Download da edição 73

setembro 26, 2009

Clique AQUI para baixar a edição 73 do Conexão em PDF, veiculada dia 26 de setembro de 2009.

Boa leitura!


Doutora em Sociologia pretende traçar o perfil dos jovens de áreas segregadas de Londrina

setembro 26, 2009

foto pqnaEm projeto de pesquisa, professora objetiva abordar quais as causas que levam os jovens à morte e quais são as possíveis ações governamentais para mudar essa situação

 

Pauta: Lígia Zampar
Reportagem: Marielli Baratto
Edição: Vitor Oshiro

Como tema do seu mestrado, a professora Dione Lolis, graduada em Serviço Social pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), mestre em Serviço Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP) e doutora em Sociologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP – Campus de Araraquara), pesquisou o significado da violência nos bairros da cidade de Londrina. Já para o doutorado, o tema escolhido foi sobre os homicídios de jovens por armas de fogo. Seguindo este histórico acadêmico de pesquisas sobre violência, a professora Dione Lolis conversou com o Conexão Ciência sobre o projeto que ele está desenvolvendo atualmente: “Violência, risco e vulnerabilidade: homicídios de jovens e segregação espacial em Londrina”, que teve início em junho deste ano e tem término previsto para 2012.

Conexão Ciência: Qual é o objetivo do projeto?
Profª Dione Lolis: O objetivo do projeto é conhecer mais de perto a realidade os jovens das áreas segregadas. Saber quais são as regiões onde há a maior incidência de homicídios. Ver como vivem esses jovens em situação de risco, quais são as suas expectativas e, claro, as situações de vulnerabilidade, que acabam, de alguma forma, levando os jovens a cometer os homicídios.

Conexão Ciência: Como será o desenvolvimento do projeto?
Profª Dione Lolis: O plano de trabalho do projeto inclui o levantamento de indicadores das territorialidades da violência, como a população por região e microrregião e indicadores do perfil da população, realização de entrevistas com familiares e moradores das microrregiões com maior ocorrência de homicídios de jovens, por exemplo.

Conexão Ciência: Quais são as áreas de maior segregação em Londrina? Existem causas específicas para que a incidência seja maior nessas regiões?
Profª Dione Lolis: Para o estudo, a divisão das regiões foi feita a partir da divisão do orçamento participativo da prefeitura de Londrina. As áreas de segregação são as favelas, assentamentos ou até mesmo favelas que foram urbanizadas, mas com instalações precárias. Na região norte, identificamos regiões como o conjunto habitacional Maria Cecília. A oeste, podemos citar as comunidades Irmão Turquino, Nossa Senhora da Paz. A leste, por exemplo, entra na classificação as comunidades Marabá, Jardim Santa Fé, Vila Fraternidade. Ao sul, o bairro União da Vitória e Perobal, por exemplo. Os indicadores da pesquisa apontam que a incidência é maior nessas regiões devido aos jovens se envolverem com o tráfico de drogas. Pois, o tráfico facilita, de certa forma, o jovem ter acesso às armas de fogo e esse é o principal instrumento usado nos homicídios

Conexão Ciência: Qual era o perfil dos jovens que se encontravam em situação de risco na cidade de Londrina?
Profª Dione Lolis: De acordo com os dados colhidos nos Institutos Médicos Legais (IMLs) da cidade, quase 100% dos mortos eram homens, com baixa escolaridade. Mutos freqüentaram a escola até a quinta série, apenas. A maioria era solteiro. Onde há registros, a ocupação desses homens eram aquelas que não exigiam muita qualificação, como trabalhadores da construção civil, por exemplo. Poucos eram estudantes e grande parte deles moravam nas regiões segregadas da cidade.

Conexão Ciência: Que tipos de conflitos levam esses jovens à morte?
Profª Dione Lolis: O conflito, em sua predominância, que leva os jovens à morte é o homicídio. Através de levantamentos feitos com dados coletados nos IMLs da cidade, a partir de 2000, o homicídio passou a ser a primeira causa de morte violenta na cidade e 68% das vítimas tinham entre 15 a 24 anos. E 98% das mortes eram causadas por arma de fogo. Poucos foram os casos registrados de morte causados pelas chamadas “armas brancas”, como a faca, por exemplo. Como já disse, devido aos jovens estarem envolvidos com o tráfico de drogas, onde o mesmo tem um acesso facilitado às armas, esse acaba sendo o instrumento de uso recorrente nos homicídios. A arma tem um grande poder de eliminação, consequentemente, é a mais usada.

Conexão Ciência: Quais são as possíveis políticas públicas para diminuir o número de homicídios na cidade?
Profª Dione Lolis: As políticas preventivas, principalmente aquelas dando atenção à criança e ao adolescente, como o direito à educação, pois, a evasão escolar nas regiões segregadas é grande. A escola e a família são os lugares de socialização do jovem. Quando essas duas instituições não respondem mais, o jovem começa a procurar outras formas de socialização. Neste momento, qele se identifica com outros grupos. E nem sempre esses grupos o levarão para um caminho certo. Então, as políticas devem dar atendimento prioritário a essas crianças e jovens que se encontram em tal situação, oferecendo programas de saúde e educação. As políticas que atendem as jovens que já têm atos infracionais também devem ser mantidas, por mais que isso seja uma ação mais trabalhosa, onde o resultado vem à longo prazo. O Governo deve atentar também à questão do tráfico de armas. Deve-se verificar como está sendo o trabalho contra o acesso às armas de fogo pelos jovens. As políticas de segurança devem atuar nessas áreas também, não só na repressão.

Conexão Ciência: Para finalizar, qual é o resultado esperado ao fim do prazo do projeto?
Profª Dione Lolis: Esperamos promover o debate acadêmico sobre um dos principais problemas da modernidade e que afetam especialmente os jovens “encurralados” em territórios estigmatizados e segregados. Também esperamos contribuir para a pesquisa de temas que atingem direta e indiretamente o Serviço Social e, consequentemente, pensar propostas de ação para o enfrentamento do problema. Queremos propiciar a formação de alunos de Serviço Social através da participação em pesquisa e levá-los a compreender a importância da investigação na profissão. Outro resultado esperado é contribuir para a produção científica e fortelecer os grupos de pesquisa em Serviço Social, e estabelecer intercâmbios com outras áreas do conhecimento. Visamos capacitar alunos do curso de Serviço Social para a prática da pesquisa, com vistas à otimização das disciplinas teóricas. Queremos estimular os alunos do Mestrado em Serviço Social para que desenvolvam pesquisas sobre a violência e sobre a intervenção na área. É importante disseminar a produção científica através de publicações impressas e de outros meios de divulgação e contribuir para a elaboração de propostas que visem a redução dos níveis de violência homicida de jovens.

Legenda da imagem: Segundo a professora Dione Lolis, os homícidios muitas vezes estão ligados ao tráfico
Crédito: Marielli Baratto

Ano 6 – Edição 73 – 26/09/09


Encontro internacional discute a imagem sob o ângulo científico

setembro 26, 2009

Centro de Letras e Ciências Humanas – CLCH – é o palco do II ENEIMAGEM, encontro que reunião pesquisadores da imagem do Brasil e do exterior

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Pauta: Lígia Zampar
Reportagem: Willian Fusaro
Edição: Kauana Neves

O Laboratório de Estudos de Domínios da Imagem (LEDI), organizado pelo Departamento de História da UEL, promoveu em maio a segunda edição do Encontro Nacional de Estudos da Imagem ” ENEIMAGEM. O Encontro, sediado no CLCH, foi coordenado pelo o professor Alberto Gawryszeswky, graduado em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF), doutor em História Social pela Universidade de São Paulo (USP) e pós-doutorado em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O evento tem como objetivo a divulgação de estudos de diversas áreas do conhecimento acadêmico relacionados à imagem. Participaram arquitetos, antropólogos, historiadores, cientistas políticos, jornalistas, dentre vários outros profissionais vindos de vários estados brasileiros e também do exterior.

“O evento visa divulgar o estudo da imagem nas diversas áreas do saber. O ideal é mostrar que cada imagem, relacionada a um texto escrito ou não, tem diferentes interpretações, diversas abordagens. A ideia de fazer o Encontro ocorreu faz dois anos, devido ao próprio caráter do LEDI: encontros de extensão e exposição dos estudos feitos no Departamento de História”, afirmou Alberto Gawryszeswky.

O professor explicou ainda que o “encontro é dividido em mesas-redondas, nas quais atuam diversos especialistas de diferentes áreas do saber, em trabalhos inscritos ou comunicações, que são em torno de 300 neste ano, e em conferências, feitas no Anfiteatro do CLCH”. Segundo o organizador do evento, o número de participantes inscritos do segundo ENEIMAGEM foi maior que do primeiro, realizado em 2007. “No segundo, temos em torno de 600 participantes inscritos. A tendência é que o terceiro seja bem maior, que englobe mais Estados e traga mais pesquisadores de fora do país”.

De caráter científico, o evento é direcionado aos acadêmicos e pesquisadores dos estudos da imagem. “Embora ele [o encontro] seja aberto a toda a comunidade universitária, o seu conteúdo é estritamente voltado ao conhecimento acadêmico e aos pesquisadores da imagem”, defende o professor.

O professor ainda explica que o evento é único no Brasil. “Encontros que tratam de imagens existem vários, mas não há outro igual ao ENEIMAGEM. Os outros são segmentados, ou seja, são divididos por suas áreas do conhecimento ” encontro de Arquitetura, de Engenharia, de Medicina, dentre muitos outros. O ENEIMAGEM é uma junção de várias áreas do saber, e é isso lhe confere autenticidade no país”, diz.

A cidade de Londrina também foi beneficiada com a realização Encontro. Alberto Gawryszeswky esclarece que eventos desse porte divulgam a cidade, a Universidade e também o Departamento de História, reforçando a participação de Londrina na rota dos estudos acadêmicos relevantes do país.

Paralelo ao ENEIMAGEM, o CLCH abrigou a exposição “O Amigo da Onça: a expressão de uma alma brasileira”. O foco da apresentação é a personagem “Amigo da Onça”, criada por Péricles de Andrade Maranhão e integrante da extinta revista “O Cruzeiro”, de Assis Chateaubriand. Foi exposta também uma feira de livros, na qual eram exibidos os lançamentos relacionados à História e outras ciências humanas.

 

Comunicação no Encontro

O segundo ENEIMAGEM também contou com a participação de estudantes de Comunicação da UEL. De acordo com o coordenador da Especialização em “Fotografia: Práxis e Discurso Fotográfico” da UEL e do Mestrado em Comunicação Visual da mesma Instituição, Paulo César Boni*, os alunos da Universidade apresentaram 29 trabalhos.

Boni explica que o encontro foi positivo. “Foi espetacular. O Brasil praticamente não tinha um encontro de estudos da imagem de caráter científico. Os encontros e semanas de fotojornalismo e de fotografia se resumiam à parte prática, autoral ou empresarial, não ao viés científico”, argumenta.

Quanto aos trabalhos apresentados, Boni ressaltou o “Londrina revisitada”, da aluna da especialização, Jocélia Rosa da Silva Vitachi. “É um trabalho que eu acho interessantíssimo. Nele, foram comparadas fotografias da Londrina antiga, da década de 1940, com a atual, tiradas do mesmo ângulo. Nesse interstício de 68 anos, por meio das fotos, foi possível analisar o crescimento econômico, social e político da cidade”, acrescentou o professor.

* Graduado em Comunicação Social – Habilitação Jornalismo pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), mestre em Comunicação Social pelo Instituto Metodista de Ensino Superior (IMS), doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP) e editor da revista de fotografia Discursos Fotográficos

 

Legenda da foto: Professor Alberto Gawryszeswky, organizador do Encontro

Créditos da foto: Willian Casagrande Fusaro  

Ano 6 – Edição 73 – 26/09/09


Em palestra, sóciologo francês afirma que a comunicação é a chave da democracia

setembro 26, 2009

Entre outros temas, o pesquisador Dominique Wolton falou sobre a importância de se comunicar e tolerar o outro

Dominic Wolton (123)

Pauta e edição: Vitor Oshiro
Reportagem: Leonardo Caruso

Entre o amor e o ódio, existe a comunicação. Entre a democracia e a violência também está a comunicação. “Comunicar é o meio pelo qual se faz possível a convivência, pelo qual se desenvolve a democracia”, discorreu o sociólogo francês Dominique Wolton, doutor em Sociologia pelo Instituto de Estudos Políticos de Paris, diretor do Laboratório de Informação, Comunicação e Implicações Científicas do Centro Nacional de Pesquisa Cientifica (CNRS) e de uma publicação especializada em Ciência da Informação e da Comunicação, a Revista Hermès.

Em palestra de abertura do XXXII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (INTERCOM), realizado em setembro na Universidade Positivo em Curitiba, o sociólogo explicou que “respeitar é tolerar o outro” e que através da comunicação é possível “exercer a política”.

Para Wolton, a dificuldade humana é comunicar quando as idéias de emissor e receptor são diferentes, o que inevitavelmente acontece na política. Segundo ele, “a negociação torna a convivência possível. Obtém-se um espaço comum, um espaço político, no qual a opinião pública e a manifestação política se dão por meio da comunicação, pela mídia”.

Porém, o estudioso francês adverte para o excesso de informação. Diferenciando o informar, processo pelo qual é apenas emitido um dado, do comunicar, o que é emitido é recebido e interpretado pelo receptor, ele alerta para o desequilíbrio que ocorre quando a mídia passa a ter mais poder que a política, invertendo papéis.

Considerando a mídia um contrapoder, Wolton atenta ao fato de os meios de comunicação serem apenas “ferramentas de comunicação” e que as falhas na troca de informações estão na “dificuldade humana de compreender e comunicar”. Crítico quanto ao papel da internet na sustentação de uma democracia, afirma que esse novo veículo “necessita de regulamentação e de filtros” para que não se torne uma “técnica sem política”.

Existe, para o sociólogo, um eixo composto de três elementos: informação, conhecimento e ação. É necessário que se compreenda as culturas para interpretar uma informação e dessa forma desenvolver ações que visem a convivência, que, para Wolton, é um “conceito para a paz”. Nesse contexto, o papel do receptor é de extrema importância.

Outro ponto abordado pelo pesquisador é o da reafirmação da identidade nacional sem que haja um fechamento para o mundo. “Devemos compreender que não compreendemos. É necessário aceitar as diferentes culturas, exercer a tolerância. A violência é resultado da perda da comunicação” afirmou o sociólogo em discurso. “E quando perdemos a comunicação, perdemos a capacidade de fazer política”, complementou.

Para finalizar a palestra, Dominique Wolton resumiu, assim, toda sua teoria em cinco pontos: “os seres humanos estão sempre tentando se comunicar; se comunicam para compartilhar, seduzir, convencer; existem diferentes raciocínios e sempre vai existir diferentes opiniões (“o outro não concorda com a gente”); começamos a negociar, a nos comunicar; quando a comunicação é efetiva, organizamos a convivência”.

Legenda: Dominique Wolton abriu o Intercom com uma palestra sobre comunicação e política
Crédito: http://2.bp.blogspot.com

Ano 6 – Edição 73 – 26/09/09


Presidente da Microsoft do Brasil visita a UEL e renova convênio com a Universidade

setembro 26, 2009

Pelo acordo, criado em 2007, a Empresa fornece tecnologia em softwares para a Universidade propiciar a inclusão digital e o treinamento dos estudantes

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Pauta: Ana Carolina Contato
Reportagem: Tatiane Hirata
Edição: Vitor Oshiro

No último dia 16, a Universidade Estadual de Londrina e a Microsoft assinaram a renovação do contrato de cooperação em tecnologia e softwares. A cerimônia contou com a presença do Diretor Presidente da Microsoft do Brasil, Michel Levy e do Diretor de Setor Público e Educação da Empresa, Paulo Cunha.

Pelo convênio, a Microsoft fornece softwares e conteúdo de ensino aos cursos de Tecnologia da Informação da Universidade, além de disponibilizar consultores para o treinamento de alunos e professores em um programa de capacitação.

O convênio existe desde 2007 e propiciou, dentro da Universidade, o desenvolvimento de programas com o intuito de inclusão digital, como explica Mário Lemes Proença Júnior, diretor de Tecnologia da Informação da UEL, mestre em Ciência da Computação pelo Instituto de Informática da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS) e doutor em Engenharia Elétrica com ênfase em Telecomunicações e Gerência de Redes pela Faculdade de Engenharia Elétrica da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP): “o Aluno-Monitor* e o Alfabetização Digital** são dois cursos que visam proporcionar para a comunidade carente a inclusão digital. Além disso, há o programa chamado IT Academy, que fornece todos os materiais da Microsoft ” cursos, softwares ” a todos os alunos da UEL de forma gratuita”. Os programas de alfabetização digital são compostos de 12 semanas de treinamento, com aulas presenciais e à distância, e formaram duas mil pessoas no ano passado. Para Mário Lemes, a importância do convênio se encontra, principalmente, na possibilidade de oferecer aos alunos o contato com a empresa, com o mundo globalizado e com tecnologia de ponta. Ele considera que a efetivação do acordo vem coroar o trabalho que tem sido realizado.

O presidente Michel Levy falou sobre os benefícios do acordo para a empresa: “através da tecnologia de informação, nós desenvolvemos o país, desenvolvemos a economia e geramos mais renda para o nosso negócio. Então, de fato é um ‘ganha-ganha’. Nós investimos em Tecnologia de Informação e a Tecnologia de Informação desenvolve o nosso mercado”. O presidente ainda se declarou satisfeito por lidar com uma universidade plural: “Não é um contrato exclusivo, a universidade tem projetos de desenvolvimento em outras plataformas que não a Microsoft. Esse é um projeto amplo que nós fazemos com várias entidades, universidades federais, estaduais, privadas. No fundo, nós queremos capacitar as pessoas para incluí-las digitalmente, ter mais base e até preparar para o trabalho, porque hoje, sem a Tecnologia de Informação, você não avança no conhecimento. E o Brasil, para se inserir nessa nova sociedade, nessa nova economia, na sociedade do conhecimento, tem que ter um domínio dessas tecnologias para poder gerar e exportar conhecimento, e não só commodities*** “.

Em entrevista coletiva, o Reitor da UEL, Wilmar Marçal, explicou que a ideia da inclusão digital é, primeiramente, fazer com que as pessoas percam o medo de aprender, independentemente da idade. Segundo ele, a intenção é que o treinamento alcance também os servidores e até mesmo professores da Universidade. O reitor destacou ainda a necessidade do apoio de órgãos públicos municipais no custeamento do treinamento de mais monitores de informática, para que o número de pessoas atendidas pelo programa de inclusão digital se multiplique.

Dirceu Moreira Guazzi****, diretor do Centro de Ciências Exatas da UEL e responsável pelos programas Aluno-Monitor e Alfabetização Digital, discorreu que o convênio é positivo por valorizar o grande potencial que há nas Universidade do interior. Segundo ele, muitas vezes, este potencial é deixado de lado pelas grandes empresas que direcionam esse tipo de programa para as Universidades das capitais.

Márcio Bueno, educador da Guarda Mirim de Londrina, demonstrou, durante a palestra, estar grato pela parceria: “Esse convênio vai possibilitar que os nossos quase 400 adolescentes possam se preparar melhor para o mercado de trabalho.”

O Diretor Presidente da Microsoft do Brasil, Michel Levy, mostrou-se preocupado com o desenvolvimento do país. “Para que o Brasil seja um país que faça a transição da sociedade industrial para a sociedade do conhecimento, é fundamental preparar o capital humano para entrar nesse mundo digital”, afirmou.

* De acordo com o site da Microsoft, que desenvolve esses programas com outros parceiros além da UEL, o objetivo do Aluno Monitor é promover a formação em conceitos básicos de tecnologia, o gerenciamento do laboratório de informática das escolas e a multiplicação de conhecimentos para educadores e alunos. O Aluno Monitor é disponibilizado pela Microsoft via internet ou por CD-ROM, em parceria com as secretarias de Educação e seus Núcleos de Tecnologia Educacional (NTEs).
** Pelo programa de Alfabetização Digital, a UEL oferece cursos de informática básica direcionados a estudantes dos bairros do entorno da Universidade e da região metropolitana, com todo o material necessário disponibilizado pela Microsoft. As inscrições para o curso podem ser realizadas no site: http://www.mseducacao.com.br/AlfabetizacaoDigital/AreaUsuario/Index.aspx
*** Commodities (mercadorias, em inglês) é um termo utilizado em transações comerciais de produtos de origem primária nas bolsas de mercadorias. Usada como referência aos produtos de base em estado bruto (matérias-primas) ou com pequeno grau de industrialização, de qualidade quase uniforme, produzidos em grandes quantidades e por diferentes produtores. (Fonte: Wikipédia)
**** Dirceu Moreira Guazzi é doutorado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), mestrado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Especialização em Ciência da Computação pela IBM/COPPE/UEL e Licenciatura em Matemática pela Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Crédito da imagem: Tatiane Hirata
Legenda: Paulo Cunha, Michel Levy e Wilmar Marçal posam com o professor Francisco Roberto Pereira, o idealizador da parceria

Ano 6 – Edição 73 – 26/09/09


Como a bioética pode auxiliar no caso de mudanças de sexo

setembro 21, 2009

Especialista em sexualidade humana explica como é possível realizar a mudança documental de sexo legalmente no Brasil

terezaveiriaPauta: Lígia Zampar
Repórter: Fernanda Cavassana
Edição: Beatriz Assumpção

A professora do Mestrado em Direito Processual e Cidadania na Universidade Paranaense (UNIPAR) Tereza Rodrigues Vieira, esteve em Londrina e ministrou palestra no Centro de Ciências Biológicas da Universidade Estadual de Londrina (UEL). O evento foi organizado pelo Projeto de Extensão ‘Bioética em Dia’ do Departamento de Biologia da UEL. Tereza Vieira possui Graduação em Direito Universidade Estadual de Maringá (UEM) e Mestrado e Doutorado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC). Também possui Pós-Graduação em Bioética pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Antes de se apresentar, a palestrante foi entrevistada pelo Conexão Ciência sobre o tema que seria abordado: mudança de sexo. Além da palestra, Tereza aproveitou sua passagem por Londrina e para divulgar dois de seus novos livros: ‘Ensaios de Bioética e Direito’ e ‘Nome e Sexo: Mudanças no Registro Civil’.
Conexão Ciência: É crescente a procura por mudança de sexo?
Tereza Rodrigues Vieira:
Sim. Conforme o assunto é mais debatido na mídia em geral, as pessoas procuram mais. As pessoas procuram essas clinicas que fazem esse tipo de tratamento para saber se ela, realmente, é transexual, se ela é um travesti ou é homossexual.
Conexão Ciência: Os hospitais brasileiros realizam cirurgias de mudança de sexo?
Tereza Rodrigues Vieira:
Sim, já existem diversos hospitais credenciados, em que as pessoas podem fazer a cirurgia gratuitamente. Também há hospitais onde a pessoa paga uma parte dessa cirurgia e as clínicas particulares, que são mais procuradas.
Conexão Ciência: Qual o tratamento que a pessoa tem que passar para mudar de sexo?
Tereza Rodrigues Vieira:
A pessoa, inicialmente, começa o tratamento psicológico que vai verificar se ela é ou não é transexual. Depois dessa certeza, ela vai fazer o tratamento endocrinológico. Ela vai começar a tomar hormônios aconselhados pelos médicos. E, só depois disso, ela fará a cirurgia. É preciso um parecer unânime dessa equipe para que ela possa fazer essa cirurgia.
Conexão Ciência: Quais são os requisitos que a pessoa precisa preencher para conseguir isso?
Tereza Rodrigues Vieira:
Para ela realizar a cirurgia ela não precisa solicitar em juízo. Ela procura, já que é um problema de saúde, o centro que trabalha com isso e lá ela passa por um psicólogo e por um endocrinologista. Ela tem que ficar pelo menos dois anos fazendo um trabalho terapêutico ali para que depois seja indicada para a cirurgia. E só depois de realizar essas mudanças é que procura-se o advogado para ele ingressar com uma ação na justiça. Uma vez adequada a genitália, ela vai adequar os documentos.
Conexão Ciência: A legislação brasileira dá amparos às pessoas que querem mudar de sexo?
Tereza Rodrigues Vieira:
Na verdade, nós não temos uma lei específica que trate sobre esse assunto. Então, nós temos que buscar na legislação alguns dispositivos, alguns artigos que autorizam essa mudança. Eu, por exemplo, me baseio no direito a saúde que a pessoa tem e no direito a dignidade. Também no direito a intimidade, como no caso da pessoa apresentar um documento com um nome e ela fisicamente ser de uma forma e psicologicamente de outra. Ela é obrigada a expor a sua intimidade, já que a outra pessoa não acreditaria no documento que lhe é apresentado. Por isso, eu me baseio também no direito à vida privada.
Conexão Ciência: E quais as principais barreiras, dificuldades que a pessoa encontra, juridicamente, para mudar seus documentos?
Tereza Rodrigues Vieira:
Geralmente, o preconceito. Porque a sociedade costuma entender que a pessoa nasceu com o sexo, então que ele é imutável. Realmente o sexo biológico é imutável, mas o sexo psicológico não. Então a pessoa, no caso o transexual, nasceu com um sexo biológico, mas o psicológico pertence a outro sexo.
Conexão Ciência: A senhora conduziu o caso na justiça da Roberta Close. Nele, o primeiro processo foi negado e só depois conseguiram entrar com outro. Há muitos casos em que acontece o mesmo?
Tereza Rodrigues Vieira:
Eu particularmente só entrei com esse, mas há muitas pessoas que enfrentam isso. Inclusive a primeira que fez a cirurgia no Brasil e perdeu a ação me procurou recentemente e reavaliaram o caso dela.
Conexão Ciência: Há casos em que nem tudo fica resolvido juridicamente?
Tereza Rodrigues Vieira:
No Pará, há outro processo no qual a pessoa entrou até a última instância, ganhou a mudança de nome, mas no lugar do sexo o juiz pediu que fosse colocado “feminino transexual”. No momento, ela aceitou porque na maioria dos documentos não vai escrito o sexo e poderia continuar a sua vida normalmente. Mas, hoje, ela não quer dessa forma, porque há a vontade de se casar e isso está impedindo o seu casamento. Por isso, me procurou para entrarmos com um processo e modificar essa decisão do Tribunal do Pará.
Conexão Ciência: O Brasil, comparado a outros países, tem evoluído em se tratando do preconceito nas questões da Bioética?
Tereza Rodrigues Vieira:
O Brasil tem evoluído graças a inúmeros congressos que foram realizados e esperamos que continue evoluindo mais. O evento de hoje e essa própria entrevista, inclusive, contam como uma ajuda a mais para a divulgação da bioética, que defende a dignidade da pessoa humana.
Conexão Ciência: Todos os estudos da senhora foram nessa área. Como surgiu o interesse pela pesquisa da Bioética?
Tereza Rodrigues Vieira:
Primeiro eu fiz minha dissertação de mestrado sobre Mudança de Nome, tratei todos os casos desse tipo e depois peguei um caso de mudança de nome do transexual, e então fui estudar na Universidade de Paris, na qual fiz uma parte do meu doutorado. Lá eu percebi que o pessoal de direito não tinha muito material sobre o assunto, aliás, quase nada. Então eu tive que procurar em outras áreas, como a da Psicologia, Biologia e também da Medicina e esse foi o meu primeiro contato com a Bioética.
Conexão Ciência: A senhora está lançando dois livros resultados de seu trabalho. Quais os temas abordados neles?
Tereza Rodrigues Vieira:
O ‘Ensaios de Bioética e Direito’ trata de assuntos diversos ligados à Bioética, como: Suicídio, Castração Química, Células-Tronco, Eugenia e Deficiência. A Pedofilia, a Dopagem Esportiva e a Reprodução Assistida também são temas tratados no livro. A outra obra, ‘Nome e Sexo: Mudanças no Registro Civil’, aborda todos os casos de mudança de nome, por exemplo: o da mulher casada que modifica o nome e há divórcio depois. Quando se divorcia, se ela ficou conhecida com o nome do marido, ela vai ter prejuízo por isso? E no livro são tratos outros diversos casos, como pessoas que usam Pseudônimos e muitos outros tipos.


Além de sujar as ruas, os pombos também podem transmitir doenças respiratórias

setembro 21, 2009

Especialista em aves da UEL explica porque é importante controlar a população de pombos em Londrina

IvensgomesPauta: Ana Carolina Contato
Repórter: Fernanda Cavassana
Edição: Beatriz Assumpção

Em Londrina, este ano, já foi registrada a morte de uma pessoa por criptococose – uma infecção fúngica, conhecida como “doença do pombo”. Segundo o professor Ivens Gomes Guimarães, graduado em Medicina Veterinária pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com mestrado em Patologia Animal e doutorado em Biologia Animal, ambos pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), a ave não é o único meio de transmiti-la. Atualmente, Ivens Gomes é professor da Universidade Estadual de Londrina e coordenador do Centro de Investigação em Medicina Aviária do Paraná (Cimapar).
De acordo com Ivens Guimarães, o fungo causador da doença pode ser o Cryptococcus neofarmans ou Cryptococcus Gatti. “Eles aparecem em fezes de animais, assim como podem se desenvolver em qualquer matéria orgânica. Por meio da inalação das hifas – filamentos que em conjunto formam o talo de um fungo – do cryptococcus, em ambientes contaminados, é que se inicia a infecção”, disse o professor. Os fungos, na natureza, vegetam em ambientes favoráveis a seu desenvolvimento. A umidade, as temperaturas baixas e as zonas de sombreamento favorecem seu crescimento. “Após crescerem, como um bolor, eles florescem, produzem sementes e assim vão se proliferando. Onde há proliferação, há esporos do fungo pelo ar, que podem ser inalados e com isso causarem a contaminação”, completou.
“Ao ser inalado, o ar contaminado vai para o pulmão, passando pela traquéia, e assim infecciona”. Segundo o professor, a hifa do fungo faz o ciclo completo de acordo com o local do organismo. “No homem, por exemplo, é possível desenvolver o bolor na traquéia pelas condições de umidade apresentadas nela. É uma complicação grave, porque esse mofo chegará ao pulmão e causará uma inflamação. No caso do pulmão humano, pode-se não enxergar o bolor presente na região a partir de um exame, mas isso é evidente no sistema respiratório das aves. Como o mofo se desenvolve em lugares com bastante ar e temperatura mais baixa, com a análise dos sacos aéreos de uma ave é possível identificá-lo”, de acordo com o professor.
“A doença traz várias complicações sérias ao organismo humano, como no caso do fungo acabar vivendo como saprófito (que se alimenta de animais em decomposição) e agir como decompositor na árvore brônquica”, complementou. O professor Ivens Gomes também citou a meningite como uma enfermidade grave como consequência da criptococose. “Se a hifa chega ao Sistema Nervoso Central, nas meninges, causará uma meningite ou uma encefalite, mesmo não apresentando o bolor. Haverá uma doença micótica”, afirmou. A meningite causada pelo Cryptococcus, se não tratada a tempo, pode levar à morte.
Sobre o caso de morte na cidade por causa da doença, Ivens Guimarães ressaltou o fato da vítima não apresentar nenhum histórico, já que essas enfermidades podem ser favorecidas por uma inter-ocorrência. As crianças, os imunodeprimidos, como os aidéticos, assim como os operados que tomam remédios imunosupressores para evitar rejeição de transplantes, são alvos mais frágeis à doença. “A pessoa pode já ter uma doença crônica de insuficiência respiratória, pode ser um homem que tem um enfisema crônico agudo ou que tenha doenças de fibrose intersticial pulmonar, pode até ser um alérgico. O clima, a época do ano, além do frio que traz junto a umidade, tudo tem que ser analisado. A população é mais suscetível devido ao seu estado imunológico ou a inter-ocorrência de vários fatores que levem a um quadro de doenças, ou uma síndrome por exemplo”, ressaltou.
Praças e Pombas
As praças são apontadas por muitos como principal local para transmissão da doença. O professor Ivens Gomes discorda e afirma que os sistemas de ventilação podem representar um perigo maior para a população. “Nós falamos de limpeza de praças, de fezes, de contaminação nelas e às vezes esquecemos que estamos numa sala com ar condicionado. Portanto, nós não podemos só nos ater à questão da praça pública, mas também ao sistema de ar artificial dos prédios, disse. De acordo com o professor, se há uma contaminação ambiental, é preciso acabar com ela por meio de limpeza, desinfecção e arejamento do local.
Sobre a grande quantidade de pombas na cidade, o coordenador da Cimapar disse que é importante o controle da população do animal, a partir de uma política sanitária de controle de pragas. “Nós temos que criar mecanismos inteligentes para controlar as populações de animais em geral. Se até o homem controla sua população utilizando todos os medicamentos necessários para o controle da natalidade, por que quando se fala em fazer isso com aves tem gente que acha um absurdo? É como se ninguém usasse pílulas anticoncepcionais ou preservativos”, argumentou Ivens Guimarães. Segundo o professor, deve-se levar em consideração até que ponto o papel natural das pombas é positivo para a cidade. “Tudo que é demais ou de menos faz mal. Hoje, por exemplo, vemos em Londrina uma população de pombos que extrapola os limites da normalidade da parte boa e começa a se tornar um problema, chamado de distúrbios tipos sinantrópicos. Esses distúrbios surgem em função da evolução, das ações do homem, das cidades, aglomerados urbanos, do desmatamento para o plantio da agricultura, se não morremos de fome com uma superpopulação”.
Para Ivens Guimarães, é inevitável a interferência para solução do problema. “Diante desses momentos que eu diria caóticos, nós temos que interferir. Desenvolver sistemas, métodos, ferramentas, produtos que mantenham as aves em locais que elas podem ficar sem que prejudiquem a humanidade ou o meio ambiente. E também temos que discutir muito o assunto, com o tempo pode-se planejar e implementar ações efetivas”, ressaltou. Ivens Gomes ainda alegou que é impossível erradicar o problema, mas que um monitoramento ativo e um controle permanente de animais que são pragas devem ser feitos. O professor elogiou as medidas tomadas pela prefeitura na gestão do prefeito Roque Neto, como o decreto que proibiu a população de alimentar os pombos da cidade, e as que estão entrando em vigor com o prefeito Barbosa Neto. “A educação do povo em não alimentar essas aves precisa ser realmente implementada. Eu apóio o que o ex-prefeito fez assim como apóio também agora mesmo com o Barbosa Neto, é um passo a frente.