Representações do luto na literatura

Projeto mostra que o luto é uma fase importante das obras literárias

Reportagem: Marina Carvalho Dias
Pauta e Edição: Kauana Neves

O projeto “Representações do Luto na Literatura” estuda como a morte aparece nos livros e sua influência sobre as personagens literárias. Os estudos foram iniciados em 2007, sob coordenação do Professor Alamir Aquino Correa ” graduado em Letras pelo Centro de Ensino Unificado de Brasília, em Direito pela UEL e doutor em literaturas hispânicas pela Indiana University Bloomington, é também pró-reitor de pesquisa e pós-graduação da Universidade Estadual de Londrina.

“O luto é uma etapa em que se lida com a perda do outro e que afeta a todos. Essa sensação é encontrada em toda a literatura”, diz Alamir Correa. De acordo com o professor, o luto é há muito tempo encontrado na literatura. Em Édipo Rei, por exemplo ” tragédia grega escrita por Sófocles 400 anos antes de Cristo ” é necessário que haja uma punição para quem matou o rei.
Apesar de a morte ter presença frequente em toda a literatura, o projeto trabalha somente com autores brasileiros, como Jorge Amado, Cornélio Pena e Ricardo Ramos. Segundo o professor Alamir, os personagens literários não lidam somente com a falta de quem morreu. “Acontece muitas vezes de a personagem ter que lidar com a permanência do morto”. É o que ocorre em “Dona Flor e seus dois maridos”, obra de Jorge Amado, onde a viúva Dona Flor continua a ver Vadinho, o marido falecido.

“O texto literário faz o sujeito pensar sobre ele mesmo, coloca algo que conhecemos como estranho, proporcionando visões diferentes”, afirma Alamir Correa. A literatura, com sua função lúdica e reflexiva, faz com que o leitor se prepare melhor para encarar a morte de um ente querido. Para o professor, o texto literário revela características psicológicas do ser humano o leva a uma maior compreensão do que ocorre com ele e dos acontecimentos à sua volta.

“Temos trabalhado recentemente com a elegia, canção que pranteia o morto”. O professor explica que as elegias são poemas de tom terno e triste, que aparecem nos túmulos e dão mostra do que a pessoa foi. Houve, nos últimos tempos, uma modificação nas elegias. “A sensação moderna de humanidade está acabando com a sensação de que somos frágeis”. Alamir Correa cita poetas da década de 60, que viram seus entes morrerem na guerra e diz que a modernidade tem modificado a visão da morte. “O avanço da ciência nos faz pensar que somos imortais. O texto literário mostra que essa sensação de imortalidade proporcionada pelo avanço da medicina faz com que acabemos desconsiderando o processo da morte”.

Apesar de ter iniciado o projeto “Representações do luto na literatura” em 2007, Alamir Correa é estudioso do assunto há 10 anos e afirma que não há uma época ou um gênero literário em que o luto é mais presente. “O luto aparece uniformemente em toda a literatura”.

Uma resposta para Representações do luto na literatura

  1. Sandra Polato Sales disse:

    Adorei o Conexão dessa semana, as entrevistas estão ótimas, e os assuntos foram muito bem escolhidos.
    A equipe está de parabéns.

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