A cura para os solos na própria natureza

Projeto pretende utilizar microorganismos no tratamento de solos contaminados por petróleo e derivados

Pauta: Ana Carolina Contato
Reportagem: Beto Carlomagno
Edição: Vitor Oshiro

conexao-001pq1A questão do envolvimento do petróleo e seus derivados na poluição do meio ambiente é discutida há tempos. Com uma necessidade de se avaliar os solos contaminados e tentar encontrar técnicas para o tratamento destes, surgiu a idéia para o projeto “Análise dinâmica e diversidade da comunidade microbiana ativa no tratamento de solos contaminados por derivados de petróleo”. O projeto tem como coordenador o professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL) André Luiz Martinez de Oliveira, que é graduado em Agronomia pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, e doutor em Agronomia com ênfase em ciências do solo pela mesma.
O projeto tem como base técnicas de biorremediação (uso de organismos para o tratamento de áreas impactadas) e está sendo realizado com amostras de solo colhidas na área da REPAR (Refinaria Presidente Getúlio Vargas), empresa do setor petroquímico localizada na cidade de Araucária, Paraná. “O projeto busca identificar microorganismos em solos contaminados com o petróleo e seus derivados, que apresentam capacidade de degradação de compostos recalcitrantes. Estes compostos são moléculas de difícil degradação e responsáveis no que diz respeito à contaminação do solo”, diz Oliveira.
Os principais problemas causados pelo derramamento dessas substâncias no solo são a eliminação quase total da vegetação e de organismos conhecidos como microfauna (besouros, minhocas, formigas) por causa do impacto desses elementos nos ciclos naturais como o do carbono, nitrogênio e da água. A água é outra muito afetada, já o óleo pode descer para camadas mais profundas do solo contaminando lençóis freáticos e aquíferos. Todos esses impactos na natureza afetam diretamente a economia, isso porque para a recuperação ou remediação de uma área impactada há um alto custo financeiro, diz o pesquisador.
Segundo Oliveira, para cada caso há um estudo específico com uma avaliação de custo. Entre os meios há a biorremediação, que é o objeto de estudo da pesquisa. Além disso, há ainda a possibilidade de remoção do solo contaminado para tratamento em outro local, como um isolamento, ou o uso de produtos químicos. O ponto importante, para ele, é o fato de nenhum desses processos ser barato, mas, dentre eles, a biorremediação tem destaque por utilizar microorganismos vivos para decompor ou modificar esses contaminantes para componentes menos tóxicos. “Por ser feito por organismos vivos, você teria o custo da implementação da tecnologia, seja planta ou microorganismos que já vivem ali. Esse custo é muito baixo comparado aos outros tratamentos”, diz o pesquisador.
Quanto a participação da REPAR, Oliveira diz não haver qualquer envolvimento direto da empresa, a não ser pelo solo cedido para a pesquisa. Ainda segundo ele, os resultados serão disponibilizados tanto para a comunidade científica, quanto para a REPAR. Resultados esses que já estão chegando. Oliveira disse já ter identificado dois isolados bacterianos com grande potencial para a utilização como agentes de biorremediação. “A partir da classificação desses isolados pretendemos fazer alguns testes piloto, pegar áreas previamente contaminadas ou até mesmo pegar um solo virgem e adicionar o óleo bruto para fazer o acompanhamento de como esse óleo vai desaparecendo a partir da utilização desses microorganismos”.
A pesquisa tem como previsão para seu término março de 2010, e a ideia é, segundo o pesquisador André Luiz Martinez de Oliveira, dar andamento no assunto com novos projetos, utilizando o conhecimento adquirido e propondo novas metodologias para a utilização dos isolados obtidos na remediação de áreas impactadas.

Ano 6 – Edição 62 – 04/05/2009

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