Pesquisa analisa o crescimento físico e demográfico da Região Metropolitana de Londrina

Projeto do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UEL busca conhecer as conseqüências da expansão urbana londrinense

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Pauta: Lígia Zampar
Repórter: Vanessa Freixo
Edição: Beatriz Assumpção

De acordo com dados do site http://www.rc.unesp.br, o geógrafo e pesquisador da UNESP, Roberto Braga, classifica uma região metropolitana como “um aglomerado urbano composto por vários municípios administrativamente autônomos, mas integrados física e funcionalmente, formando uma mancha urbana praticamente contínua”. Londrina e mais sete cidades vizinhas fazem parte da Região Metropolitana de Londrina desde julho de 2007, por meio da lei complementar estadual nº 81. A Região Metropolitana de Londrina é constituída pelas cidades de Bela Vista do Paraíso, Cambé, Ibiporã, Jataizinho, Rolândia, Sertanópolis, Tamarana, além da própria Londrina. Segundo a contagem da população em 2007, pelo IBGE, a população estimada da cidade de Londrina é de 497.833 habitantes e da região metropolitana, 741.928.
E é a respeito dessa região metropolitana que o professor doutor Nestor Razente está desenvolvendo o projeto “O Processo de Expansão Urbana na Região Metropolitana de Londrina” na Universidade Estadual de Londrina (UEL). Nestor Razente, coordenador do projeto, é formado em Arquitetura pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), tem mestrado em desenvolvimento urbano pela Universidade Federal do Pernambuco (UFPE) e doutorado pela Universidade de São Paulo (USP). Para o professor Razente, esse projeto tem como objetivo levantar dados, do ponto de vista urbanístico, de como as cidades dessa região estão se agrupando e integrando funções públicas de interesse comum umas com as outras, além dos problemas por elas enfrentados. Ele também acrescenta que esse tema de pesquisa se torna importante à medida que existe pouca informação no estado do Paraná sobre o assunto.
Razente afirma que uma região metropolitana é formada quando as malhas urbanas das cidades se conectam, dando-se assim a conurbação. Para ele, Londrina e Cambé, inclusive, têm pouco para crescer para leste e oeste, pois praticamente emendaram com cidades vizinhas. A tendência dessas cidades é crescer para norte e sul. O coordenador do projeto também cita o problema de crescimento de Londrina para o norte, “para que isso ocorra, o Rio Jacutinga terá que ser atravessado. Já o problema de crescer para o sul é atingir o local de captação de água e porque o relevo dessa região é bem acidentado”, segundo o professor.
“De qualquer forma Londrina tem infra-estrutura para crescer. Esse crescimento se dá na atualidade principalmente pela demanda por espaços seguros, em especial pelos condomínios fechados, tanto horizontais, com casas, quanto verticais, prédios”, e é isso que Nestor Razente acredita. Ele também traz a informação de que a expansão da classe média e as facilidades de financiamentos contribuem da mesma forma para esse crescimento. Razente diz que “o Banco Nacional de Habitação, nos anos 70 e 80, foi igualmente importante, como agente financiador de políticas habitacionais, para o aumento do espaço físico da cidade. Também a queda da produção cafeeira no norte do Paraná, principalmente na década de 70, foi determinante para o crescimento das cidades dessa região. Porque além da migração para outros estados, houve a migração campo-cidade e a migração de cidades pequenas para maiores”.
Segundo o professor, também se forma uma região metropolitana quando há fluxos de dependência entre esses municípios, sejam eles econômicos, culturais ou educacionais, de uma maneira que se tiver um problema em um município, a solução pode estar no outro. Nestor Razente ilustra essa idéia com o problema de abastecimento de água enfrentado pela Região Metropolitana de Londrina. Há uma dependência de Londrina e Cambé de 35% no sistema de água de Cafezal do Sul. Mas a água retirada desta cidade vem de nascentes de Rolândia, Cambé e Londrina. Ou seja, as cidades tornam-se dependentes umas das outras e a solução de um problema envolve um comum acordo entre elas.
“As regiões metropolitanas melhorariam se houvesse uma unificação mais forte entre os municípios, de uma maneira que eles não apresentassem diferenças físicas e tivessem os mesmos pontos de ônibus, um padrão de iluminação, de limpeza e coleta de lixo, entre outros”, é o que afirma Razente. Ele também acrescenta que outra dificuldade desse tipo de região é não ser uma estância de poder, como a estadual e a municipal, e com isso a resolução de problemas da área se torna mais complicada.
As bases de pesquisa do projeto, segundo Nestor Razente, são levantamentos iconográficos, como mapas e fotografias, resquícios de fragmentos de memórias não catalogadas, registros das prefeituras municipais e também registros pessoais. O projeto ainda está em fase de desenvolvimento e tem previsão de conclusão para setembro de 2011.

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