De bem com a sintaxe

Projeto visa atender estudantes de escolas públicas que têm dificuldade com as normas gramaticais e com a apreensão da norma padrão da língua portuguesa

Professor Wagner

Pauta: Ana Carolina Contato
Reportagem: Willian Casagrande Fusaro
Edição: Kauana Neves

Qual é a importância de se ter uma boa compreensão da língua materna na vida do estudante do ensino médio? Esse problema é indagado pelo projeto “Dificuldades de aquisição do padrão culto pelos alunos da escola pública”, coordenado por Wagner Ferreira Lima, professor doutor do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da UEL. A pesquisa iniciou em 2007, tem previsão de término para 2010 e apresenta algumas hipóteses em relação ao problema que estuda, como a complexidade da língua, a perda do encanto pela linguagem e o fator sócio-econômico.

Wagner Ferreira, graduado e doutor em Letras pela Universidade Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP), comenta porque e quando o projeto foi idealizado. “Planejei o projeto no ano em que o protocolizei, estritamente para contribuir com o processo de ensino da língua”.

O docente afirma que há “relutância” nos alunos em incorporar o idioma materno de forma plena. “Tenho observado que há uma resistência muito grande da parte dos alunos em adquirir a gramática padrão: regras gramaticais, colocação de pronomes e também concordância verbal e nominal. Compreender a gramática atualmente é mais fácil, porque ela é ensinada na forma de texto, junto à discussão de gêneros literários e textuais. A gramática vem “no pacote”, mas, apesar disso, os alunos ainda resistem em aprendê-la, às vezes compreendendo todo o conjunto do texto e não as normas gramaticais”, defende o docente.

Os encontros do projeto, que aposta em uma perspectiva prática, para dinamizar o estudo da linguagem, consistem em relatos de alunos sobre o que viram nas aulas em suas escolas, o que os seus professores comentaram e como ensinaram, além de discussões de temas e produção de textos.

O projeto, segundo o professor, trabalha com uma perspectiva “holística” ” a compreensão do todo -, a qual releva as experiências afetivas, cognitivas e interativas do aluno para entender os entraves que pretende analisar. Lima afirma que há hipóteses que impedem a assimilação do conteúdo gramatical correto pelos alunos, como a forma de utilização da gramática pelo estudante ” entender que ela é essencial para uma melhor compreensão da linguagem e dos significados das expressões -, a perda de encanto pela linguagem ” o que implicaria, segundo o professor, em uma renovação do ensino gramatical ao jovem -, a alta demanda de esforço cognitivo – já que a gramática é um ensino “técnico, exato” “, o fator sócio-econômico e a falta de atrativos no local de estudo. Wagner Lima explica que as salas de aula das escolas públicas geralmente não são oportunas para o aprendizado, uma vez que algumas não são ricas em estímulos que facilitem a compreensão.

O uso da gramática, de acordo com Lima, só se torna pleno quando o estudante vivencia o conhecimento. “A gramática só será importante ao aluno quando ele conseguir atribuir um sentido a ela. Atualmente ela é nula para a maioria deles: quando ensino as funções gramaticais, os alunos entendem o que está no quadro, mas não conseguem transcrever as informações que adquiriram porque não veem sentido naquilo. O aluno tem de conhecer de forma ativa, praticando o conhecimento adquirido”, afirma.

Atualmente, cinco alunos participam do projeto. O coordenador explica o número pequeno de integrantes devido ao envolvimento que os participantes do projeto têm com a escola e no trabalho. Lima espera conseguir resultados em 2010, caso contrário terá de “reformular as hipóteses” e continuar com a pesquisa. Uma das integrantes do projeto participará de um encontro no Centro de Estudos Lingüísticos e Literários do Paraná (CELIP), em Cascavel, para apresentar seu projeto relacionado aos estudos da língua.

As reuniões do grupo acontecem às quartas-feiras, das 17h30 às 19h00, no Departamento de Letras Vernáculas e Clássicas.

Legenda da foto: Professor Wagner Ferreira Lima. “O aluno tem de achar um sentido no estudo da gramática; as hipóteses do projeto pretendem ajudá-lo a conseguir isso”

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