Concluído no mês de maio, projeto de pesquisa analisou confinamento de bovinos

Estudo observou a Barra utilizada em confinamento individualizado, que impede que a cama do animal fique suja, mas pode causar problemas ao casco das vacas

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Pauta: Ana Carolina Contato
Reportagem: Fernanda Cavassana
Edição: Beatriz Assumpção

O professor José Antônio Fregonesi, graduado em Medicina Veterinária pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), com doutorado em Ciência Animal pelo Imperial College University of London, tem pós-doutorado pela University of British Columbia (UBC) e atua, principalmente, nas áreas de bem-estar, comportamento e conforto de animais. José Fregonesi coordenou o projeto “Influência da barra de contenção do pescoço na utilização da baia free-stall por bovinos leiteiros” na Universidade Estadual de Londrina (UEL) onde, atualmente, é docente. O projeto foi concluído no mês de maio.

Conexão Ciência: Como poderíamos definir a baia free-stall?
José Fregonesi:
A baia free-stall é um sistema livre de estabulação onde a vaca tem um lugar individualizado para deitar. Esse local é separado por divisórias em geral de tubos galvanizados, pode ser de madeira também, mas o mais comum é de tubo.

ConCiência: Quais outros tipos de baias existem?
José Fregonesi:
Nós temos basicamente dois tipos: o coletivo onde você vê que não tem as divisórias, e a individual quando é dividida. Além da free-stall, em termos de confinamento individual, temos outra baia, que é chamada de tie-stall, na qual o animal fica preso e só sai para ordenha. Os outros tipos nós chamamos de livre confinamento, que ao invés da vaca estar presa por corrente, fica livre dentro espaço delimitado pelo confinamento.

ConCiência: A barra do pescoço, presente nesse tipo de baia, foi o objeto de estudo dessa pesquisa. Qual a função da barra do pescoço nas baias free-stall? Ela apresenta alguma desvantagem?
José Fregonesi:
Essa barra é basicamente para evitar sujeira na cama. Os produtores usam essa barra para evitar que quando a vaca ficar em pé, ela fique com as quatro patas em cima da cama. Assim, a chance de cair fezes e urina na cama é menor. Porém, essa barra cria um problema pra vaca, porque se a barra for muito restrita, ela não consegue ficar com as quatro patas em cima da cama e isso pode acarretar problemas no casco do animal.

ConCiência: E quais são as outras doenças podem ser desenvolvidas?
José Fregonesi:
Outra doença relacionada à cama, que foi a que eu estudei, é causada pelo fato do animal estar em pé muito tempo. Então, ele não tem um repouso adequado. Se a vaca passa muito tempo em pé pode aumentar o risco de manqueira. Como ela tem um peso muito grande, principalmente no coxo posterior por causa do úbere (teta ou mama das fêmeas de animais mamíferos) ela terá que ficar em pé numa superfície que é concreto duro, com fezes, urina e isso por ocasionar problemas no casco e ela começar a mancar.

ConCiência: Por que é tão importante manter a cama da vaca limpa?
José Fregonesi:
A limpeza do úbere é muito importante na vaca leiteira. Se ela vai com o úbere sujo para a sala de ordenha, terão que gastar mais tempo com a limpeza antes de ordenhar. Há o risco de mastite e também dessa sujeira ir para o leite, o que vai prejudicar a qualidade do leite e pôr em risco a saúde do animal, sendo possível inclusive pegar uma infecção.

ConCiência: A distância da barra pode ser regulada? Em seu projeto foram estudadas as distâncias?
José Fregonesi:
Sim, nós estudamos cinco posições dentro da baia. As cinco distâncias foram de 190 cm, 175 cm, 160 cm, 145 cm e 130 cm.

ConCiência: O que é o delineamento em 5×5 quadrado latino, utilizado em sua pesquisa?
José Fregonesi:
Isso é um delineamento experimental estatístico. É bem comum em pesquisas como essa. É chamado de quadrado latino porque a gente utiliza cinco grupos e cinco tratamentos. Esses grupos recebem todos esses tratamentos, em cinco semanas, sorteados aleatoriamente. Por exemplo, o “grupo A” vai receber o “tratamento 1”; na quarta semana ele vai receber o “tratamento três”, no fim, todos os grupos de animais recebem todos os tratamentos, nas cinco semanas. Como ele forma um quadrado, recebe esse nome.

ConCiência: Por que a pesquisa foi aplicada em animais canadenses?
José Fregonesi:
Eu tenho um convênio, um intercâmbio com uma Universidade do Canadá, desde 2001, a Universidade da Columbia Britânica (UBC). Inclusive, este convênio envolve estudantes. Eu tenho mandado alunos, e nós desenvolvemos esse trabalho em parceria com essa Universidade. A pesquisa foi feita em estação experimental, mas é pesquisa aplicada, inclusive aqui. Só que aqui nós não temos a facilidade que encontramos lá. É mais fácil trabalhar com essa pesquisa lá no Canadá do que aqui. Para se ter uma ideia, lá na UBC eles possuem uma estrutura montada pela indústria de leite para eles na Universidade.

ConCiência: Produtores brasileiros ou locais utilizam esse tipo de confinamento?
José Fregonesi:
O Brasil tem muito potencial para manejar gado leiteiro. Na região de cidades maiores, como Londrina e Curitiba, podemos encontrar uma rebanhos leiteiros mais especializados, que são manejados em confinamento. Próximos aos grandes centros há uma tendência maior a ter confinamentos.

ConCiência: Como surgiu a ideia desta pesquisa?
José Fregonesi:
Eu atuo nessa área com o piso ou a estrutura da baia, sempre trabalhei muito nessa área. Sobre a configuração dessas baias, há muito interesse em estudá-las em termos de conforto e qualidade, e esse trabalho é focado no conforto das vacas. E surgiu, por não haver, na literatura, uma indicação precisa de qual distância da barra seria melhor para o produtor e para o conforto da vaca. Junto com grupo de pesquisa, decidimos, então, estudar as cinco distâncias para ver obter um resultado.

ConCiência: E qual foi a melhor distância da barra encontrada?
José Fregonesi:
Nós concluímos que não há uma posição que dê uma resposta definitiva para o produtor. Se ele tiver interessado em diminuir o risco de manqueira, ele tem que jogar essa barra do pescoço mais para o fundo da baia, permitindo que ela seja menos restritiva e que a vaca consiga ficar com os quatro membros naquela superfície da cama. Só que, com isso, ele terá mais trabalho para limpar a cama, gastará mais substratos como serragem para substituir o que foi sujo, e se ele não fizer isso ele corre o risco dos animais ficarem mais sujos e terem mastite. Se ele quiser menos trabalho e menos mão-de-obra, ele puxa a barra mais para frente, mas neste caso ele impede que a vaca fique em pé com as quatro patas. Então é o tipo de pesquisa que não dá um resultado só, mas dá escolhas ao produtor, com vantagens e desvantagens cada uma.

Uma resposta para Concluído no mês de maio, projeto de pesquisa analisou confinamento de bovinos

  1. thiago ribeiro disse:

    precisamos de informaçoes sobre confinamentos favor enviar para email de nossa revista O Fazendeiro

    desde já agradecemos

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