Departamento de Comunicação oferece aulas de histórias em quadrinhos

Desenhista Eloyr Pacheco leciona curso de criação e roteirização de HQs no CECA

Pauta: Lígia Zampar Bernardi
Reportagem: Willian Casagrande Fusaro
Edição: Kauana Neves

O professor José Abílio Perez Junior, graduado em Publicidade e Propaganda e mestre em Educação pela Universidade de São Paulo, é o organizador do curso de “Extensão: criação e roteirização em histórias em quadrinhos” do Departamento de Comunicação Social da UEL. O quadrinista Eloyr Pacheco vai ministrar as aulas que serão nas terças e quintas, do dia cinco de maio até 30 de junho, no Centro de Educação, Comunicação e Artes- CECA.

As aulas tratarão de assuntos variados e importantes relacionados ao tema, como a caracterização dos quadrinhos (mangá*, manhwa*, comics* e europeus), o estudo dos clássicos (“O Cavaleiro das Trevas” e “Watchmen”, por exemplo), o debate sobre os mestres do quadrinho nacional (Lourenço Mutareli e Flávio Colin, dentre outros), a narrativa gráfica (transição de cenas, narratividade etc.) e a criação e roteirização de HQs. Pacheco, graduado em Jornalismo pela UEL, conta que a finalidade do curso é divulgar as histórias em quadrinhos como uma das muitas formas de leitura existentes. “O objetivo é mostrar os quadrinhos como uma opção de literatura, entretenimento e cultura. Criar profissionais é algo secundário, não tão importante quanto a formação de apreciadores e conhecedores”, defende o quadrinhista. O professor afirma que não dará ênfase em suas aulas à prática do quadrinho autoral, forma autodidata de criação. “Pretendo dividir os alunos em grupos e estimular o trabalho em parceria, do mesmo jeito que a indústria, a forma comercial faz. Enquanto um se encarrega do desenho, o outro cria, e assim por diante”, salienta Pacheco.

Sob uma ótica mais científica, o objeto de estudo do curso relaciona-se com a comunicação humana. O especialista explica que as histórias em quadrinhos são ricas em formas de expressão. “O quadrinho é uma arte híbrida, pois é imagem e, acima de tudo, texto e metalinguagem. Uma linguagem só é completa quando ela se desdobra sobre si mesma, e os quadrinhos fazem isso, pois são ferramentas de comunicação”, esclarece o desenhista.

O quadrinhista explana, ainda, que as HQs mantêm também uma forte proximidade com a história do Jornalismo brasileiro, chegando a ser usadas em impressos e revistas para criticar ou enaltecer figuras públicas, geralmente políticos. “Basta voltar à Revista Ilustrada ou ao Pasquim, ambos da década de 60, para ver as caricaturas, desenhos e quadrinhos nos exemplares. No final dos anos 80, as tiras avançaram para a capa dos periódicos. Isso foi um grande avanço para o reconhecimento, haja vista que antes as tiras ficavam lá no fim da Página 2, não muito visíveis”.

Os apreciadores dos quadrinhos no Brasil são dos mais diferenciados perfis. Eloyr conta que essa arte é vista de diversas formas no país. No Brasil, segundo professor, há públicos de todas as idades, desde o infantil, que acompanha obras do Ziraldo ou do Maurício de Souza, até o adolescente e adulto, com os super-heróis, ou os eróticos. Há também os brasileiros que emprestam seus talentos para o exterior, trabalham em empresas multinacionais e se tornam reconhecidos por isso. Pacheco, do mesmo modo, comenta que o mercado das histórias em quadrinhos no país é abrangente e rico por causa da grande demanda por profissionais, levando em conta que muitos deles têm de estar envolvidos para uma edição de revista em quadrinhos ser produzida. Do mesmo modo cresce o cenário independente, com os fanzines* e as revistas criadas por fãs.

O público consumidor das HQs também se modificou muito com o passar dos anos. Segundo Pacheco, o investimento dos criadores em temas variados ajudou esse estilo literário a cativar fãs com gostos cada vez mais variados. “O perfil dos apreciadores é muito aberto, desde adultos, crianças e adolescentes. O público adulto começou a ser trabalhado com a publicação de obras antigas em livros há pouco tempo. O público infantil também variou muito, e chega a contar com crianças com idades a partir de 5, 6 anos, que geralmente leem gibis”, diz.

Influenciado por “Capitão América”, “Asterix” e “Os Defensores”, entre muitos outros, Pacheco afirma que iniciou nos quadrinhos ainda criança. “Aprendi a ler com os quadrinhos, aos sete anos de idade. Profissionalmente, só comecei em 1984 e até hoje não parei”, confirma o especialista, criador do personagem Escorpião de Prata, ex-empregado da revista Metal Pesado e dono da editora Brainstore, inativa no momento.

Glossário:
Mangá:
quadrinho japonês
Manwha: quadrinho coreano
Comics: quadrinho norte-americano
Fanzine: produção independente, feita por apreciadores de revistas em quadrinhos. Geralmente, não é comercializado, restringindo-se ao entretenimento.

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