Além de sujar as ruas, os pombos também podem transmitir doenças respiratórias

Especialista em aves da UEL explica porque é importante controlar a população de pombos em Londrina

IvensgomesPauta: Ana Carolina Contato
Repórter: Fernanda Cavassana
Edição: Beatriz Assumpção

Em Londrina, este ano, já foi registrada a morte de uma pessoa por criptococose – uma infecção fúngica, conhecida como “doença do pombo”. Segundo o professor Ivens Gomes Guimarães, graduado em Medicina Veterinária pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com mestrado em Patologia Animal e doutorado em Biologia Animal, ambos pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), a ave não é o único meio de transmiti-la. Atualmente, Ivens Gomes é professor da Universidade Estadual de Londrina e coordenador do Centro de Investigação em Medicina Aviária do Paraná (Cimapar).
De acordo com Ivens Guimarães, o fungo causador da doença pode ser o Cryptococcus neofarmans ou Cryptococcus Gatti. “Eles aparecem em fezes de animais, assim como podem se desenvolver em qualquer matéria orgânica. Por meio da inalação das hifas – filamentos que em conjunto formam o talo de um fungo – do cryptococcus, em ambientes contaminados, é que se inicia a infecção”, disse o professor. Os fungos, na natureza, vegetam em ambientes favoráveis a seu desenvolvimento. A umidade, as temperaturas baixas e as zonas de sombreamento favorecem seu crescimento. “Após crescerem, como um bolor, eles florescem, produzem sementes e assim vão se proliferando. Onde há proliferação, há esporos do fungo pelo ar, que podem ser inalados e com isso causarem a contaminação”, completou.
“Ao ser inalado, o ar contaminado vai para o pulmão, passando pela traquéia, e assim infecciona”. Segundo o professor, a hifa do fungo faz o ciclo completo de acordo com o local do organismo. “No homem, por exemplo, é possível desenvolver o bolor na traquéia pelas condições de umidade apresentadas nela. É uma complicação grave, porque esse mofo chegará ao pulmão e causará uma inflamação. No caso do pulmão humano, pode-se não enxergar o bolor presente na região a partir de um exame, mas isso é evidente no sistema respiratório das aves. Como o mofo se desenvolve em lugares com bastante ar e temperatura mais baixa, com a análise dos sacos aéreos de uma ave é possível identificá-lo”, de acordo com o professor.
“A doença traz várias complicações sérias ao organismo humano, como no caso do fungo acabar vivendo como saprófito (que se alimenta de animais em decomposição) e agir como decompositor na árvore brônquica”, complementou. O professor Ivens Gomes também citou a meningite como uma enfermidade grave como consequência da criptococose. “Se a hifa chega ao Sistema Nervoso Central, nas meninges, causará uma meningite ou uma encefalite, mesmo não apresentando o bolor. Haverá uma doença micótica”, afirmou. A meningite causada pelo Cryptococcus, se não tratada a tempo, pode levar à morte.
Sobre o caso de morte na cidade por causa da doença, Ivens Guimarães ressaltou o fato da vítima não apresentar nenhum histórico, já que essas enfermidades podem ser favorecidas por uma inter-ocorrência. As crianças, os imunodeprimidos, como os aidéticos, assim como os operados que tomam remédios imunosupressores para evitar rejeição de transplantes, são alvos mais frágeis à doença. “A pessoa pode já ter uma doença crônica de insuficiência respiratória, pode ser um homem que tem um enfisema crônico agudo ou que tenha doenças de fibrose intersticial pulmonar, pode até ser um alérgico. O clima, a época do ano, além do frio que traz junto a umidade, tudo tem que ser analisado. A população é mais suscetível devido ao seu estado imunológico ou a inter-ocorrência de vários fatores que levem a um quadro de doenças, ou uma síndrome por exemplo”, ressaltou.
Praças e Pombas
As praças são apontadas por muitos como principal local para transmissão da doença. O professor Ivens Gomes discorda e afirma que os sistemas de ventilação podem representar um perigo maior para a população. “Nós falamos de limpeza de praças, de fezes, de contaminação nelas e às vezes esquecemos que estamos numa sala com ar condicionado. Portanto, nós não podemos só nos ater à questão da praça pública, mas também ao sistema de ar artificial dos prédios, disse. De acordo com o professor, se há uma contaminação ambiental, é preciso acabar com ela por meio de limpeza, desinfecção e arejamento do local.
Sobre a grande quantidade de pombas na cidade, o coordenador da Cimapar disse que é importante o controle da população do animal, a partir de uma política sanitária de controle de pragas. “Nós temos que criar mecanismos inteligentes para controlar as populações de animais em geral. Se até o homem controla sua população utilizando todos os medicamentos necessários para o controle da natalidade, por que quando se fala em fazer isso com aves tem gente que acha um absurdo? É como se ninguém usasse pílulas anticoncepcionais ou preservativos”, argumentou Ivens Guimarães. Segundo o professor, deve-se levar em consideração até que ponto o papel natural das pombas é positivo para a cidade. “Tudo que é demais ou de menos faz mal. Hoje, por exemplo, vemos em Londrina uma população de pombos que extrapola os limites da normalidade da parte boa e começa a se tornar um problema, chamado de distúrbios tipos sinantrópicos. Esses distúrbios surgem em função da evolução, das ações do homem, das cidades, aglomerados urbanos, do desmatamento para o plantio da agricultura, se não morremos de fome com uma superpopulação”.
Para Ivens Guimarães, é inevitável a interferência para solução do problema. “Diante desses momentos que eu diria caóticos, nós temos que interferir. Desenvolver sistemas, métodos, ferramentas, produtos que mantenham as aves em locais que elas podem ficar sem que prejudiquem a humanidade ou o meio ambiente. E também temos que discutir muito o assunto, com o tempo pode-se planejar e implementar ações efetivas”, ressaltou. Ivens Gomes ainda alegou que é impossível erradicar o problema, mas que um monitoramento ativo e um controle permanente de animais que são pragas devem ser feitos. O professor elogiou as medidas tomadas pela prefeitura na gestão do prefeito Roque Neto, como o decreto que proibiu a população de alimentar os pombos da cidade, e as que estão entrando em vigor com o prefeito Barbosa Neto. “A educação do povo em não alimentar essas aves precisa ser realmente implementada. Eu apóio o que o ex-prefeito fez assim como apóio também agora mesmo com o Barbosa Neto, é um passo a frente.

Uma resposta para Além de sujar as ruas, os pombos também podem transmitir doenças respiratórias

  1. adriane disse:

    como pode ter bacteria no no sso corpo

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