Grupo de Estudos sobre Envelhecimento promoveu reunião sobre Alzheimer

GESEN estuda o conceito, o diagnóstico e o tratamento da doença de Alzheimer

alzaimer

Pauta: Ana Carolina Contato
Reportagem: Beatriz Pozzobon
Edição: Beatriz Assumpção

Criado há dois anos, o GESEN realiza atividades de extensão, pesquisa e ensino nas áreas de Geriatria e Gerontologia. O grupo é formado por docentes e estudantes da Universidade Estadual de Londrina, interessados em temas sobre envelhecimento e tem por objetivos estimular a reflexão e formação na área de geriatria e gerontologia no meio acadêmico, serviços de saúde e sociedade, além de promover debates científicos. O grupo é coordenado pela professora da UEL, Mara Dellaroza, com mestrado em Enfermagem Fundamental pela Universidade de São Paulo. De acordo com a organização do evento, neste ano, ocorrerão reuniões científicas mensais, que procuram estimular a participação de profissionais da saúde, como enfermeiros, médicos, fisioterapeutas, farmacêuticos, entre outros.

Uma das reuniões ocorreu no começo do mês de junho, com o tema Alzheimer. A reunião foi presidida pelo professor doutor Marcos Cabrera, graduado em medicina pela UEL e doutor em cardiologia pela Universidade de São Paulo ” USP. Cabrera é geriatra, docente na UEL e coordenador científico da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia/PR.

“Para falar de Alzheimer, eu preciso começar a falar de memória”, iniciou Cabrera. O professor, então, dividiu as memórias em quatro tipos distintos, sendo: memória episódica, aquela que lembra uma curta história; memória semântica é aquela responsável em saber quem foi o primeiro presidente, por exemplo; memória processual lembra como se dirige um carro, responsável por atos automatizados; e memória de trabalho, aquela que guarda o número dos telefones, por exemplo. Essa divisão tem o objetivo de esclarecer as diferenças de memória, e segundo Cabrera, como elas são diferentes, assim também são as doenças que causam diminuição ou perda da memória. O Alzheimer, por exemplo, é mais característico de falhas na memória semântica.

De acordo com Cabrera, o Mal de Alzheimer atrofia algumas regiões do cérebro, causando alteração na linguagem, alterações nas noções de tempo e espaço, alterações comportamentais e perda de memória. O Alzheimer é uma doença degenerativa, sendo diagnosticado, geralmente, após um ano e meio após seu aparecimento. A doença é dividida em três níveis: leve, moderado e grave, sendo que com o passar dos anos o nível tende a aumentar. Na fase leve, o indivíduo tem a memória alterada, mas é capaz de fazer tudo. Na moderada, alguma atividade, no mínimo, ele já não consegue mais executar, enquanto na fase grave todas as atividades são impossibilitadas de serem feitas sem acompanhamento, como foi dito por ele.

Segundo o professor, o Mal de Alzheimer é mais comum após os sessenta anos de idade, e com o passar do tempo, torna-se cada vez mais frequente. No entanto, há casos de Alzheimer precoce dos cinquenta aos sessenta anos. De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), no ano de 2000 o Brasil apresentava uma população de idosos (65 anos e mais) de 5,85%, consideravelmente maior do que em 1980, ano no qual a população idosa era de 4,01%. Tais dados revelam o envelhecimento da população brasileira, que tem a expectativa de vida cada vez maior. Esse rápido envelhecimento da população tem como conseqüência, um aumento no número de pessoas com Alzheimer.

De acordo com Cabrera, a doença pode ser identificada com a realização de testes simples, como ao mostrar figuras ao paciente e perguntar o que foi apresentado para ele. E também a partir do desenho de um relógio. “Algumas pessoas erram na hora de desenhar, e pessoas que têm Alzheimer possuem dificuldade de simetria”, revela o professor. Esses testes, no entanto, são usados apenas para dar uma primeira noção ao médico, que fará o acompanhamento com o paciente, caso necessário.

Segundo o professor, os remédios encontrados no Brasil que são utilizados para o tratamento da doença, são os que se têm no mundo todo. No entanto, como observado por Cabrera, o tratamento farmacológico não deve ser único. “É importante tratar o paciente de um jeito que vá além de receitar os remédios”. Uma boa alimentação, acompanhada de fonoaudiologia, fisioterapia, terapia ocupacional, são alguns dos elementos que melhoram a qualidade de vida dos indivíduos. Outra alternativa é a arte terapia, como a pintura, música e a dança, pois os últimos neurônios atingidos na doença de Alzheimer são os da sensibilidade.

Cabrera ainda salientou a importância de um diagnóstico eficiente. “O Alzheimer pode ser confundido com envelhecimento normal, ou com outras doenças como a depressão, a alguns tipos de demência”, segundo ele.

A próxima reunião do grupo acontecerá no dia cinco de agosto, na sala 587 da Clínica Odontológica ” CCS e é aberta à participação de todos.

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