Arquitetura estuda o conforto nos ambientes hospitalares

A arquiteta Ana Virginia Sampaio revela a importância de um planejamento dos ambientes hospitalares para garantir bem-estar

arquitetura

Pauta: Lígia Zampar
Reportagem: Beatriz Pozzobon
Edição: Beatriz Assumpção

“Um projeto arquitetônico para um hospital é complexo porque existem muitas regras a serem seguidas. Por isso, às vezes o conforto dos pacientes é deixado em segundo plano na hora da construção ou adequação da obra.” É o que afirma a professora Ana Virginia Sampaio, doutora em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo e docente da Universidade Estadual de Londrina. A partir desse problema, ela desenvolveu sua tese de doutorado que estuda os ambientes hospitalares e o conforto que eles proporcionam. “O comum é deparar-se com hospitais que apresentam incompatibilidade físico-funcional e que não privilegiam o conforto e o meio ambiente”, segundo ela.

Ana Virginia estuda a qualidade e o conforto de ambientes hospitalares. “Na minha tese levantei a preocupação, não só de o arquiteto levar em consideração a questão dos recursos naturais, mas também uma atenção ao bem-estar de todo o pessoal que ocupa o espaço hospitalar, como pacientes, médicos, equipe de enfermagem e visitantes”, explica.

Ana Virginia Sampaio cita que foram realizadas pesquisas com pacientes de hospitais preocupados com o bem-estar, e que a partir dessas pode-se notar a eficiência do ambiente para a melhor e mais rápida recuperação dos internos. Segundo ela, isso pode ser medido a partir da diminuição da quantidade de analgésicos solicitada e da pressão arterial dos pacientes, por exemplo. A arquiteta acrescenta que ambientes que possuem um contato maior com a natureza proporcionam mais conforto ao paciente. “Há várias pesquisas que mostram que em casos de procedimentos dolorosos, se o paciente espera em um ambiente confortável, no qual ele tem vegetação, barulho de água, às vezes, até um passarinho cantando, ele ficará mais calmo e esse procedimento ficará menos doloroso”, exemplifica. Em sua tese, a professora fez uma avaliação do Hospital Universitário ” HU. Agora, ela coordena o projeto de pesquisa “Sustentabilidade, qualidade e conforto nos ambientes hospitalares” que está analisando outros três prontos-atendimentos de Londrina: Mater-Dei, Pronto Atendimento Infantil – PAI e Santa Casa.

A partir de avaliações do ambiente físico e com os usuários, Ana Virgínia Sampaio elaborou uma planilha simplificada, denominada “Avalhospit”. Segundo ela, essa planilha leva em consideração cinco aspectos: ambientais, de conforto e qualidade, construtivos, funcionais e estéticos, e de acordo com esses avalia-se a verdadeira preocupação do projeto hospitalar. Segundo a professora, nos aspectos ambientais é necessário levar em consideração: a forma da implantação, água, energia e resíduos. Na questão do conforto o que se avalia são os seguintes subitens: conforto térmico, luminoso, visual, acústico e a qualidade do ambiente. O acesso, a circulação e o espaço são avaliados a partir da funcionalidade de um hospital; enquanto, instalação e aparência são analisadas tendo como base os aspectos construtivos e estéticos, respectivamente. Baseado nessa avaliação, os hospitais são pontuados e os aspectos descritos são hierarquizados de acordo com a pontuação. Ana Virginia Sampaio observa ainda que a planilha pode ser utilizada também enquanto o arquiteto elabora seu projeto, para ele analisar em que questão está pecando, tanto por excesso, como por falta.

Segundo a professora, a adoção de medidas ambientais é, aparentemente, inviável para os hospitais: “Um dos questionamentos é exatamente esse, você está perdendo área que poderia ser construída para deixar espaço para um jardim. Economicamente, isso é viável? Não é”. No entanto, Ana Virginia Sampaio demonstra em seu estudo que a implantação dessas medidas além das vantagens apresentadas, torna-se economicamente mais viável ao acelerar o processo de recuperação dos pacientes. Conforme sua observação, em caso de ambientes já construídos, é possível trabalhar com as deficiências através de ações de baixo custo e medidas simples, entretanto com impacto ambiental significativo. “Obras de arte, tais como gravuras e esculturas, tratamento diferenciado no teto e na cortina, uma fonte, são exemplos que surtem resultados positivos no bem estar e na recuperação dos que estão internados”, afirma.

Essa pesquisa está sendo realizada pela professora Ana Virginia Sampaio,pelo professor Nelson Schietti de Giacomo (graduado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Braz Cubas Mogi das Cruzes e mestre em Arquitetura Hospitalar pela Tulane University, atualmente é professora da UEL) e com a colaboração de dez alunos do curso de Arquitetura e Urbanismo da UEL. O objetivo final da pesquisa é a utilização da planilha “Avalhospit” na elaboração e avaliação da qualidade de ambientes hospitalares, o que deverá ser publicado em artigos científicos e eventos da área.

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