Pesquisadora desenvolve estudo de gerenciamento do trânsito de Londrina

A falta de sincronia dos semáforos seria uma das causas das filas de congestionamento na cidade

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Pauta: Lígia Zampar
Reportagem: Tatiane Hirata
Edição: Vitor Oshiro

Atualmente, Londrina conta com mais de 500 mil habitantes e um dos principais setores afetados por esse grande contingente populacional é o trânsito. Pode-se dizer que ele se encontra mais problemático principalmente nos horários de pico, entre às 07h00 e 08h00 e entre às 17h00 e 19h00. Para se ter uma idéia, segundo dados do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran), entre abril de 2008 e abril de 2009, a frota de veículos da cidade aumentou de 239.328 para 255.557. São 16.229 veículos a mais no intervalo de um ano, sem contar os veículos das cidades vizinhas que transitam em Londrina.
Para o condutor londrinense, isso representa perda de tempo em filas de congestionamento, um trânsito perigosamente complicado e muito mais estresse no final do dia. Paulo Corso, que dirige há 15 anos, afirma que é difícil manobrar e estacionar no trânsito de Londrina, porque o “motorista é obrigado a ficar costurando entre os carros”. Para ele, uma das causas do problema é a falta de sincronia dos semáforos, um dos fatores que provoca a criação de filas.
Embora não seja a única causa, a falta de sincronia dos semáforos é um dos maiores agravantes na problemática do trânsito. Pelo menos é isso que afirma a engenheira Silvia Galvão de Souza Cervantes, doutora em engenharia elétrica pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Segundo ela, em Londrina, dos 70 semáforos localizados na malha central, cerca de apenas 10 são elétricos. Os outros todos ainda são eletromecânicos, controlados pelo homem. Eles possuem uma temporização que se mantém constante, baseada em estudo empírico que não atende às necessidades do trânsito do centro de Londrina.
Silvia Cervantes coordena um grupo de pesquisa da Universidade Estadual de Londrina que desenvolve trabalhos de gerenciamento do tráfego de Londrina. A pesquisa é uma continuidade do trabalho de doutorado da engenheira. Ao voltar para Londrina, em 2005, depois de estudar quatro anos em Santa Catarina, a engenheira quis aplicar o estudo na cidade. Procurou a prefeitura e entrou em contato com membros do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (IPPUL), em busca de um convênio para o projeto. “Nós começamos em uma parceria”, conta Silvia, “eles me forneceram dados do funcionamento da malha viária central de Londrina, que é uma das mais problemáticas, e a contagem de veículos, que normalmente é uma informação difícil de obter das prefeituras. Nesse caso, porém, ela foi extremamente participativa, porque também tinha interesse no trabalho”.
A princípio, o trabalho consistia na instalação de sensores magnéticos nos semáforos da malha viária central da cidade. Esses sensores são compostos por um software que faz a contagem dos veículos, que depois pode ser transferida para o computador. Com os dados, desenvolve-se um algoritmo em tempo real a partir do qual se desenvolve um cálculo do melhor tempo de verde para diminuir o tamanho das filas e, conseqüentemente, o atraso. Com isso, obtém-se uma coordenação dos semáforos, a chamada “onda verde”, nome pelo qual se denomina o projeto no site do IPPUL (http://www.londrina.pr.gov.br/ippul/transito/projeto_ondaverde.php).
Entretanto, isso se tornou inviável. “Seria difícil aplicar aqui em Londrina, porque o tempo real envolve um custo maior de implantação. Teria que ter detectores em todas as vias e controladores semafóricos eletrônicos, coisa que não existe muito aqui. Há alguns na Higienópolis, na JK, na Tiradentes e na Maringá, mas no restante, é tudo eletromecânico ainda. São super antigos, não recebem uma programação eletrônica. Então, teria que trocar todos os controladores semafóricos”, afirma a pesquisadora. Além disso, Silvia Cervantes explica que os sensores magnéticos inicialmente aplicados são produzidos fora do país e são difíceis de serem importados.
Com isso, o grupo de pesquisa partiu para o desenvolvimento de um algoritmo em tempo fixo. “Conhecemos a quantidade de veículos que estão circulando na malha e, com essa quantidade, faço um plano de tempo semafórico. Então, calculamos esses tempos semafóricos em tempo fixo e aplicamos esses tempos semafóricos de tal forma a minimizar as filas. Por fim, aplicamos algoritmos de otimização”, diz a engenheira. O sensor utilizado para a contagem de veículos passou a ser um móvel, que funciona através de laços indutivos, que são dispositivos capazes de detectar a passagem de uma massa metálica por um campo indutivo.
Com o atual equipamento semafórico de Londrina, a temporização colocada é fixa. Para mudá-la, um funcionário responsável faz isso manualmente. A pesquisadora diz que o ideal seria ter um tempo de verde e vermelho para cada horário do dia, variando em dias da semana, feriados e finais de semana, de acordo com o movimento de veículos. “Também precisaria de controladores melhores, que recebessem essa programação”, afirma.
Como exemplo, a pesquisadora cita um dos trechos mais problemáticos da malha viária central de Londrina: o cruzamento das ruas Goiás e Duque de Caxias. Conforme dados obtidos pela pesquisa no primeiro semestre de 2008, a capacidade do semáforo (o número suportável de veículos que chega das duas vias, medido de acordo com a largura e tamanho da via) nesse cruzamento é de 1800 veículos por hora, em cada via. Como são duas vias, a capacidade total é de 3.600 veículos. Nos horários de pico, o grupo de pesquisa colheu dados de 2.700 veículos cruzando as duas vias, um número menor do que a capacidade. Teoricamente, portanto, não haveria filas, mas elas existem. Para a pesquisadora, isso se deve ao tempo errado de verde e vermelho utilizado no semáforo da via. O objetivo da pesquisa é desenvolver cálculos de tempo de verde que minimizem problemas como esse.
Atualmente, para vencer a falta de investimentos, o projeto tenta estabelecer um convênio com a atual administração de Londrina. A pesquisadora afirma que isso seria bastante importante para “realizar alguns testes que faltam e para comprar um simulador que revalidaria os resultados obtidos”.
A professora Silvia cervantes afirma ainda que em nenhuma cidade só o gerenciamento semafórico resolve, mas Londrina tem esse problema e precisa ser resolvido. Mesmo que o convênio não saia e não seja possível aplicar os resultados da pesquisa em Londrina, o estudo continuará. “Se não for aplicado aqui, será aplicado em outro lugar”.

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