Carinho e cuidado com as famílias de prematuros

Um projeto da UEL atende, auxilia e assiste às familias de bebês prematuros que nascem no HU

Pauta e Reportagem: Beatriz Assumpção
Edição: Kauana Neves

Recém-nascido prematuro é todo aquele que nasce antes do final da gestação. Isso pode acontecer por diversos problemas. Normalmente essas crianças precisam ficar algum tempo internadas para que seus orgãos possam se desenvolver e amadurecer. Por isso, elas e suas famílias precisam de um atendimento especial. Essa é a proposta do projeto de extensão coordenado pela enfermeira e professora Sarah Nancy Deggau Hegeto de Souza.  Sarah Nancy de Souza é formada em Enfermagem e Obstetrícia pela UEL e tem mestrado em Enfemagem Fundamental pela Universidade de São Paulo. O projeto ‘Atendimento de Enfermagem ao recém-nascido de risco e sua família no ambulatório do Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Londrina’ presta assitência e orienta as famílias de bebês prematuros que nasceram no Hospital Universitário.

Conexão Ciência: Como surgiu a ideia desse projeto?

Prof. Sarah Nancy de Souza: A nossa área de atuação sempre foi voltada pra neonatologia, que é o recém-nascido, e nós víamos nessa atuação o grande sofrimento das famílias. Todo o nosso empenho era para o bom atendimento do bebê, mas sentíamos falta que a família também fosse amparada em todo esse processo. Então, a partir disso, eu e a Edilaine Rosseto (Enfermeira formada pela UEL, especialista em Neonatologia, mestre em Enfermagem pela USP/SP, doutoranda pela USP), tivemos a ideia de fazer, em forma de extensão, um projeto para atender às famílias nesse momento de crise que é o nascimento de um filho prematuro.

Conexão Ciência: O que caracteriza um bebê prematuro?

Prof. Sarah Nancy de Souza: Bebê prematuro é aquele que não chegou ao fim da gestação. Por conta disso, ele tem organicamente inúmeras imaturidades. O sistema nervoso central é imaturo, assim como o pulmão, todos os órgãos têm algum grau de imaturidade e, por causa da imaturidade, não funcionam bem. Então, o desafio da assistência é dar as condições clínicas e biológicas para que aquele organismo chegue à maturidade e consiga desempenhar as suas funções.

Conexão Ciência: E qual a importância da família do prematuro nesse processo?

Prof. Sarah Nancy de Souza: Já está comprovado na literatura científica que a inclusão da família no tratamento do prematuro é benéfica. O apoio do pai, da mãe, da família, acelera e muito a recuperação do bebê. Então, nesse momento crítico, o simples fato de conversar, de tocar, de estar presente já é importante para o recém-nascido. À medida que a criança se estabiliza um pouco mais, o contato pele a pele (mãe canguru) melhora o peso, melhora a recuperação e o bebê aprende a sugar com mais facilidade. Todos esses fatores diminuem o tempo de internação. O nosso grande alvo, desde que essa criança é internada, é que ela fique lá o menor tempo possível, e tudo que nós pudermos fazer para diminuir 1 ou 2 dias de internação, nós precisamos fazer. E nós do projeto acreditamos que uma família incluída, que participa, que aprende a cuidar desse bebê, vai ter muito mais condições de enfrentar a sua crise com um pouco mais de tranqüilidade do que enfrentaria se ela estivesse totalmente excluída. Além disso, ela vai estar apta aos cuidados domiciliares quando esse recém-nascido for para casa.

Conexão Ciência: E quais os processos usados pela equipe do projeto para ajudar essa família?

Prof. Sarah Nancy de Souza: A atuação do projeto começa no dia do nascimento da criança. Nós fazemos o acolhimento da mãe e da família, deixando eles contarem sobre as suas ansiedades, as suas frustrações. Nós também incentivamos a visita precoce, porque quanto mais tempo a mãe fica imaginando como esse bebe é, pior. Depois disso, durante todos os dias de internação, eles vão receber apoio. Além disso, a família recebe uma visita pré-alta em casa, o que ajuda a preparar o ambiente domiciliar para a chegada da criança. Recebe também todo o treinamento para a alta, além de uma visita pós-alta, para ver como foi a adaptação do bebê à família. Por fim, recebe atendimento no Hospital de Clinicas até que a criança tenha um ano de idade. O atendimento no HC é feito pelas mesmas pessoas que a atenderam no HU. Dessa forma, nós fechamos todo um ciclo de atendimento e estabelecemos uma relação de confiança e de muito respeito.

Conexão Ciência: Esse projeto está produzindo conhecimento por meio de pesquisas que vocês desenvolveram com essas famílias. Quais são as principais constatações que vocês perceberam sobre elas?

Prof. Sarah Nancy de Souza: Alguns dados que nós temos estabeleceram o perfil das famílias atendidas. Antes de tudo, nós precisamos entender quem são as pessoas que estamos atendendo. Detectamos que 20% das mães possuíam idade inferior a 18 anos, ou seja, a cada cinco mulheres atendidas, uma era adolescente. 41,3% das mães não completaram o ensino fundamental e 47,9% não são do município de Londrina. Sobre a gestação, 50,8% não foram planejadas, 20% foram de gêmeos e quase 10% das mães não realizaram consultas pré-natais.

Conexão Ciência: Quais são as aspirações do projeto daqui pra frente?

Prof. Sarah Nancy de Souza: Nós queremos ampliar o projeto de extensão para um serviço, principalmente a parte do trabalho que é realizada no HC. Nós temos que melhorar ainda a relação com a Unidade Básica de Saúde (UBS), queremos estender o nosso conhecimento de como atender um prematuro para as UBS, para que eles se sintam mais habilitados para acolher essa criança.

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