Contextualizando a formação de professores

Projeto de pesquisa na UEL visa analisar a interação entre formadores, e suas interferências na formação de novos professores

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Pauta: Ana Carolina Contato
Reportagem: Guilherme Popolin
Edição: Kauana Neves

Pesquisar a formação dos professores a partir da perspectiva do formador é o objetivo do projeto da Profª. Dra. Telma Nunes Gimenez*, graduada em letras Anglo-Portuguesas pela Universidade Estadual de Londrina, doutora pelo departamento de Linguistics and Modern English Language da Lancaster University, Inglaterra, e professora do programa de Pós-graduação em Estudos da Linguagem, da UEL, para desenvolver seu projeto em que visa contextualizar a formação de professores de inglês através dos formadores e suas práticas discursivas.

Segundo a professora, o Brasil tem apresentado pesquisas sobre a formação de professores, principalmente os de línguas estrangeiras, de forma crescente. Porém, ainda são escassos os trabalhos que procuram focalizar o trabalho do educador. Telma Gimenez realiza pesquisas há algum tempo, e procura sempre relacioná-las de alguma forma. O projeto anterior, de natureza participativa, financiado pela Fundação Araucária, durou dois anos e consistia em reuniões em que os professores encarregados da prática de ensino reuniam-se para analisar suas experiências pessoais. Os encontros foram gravados e resultaram em um livro**.Esse material serve, agora, de objeto para o projeto atual.

De acordo com a professora, vários aspectos são analisados, como a linguagem dos formadores conversando com colegas, as possibilidades de aprendizagem nessa forma de intercâmbio e de que modo se caracteriza essa linguagem adotada por eles. Junto com a professora, um aluno de iniciação científica usa os dados gerados pelas gravações para avaliar as questões de poder, estratégias e polidez, usadas pelos professores.

Para Telma Gimenez, não existem muitas diferenças entre a formação de professores de outras áreas e os de inglês, já que os processos de formação são praticamente os mesmos. Um diferencial, apontado pela professora, é uma área de pesquisa multidisciplinar, em que é possível buscar suporte teórico para várias áreas, como psicologia, sociologia e antropologia.

Outra diferença fundamental para Telma Gimenez é relacionada ao trabalho dos professores de inglês com uma disciplina escolar, sendo o aprendizado da língua estrangeira uma habilidade. “Não é como estudar história ou geografia, que você estuda sobre, é uma disciplina que você tem que usar”, completa. De acordo com a professora, os educadores devem ser usuários e desfrutarem de conhecimento sobre a língua.

Para exercer a profissão de professor, Telma Gimenez acredita ser fundamental a graduação em letras, já que essa é uma das características da profissionalização da profissão. A professora explica que ainda existem alguns círculos profissionais que acreditam que basta saber algum conteúdo para se tornar professor, fazendo parte de um modelo de formação profissional em que observando ou conhecendo determinado conteúdo, alguém possa naturalmente ensiná-lo. “Para ensinar alguém a nadar basta você saber nadar, pra ensinar física basta saber física”, exemplifica. Porém, Telma Gimenez critica esse aspecto, pois acredita que ser professor é uma profissão e por isso existe a necessidade da graduação ou um curso de formação pedagógica.

De acordo com a docente, existem várias técnicas para ensinar idiomas, sendo a mais comum, atualmente, um aprendizado que prega a experiência de comunicação e uma consciência lingüística do seu significado, além da análise do seu papel na sociedade. A professora explica que existe também um processo reflexivo sobre a língua, como ela funciona estruturalmente e na sociedade, trabalhando o conhecimento dela como discurso.

Para a professora, o maior problema ocorre na formação dos professores do curso de letras, já que o modelo adotado vem desde a década de 30 e é amplamente voltado para a racionalidade técnica do que para a reflexão. “Muitas vezes, o aluno não consegue ver a relação que existe do que está vendo no curso e na realidade que ele vai enfrentar”, salienta. Um exemplo dado por Telma Gimenez é o de alunos recém formados que ao chegarem em uma sala de aula precisam fazer a associações das matérias teóricas vistas na graduação para colocarem em prática, mas isso muitas vezes não fica claro.

A partir das análises das gravações, Telma Gimenez aponta uma heterogeneidade entre os formadores que ao invés de ser negativa passa a ser produtiva, pois permite que os que sabem alguma coisa a mais possam ensinar quem sabe menos ou tem menos experiência em determinada área, é um conceito de aprendizagem social, aprendendo em grupo. De acordo com a professora, o foco do projeto está na maneira de como os próprios formadores veem seus desenvolvimentos, com a intenção de avaliar o impacto de suas ações. “A formação do professor de inglês passa por diversos desafios, dentre os quais está a questão do currículo do curso e de como se dá a articulação da teoria e prática”, expressa Gimenez, que acredita ser necessário levar o aluno para conhecer a realidade, voltar para a universidade e trabalhar os conteúdos, ajudando a compreendê-la.

*A professora também é mestre em linguística aplicada pela PUC/SP. Na UEL, orienta pesquisas no campo de ensino/aprendizagem de línguas estrangeiras, formação de professores, e na graduação, orienta estagiários em Práticas de Ensino do Inglês.

**Mais informações sobre a interação entre formadores e sua formação está no livro, “Tecendo as manhãs: pesquisa participativa em formação dos professores de inglês”, organizado pela Profª. Dra. Telma Nunes Gimenez, 1 ed. Londrina: UEL, 2007.

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