O ensino da música para crianças

Conferência de abertura do XVIII Congresso Nacional da Associação Brasileira de Educação Musical trata da maneira como se ensina música para crianças

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Pauta: Daniela Brisola
Reportagem: Isabella Verri Sanches
Edição: Kauana Neves

Entre os dias seis a nove de outubro aconteceu, em Londrina, o XVIII Congresso Nacional da Associação Brasileira de Educação Musical (ABEM), junto com o 15º Simpósio Paranaense de Educação Musical, promovido pela UEL. Segundo o site oficial do ABEM (http://www.abemeducacaomusical.org.br/abem2009/), o evento teve como objetivo debater, redefinir e estabelecer novas ações que possam ampliar e consolidar formas de atuações da ABEM. A sua programação contou com apresentações musicais, rodas de discussão, bate-papo e painéis temáticos, cursos e palestras.

A Conferência de abertura do evento realizou-se no Cine Teatro Ouro Verde, ministrada pela americana Patrícia Campbell, e teve como tema: “A educação musical nos diferentes contextos”. Patrícia Campbell é Docente na Universidade de Washington, onde ministra cursos com interfaces entre a educação musical e etnomusicologia, além de coordenar projetos comunitários musicais universitários, entre eles o Music Alive! no vale do Yakima, em Washington.

A palestrante define seu trabalho como sendo “pelo amor das crianças: música, educação e cultura”, onde música, educação e cultura seriam as palavras-chaves para entendermos sua forma de trabalhar com as crianças. Patrícia Campbell fala que todos nós precisamos de uma expressão musical, “todos os homens são musicais, a música é um ato social e é acolhimento”. Ela afirma que todas as crianças já nascem para pulsar música, ou seja, elas já nascem musicais, porém a sociedade reprime isso nelas. Uma questão muito presente, então, no trabalho de Patrícia Campbell é modo de ensinar a música para essas crianças.

Para a palestrante, todos temos histórias que permeiam os nossos trabalhos, onde nós transmitimos as nossas experiências, “o que eu aprendo eu acabo transmitindo, pois sou professora”, afirma ela. Entretanto, Patrícia Campbell enfatiza o fato de que as “crianças não são nós”, elas não são partituras em branco, elas trazem seu jeito específico de processar a música, que se baseia nas suas culturas, e é na sala de aula que há pontes que ligam a musicalidade dos professores com a dos estudantes. Ela diz que os professores devem se questionar quanto a: quem são as crianças que ensinam, como elas aprendem à música, que música elas valorizam, se o que realmente importa é o contexto ou a forma como as crianças recontextualizam as músicas, entre outros questionamentos.

Patrícia Campbell defende que cabe aos professores reconhecer os diferentes e a responsabilidade de ir além da superficialidade da música, colocando as pessoas em estado de questionamento e troca, “me preocupo com que ao ensinar eu não faça com que as pessoas entrem em desacordo com elas mesmas”. Segundo ela, para que o ensino da música não acabe desafinando as crianças é preciso que as escolas não se apeguem a uma única tradição cultural, trazendo, assim, várias culturas musicais para a sala de aula.

A palestrante fala que não se deve ensinar música separando canto, dança e o tocar dos instrumentos, essa concepção se relaciona com a visão das crianças, pois para elas todos esses elementos não se separam um do outro, “o que as crianças entendem por música é diferente da nossa concepção”, explica.

Patrícia Campbell afirma que na hora de lecionar, primeiro ensina-se o que está mais próximo de você, a sua herança, depois o treinamento musical e o que você absorveu da música e, por fim, ensina-se a música da comunidade, o que as crianças trazem como herança. “O que ensinamos vem da gente, das crianças, da família e da comunidade”, define a palestrante.

“Tenho sorte por trabalhar com as crianças”, explica Patrícia Campbell. Segundo ela, as crianças, quando possuem a oportunidade, falam sobre o caráter social familiar da música, do seu lado funcional, da influência do professor e de suas preferências. A professora dá exemplos de frases proferidas pelas crianças durante essas conversas: “música me dá forças para continuar meu caminho”, “eu amo o sentimento da música”, “quando canto parece que todo mundo gosta de mim”, “me relaciono com as pessoas através da música”, “algumas músicas ajudam as histórias a passarem”, “ninguém conhece a minha música além de mim”, entre outros exemplos.

Para Patrícia Campbell “a música depende da sua história, do treino, daquilo que se recebe da comunidade, do que é meu e do que é nosso”, e um professor que a ensina é poderoso enquanto esperança e diferença, acreditando naquilo que faz.

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