Pesquisa historiográfica sobre o ensino e a escola no Brasil

Esse foi o tema da palestra de abertura da XI Semana de Educação da UEL

Professora Rosa Fátima de Souza

Pauta: Daniela Brisola
Repórter: Alessandra Vitti
Edição: Beatriz Assumpção e Fernanda Cavassana

Aconteceu em setembro, a XI Semana da Educação da Universidade Estadual de Londrina (UEL), cujo tema principal foi a História da Educação. O evento foi promovido pelo curso de Mestrado em Educação e pelo Departamento de Educação no CECA. De acordo com que Marta Regina Gimenez Favaro, coordenadora do curso de Pedagogia da UEL, disse na abertura do evento, o objetivo era estimular a discussão de temas como ensino e escola a partir de uma perspectiva histórica. A conferência de abertura, intitulada “Os desafios da investigação comparada em âmbito regional para a escrita da história da educação brasileira”, foi proferida pela professora adjunta da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp), Rosa Fátima de Souza, doutora em Educação pela Universidade de São Paulo (USP).

A doutora Rosa de Souza apresentou o projeto de pesquisa do qual é coordenadora. O projeto é intitulado “Por uma teoria e uma história da escola primária no Brasil: investigações comparadas sobre a escola graduada (1870 1950)”, e foi iniciado em 2008, com apoio do CNPq. Segundo a professora, o projeto é trabalhado a partir de investigações comparadas sobre a institucionalização de grupos escolares. Rosa de Souza ressalta que esse processo é inseparável das diversas políticas educacionais implementadas pelos governos estaduais no decorrer do século XX. No projeto, essa institucionalização está sendo estudada em 14 Estados brasileiros no período de 1870 a 1950.

A professora da Unesp ressalta, ainda, os reflexos de seu projeto para a sociedade: “Os resultados dessa produção acadêmica enriquecem a historiografia da educação, além de prestar um inegável serviço à memória social, contribuindo para a preservação do patrimônio educacional do país”.

Na apresentação da conferência, Rosa de Souza propôs a discussão dos desafios da investigação comparada em âmbito regional, destacando questões de ordem interpretativa e de natureza teórica e conceitual com as quais se defrontou na realização desse estudo historiográfico.

A professora tratou dos estudos realizados nos últimos anos sobre a estrutura dos grupos escolares: “Nós temos trabalhado com essa ideia de escola primária do final do século XIX e início do século XX, quando há a implementação da chamada escola primária moderna”. Rosa de Souza explica que esse modelo de escola implantado durante o século XX no Brasil acompanhou o espírito de modernidade e racionalização da época. Esse espírito refletiu-se tanto na estrutura administrativa como pedagógica, revelando a existência de um ensino primário de excelente qualidade naquele período.

Rosa de Souza ainda examinou o conceito de região e história regional da educação. A professora ressaltou, durante a palestra, a influência do Estado na implantação de um modelo de escola primária no período republicano: “de um modo geral, as investigações sobre os grupos tem apontado intrínsecas relações entre a política republicana estadual e a difusão e modernização da escola primária. É implantado, pelo governo republicano, um modelo de escola mais adequada para a difusão da educação popular e para a formação do cidadão republicano”.

De acordo com os estudos do projeto, a professora explica que é possível identificar em vários Estados brasileiros semelhanças nas implementações e nas práticas discursivas de diversas instituições públicas. Porém, lembrou em sua palestra que, na realidade, a situação é um pouco diferente em alguns lugares: “Efetivamente, apenas aqueles Estados que apresentavam significativa prosperidade econômica no início do século XX, como SP, MG e RS, puderam implantar um sistema público moderno de educação primária com qualidade. No resto do País, os grupos aparecem apenas como vitrine da modernização, enquanto a grande parte das crianças estava estudando em escolas em situações mais precárias.”

A professora também analisou as potencialidades e desafios da comparação para a escrita da história da educação brasileira. Ela desenvolveu um panorama geral da origem do método comparativo como instrumento científico e falou sobre as dificuldades encontradas no decorrer da pesquisa: “Um estudo envolvendo 14 Estados está longe de mostrar a situação em todo o território nacional. Os Estados representados nas pesquisas são aqueles nos quais efetivamente contamos com uma produção de estudos sobre a história da escola primária, o que revela a precariedade do conhecimento existente sobre a história da educação no País como um todo.”

Além da conferência ministrada pela professora Rosa Fátima de Souza, a XI Semana da Educação teve mais três dias de eventos, dentre eles outras conferências, encontros de grupos de pesquisa, eventos culturais e grupos de trabalho.

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