Filósofa fala sobre a importância da linguagem em palestra na UEL

Viviane Mosé fecha simpósio de História com palestra findamentada em sua dissertação de mestrado “Nietzsche e a grande política da linguagem”

filosofa

Pauta: Lígia Zampar
Reportagem: Juliana Mastelini Moyses
Edição: Beatriz Assumpção

“O mundo nasce quando criamos a palavra mundo”. Nesta frase, a filósofa Viviane Mosè sintetiza a importância da linguagem na vida dos seres humanos. Com sua palestra, Mosè fecha o Simpósio “Como Chama Isso? Nomear é dar forma ao Mundo” do Departamento de História da UEL.

Viviane Mosè é psicóloga e psicanalista. É mestra e doutora em filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e autora de vários livros como “Stela do Patrocínio – Reino dos bichos e dos animais é o meu nome” e “Nietzsche e a grande política da linguagem”. Escreveu e apresentou o quadro Ser ou não Ser em 2005 e 2006 no Fantástico, em que trazia temas da filosofia para uma linguagem cotidiana.

A palestra, segundo a psicóloga, é totalmente fundamentada no livro “Nietzsche e a grande política da linguagem”, resultado da tese de doutorado de Viviana Mosè. O objetivo da palestra, afirma a filósofa, é transmitir a ideia de que a linguagem cotidiana deve tornar-se mais leve, passando por uma intervenção artística. “Nossa linguagem é muito opressora, nós falamos com o amor da nossa vida como falamos com o açougueiro”, afirma. Para a filósofa, toda a vida passa pela linguagem. “É a linguagem que nos diminui, que nos segrega. Se você fala segregando, você vive segregando”, completa a palestrante.

De acordo com ela, o ser humano deve abrir sua linguagem e torná-la mais artística para também abrir sua perspectiva de mundo. Para tanto, ela divide a palestra em dois momentos, em que fala a mesma coisa em linguagens diferentes. Na primeira parte, a psicóloga utiliza a linguagem acadêmica para discorrer sobre a temática. Após a fala, Viviane Mosè expõe o tema de forma lúdica, declamando poemas. “As pessoas se emocionam nesta segunda parte da palestra, ela completa a primeira”, afirma a psicóloga.

Como em sua tese, Viviane Mosè fundamenta sua palestra nos conceitos do filósofo Nietzsche. Segundo a ela, para Nietzsche, a vida é vontade de potência, é um permanente combate movido pelo instinto de conservação do homem. “A vida se mantém no excesso, na expansão do indivíduo em relação ao mundo”, completa. Mas, segundo a palestrante, nem todas as pessoas estão vivas, já que nascer não garante vida a ninguém. “Viver é necessariamente jogar com a vida”, afirma a filósofa.

De acordo com a psicóloga, a vontade de potência de que fala Nietzsche nasce da resistência encontrada quando o ser humano está se expandindo, a força se mostra diante de um obstáculo. “A vida é aquilo que muda, em contrapartida com a verdade, que é aquilo que não muda”, completa.

Viviane Mosè aponta que o pensamento humano é uma incessante busca de permanência. De acordo com ela, Nietzsche aponta três criações humanas que possuem caráter de permanência: a religião, a ciência e a arte. “A religião é baseada na revelação, a ciência e a arte se baseiam na experiência humana”, afirma a psicóloga. Por outro lado, segundo ela, a ciência e a religião prometem a imortalidade e a arte não. “A arte mente e diz que mente”. Por isso, segundo a palestrante, a arte é um artifício humano que se contrapõe ao pensamento e existe para livrar o homem do niilismo.

“Niilismo é a substituição da vida por um valor de nada”, explica a psicóloga. Segundo ela, o niilismo acontece quando os valores mais altos se desvalorizam. “Eu nego a minha vida, única coisa que realmente é, em nome de uma outra vida que eu não sei se existe”, completa.

“Hoje somos reduzidos a máquinas de pensamento” considera a filósofa. Segundo ela, o mundo não é o que vemos, o que vemos dá forma ao mundo. “Só enxergamos o que está catalogado”, completa. A psicóloga afirma que o aumento do vocabulário é o aumento da catalogação que fazemos do mundo. “Mas o excesso de catalogação nos faz ver apenas o nome, não a coisa”.

Viviane Mosè compara a linguagem com um mapa. Segundo ela, a linguagem e os mapas permitem o que a vida real não permite. “Então abandonamos o mundo e mudamos para o mapa”, afirma a psicóloga. É o que a filósofa chama de niilismo da linguagem.

A palestrante refuta a ideia de que conhecer é descrever. “A ciência pensa e descreve, e por isso manipula”, completa. Mas, para ela, ninguém consegue conhecer e explicar o mundo. “Quem sabe não precisa pensar, mas todos pensam, portanto, ninguém conhece o mundo”.

O Simpósio “Como Chama Isso? Nomear é dar forma ao Mundo” foi coordenado pelo professor do Departamento de História da UEL Dr. Gabriel Giannattasio. Giannattasio é mestre em História pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita e doutor em História pela Universidade Federal do Paraná e desenvolveu seu pós-doutorado junto a Université de Provence em Marseille. O evento, que aconteceu de 5 a 7 de maio, teve por objetivo refletir sobre como a narrativa acadêmica tem incorporado os problemas trazidos pela filosofia da linguagem contemporânea.

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2 respostas para Filósofa fala sobre a importância da linguagem em palestra na UEL

  1. Keila disse:

    não tem o que eu preciso

  2. Keila disse:

    publice mais

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