Fatos e Mitos do Aquecimento Global

Palestra sobre mudanças climáticas é destaque na XXV Semana de Geografia da UEL

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Pauta: Daniela Brisola
Reportagem: Karina Constâncio
Edição: Kauana Neves

O Departamento de Geografia realizou nos dias 5 a 9 de outubro a XXV Semana de Geografia da Universidade Estadual de Londrina. O evento teve como tema “A Geografia no início do século XXI: tendências e perspectivas”. Dentro da programação da Semana, foi destaque a palestra sobre mudanças climáticas que ocorreu no dia 6 de outubro no Anfiteatro do Centro de Ciências Humanas (CCH) da UEL. Denominada “Mudanças Climáticas Globais” foi ministrada pelo Professor Doutor Luiz Carlos Baldiero Molion da Universidade Federal de Alagoas. Ele possui graduação em Física pela Universidade de São Paulo, Phd em Meteorologia pela University of Wisconsin em Madison, pós-doutorado em Hidrologia de Florestas pelo Institute of Hydrology em Wallingford (UK), pesquisador Senior aposentado do INPE/MCT (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais / Ministério da Ciência e Tecnologia), atualmente trabalha como professor associado da Universidade Federal de Alagoas, professor visitante da Western Michigan University e professor de pós-graduação da Universidade de Évora em Portugal.

Molion critica o aquecimento global e afirma que nos próximos anos, na verdade, vai haver um resfriamento do planeta. Segundo o físico, o aquecimento ocorreu mesmo entre 1977 a 1998 e atualmente não existem bases científicas sólidas para o aquecimento global, ao contrário, todos os dados convergem para a conclusão de que a Terra está esfriando. Outra crítica estabelecida por ele é quanto à interferência humana no clima. Para o professor, as mudanças climáticas globais acontecem por causas naturais e não pelas mãos do homem.

De acordo com o gráfico apresentado por Molion, o planeta já passou por dois resfriamentos e dois aquecimentos: até 1920 a temperatura era mais baixa que a atual e foi chamada de Pequena Era do Gelo, depois disso houve um rápido aquecimento entre 1925 e 1946, sucedido por um novo resfriamento entre 1947 e 1976 e de 1977 a 1998 as temperaturas voltaram a atingir índices mais elevados. Ele analisa que no primeiro aquecimento, o homem praticamente não lançava carbono na atmosfera, já após a Segunda Guerra Mundial, quando começou o desenvolvimento acelerado da indústria, ocorreu o aumento da emissão de carbono e a temperatura diminuiu. “Eu concluí, em um artigo escrito em 1990, que esse aquecimento de 1925 a 1946 teria sido por causas naturais, como o aumento da atividade solar e o aumento da transparência da atmosfera, e não tinha nada a ver com o efeito estufa já que o homem na época lançava menos de 10% do carbono que lança hoje. Curiosamente, depois que o homem intensificou suas atividades houve um decréscimo na temperatura, então não posso dizer que está havendo um aquecimento global e muito menos atribuir ao homem culpa sobre as mudanças no clima” completou o professor.

O IPPC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas) afirmou, no ano de 2007, em seu “Sumário Executivo para Formuladores de Política”, que o aumento da temperatura média global, a partir de 1950, foi devido ao crescimento da emissão dos gases de efeito estufa, como o gás carbônico e o metano. Conforme Molion, nem o metano nem o gás carbônico controlam a temperatura global. Nota-se, de acordo com ele, que nos últimos 10 anos, mesmo tendo aumentado as fontes, o metano se estabilizou e, embora tenha aumentado a concentração de gás carbônico na atmosfera, as temperaturas continuam caindo. O físico também critica o “Protocolo de Kyoto” que propõe reduzir 5,2% das emissões humanas de 2008 a 2012. Segundo ele, reduzir a emissão de gás das fontes artificiais não vai adiantar nada. “Estima-se que os fluxos naturais de carbono ” que vêm dos oceanos, da vegetação e do solo ” sejam da ordem de 200 bilhões de toneladas por ano (com um erro de 20%, podendo então ser 40 bilhões para mais ou 40 bilhões para menos) e o homem coloca na atmosfera 6 bilhões de toneladas por ano. A margem de erro é 7 vezes maior do que o que homem coloca. Reduzir então a emissão das fontes artificiais não adianta enquanto nós não tivermos uma idéia muito boa do controle das fontes naturais.”

Molion ainda afirma que o clima é complexo e depende de fatores internos e externos e destaca que o sol, o ciclo hidrológico e a temperatura do Oceano Pacífico são grandes controladores da temperatura do planeta. A cada 90 anos, o sol entra em um mínimo de atividade produzindo menos energia e causando, portanto, o resfriamento da Terra. De acordo com o professor, até 2030 o sol vai atingir esse mínimo, o Pacífico também estará em uma nova fase fria e, baseado nos acontecimentos do passado, podemos esperar primaveras mais violentas, frequências maiores de tempestades, tornados, tempestades elétricas, chuvas de granizos e invernos mais rigorosos. O resfriamento do planeta, segundo ele, é uma péssima notícia, o frio é terrível para o ser humano, com o aumento da ocorrência de epidemias, e para a agricultura. O físico ressalta que não estamos preparados para o resfriamento, mas que podemos nos adaptar, procurando cultivos e métodos que sejam mais resistentes a geadas e preservando o ambiente.

O que está por trás de todo o aparato ideológico em cima do aquecimento global, de acordo com o professor, só a história poderá dizer, mas existem interesses econômicos e políticos envolvidos. Como justificativa, ele estabelece uma comparação com o caso dos gases CFC (Clorofluorcarbono) que acusados de destruir a camada de ozônio foram, por meio do “Protocolo de Montreal” (1987), eliminados e substituídos por outros gases e percebe-se hoje que cinco indústrias localizadas nos EUA, Inglaterra, Alemanha, França e Canadá é que realmente se beneficiaram. Molion chama essa atitude de neocolonialista, ou seja, para conseguir uma dominação econômica e tecnológica, aponta que o aquecimento global está seguindo o mesmo caminho com o “Protocolo de Kyoto” e acusa que quando os países falam em redução da emissão de carbono eles estão falando na redução de energia elétrica e isso significa acabar com o desenvolvimento social dos países em desenvolvimento ou que vão se desenvolver. Para o físico o que deve ser combatido é a poluição (enxofre) e não o gás carbônico.

Molion finaliza destacando a importância da preservação ambiental para a humanidade “A conservação ambiental é necessária independente do clima. Inevitavelmente, vai ocorrer o aumento da população e se nós não passarmos a preservar o ambiente, mudar hábitos de consumo, reciclar, economizar energia, vai ser muito difícil a raça humana permanecer nesse planeta.”

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