Livro discute o uso e as características dos combustíveis fósseis

Obra de professores da UEL reúne mais de 20 anos de estudos e traz conhecimentos sobre carvão e petróleo a partir do histórico dos combustíveis

combustiveis

Pauta: Ana Carolina Contato
Reportagem: Juliana Mastelini Moysés
Edição: Beatriz Assumpção

“O petróleo é um produto utilizado tanto na geração de energia quanto nos utensílios com os quais nos deparamos no dia a dia, como plásticos e detergentes”. A afirmação é, do professor Dionísio Borsato, do Departamento de Química da UEL. Borsato é graduado em Engenharia Química pela Universidade Federal do Paraná e tem mestrado e doutorado em Ciências de Alimentos pela Universidade Estadual de Londrina. Segundo o professor, em decorrência do destaque que o petróleo ganha em nossas vidas está a importância de se discutir sobre combustíveis fósseis. Borsato juntamente com os professores: Ivanira Moreira, mestre e doutora em Química pela UEL, e Olívio Fernandes Galão, mestre em Quimica pela Universidade Estadual de Londrina, escreveram o livro Combustíveis Fósseis: Carvão e Petróleo. O professor Dionísio Borsato conversou com o Conexão Ciência sobre o livro, os usos e as características dos combustíveis fósseis.

Conexão Ciência: No que consiste o livro?
Dionísio Borsato:
O livro é sobre combustíveis fósseis, basicamente carvão e petróleo. São os conhecimentos que nós adquirimos desde 1980, trabalhando com isso. Então resolvemos passar para o livro. Cinco capítulos sobre carvão e cinco capítulos sobre petróleo. Apresenta um histórico dos combustíveis, a origem, processo de obtenção e seguindo nesta ordem. Existem alguns exercícios práticos para mostrar como se usa alguns gráficos ou fórmulas, mas são poucos.

Conexão Ciência: Como começou a ideia do livro?
Dionísio Borsato:
Eu dou aula sobre o assunto. Então comecei a escrever alguma coisa, que virou apostila. Chegou um ponto em que não deu mais para ficar só na apostila, então resolvemos transformar os conteúdos em livro.

Conexão Ciência: Qual é o objetivo do livro?
Dionísio Borsato:
O objetivo do livro é transmitir a químicos, engenheiros químicos, estudantes e profissionais que trabalham na área, noções sobre o processo de extração do petróleo, do carvão, destilação, fracionamento. O décimo capítulo do livro é dedicado às análises de conformidade, são análises que nós fazemos no Laboratório de Combustíveis Fósseis da UEL como prestação de serviço. No laboratório nós fazemos análise de gasolina, álcool, diesel, carvão, óleo lubrificante… Ou seja, analisamos os derivados do petróleo que são usados como combustíveis e carvão.

Conexão Ciência: Qual a diferença existente entre o carvão e o petróleo?
Dionísio Borsato:
Os dois são combustíveis fósseis, só que o carvão se originou da madeira e o petróleo se originou do plâncton, que é uma microfauna e uma microflora. A palavra plâncton quer dizer errante, elas ficam flutuando no mar, depois morrem e vão se acumulando. Com o processo de decomposição do plâncton se originou o petróleo.

Conexão Ciência: Cada combustível tem diferentes usos?
Dionísio Borsato:
Ao se pensar em geração de energia, acredito que 80% do que você está vestindo vem do petróleo. O petróleo não é só utilizado para esse fim. Se fosse só para geração de energia talvez o álcool fosse substituí-lo completamente, mas por enquanto não dá por causa dos derivados do petróleo: o plástico, o detergente que se usa em casa, a pasta de dente. Como combustível daria para os alternativos substituírem o petróleo, mas por causa da utilização dos derivados do petróleo, ainda vai demorar para ele ser substituído.

Conexão Ciência:Existe uma resistência hoje em se usar os combustíveis alternativos? Dionísio Borsato: Acredito que não, porque eles são menos poluidores. No Brasil, como combustível alternativo nós usamos o álcool e o biodiesel. O biodiesel e o álcool são menos poluidores porque o gás carbônico que eles geram é absorvido pelo próprio processo de produção natural da cana e do óleo vegetal e gordura animal, que geram o biodiesel, então é uma troca. Já com petróleo, o gás carbônico fica acumulado.

Conexão Ciência: Quais os prejuízos que os combustíveis fósseis causam ao meio ambiente?
Dionísio Borsato:
Eles geram muito gás carbônico e derivados de enxofre. Os derivados de enxofre geram o que se chama de chuva ácida. A chuva ácida causa problemas ambientais, principalmente em regiões muito industrializadas, em que são usados muitos derivados de petróleo para se gerar energia para a produção industrial. Algumas cidades como Cubatão e São Paulo, que consomem muito derivados do petróleo, já tiveram problemas com chuva ácida, gás carbônico, inversão térmica e uma série de problemas ambientais. Mas agora a questão está sendo amenizada e os problemas contornados.

Conexão Ciência: Como esses problemas ambientais gerados pelos combustíveis fósseis estão sendo amenizados nos grandes centros industriais?
Dionísio Borsato:
Os problemas foram amenizados quando as indústrias foram obrigadas a fazer lavagem dos gases que saem das caldeiras, fazer tratamentos com os líquidos, e os equipamentos mais modernos também minimizam os problemas ambientais e a poluição. A consciência ambiental começa a gerar essas preocupações até para os fornecedores de equipamentos. As próprias leis que multam as empresas, e os órgãos de verificação que têm funcionários especializados nessas áreas que fiscalizam a poluição do ar, da água, do solo como a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) em São Paulo e o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) no Paraná, , acabam por influenciar essas questões. Hoje a preocupação com o meio ambiente é grande.

Conexão Ciência: Mesmo fora dos grandes centros industrializados, como Londrina, presencia-se os efeitos da poluição gerada pelos combustíveis fósseis, como o clima desregulado?
Dionísio Borsato:
O efeito estufa tem muito a ver com a emissão de gás carbônico e esse efeito é sentido fora dos grandes centros também. Algumas pessoas falam que o efeito estufa é ruim, mas ele é bom. Se ele não existisse, não haveria vida, pois a temperatura da Terra seria muito baixa. Mas o efeito estufa está aumentando, ocasionando o degelo das calotas polares. Alguns pesquisadores dizem que aumentou a temperatura da Terra quase um grau centígrado em relação com o século passado. Outros acham que o problema não é a poluição. Esses estudos ainda são suposições. Mas parece que essa emissão de gás carbônico está causando problemas sim.

Conexão Ciência: Qual dos dois combustíveis fósseis é mais prejudicial?
Dionísio Borsato:
O carvão é mais prejudicial. Ele apresenta muito enxofre. O Brasil usa muito pouco o carvão como combustíveis, só a indústria de siderúrgica. Mas a China, os Estados Unidos usam o carvão em uma quantidade que você não consegue nem imaginar. A China é um dos maiores poluidores da atmosfera. Nesses países existe o problema do inverno muito rigoroso, então são necessários processos de aquecimento, o que faz com que o consumo desses combustíveis aumente muito.

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