Estudo analisa o crescimento do Movimento Pentecostal

Um projeto da UEL investiga os motivos que levam homens e mulheres a aderirem ao pentecostalismo

imagemPauta: Ana Carolina Contato
Reportagem: Luciana de Castro
Edição: Beatriz Assumpção

“O Pentecostalismo é uma doutrina que se sustenta na relação individual e individualista com Deus e a Igreja”, como define a Professora Doutora Claudia Neves da Silva que ainda frisa que “o Movimento Pentecostal é baseado na emoção e na subjetividade”.

Formada em Ciências Sociais e Serviço Social pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro e mestra e doutora em História pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Claudia Neves da Silva, professora de Serviço Social da Universidade Estadual de Londrina, estuda a religiosidade desde 1993. Esses estudos levaram ao tema do projeto de pesquisa intitulado “Religiosidade e adesão religiosa: motivações que levam homens e mulheres a adentrarem as portas do templo de uma Igreja Pentecostal”, que a professora coordena e que conta com a participação de acadêmicos de Serviço Social.

O projeto teve início em agosto de 2008 e trabalha com o Movimento Pentecostal em suas diversas manifestações, isto é, tanto nas entidades evangélicas como em outras que seguem preceitos da doutrina, como é o caso da Renovação Carismática Católica. De acordo com a coordenadora, através do estudo os alunos podem compreender como os fenômenos sociais refletem no aumento do número de adeptos do pentecostalismo. Ou seja, “como a situação econômica, que hierarquiza a sociedade, as crises financeiras e políticas, as catástrofes, a crescente valorização do “ter” e a vasta gama de problemas pessoais que atingem os indivíduos, estão ligados ao aspecto emocional dessa manifestação religiosa, que permite que seus adeptos descarreguem suas emoções dentro do templo e que mantenham uma relação pessoal com Deus”, de acordo com ela.

Além de incentivar os estudantes de Serviço Social à pesquisa, o projeto tem como objetivo fazê-los compreender que nenhuma esfera da sociedade se separa, assim como Max Weber trabalhou em “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo” ” estudo sobre a relação ambígua da religião calvinista com a política e a economia ” e também fazê-los observar que a religião não se dissolve do ser humano até mesmo dentro da Universidade, apesar de a maioria dos universitários declarar que não a leva para dentro do local, como salienta Claudia Neves.

Dentro do estudo é observado como o número de manifestações pentecostais cresce dentro do Brasil e de Londrina. A professora comenta que entre os anos de 1960 e 1980 o catolicismo trabalhava com a “Teoria da Libertação”, que atentava aos problemas sociais, porém com o advento do pentecostalismo os problemas individuais começam a ser mais valorizados. O fiel adentra ao templo com o propósito de se consultar com o pastor (similar à relação de psicólogo-paciente) e ele tem o direito de fugir à realidade durante as celebrações, diferentemente das Igrejas históricas tradicionais (Católica, Presbiteriana, Batista, e outras). Claudia Neves afirma que “o Movimento Pentecostal acolhe tudo aquilo que as outras Igrejas consideram como segundo plano e, de certo modo, deixa os problemas sociais de lado para a construção da melhora da sociedade a partir da melhora de vida de seus fiéis”.

De acordo com ela, o projeto já pode concluir que dentre as adversidades cotidianas das pessoas, a Igreja Pentecostal oferece um conforto, uma atenção maior. Por isso o crescimento no número de adeptos que procuram uma renovação, uma melhora de vida e, sobretudo, procuram sanar os dramas pessoais que alteram diretamente suas vidas, como conclui a professora.

Por enquanto o projeto tem trabalhado com a observação da realidade social e da adesão religiosa e refletido acerca do material recolhido. Nesse mês de maio começam as observações e a coleta de dados estatísticos sobre os rituais pentecostais, como cultos e missas.

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