Em palestra, sóciologo francês afirma que a comunicação é a chave da democracia

Entre outros temas, o pesquisador Dominique Wolton falou sobre a importância de se comunicar e tolerar o outro

Dominic Wolton (123)

Pauta e edição: Vitor Oshiro
Reportagem: Leonardo Caruso

Entre o amor e o ódio, existe a comunicação. Entre a democracia e a violência também está a comunicação. “Comunicar é o meio pelo qual se faz possível a convivência, pelo qual se desenvolve a democracia”, discorreu o sociólogo francês Dominique Wolton, doutor em Sociologia pelo Instituto de Estudos Políticos de Paris, diretor do Laboratório de Informação, Comunicação e Implicações Científicas do Centro Nacional de Pesquisa Cientifica (CNRS) e de uma publicação especializada em Ciência da Informação e da Comunicação, a Revista Hermès.

Em palestra de abertura do XXXII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (INTERCOM), realizado em setembro na Universidade Positivo em Curitiba, o sociólogo explicou que “respeitar é tolerar o outro” e que através da comunicação é possível “exercer a política”.

Para Wolton, a dificuldade humana é comunicar quando as idéias de emissor e receptor são diferentes, o que inevitavelmente acontece na política. Segundo ele, “a negociação torna a convivência possível. Obtém-se um espaço comum, um espaço político, no qual a opinião pública e a manifestação política se dão por meio da comunicação, pela mídia”.

Porém, o estudioso francês adverte para o excesso de informação. Diferenciando o informar, processo pelo qual é apenas emitido um dado, do comunicar, o que é emitido é recebido e interpretado pelo receptor, ele alerta para o desequilíbrio que ocorre quando a mídia passa a ter mais poder que a política, invertendo papéis.

Considerando a mídia um contrapoder, Wolton atenta ao fato de os meios de comunicação serem apenas “ferramentas de comunicação” e que as falhas na troca de informações estão na “dificuldade humana de compreender e comunicar”. Crítico quanto ao papel da internet na sustentação de uma democracia, afirma que esse novo veículo “necessita de regulamentação e de filtros” para que não se torne uma “técnica sem política”.

Existe, para o sociólogo, um eixo composto de três elementos: informação, conhecimento e ação. É necessário que se compreenda as culturas para interpretar uma informação e dessa forma desenvolver ações que visem a convivência, que, para Wolton, é um “conceito para a paz”. Nesse contexto, o papel do receptor é de extrema importância.

Outro ponto abordado pelo pesquisador é o da reafirmação da identidade nacional sem que haja um fechamento para o mundo. “Devemos compreender que não compreendemos. É necessário aceitar as diferentes culturas, exercer a tolerância. A violência é resultado da perda da comunicação” afirmou o sociólogo em discurso. “E quando perdemos a comunicação, perdemos a capacidade de fazer política”, complementou.

Para finalizar a palestra, Dominique Wolton resumiu, assim, toda sua teoria em cinco pontos: “os seres humanos estão sempre tentando se comunicar; se comunicam para compartilhar, seduzir, convencer; existem diferentes raciocínios e sempre vai existir diferentes opiniões (“o outro não concorda com a gente”); começamos a negociar, a nos comunicar; quando a comunicação é efetiva, organizamos a convivência”.

Legenda: Dominique Wolton abriu o Intercom com uma palestra sobre comunicação e política
Crédito: http://2.bp.blogspot.com

Ano 6 – Edição 73 – 26/09/09

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