Encontro de Medicina Veterinária reuniu profissionais, docentes e estudantes

Evento tratou de animais de diversos portes, além da Medicina Veterinária Complementar

Palestra ciclovet

Pauta e edição: Beatriz Assumpção
Reportagem: Vanessa Freixo

A XXVI Semana Acadêmica de Medicina Veterinária da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e a IV Mostra Acadêmica de Trabalhos Científicos aconteceram no mês de maio na Sociedade Rural do Paraná, no Parque Governador Ney Braga. O evento foi promovido pelo Centro Acadêmico de Medicina Veterinária da UEL e a Empresa Junior de Medicina Veterinária (VetJr). Médicos veterinários, professores e pesquisadores do Paraná, de São Paulo, Santa Catarina, Ceará e Minas Gerais ministraram as palestras durante esses dias.

Durante os três primeiros dias aconteceram palestras sobre Animais de Companhia, Animais de Produção e Animais Selvagens. Já o tema do último dia foi Medicina Veterinária Complementar, com abordagens em acupuntura, homeopatia e medicina vibracional.

Uma das palestras do dia 7 foi a “Bem estar animal: desafios e oportunidades em fazendas leiteiras”, proferida por Adriana Postos Madureira, Médica Veterinária pela Universidade Estadual de São Paulo (UNESP) e consultora do Grupo de Estudos e Pesquisas em Etologia e Ecologia Animal (Grupo ETCO) ” UNESP/Jaboticabal. O tema focado pela palestrante foi o de como manter a saúde do rebanho, preservando o meio ambiente, respeitando as leis do país e as normas internacionais e atingindo, assim, as exigências e expectativas do mercado consumidor.

Segundo a palestrante, os maiores desafios encontrados para atingir o bem estar animal são como são feitas as instalações e manejos dos animais, a alimentação, a saúde, a confiabilidade das informações utilizadas neles e as tentativas de adaptar técnicas estrangeiras a realidade brasileira. Ela também acrescentou que o bem estar animal pode ter várias abordagens. Foram destacadas nessa palestra três abordagens distintas: a psicologia, o funcionamento biológico, além da vida natural do animal. A primeira abordagem enfatiza os sentimentos e a qualidade de vida. Já na segunda, os animais devem crescer e reproduzir-se de maneira natural, sem doenças, má nutrição e comportamentos fisiológicos anormais. A terceira abordagem destacada por ela, defende a idéia de que os animais devem viver em ambientes semelhantes ao habitat natural para desenvolver características e capacidades naturais. Essas abordagens, embora diferentes, são complementares em muitos pontos.

Adriana Madureira disse que o bem-estar pode variar entre os diferentes sistemas de criação, mas tanto a criação extensiva quanto a intensiva oferece riscos aos animais. Por isso, há a necessidade de entender melhor o comportamento do animal, para que sejam avaliadas as situações de risco de cada sistema. Além disso, a palestrante afirmou que o bem estar animal também está relacionado à ambiência, que é o meio físico junto com o espaço psicológico do animal, “todo e qualquer detalhe, como a interação entre clima, animal e o tipo de abrigo, dimensionamento da baia e o conforto térmico, pode interferir na produtividade, no bem-estar e na qualidade do produto final”. Só para se ter uma idéia, Adriana citou um dos maiores problemas encontrados no Brasil para criação de vacas leiteiras, que é o acesso à sombra. A sombra é importante para manter a faixa de conforto térmico do bovino e evitar o estresse por calor. Segundo a integrante do grupo ETCO, “temperaturas acima dos 20°C já são prejudiciais para esses animais, deixando-os suscetíveis a doenças e diminuindo a ingestão de alimentos e a produção leiteira”.

A palestra também tratou dos problemas de casco e da mastite, doença que causa inflamação na mama, além do BST (sigla em inglês para Somato-Tropina Bovina), um hormônio de crescimento que aumenta a produção de leite, mas que, segundo pesquisas, já é proibido em diversos países e desaprovado pela maioria dos consumidores.

Adriana Madureira encerrou o debate falando da criação de bezerros e o quanto é importante o contato físico para o desenvolvimento dos mesmos. Ela disse que simples mudanças no manejo dos animais e implantação de balde com bico no aleitamento, escovação dos bezerros durante as mamadas e soltura dos animais antes ou depois das mamadas, além de feno e ração concentrada oferecidos a vontade fizeram com que o número de tratamentos com antibióticos, freqüência de diarréia e desidratação e número de mortes dos animais caísse drasticamente. Para a Médica Veterinária, “boas soluções no tratamento dos animais existem e são fáceis de serem criadas, é só saber aproveitar os momentos propícios para prestar atenção nos animais e também interagir de forma positiva com eles, pois desta forma, os cuidados com a criação são maiores e os riscos à produtividade são bem menores”.

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