírico que não atende às necessidades do trânsito do centro de Londrina.
Silvia Cervantes coordena um grupo de pesquisa da Universidade Estadual de Londrina que desenvolve trabalhos de gerenciamento do tráfego de Londrina. A pesquisa é uma continuidade do trabalho de doutorado da engenheira. Ao voltar para Londrina, em 2005, depois de estudar quatro anos em Santa Catarina, a engenheira quis aplicar o estudo na cidade. Procurou a prefeitura e entrou em contato com membros do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (IPPUL), em busca de um convênio para o projeto. “Nós começamos em uma parceria”, conta Silvia, “eles me forneceram dados do funcionamento da malha viária central de Londrina, que é uma das mais problemáticas, e a contagem de veículos, que normalmente é uma informação difícil de obter das prefeituras. Nesse caso, porém, ela foi extremamente participativa, porque também tinha interesse no trabalho”.
A princípio, o trabalho consistia na instalação de sensores magnéticos nos semáforos da malha viária central da cidade. Esses sensores são compostos por um software que faz a contagem dos veículos, que depois pode ser transferida para o computador. Com os dados, desenvolve-se um algoritmo em tempo real a partir do qual se desenvolve um cálculo do melhor tempo de verde para diminuir o tamanho das filas e, conseqüentemente, o atraso. Com isso, obtém-se uma coordenação dos semáforos, a chamada “onda verde”, nome pelo qual se denomina o projeto no site do IPPUL (http://www.londrina.pr.gov.br/ippul/transito/projeto_ondaverde.php).
Entretanto, isso se tornou inviável. “Seria difícil aplicar aqui em Londrina, porque o tempo real envolve um custo maior de implantação. Teria que ter detectores em todas as vias e controladores semafóricos eletrônicos, coisa que não existe muito aqui. Há alguns na Higienópolis, na JK, na Tiradentes e na Maringá, mas no restante, é tudo eletromecânico ainda. São super antigos, não recebem uma programação eletrônica. Então, teria que trocar todos os controladores semafóricos”, afirma a pesquisadora. Além disso, Silvia Cervantes explica que os sensores magnéticos inicialmente aplicados são produzidos fora do país e são difíceis de serem importados.
Com isso, o grupo de pesquisa partiu para o desenvolvimento de um algoritmo em tempo fixo. “Conhecemos a quantidade de veículos que estão circulando na malha e, com essa quantidade, faço um plano de tempo semafórico. Então, calculamos esses tempos semafóricos em tempo fixo e aplicamos esses tempos semafóricos de tal forma a minimizar as filas. Por fim, aplicamos algoritmos de otimização”, diz a engenheira. O sensor utilizado para a contagem de veículos passou a ser um móvel, que funciona através de laços indutivos, que são dispositivos capazes de detectar a passagem de uma massa metálica por um campo indutivo.
Com o atual equipamento semafórico de Londrina, a temporização colocada é fixa. Para mudá-la, um funcionário responsável faz isso manualmente. A pesquisadora diz que o ideal seria ter um tempo de verde e vermelho para cada horário do dia, variando em dias da semana, feriados e finais de semana, de acordo com o movimento de veículos. “Também precisaria de controladores melhores, que recebessem essa programação”, afirma.
Como exemplo, a pesquisadora cita um dos trechos mais problemáticos da malha viária central de Londrina: o cruzamento das ruas Goiás e Duque de Caxias. Conforme dados obtidos pela pesquisa no primeiro semestre de 2008, a capacidade do semáforo (o número suportável de veículos que chega das duas vias, medido de acordo com a largura e tamanho da via) nesse cruzamento é de 1800 veículos por hora, em cada via. Como são duas vias, a capacidade total é de 3.600 veículos. Nos horários de pico, o grupo de pesquisa colheu dados de 2.700 veículos cruzando as duas vias, um número menor do que a capacidade. Teoricamente, portanto, não haveria filas, mas elas existem. Para a pesquisadora, isso se deve ao tempo errado de verde e vermelho utilizado no semáforo da via. O objetivo da pesquisa é desenvolver cálculos de tempo de verde que minimizem problemas como esse.
Atualmente, para vencer a falta de investimentos, o projeto tenta estabelecer um convênio com a atual administração de Londrina. A pesquisadora afirma que isso seria bastante importante para “realizar alguns testes que faltam e para comprar um simulador que revalidaria os resultados obtidos”.
A professora Silvia cervantes afirma ainda que em nenhuma cidade só o gerenciamento semafórico resolve, mas Londrina tem esse problema e precisa ser resolvido. Mesmo que o convênio não saia e não seja possível aplicar os resultados da pesquisa em Londrina, o estudo continuará. “Se não for aplicado aqui, será aplicado em outro lugar”.


UEL recebe Programa Educativo sobre Fissuras Labiopalatinas

maio 25, 2009

Entre causas e consequências, o evento discutiu as maneiras para tratar o chamado “lábio leporino”

Sorriso - materiaFELIPE - SITE

Pauta: Ana Carolina Contato
Reportagem: Felipe Barros
Edição: Vitor Oshiro

Vulgarmente conhecida por “lábio leporino”, as fissuras labiopalatinas comprometem a anatomia facial do recém-nascido, como resultado de uma malformação durante a 4ª e a 12ª semana de gestação. Consistem em uma abertura na região do lábio, ou do palato ” estrutura que separa as cavidades nasal e bucal ” , podendo, também, atingi-las simultaneamente.*
Foi este o tema do evento realizado, no início do mês, no Hospital Universitário, com a presença de estudantes e profissionais das áreas de medicina, enfermagem, odontologia, pediatria, nutrição e fonoaudiologia. O primeiro Programa Educativo sobre Fissuras Labiopalatinas teve apoio do Centro de Apoio e Reabilitação dos Portadores de Fissura Lábio-Palatal de Londrina e Região (CEFIL), cujo escritório está localizado em Londrina, e da Operação Sorriso do Brasil (OSB).
A OSB é um órgão privado, sem fins lucrativos, que pertence à Operation Smile, uma organização internacional fundada em 1982 e presente em 27 países, atendendo mais de 120.000 crianças. No Brasil, a OSB realiza programas humanitários com profissionais voluntários nos mutirões em regiões carentes do território nacional. Criada em 1997, a OSB já visitou nove estados brasileiros: Ceará, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Mais de 28 mutirões atenderam 2,6 mil crianças carentes desses estados.**
Integrante da Operation Smile, Álvaro Fagotti Filho, formado em Medicina pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e especializado em cirurgia plástica pela mesma Instituição, foi um dos palestrantes do evento. “O objetivo principal desse encontro é mobilizar os universitários, estimulando a parte científica e médica do tema”, explica.
Em Londrina, a realização de cirurgias plásticas reparadoras ainda é recente. “O Cefil, até dois anos atrás, encaminhava crianças para locais como Curitiba e Bauru. Há dois anos, eu comecei a fazer cirurgias no HU e as crianças não precisam mais tratar fora da cidade. Elas tem, aqui, um centro de tratamento”, afirma.
O Hospital de Reabilitação de Anomalias Cranofaciais da Universidade de São Paulo, mais conhecido por Centrinho, estima que um em cada 650 recém-nascidos apresente fissura labiopalatina, representando, atualmente, 280.000 pessoas. As causas específicas, porém, ainda não foram descobertas. De acordo com Fagotti Filho, os pais precisam estar atentos a possíveis perigos no período da gravidez. “Vários estudos apontam que a maioria dos casos se relaciona com problemas como nutrição não-balanceada, uso de drogas, cigarros ou medicamentos”, esclarece. O cirurgião plástico, no entanto, ressalva: “existem os casos randômicos, que são a minoria, ligados ao fator genético. Por vezes, tudo é feito corretamente e, mesmo assim, a criança nasce com fissura”.
As diferentes formas da anomalia permitem uma série de tratamentos distintos, os quais envolvem a colaboração de profissionais de diferentes áreas da saúde durante um longo processo. São feitas, no mínimo, duas cirurgias reparadoras na região do lábio e do palato. O aleitamento materno exige um maior cuidado para evitar a aspiração do leite e uma eventual desnutrição do bebê. A criança, também, deve praticar exercícios de fonoaudiologia a fim de não ter a fala comprometida, bem como fazer uso de aparelhos ortodônticos. Psicólogos podem ser necessários em casos de difícil aceitação dos pais à criança com fissura.***
O diagnóstico da fissura labiopalatina pode ser feito durante a gravidez através do ultrassom e é recomendável o tratamento do paciente ainda no início de vida. Para quem quiser mais informações, entrar no site http://www.centrinho.usp.br.

* Fonte: http://www.centrinho.usp.br
**Fonte: http://www.operacaosorriso.org.br/
***Fonte: http://www.saudetotal.com.br/artigos/fonoaudiologia/fissura.asp


Novos equipamentos e instalaçõs melhoram o atendimento da Clínica Odontológica Universitária

maio 25, 2009

Materia LUCAS - SITE

Novidades como o raio-X panorâmico e a sala de patologia bucal possibilitarão exames mais detalhados

Pauta: Ana Carolina Contato
Reportagem: Lucas Martins
Edição: Vitor Oshiro

A Clínica Odontológica da Universitária (COU) foi criada em 1963. Desde então, ela passou a oferecer suporte para as atividades de ensino e a atender aos moradores da cidade.* No dia 23 de abril, a instituição inaugurou as novas instalações e o recebimento de equipamentos doados pelo Governo Federal por meio do Pró-Saúde (Programa Nacional de Reorientação do Processo da Formação em Saúde).
De acordo com o site do programa (http://www.prosaude.org), entre as Universidades que oferecem o curso de Odontologia, a Unversidade Estadual de Londrina (UEL) foi uma das poucas que foram contempladas pelo Pró-Saúde. Criado pelo Ministério da Saúde e pela Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação em Saúde (SGTES), o programa tem, como objetivo, financiar projetos universitários da área que realizam trabalhos direcionados para a população local e que ao mesmo tempo ajudam na formação do futuro profissional. Para conseguir esse financiamento, as Instituições de Ensino Superior (IES) interessadas precisaram enviar seus projetos para uma banca que examinou se o trabalho pretendido pela universidade é adequado ao que foi exigido pelo programa.
A coordenadora do Projeto Pró-Saúde, Professora Elisa Emi Tanaka Carloto – graduada em Odontologia pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) mestre e doutora em Diagnóstico Bucal/Radiologia pela Universidade de São Paulo (USP) – afirmou que para a realização do projeto elaborado pelos professores do curso de Odontologia da UEL, foram construídos uma sala de videoconferência, outra para abrigar reuniões e mais um laboratório de diagnóstico de patologia bucal. Em equipamentos, foram doados um aparelho que realiza a radiografia em raio-X panorâmico ” que registra todo o interior da cabeça ” e os equipamentos necessários – que vão desde aparelhos de raio-x até extensores de parafina – para o novo laboratório construído.
Segundo a professora, a construção e a adequação das novas instalações darão suporte para os serviços já prestados pela Clínica. “Todos esses equipamentos foram doados para a UEL com a finalidade de trabalhar junto com o Serviço Municipal de Saúde de Londrina e de todas as outras cidades que pertencem à 17ª Regional de Saúde**. Todos os pacientes que apresentam problemas relacionados à saúde bucal são direcionados para a Clínica e recebem todo o tratamento adequado.”
A coordenadora do Pró-Saúde também ressaltou que a aparelhagem doada poderá melhorar a qualidade dos serviços da COU (Clínica Odontológica Universitária), pois um dos equipamentos recebidos, o aparelho de raio-X panorâmico, não existe em nenhuma outra unidade de saúde da região e é de grande importância para o tratamento odontológico, já que ele é o único que pode registrar todo o interior da cabeça e identificar as patologias alojadas nessa região do corpo.
Outra inovação para os serviços da Clínica é a sala de diagnóstico de patologia bucal, onde poderão ser identificadas as doenças referentes à boca. “Não existia e não existe até hoje um laboratório específico que faça análise histo-patológica*** das biópsias tiradas de dentro da boca. Agora, será possível identificar se o paciente apresenta alguma doença bucal, como, por exemplo, o câncer”, afirma a professora Elisa Tanaka.
Segundo a coordenadora do Pró-Saúde, muito ainda tem que ser feito. Entre os futuros planos, está a compra de consultórios portáteis ” maletas com um peso de aproximadamente 5 a 7 kg, onde são guardados todos os equipamentos necessários para um eventual atendimento ” e que ajudarão na abrangência dos serviços prestados pela COU nas áreas rurais.

* Informações retiradas do site da Clínica Odontológica Universitária (http://www.uel.br/orgaos-suplementares/cou/?content=historico.htm).
** Segundo a Secretaria de Saúde do Estado do Paraná, a 17ª Regional da Saúde envolve Lupionópolis, Cafeara, centenário do Sul, Porecatu, Alvorada do Sul, Primeiro de Maio, Florestópolis, Guaraci, Miraselva, Bela Vista do Paraíso, Sertanópolis, Jaguapitã, Prado Ferreira, Cambé, Pitangueiras, Rolândia, Ibiporã, Jataizinho, Tamarana e Londrina.
*** Análise histo-patólogica = análise de tecidos e/ou células que determinam uma doença (fonte: http://www.ufrgs.br/bioetica/glossa1.htm)


Representações do luto na literatura

maio 19, 2009

Projeto mostra que o luto é uma fase importante das obras literárias

Reportagem: Marina Carvalho Dias
Pauta e Edição: Kauana Neves

O projeto “Representações do Luto na Literatura” estuda como a morte aparece nos livros e sua influência sobre as personagens literárias. Os estudos foram iniciados em 2007, sob coordenação do Professor Alamir Aquino Correa ” graduado em Letras pelo Centro de Ensino Unificado de Brasília, em Direito pela UEL e doutor em literaturas hispânicas pela Indiana University Bloomington, é também pró-reitor de pesquisa e pós-graduação da Universidade Estadual de Londrina.

“O luto é uma etapa em que se lida com a perda do outro e que afeta a todos. Essa sensação é encontrada em toda a literatura”, diz Alamir Correa. De acordo com o professor, o luto é há muito tempo encontrado na literatura. Em Édipo Rei, por exemplo ” tragédia grega escrita por Sófocles 400 anos antes de Cristo ” é necessário que haja uma punição para quem matou o rei.
Apesar de a morte ter presença frequente em toda a literatura, o projeto trabalha somente com autores brasileiros, como Jorge Amado, Cornélio Pena e Ricardo Ramos. Segundo o professor Alamir, os personagens literários não lidam somente com a falta de quem morreu. “Acontece muitas vezes de a personagem ter que lidar com a permanência do morto”. É o que ocorre em “Dona Flor e seus dois maridos”, obra de Jorge Amado, onde a viúva Dona Flor continua a ver Vadinho, o marido falecido.

“O texto literário faz o sujeito pensar sobre ele mesmo, coloca algo que conhecemos como estranho, proporcionando visões diferentes”, afirma Alamir Correa. A literatura, com sua função lúdica e reflexiva, faz com que o leitor se prepare melhor para encarar a morte de um ente querido. Para o professor, o texto literário revela características psicológicas do ser humano o leva a uma maior compreensão do que ocorre com ele e dos acontecimentos à sua volta.

“Temos trabalhado recentemente com a elegia, canção que pranteia o morto”. O professor explica que as elegias são poemas de tom terno e triste, que aparecem nos túmulos e dão mostra do que a pessoa foi. Houve, nos últimos tempos, uma modificação nas elegias. “A sensação moderna de humanidade está acabando com a sensação de que somos frágeis”. Alamir Correa cita poetas da década de 60, que viram seus entes morrerem na guerra e diz que a modernidade tem modificado a visão da morte. “O avanço da ciência nos faz pensar que somos imortais. O texto literário mostra que essa sensação de imortalidade proporcionada pelo avanço da medicina faz com que acabemos desconsiderando o processo da morte”.

Apesar de ter iniciado o projeto “Representações do luto na literatura” em 2007, Alamir Correa é estudioso do assunto há 10 anos e afirma que não há uma época ou um gênero literário em que o luto é mais presente. “O luto aparece uniformemente em toda a literatura”.


Departamento de Comunicação oferece aulas de histórias em quadrinhos

maio 19, 2009

Desenhista Eloyr Pacheco leciona curso de criação e roteirização de HQs no CECA

Pauta: Lígia Zampar Bernardi
Reportagem: Willian Casagrande Fusaro
Edição: Kauana Neves

O professor José Abílio Perez Junior, graduado em Publicidade e Propaganda e mestre em Educação pela Universidade de São Paulo, é o organizador do curso de “Extensão: criação e roteirização em histórias em quadrinhos” do Departamento de Comunicação Social da UEL. O quadrinista Eloyr Pacheco vai ministrar as aulas que serão nas terças e quintas, do dia cinco de maio até 30 de junho, no Centro de Educação, Comunicação e Artes- CECA.

As aulas tratarão de assuntos variados e importantes relacionados ao tema, como a caracterização dos quadrinhos (mangá*, manhwa*, comics* e europeus), o estudo dos clássicos (“O Cavaleiro das Trevas” e “Watchmen”, por exemplo), o debate sobre os mestres do quadrinho nacional (Lourenço Mutareli e Flávio Colin, dentre outros), a narrativa gráfica (transição de cenas, narratividade etc.) e a criação e roteirização de HQs. Pacheco, graduado em Jornalismo pela UEL, conta que a finalidade do curso é divulgar as histórias em quadrinhos como uma das muitas formas de leitura existentes. “O objetivo é mostrar os quadrinhos como uma opção de literatura, entretenimento e cultura. Criar profissionais é algo secundário, não tão importante quanto a formação de apreciadores e conhecedores”, defende o quadrinhista. O professor afirma que não dará ênfase em suas aulas à prática do quadrinho autoral, forma autodidata de criação. “Pretendo dividir os alunos em grupos e estimular o trabalho em parceria, do mesmo jeito que a indústria, a forma comercial faz. Enquanto um se encarrega do desenho, o outro cria, e assim por diante”, salienta Pacheco.

Sob uma ótica mais científica, o objeto de estudo do curso relaciona-se com a comunicação humana. O especialista explica que as histórias em quadrinhos são ricas em formas de expressão. “O quadrinho é uma arte híbrida, pois é imagem e, acima de tudo, texto e metalinguagem. Uma linguagem só é completa quando ela se desdobra sobre si mesma, e os quadrinhos fazem isso, pois são ferramentas de comunicação”, esclarece o desenhista.

O quadrinhista explana, ainda, que as HQs mantêm também uma forte proximidade com a história do Jornalismo brasileiro, chegando a ser usadas em impressos e revistas para criticar ou enaltecer figuras públicas, geralmente políticos. “Basta voltar à Revista Ilustrada ou ao Pasquim, ambos da década de 60, para ver as caricaturas, desenhos e quadrinhos nos exemplares. No final dos anos 80, as tiras avançaram para a capa dos periódicos. Isso foi um grande avanço para o reconhecimento, haja vista que antes as tiras ficavam lá no fim da Página 2, não muito visíveis”.

Os apreciadores dos quadrinhos no Brasil são dos mais diferenciados perfis. Eloyr conta que essa arte é vista de diversas formas no país. No Brasil, segundo professor, há públicos de todas as idades, desde o infantil, que acompanha obras do Ziraldo ou do Maurício de Souza, até o adolescente e adulto, com os super-heróis, ou os eróticos. Há também os brasileiros que emprestam seus talentos para o exterior, trabalham em empresas multinacionais e se tornam reconhecidos por isso. Pacheco, do mesmo modo, comenta que o mercado das histórias em quadrinhos no país é abrangente e rico por causa da grande demanda por profissionais, levando em conta que muitos deles têm de estar envolvidos para uma edição de revista em quadrinhos ser produzida. Do mesmo modo cresce o cenário independente, com os fanzines* e as revistas criadas por fãs.

O público consumidor das HQs também se modificou muito com o passar dos anos. Segundo Pacheco, o investimento dos criadores em temas variados ajudou esse estilo literário a cativar fãs com gostos cada vez mais variados. “O perfil dos apreciadores é muito aberto, desde adultos, crianças e adolescentes. O público adulto começou a ser trabalhado com a publicação de obras antigas em livros há pouco tempo. O público infantil também variou muito, e chega a contar com crianças com idades a partir de 5, 6 anos, que geralmente leem gibis”, diz.

Influenciado por “Capitão América”, “Asterix” e “Os Defensores”, entre muitos outros, Pacheco afirma que iniciou nos quadrinhos ainda criança. “Aprendi a ler com os quadrinhos, aos sete anos de idade. Profissionalmente, só comecei em 1984 e até hoje não parei”, confirma o especialista, criador do personagem Escorpião de Prata, ex-empregado da revista Metal Pesado e dono da editora Brainstore, inativa no momento.

Glossário:
Mangá:
quadrinho japonês
Manwha: quadrinho coreano
Comics: quadrinho norte-americano
Fanzine: produção independente, feita por apreciadores de revistas em quadrinhos. Geralmente, não é comercializado, restringindo-se ao entretenimento.