Estudo associa o aço à madeira para criar material mais resistente

novembro 30, 2009

O objetivo é usar madeira de reflorestamendo com material metálico para se chegar a um terceiro material com propriedades propícias à construção civil

Pauta: Daniela Brisola
Reportagem: Juliana Mastelini Moyses
Edição: Vitor Oshiro e Guilherme Santana

O projeto do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UEL “Estudo de reforço metálico para peças estruturais feitas de madeira macia de reflorestamento de pinus (SSP) na região de Londrina-PR” buscou corrigir a dificuldade de trabalhar com madeira plantada na parte estrutural da construção civil, associando-a ao aço. O estudo foi coordenado pelo professor mestre Everaldo Pletz(1), pelo professor doutor Marcos Barnabé(2) e pelo professor doutor Jorge Daniel Moura, todos docentes da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que contaram com a participação de alunos e técnicos de laboratório da UEL. De acordo com o professor Jorge Daniel Moura, mestre em Arquitetura e Urbanismo pela USP, doutor em Ciências da Madeira pela École Nationale Supérieure des Technologies et Industries du Bois França Université de Nancy I e pós-doutor pela Forintek Canada Corp. Canadá, a pesquisa surgiu devido a uma série de trabalhos que visam à preservação ambiental. O término do projeto foi em 2008 e o Conexão Ciência conversou com Jorge Daniel Moura sobre os resultados do estudo.

Conexão Ciência: O que se buscou com o projeto?
Jorge Daniel Moura:
Esse projeto vem na tentativa de unir dois materiais: a madeira de reflorestamento que tem um comportamento rebelde, pois deforma ou quebra com facilidade, junto com o aço, que tem um comportamento mais previsível. A idéia era fazer uma associação desses dois materiais de tal maneira que se tivesse um terceiro com vantagens ambientais, como a madeira, pois há o benefício de seu crescimento ser rápido. Assim, utilizando mais madeira e menos aço, tentamos fazer com que os dois trabalhassem juntos, fazendo com que a peça final obtida a partir dessa associação pudesse ter propriedades mecânicas conhecidas em vários aspectos.

ConCiência: Quais propriedades mecânicas da madeira que a pesquisa buscou melhorar?
Jorge Daniel Moura:
Quando se fala em propriedades mecânicas, se fala em duas coisas. Primeiro é a deformação da madeira. É preciso garantir que a deformação que a madeira vai sofrer após ser conjugada com o aço fique dentro dos limites estabelecidos pela norma. A outra questão é a ruína, ou seja, a peça não pode quebrar. Precisamos atender a esses dois critérios com um material que seja comercialmente aceitável, com um preço competitivo e qualidade comparável aos materiais mais nobres utilizados na construção civil, que são o concreto e o aço. A idéia não é nova porque a questão da deformação e da ruína da madeira já é algo conhecido há muito tempo e existem outros tipos de reforço que se pode fazer, por exemplo, com fibra de vidro e de carbono.

ConCiência: Qual a metodologia utilizada na pesquisa?
Jorge Daniel Moura:
Primeiro, analisou-se na literatura especializada o que se tinha feito a respeito do assunto, isso é o que chamamos de “estado da arte”, ou seja, quais são as fronteiras do conhecimento naquele assunto. Isso eu fiz na época em que eu estava fazendo pós-doutorado no Canadá. Levantei na bibliografia internacional e o que havia sido feito até então. Em um segundo momento, com o grupo formado, compramos a madeira, selecionamos a madeira que íamos usar, que tipo de reforço iríamos fazer e que tipo de perfil metálico iríamos trabalhar. Decidimos fazer com cantoneiras de aço coladas externamente às peças de madeira e utilizar madeira laminada, ou seja, ela não é uma peça única, é uma colagem de três lâminas. Após os estudos, decidimos fazer a peça com um comprimento pequeno de 2,5 m. Tudo isso foi baseado na literatura que consultamos.

ConCiência: E o processo de montagem desse material até chegar aos testes?
Jorge Daniel Moura:
Fizemos a composição dessas vigas com três lâminas de 2,5 m coladas com determinado tipo de adesivo com extensões metálicas no comprimento da tábua, começando da metade da madeira, não no comprimento todo. A viga é feita de três tábuas coladas e no meio colocamos duas extensões metálicas no comprimento da madeira, então, a extensão metálica não fica na tábua toda, só na metade. Após alguns estudos, resolvemos pesquisar dois comprimentos de viga, uma com 1 m e outra com 2 m e colocamos a liga metálica no terço central da viga. O local da liga metálica foi escolhido porque o meio é o lugar que recebe as maiores tensões, a metade é a parte que tem maior responsabilidade estrutural. Geralmente se a tábua quebra, ela quebra no meio, então decidimos fazer a extensão metálica ali. Depois, testamos os dois grupos, o grupo de tábuas de 1 m e o grupo de 2 m, para ver qual demonstrava melhor resultado.

ConCiência: Como o projeto foi conduzido?
Jorge Daniel Moura:
Dentro do projeto existiam cinco equipes de comparação entre as peças testadas. Eram cinco grupos de vigas. O primeiro trabalhava com a madeira sem a viga metálica, ao qual iríamos nos reportar. Todos os resultados seriam comparados com esse, chamado de testemunha. O segundo trabalhava com o reforço de 1 m em cima da viga. O terceiro trabalhava com reforço de 1 m embaixo da tábua. O quarto trabalhava com o reforço de 2 m em cima da viga. A quinta equipe trabalhava com o reforço de 2 m embaixo da viga. No total foram feitas 70 vigas, que foram carregadas e analisadas para se chegar à que apresentava condições de trabalhar.

ConCiência: Como surgiu a idéia do projeto?
Jorge Daniel Moura:
A madeira no Brasil sempre foi utilizada de maneira muito predatória. O norte do Paraná, por exemplo, sempre foi uma grande floresta de peroba e de outras madeiras nobres. Com a abertura das fronteiras agrícolas, a floresta tornou-se um problema, então as madeiras foram retiradas sem se pensar em replantio. Hoje, no entanto, a demanda por recursos tem forçado a olhar para a floresta de outra maneira. Por que, por exemplo, nos materiais de construção, principalmente nos materiais estruturais, a madeira é o único produto que se renova, a floresta se planta e ela cresce de novo. Essa renovação se alia a vantagens ambientais, como fixação de carbono, abastecimento de lençóis freáticos e utilização do material. Até a década de 60, o Brasil era dependente da importação de celulose para a produção de papel. No período militar, teve início uma política de reflorestamento de incentivo fiscal a grandes empresas. Buscou-se na época fazer uma plantação com espécies conhecidas que tivessem um crescimento rápido e com produção em volume. Foram escolhidas basicamente duas espécies de árvores, o eucaliptus e o pinus. Resolvida a questão da dependência externa de celulose, as empresas viram que era um bom negócio. Outro jeito de aproveitamento dessa madeira é a construção civil. A indústria moveleira, sobretudo a do estofado também começou a comprar madeira de reflorestamento como matéria-prima, porque as reservas de madeira tropical ficaram cada vez mais longe e controladas. Existe uma tendência de cada vez mais mudar o foco para a madeira proveniente de floresta plantada. É por essa importância que a madeira utilizada na construção civil tornou-se nosso objeto de pesquisa.

ConCiência: A construção civil encontra algum problema na utilização da madeira de reflorestamento?
Jorge Daniel Moura:
Sim, o problema é que as espécies que foram plantadas no Brasil são propícias para a produção de papel. Na construção civil há uma série de questões que têm que ser resolvidas. Uma delas é que a madeira é muito macia, muito deformável, pouco rígida, e tem uma grande quantidade de nós, o que faz com que as propriedades mecânicas sejam comprometidas.

ConCiência: Então o objetivo do projeto é ambiental?
Jorge Daniel Moura:
Não é ambiental. O objetivo do projeto é construtivo, para a utilização na construção civil, mas esses aspectos ambientais e de qualidade são incorporados ao projeto como justificativa para o trabalho.

ConCiência: Quais as conclusões obtidas com essa pesquisa?
Jorge Daniel Moura:
O projeto iniciou em 2003 e foi encerrado no ano passado. A conclusão que chegamos é que existe uma posição melhor para se colocar o reforço metálico, por exemplo, foi estudado o reforço colocado embaixo da viga e outro colocado em cima da viga. Conclui-se que o reforço embaixo é sempre melhor. Outra conclusão é a de que o reforço em aço de 2 m de comprimento não melhora muito mais os benefícios da viga do que o reforço de 1 m, só 30%. Por isso o mais eficaz é o reforço metálico de 2 m. Quando se coloca o aço, a madeira fica mais previsível, sem o metal ela volta a ser uma estrutura frágil.

ConCiência: A pesquisa tem uma aplicação hoje?
Jorge Daniel Moura:
Por enquanto a pesquisa não tem uma aplicação imediata. Mas esse estudo é importante se for pensar na restauração de edifícios históricos. Essa é uma aplicação importante para as vigas com reforço metálico. Porque às vezes edifícios históricos precisam ter peças em quantidades separadas e se for colocar uma nova peça é preciso ter uma dimensão maior. Colocando-se um reforço desse tipo, pode-se trazer a dimensão para o tamanho original usando outro tipo de madeira. Para reforço estrutural de edifícios históricos, no qual a questão comercial por exemplo não entra, a utilização de reforço metálico é importante, como na escala comercial. Mas existem mais trabalhos que devem ser feitos para se ter um leque maior de possibilidades. Esse na verdade é a primeira abordagem do problema.

(1) Everaldo Pletz é mestre em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e doutor em Engenharia Civil pela Universidade de São Paulo (USP).
(2) Marcos Barnabé é graduado em Arquitetura e Urbanismo pela USP, especialista em Administração de Marketing pela UEL e mestre em Arquitetura e Urbanismo pela Escola de Engenharia de São Carlos(EESC).

Crédito da foto: Juliana Mastelini Moyses

Ano 6 – Edição 82 – 30/nov/2009


Projeto analisa a concentração da renda brasileira associada ao crescimento econômico do início do século

novembro 30, 2009

O estudo levará em conta as políticas de transferência de renda e, principalmente sua concentração na agricultura, além de questões como a aposentadoria e as pensões

Pauta: Daniela Brisola
Reportagem: Tatiane Hirata
Edição: Vitor Oshiro e Guilherme Santana

Quando comparados os últimos anos da década de 90 com os primeiros cinco do século XXI, o que se percebe, em termos de concentração de renda no Brasil, é uma ligeira queda. Mesmo assim, os números da desigualdade entre pobres e ricos brasileiros continuam altos, quando comparados a países desenvolvidos. Cerca 10% da população detêm mais de 50% da renda, enquanto 90% detêm aproximadamente 30% do restante da renda do país. Os dados são oriundos do projeto de pesquisa do Departamento de Economia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), “Concentração de renda e políticas redistributivas e de mercado de trabalho no Brasil”, coordenado pelo professor Doutor Carlos Roberto Ferreira, graduado em Economia pela UEL, mestre em Economia Rural pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) e doutor em Economia Aplicada pela Universidade de São Paulo (USP).

A pesquisa tem por objetivo analisar a concentração de renda no Brasil e, em especial, no Paraná e suas relações com as políticas de transferência de rendimento. De acordo com o professor Carlos Ferreira, a metodologia do estudo é quantitativa ” econômica, estatística e matemática. “Eu não vou a campo. Compro um CD vendido no Rio de Janeiro contendo os dados oficiais da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)”, explica o economista, que vem buscando essas informações desde 1982. Esses dados, entretanto, trabalham com um grupo focal de 400 mil pessoas. É um número relativamente grande, mas pequeno quando comparado à totalidade da população brasileira, que, segundo o professor, hoje, gira em torno de 190 milhões. “Através das amostras, eu procuro entender o todo. A PNAD é feita nas cidades, na área rural, em todos os estados do país, inclusive a parte rural da região norte, que é de difícil acesso. É como uma radiografia do país”, relata.

O economista explica que a PNAD mede o nível da concentração de renda no país por meio do Índice de GINI(1), um coeficiente utilizado para medir qualquer tipo de concentração, porém, mais comumente, a concentração de renda. O professor esclarece que o índice varia de 0 (zero) ” condição de igualdade total (todos tem a mesma renda) ” a 1 (um) ” condição de desigualdade máxima (apenas um indivíduo detém a renda de toda a sociedade e a renda de todos os outros indivíduos é nula). O índice de GINI brasileiro, como ressalta Ferreira, está hoje em torno de 0,6. Um número considerado alto, principalmente quando comparado com países como Estados Unidos e Japão, cujos coeficientes situam-se, aproximadamente, entre 0,3 e 0,4.

A pesquisa analisa particularmente a concentração de renda na agricultura e a questão das aposentadorias e pensões. “Temos cada vez mais pessoas com maior número de terras, tratores, colheitadeiras; e, em contrapartida, há também uma grande quantidade de agricultores que, ou estão sem, ou com pouca terra e que recebem uma renda muito pequena. Isso faz com que muitos migrem para as cidades”, declara Carlos Ferreira, que esclarece ainda o motivo da ênfase no período pós-2000 pelo projeto: “Foi para tentar fazer uma comparação entre a fase do Plano Real(2) e a fase de crescimento econômico do início do novo século. Porque o mundo, depois de 2000, principalmente 2003, teve um desenvolvimento econômico muito grande. O objetivo é verificar se esse crescimento tem sido benéfico de fato e, se sim, quem está sendo beneficiado”.

O período de desenvolvimento econômico no Brasil citado pelo economista coincide com o período de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com o Ferreira, esse fato se deve, provavelmente, às políticas redistributivas, como Bolsa Família e Fome-Zero(3): “são políticas desenvolvidas pelo governo com o intuito de retirar dos que tem mais renda, para dar aos que tem menos”. Ferreira esclarece também que antes disso, outras medidas redistributivas beneficiaram o país. Um exemplo é o próprio Plano Real, idealizado pelo então Ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, durante o governo do Presidente Itamar Franco, em 1994: “O Brasil vivia uma condição de inflação muito elevada ” uma situação que retira de quem não tem muita renda para dar a quem concentra muita renda. Quem ganhava muito e depositava nos bancos, com os juros altos, acabava beneficiado. Já para o trabalhador que ganhava, por exemplo, o equivalente a quinhentos reais, era preciso gastar tudo no supermercado assim que o salário era recebido, pois os preços dos produtos subiam todos os dias. O Plano Real minimizou a inflação e o trabalhador assalariado foi beneficiado com isso”, afirma.

Já no que diz respeito à Previdência Social, o coordenador do projeto revela a existência de uma polêmica referente à questão de ela ser ou não benéfica para a distribuição de renda. “No Brasil inteiro, nós temos cidades onde o nível de desenvolvimento é baixíssimo. Então, quando as pessoas se aposentam, isso é muito bom para elas. São pessoas que não têm renda, nem emprego, e os filhos delas também não. Isso, então, redistribui a renda. Por outro lado, na mesma cidade pobre, tem aquele que é mais rico e se aposentou também. É certo que ele contribuiu com a Previdência, mas como as regras não são muito bem definidas, há pessoas que já tem um poder aquisitivo muito bom e recebem um valor muito alto. Diferente daquela que sempre teve que trabalhar muito e ganhar pouco, porque não teve estudo, e que recebe salário mínimo”, explica.

Outro ponto analisado no trabalho é a situação do mercado de trabalho brasileiro. O pesquisador cita algumas das mudanças ocorridas no período que compreende o estudo: “A década de 80 foi praticamente perdida, no sentido em que passamos por uma recessão e não houve crescimento econômico. Consequentemente, as pessoas não tinham emprego. Havia um nível de informalidade muito grande ” pessoas tendo que fazer “bicos”, trabalhar na rua. Já quando se analisa o final da década de 90, há uma inversão. Percebe-se um crescimento mundial e brasileiro acentuados, as pessoas tendo emprego. Houve uma melhoria na qualidade de vida, no sentido do trabalho ” e isso faz com que haja renda e uma melhoria em termos de distribuição ” só que isso não é uma forma igualitária, estamos muito distantes do ideal”, afirma. De acordo com o economista e professor Doutor Carlos Ferreira, para melhorar a situação da distribuição de renda, é necessário melhorar a educação. As pessoas precisam ter qualificação. “Tudo é muito automatizado hoje, não há o mesmo nível de emprego de antigamente. Há crescimento econômico, mas não há crescimento de emprego na mesma intensidade. É uma série de fatores que discutimos dentro do trabalho para enfatizar”, completa.

Em relação ao Paraná, em termos de distribuição de renda, a pesquisa revela que o estado se encontra em uma condição um pouco melhor que a média brasileira, mas possui a média mais baixa do sul do país, principalmente na região rural. “A região metropolitana de Curitiba, o norte do estado e cidades da parte oeste, como Cascavel, Foz do Iguaçu e outras próximas estão em uma boa condição de distribuição de renda. O resto é que é muito complicado. As cidades entre Londrina e Ponta Grossa, por exemplo, são cidades onde a terra não é boa para agricultura e a região é montanhosa. Nesses lugares, o índice de pobreza é muito alto. Chega a se comparar com as regiões pobres do Nordeste do país, ou até pior. Dentro de um mesmo estado, temos regiões muito ricas e muito pobres”, analisa Carlos Roberto Ferreira.

O pesquisador ressalta neste ponto a importância do projeto e do que ele pretende proporcionar: “a contribuição que esperamos é mostrar para institutos do governo que há situações em que determinadas políticas não são necessárias em cidades como Londrina, mas deveriam ser implantadas, por exemplo, em Mauá da Serra. Às vezes, equivocadamente, são colocadas em cidades que não estão precisando. Aqui, há condições de suprir essas necessidades pelas próprias indústrias e pelo comércio. Enquanto que outras cidades menores dependem muito mais de um olhar mais aprofundado do governo para melhorar a sociedade, a população”, finaliza o coordenador.

(1) O Coeficiente de Gini é uma medida de desigualdade desenvolvida pelo estatístico italiano Corrado Gini, e publicada no documento “Variabilità e mutabilità” (italiano: “variabilidade e mutabilidade”), em 1912. É comumente utilizada para calcular a desigualdade de distribuição de renda, mas pode ser usada para qualquer distribuição. (Fonte:Wikipedia)
(2) Plano Real foi um programa brasileiro de estabilização econômica, iniciado oficialmente em 27 de fevereiro de 1994 com a publicação da Medida Provisória nº 434 no Diário Oficial da União. Tal Medida Provisória instituiu a Unidade Real de Valor (URV), estabeleceu regras de conversão e uso de valores monetários, iniciou a desindexação da economia, e determinou o lançamento de uma nova moeda, o Real. (Fonte:Wikipedia)
(3) O Programa Bolsa Família (PBF) é um programa de transferência de renda com condicionalidades criado pelo Governo Lula em 2003 para integrar e unificar ao Fome Zero os antigos programas criados no Governo FHC: o “Bolsa Escola”, o “Auxílio Gás” e o “Cartão Alimentação”. O PBF é tecnicamente chamado de mecanismo condicional de transferência de recursos. Consiste-se na ajuda financeira às famílias pobres, definidas como aquelas que possuem renda per capita de R$ 70,01 até 140,00 e extremamente pobres com renda per capita até R$ 70,00. A contrapartida e que as famílias beneficiárias mantenham seus filhos e/ou dependentes com frequência na escola e vacinados. Fome Zero é um programa do governo federal brasileiro que foi criado em 2003, em substituição ao Programa Comunidade Solidária. que fora instituído pelo Decreto n. 1.366, de 12 de janeiro de 1995, para o enfrentamento da fome e da miséria. (Fonte: Wikipedia)

Crédito da foto: Tatiane Hirata

Ano 6 – Edição 82 – 30/nov/2009


Sabonete líquido anti-séptico está sendo desenvolvido na UEL

novembro 30, 2009

Alunos e professores do curso de Farmácia idealizaram o produto a partir da flor cravo de defunto

Pauta: Daniela Brisola
Reportagem: Roberta Oliveira
Edição: Vitor Oshiro, Kauana Neves e Guilherme Santana

“A mesma flor que hoje enfeita as praças e os canteiros de várias cidades está a caminho de dar origem a um sabonete líquido bactericida”. É o que diz a professora de Cosmetologia da Universidade Estadual de Londrina, (UEL), Audrey Lonni. Ela é graduada em Farmácia e Bioquímica na UEL e concluiu o mestrado em Química dos Recursos Orgânicos na mesma Universidade.

Desde o começo desse ano, a professora é a coordenadora do projeto “Avaliação da Atividade Anti-séptica das Folhas e Flores de Tagetes pátula”, que estuda a criação de um sabonete a partir dessa variedade francesa da flor que compõe o título do trabalho, mais conhecida como cravo de defunto.

“Priorizamos a Tagetes porque, diferentemente de outras plantas muito empregadas, não havia nenhum cosmético produzido com ela”, a professora Audrey Lonni explica, e diz que a idéia do projeto era, desde o começo, trabalhar com plantas medicinais que possuíssem uma utilidade para a cosmetologia. “Fazendo uma revisão bibliográfica, descobrimos essa flor [o cravo de defunto]. Vários estudos relatavam o potencial antimicrobiano do seu óleo essencial, mas não havia nada falando de suas flores ou folhas. Ou uma produção desse tipo com elas. Então, pensamos em criar um sabonete líquido anti”séptico(1) para as mãos a partir delas.” Líquido porque, segundo a professora, os sabonetes em barra tendem a prejudicar a pele já que, por sua própria composição, seu pH(2) difere do da pele, que é levemente ácida, devido às secreções naturais, como o suor.

A coordenadora Audrey Lonni explica que o sabonete é produzido a partir da uma junção de três ingredientes principais: tensoativo, emoliente e o extrato das flores. “A primeira substância é anfifílica, tendo a capacidade de remover a sujeira da pele ou do cabelo junto com a água. Emolientes são os responsáveis por amaciar a pele”. Já o extrato dos cravos, a professora explica é obtido através de flores provenientes de uma floricultura de Campinas. Ao chegar, faz-se um processo chamado de exsicata(3) com as flores. “Uma exsicata é quando se cola a amostra ressecada da planta em uma folha sulfite e assim sua espécie pode ser confirmada pela taxonomista(4) no herbário, onde ficam armazenadas as amostras. É como o RG da planta”, complementa.

Finalizada essa etapa, a professora explica que a extração pode ser obtida por várias técnicas diferentes e comuns desse tipo de produção, como a maceração, que é deixar a flor em contato com o líquido extrator por cerca de vinte dias. “Outra técnica que tentamos foi a percolação. Analogicamente falando, é como se você fosse fazer café, e o que se têm é o extrato. Mas a técnica que rendeu melhores resultados foi a turbo extração. Literalmente, trituramos as flores, que acabaram provando ser a melhor fonte para o extrato, no liquidificador. O resultado é uma mistura hidroalcoólico, então o extrato cheira a álcool. Vamos adicionar uma essência qualquer para que ele ganhe um odor agradável, de preferência, floral”, afirma.

De acordo com a pesquisadora Audrey Lonni, o sabonete líquido, ainda não se encontra na fase de testes, mas já apresenta ter uma ótima relação custo benefício “Cerca de 5 ml do extrato floral rende 100ml do sabonete líquido, custando mais ou menos uns dez reais para produzir”. Para a professora, entretanto, a maior vantagem é mesmo sua característica anti- séptica, isto é, de agir na parede celular de fungos e bactérias, destruindo-os.

E neste ponto, a coordenadora Audrey Lonni cita que, quando colocaram bactérias em contato com o extrato da flor, essa característica foi confirmada por ela e pelos outros membros do projeto – dois professores e quatro alunos do curso de Farmácia da UEL, entre outros colaboradores. “Os resultados estão vindo, tanto que nós recebemos o primeiro lugar no III Congresso de Extensão da Universidade Norte do Paraná (UNOPAR)”, conta.

Na opinião dela, a atual tendência para que quase todos os produtos cosméticos tenham alguma origem natural é positiva. “Substâncias anti-sépticas de origem sintética podem causar efeitos colaterais como alergias”, revela a pesquisadora.

Apesar de satisfeita com os resultados parciais, a coordenadora afirma que há planos futuros. “Além da criação de uma patente do sabonete anti-séptico para uma futura comercialização, pensamos em produzir e criar patentes para um sabonete para o rosto que trate da acne; um pré-cirúrgico; e até um enxaguante bucal”, conclui.

(1) Anti-séptico se refere a tudo o que for utilizado no sentido de degradar ou inibir a proliferação de microrganismos presentes na superfície da pele e mucosas. São substâncias usadas para desinfectar ferimentos, evitando ou reduzindo o risco de infecção por ação de bactérias ou germes. (Fonte: Wikipédia)
(2) PH é o símbolo para a grandeza físico-química “potencial hidrogeniônico”. Essa grandeza indica a acidez, neutralidade ou alcalinidade de uma solução líquida. (Fonte: Wikipédia)
(3) Exsicata é uma amostra de planta seca e prensada numa estufa (herborizada), fixada em uma cartolina de tamanho padrão acompanhadas de uma etiqueta ou rótulo contendo informações sobre o vegetal e o local de coleta, para fins de estudo botânico. Exsicatas são normalmente guardadas num herbário. (Fonte: Wikipédia)
(4) Taxonomista é aquele encarregado de estudar e classificar os organismos vivos. (Fonte: Wikipédia)

Crédito da foto: Roberta Oliveira

Ano 6 – Edição 82 – 30/nov/2009


Estudo busca mostrar que é possível aliar desenvolvimento econômico e ambiental

novembro 30, 2009

Projeto afirma que, muitas vezes, o investimento em questões ambientais pode ser até mesmo mais rentável que a simples “degradação”

Pauta: Ana Carolina Contato
Reportagem: Leonardo Caruso
Edição: Vitor Oshiro e Guilherme Santana

Muitos ambientalistas protestam que o desenvolvimento econômico traz impactos negativos ao meio ambiente. Mas, você sabia que é possível ter lucros e realizar preservação ambiental? É nesse contexto que se insere o projeto do Departamento de Ciências Econômicas da UEL “Valoração Econômica, Ecologia e Meio Ambiente: Sustentabilidade Regional e Urbana no Mercado Verde”.

Coordenado pela professora Irene Domenes Zapparoli, formada em Ciências Econômicas pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), mestrado em Economia Rural pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e doutora em Educação: História, Política, Sociedade pela Pontífica Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), o projeto atua na formação universitária e na colaboração de questões do meio ambiente, pois a “economia do meio ambiente é um assunto pouco estudado”, afirma a professora Irene Zapparoli.

De acordo com a coordenadora, o projeto tem como metas aprofundar conhecimentos adquiridos ao longo dos cursos de graduação e pós-graduação, educar os participantes para a preservação do ambiente e despertar o interesse de estudantes e empresários em empreendimentos e ações sustentáveis.

A professora afirma que o projeto é “responsável” pela orientação de 16 Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC), quatro trabalhos de especialização e um de mestrado. Rafael Lavrador Sant”anna, aluno do último ano de Ciências Econômicas da UEL, teve a professora como orientadora de seu TCC, de título “Bioeletricidade ” Geração de energia elétrica pela biomassa da cana-de-açúcar”. “Sempre tive interesse nos assuntos de geração de energia e meio ambiente e a professora teve papel essencial na orientação do meu trabalho”, conta o estudante. A responsável pelo projeto acrescenta que o tema abordado por Sant”anna está diretamente ligado à Valoração Econômica, Ecologia e Meio Ambiente. “Os conceitos que desenvolvemos no projeto foram utilizados por Rafael”, diz.

A coordenadora explica que o processo de valoração é feito a partir da análise de dados sobre os custos de investimento, viabilidade econômica, viabilidade ambiental e conseqüências sócio-ambientais na região que se pretende instalar o empreendimento. “Realizamos, também, estudos de formas a minimizar impactos ambientais sem interferir, ou interferindo positivamente na geração de lucros. Desse modo, conseguimos valorar os custos e benefícios de um empreendimento, tanto financeiro quanto ambientalmente”, explica a professora Irene Zapparoli
Segundo a coordenadora, baseado em teorias de economia do meio ambiente, e levando em consideração as leis sobre solo, água, resíduos e planejamento urbano, é realizado o Estudo de Impacto de Vizinhança e o Relatório de Impacto de Vizinhança, que consiste na análise da interferência dos empreendimentos sobre o ambiente urbano, tendo por conteúdo mínimo a caracterização do empreendimento, o diagnóstico da área de influência, e a avaliação de impactos significativos. “Muitos dos dados são colhidos no empreendimento, nos equipamentos utilizados e em plebiscitos”, acrescenta Irene Zapparoli.

A professora mostra a importância do projeto afirmando que há falta de estudos econômico-ambientais. Assim, são citadas as grandes usinas hidrelétricas que temos no Brasil como exemplo. Segundo ela, a construção de usinas menores causariam menor degradação ambiental e uma otimização dos recursos naturais e, conseqüentemente, econômicos. A professora explica também que muitas vezes é viável a construção de PCHs (pequenas centrais hidrelétricas) uma vez que a energia produzida pode superar o consumo e servir de renda extra. “Além disso, essas pequenas centrais trazem outros benefícios, como criação de lagos que podem servir para pesca e lazer”, acrescenta.

A professora Doutora Irene Domenes Zapparoli estima que já tenham sido publicados em torno de 20 artigos em congressos e revistas. O projeto atende desde grandes empresas que necessitam de Redução Certificada de Emissão de Gases do Efeito Estufa* a empreendimentos menores.

* Créditos de carbono ou Redução Certificada de Emissões (RCE) são certificados emitidos quando ocorre a redução de emissão de gases do efeito estufa (GEE) http://pt.wikipedia.org/wiki/Créditos_de_carbono

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Ano 6 – Edição 82 – 30/nov/2009


Enzima pode potencializar o desempenho das aves

novembro 23, 2009

Pesquisa de Zootecnia avalia a utilização de diferentes níveis de um complexo enzimático nas rações de galinha


Reportagem: Karina Constâncio

Pauta: Daniela Brisola

Edição: Kauana Neves

A utilização de enzimas digestivas exógenas nas rações de galinhas tem o intuito de melhorar o aproveitamento dos nutrientes, proporcionando melhor desempenho das aves e também reduzindo a quantidade de resíduos depositados no ambiente. É o que afirma o Professor Alexandre Oba, graduado, mestre e doutor em Zootecnia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) e coordenador do projeto “Utilização de complexo enzimático nas rações de galinhas poedeiras”.  O projeto, que foi concluído em agosto deste ano, contou com a participação de seis estudantes do curso de Zootecnia da Universidade Estadual de Londrina. O Conexão Ciência conversou com o professor Alexandre Oba sobre os resultados da pesquisa.

Conexão Ciência: O que são enzimas digestivas exógenas? E por qual motivo se dá o uso dessas enzimas nas rações?

Dr. Alexandre Oba: Quando nos alimentamos, se não tivéssemos as enzimas produzidas pelo nosso organismo, não seria possível aproveitar os alimentos, pois o nosso organismo tem a capacidade de absorver apenas moléculas simples. Se comermos arroz, que é amido, nosso organismo não o absorve. Por isso ele precisa ser quebrado até se tornar uma molécula simples que é a glicose, e assim o organismo vai absorver. É isso que acontece com a proteína e os lipídios também, as proteínas precisam ser reduzidas em aminoácidos e os lipídios em ácidos graxos para serem absorvidos. Com as aves, acontece a mesma coisa: as substâncias responsáveis por essa quebra são as enzimas. Têm partes dos alimentos que são facilmente degradadas – as aves vão conseguir quebrar com facilidade e utilizarão aquele nutriente – como também tem partes que não são aproveitadas. Como elas não conseguem produzir determinadas enzimas, pois, não fazem parte do seu hábito alimentar, as aves não vão conseguir aproveitar essa fração nutricional, e consequentemente, isso passa pelo trato digestório sem sofrer absorção. Então, quando colocamos enzimas na dieta do animal, o intuito é facilitar o aproveitamento de nutrientes, fazendo com que ocorra com mais facilidade a quebra desses nutrientes e, conseqüentemente, o animal consiga aproveitar melhor os alimentos.

Conexão Ciência: Normalmente, como essas enzimas podem ser utilizadas?

Dr. Alexandre Oba: Até um ou dois anos atrás, as enzimas eram utilizadas em apenas algumas condições: quando o animal estava doente, quando o tempo estava muito quente, ou quando o alimento estava muito caro. Hoje, como o valor dessas enzimas caiu bastante, elas estão sendo usadas de forma mais constante. Podem ser acrescentadas enzimas que o organismo não produz, com o objetivo de tentar aproveitar aquele nutriente que não pode ser quebrado e transformá-lo em uma molécula simples, ou colocar alguma enzima já produzida pelo animal com o intuito de economizar nutrientes e energia gasta para a produção de enzimas. Muitas pessoas estão usando a fitase, que é uma enzima que aumenta o aproveitamento de fósforo, nas rações. Para se ter uma ideia, dois terços do fósforo presente nos cereais (milho, soja) que o animal come está em uma forma que ele não pode absorver. O animal come, mas não aproveita. Aumentando a quantidade absorvida desse mineral, vai ser liberado menos fósforo no ambiente reduzindo a poluição dos solos e da água.

Conexão Ciência: Quais são as substâncias que não são digeridas pelos animais?

Dr. Alexandre Oba: Podemos citar os ácidos fíticos e os polissacarídeos não amiláceos (PNA’s). Os animais monogástricos (que tem um estômago), em geral, não possuem a capacidade de digerir os polissacarídeos não amiláceos. Uma vez não digeridos, os PNA’s funcionam no intestino como uma esponja retendo água e, como consequência, ocorrerá o aumento da viscosidade da digesta, ou seja, do conteúdo digestivo. Com o aumento da viscosidade, a movimentação é menor e fica mais difícil das enzimas entrarem em contato com os nutrientes aumentando o número de nutrientes não degradados. Além disso, a viscosidade da digesta interfere nas funções fisiológicas do intestino. Se o frango tem também uma digesta rica desses polissacarídeos que não são absorvidos, há o aumento da umidade das fezes, o que prejudica a cama, que é onde o animal vive. A serragem vai ficar muito úmida e, portanto, vai ocorrer maior fermentação, maior liberação de gases e tudo isso é prejudicial para o animal.

Conexão Ciência: Qual o objetivo do projeto?

Dr. Alexandre Oba: O objetivo do projeto foi verificar, a partir de testes em galinhas velhas, ou seja, no final do seu ciclo de produção, se com o fornecimento desse complexo enzimático estas aves passariam a produzir maior quantidade de ovos, ovos com melhor qualidade de casca, se melhoraria a qualidade interna destes ovos, se mudaria o trato digestório em termos de viscosidade e de microbiologia, além de avaliar a ação das enzimas sobre a microflora do intestino delgado e as características da digesta e das fezes.

Conexão Ciência: Que método foi utilizado para o desenvolvimento do projeto?

Dr. Alexandre Oba: Foram feitos testes com quatro níveis de complexo enzimático (50, 100, 150 e 200 mg/kg), com 9 repetições, de 8 aves por parcela experimental, mais um tratamento com 5 repetições, de 8 aves por parcela experimental, durante um período de 4 ciclos de 28 dias. O complexo enzimático era formado palas enzimas: fitase, celulase, pectinase, protease, amilase, betaglucanase e xilanase.

Conexões Ciência: Que resultados foram obtidos com a pesquisa?

Dr. Alexandre Oba: Após a pesquisa verificamos que as enzimas diminuíram a viscosidade, aumentaram o pH da digesta, mas, em termos de desempenho e qualidade do ovo não houve melhora. A parte microbiológica teve uma diferença, porém, não significativa. Pesquisa é assim, nem sempre temos os resultados esperados e isso não quer dizer que seja um resultado ruim.

Conexão Ciência: Os resultados vão ser publicados?

Dr. Alexandre Oba: Eu pretendo publicar em alguma revista da área de agropecuária, só ainda não pensei em qual, mas, os resultados já foram apresentados no Encontro Anual de Iniciação Científica (EAIC) realizado, este ano, na Universidade Estadual de Londrina.


Mais possibilidades de comunicação para o deficiente visual

novembro 23, 2009

A partir de um sistema que transforma as informações digitadas no computador em código braile, o deficiente visual tem a mais possibilidade de inserção na sociedade


Pauta: Ana Carolina Contato

Reportagem: Beatriz Pozzobon

Edição: Beatriz Assumpção e Fernanda Cavassana

Os deficientes visuais também são beneficiados pelos avanços tecnológicos. O projeto “Implementação de uma interface de leitura fixa em braile para deficientes visuais”, coordenado pelo professor da UEL, Walter Germanovix, é um exemplo disso, já que o projeto tem o objetivo de melhorar a qualidade de vida de pessoas cegas.

Engenheiro elétrico, formado em 1980 pelo Instituto Nacional de Telecomunicações (INATEL) e doutor pela Universidade de Londres em 1988, Walter Germanovix afirma que todo projeto nasce de uma necessidade ou de uma observação.  O projeto de leitura fixa em braile pode ser considerado que nasceu dos dois fatores. “Estava observando uma pessoa a utilizar o Messenger (programa de mensagens instantâneas) e pensei: Como uma pessoa com deficiência visual poderia estar ali fazendo o uso desse sistema, uma vez que ela teria que teclar os dados no computador? Então eu tive a idéia de que aqueles caracteres que estavam aparecendo no monitor do computador pudessem ser transformados em braile”, afirma Germanovix.

No período de duração do projeto, três anos, o professor elaborou um protótipo*, que ainda precisa ser desenvolvido para ser comercializado.  O produto foi chamado de “Interface** Braile Automatizada”. Essa interface é dividida em duas partes: hardware e software. O hardware é o conjunto eletromecânico do protótipo, responsável em transformar uma superfície, inicialmente plana, em código braile. “A superfície plana é equipada de pontos, para a formação dos caracteres braile, que quando acionados eletricamente, formarão a letra, palavra ou frase escrita na linguagem que o deficiente visual possa ler. O hardware também compreende circuitos eletrônicos analógicos e digitais, onde a parte digital é constituída por microprocessador”, explica Germanovix.

O software (programa criado pelo professor) faz a interface do usuário com o microcomputador e permite processar os sinais elétricos gerados para a formação dos caracteres. O software foi utilizado no teste prático, como explicado por Germanovix: “um aluno deficiente visual utilizou o sistema e, a cada caractere digitado ele leu, por meio do tato, o caractere na interface braile automatizada”.

Esse projeto é inovador na medida em que se comunica com o deficiente visual por meio do próprio código braile. A comunicação com essas pessoas é feita, em outros sistemas do mercado, por meio de sons. Segundo Walter Germanovix, esses sistemas são falhos, pois podem incomodar os que estão por perto em locais como: instituições bancárias, escolas, órgãos públicos, entre outros. A inovação se dá justamente na não utilização de sons como meio de comunicação com o portador de deficiência visual.

O sistema pode também produzir os sons em casos específicos, como na alfabetização de pessoas cegas.  “Na condição de alfabetização, o computador repete as letras que estão sendo geradas”, afirma Germanovix. Como explica o professor, o sistema foi desenvolvido de forma que as pessoas que tenham a visão em condições normais possam interagir e ajudar no aprendizado do alfabeto braile.

O projeto foi iniciado em 2006 e concluído em 2008. De acordo com o professor, a pesquisa foi concluída com a produção do software, ou seja, ainda não foi colocada em prática com o hardware. Germanovix, por sua vez, se mostra confiante na continuidade: “Temos planos para que em breve mais alunos se envolvam para dar continuidade no projeto, e ai sim, ele venha ser uma realidade”. Os resultados foram publicados ano passado na “Semana Nacional de Ciência e Tecnologia” promovida pela UEL. E também foram apresentados no IV Congresso Latino-americano de Engenharia Biomédica realizado na Venezuela em 2007.

*Protótipo é um produto que ainda não foi comercializado, mas está em fase de testes ou de planejamento.

**Interface é a conexão entre dois dispositivos em um sistema de computação. Também usado para definir o modo (texto ou gráfico) de comunicação entre o computador e o usuário.



Pesquisa visa encontrar composto que previna lesões na pele causadas pela radiação solar

novembro 23, 2009

Projeto na área de patologia estuda os efeitos do raio UVB na pele e uma substância para evitar essas lesões

Pauta: Daniela Brisola

Reportagem: Vanessa Freixo

Edição Beatriz Assumpção e Fernanda Cavassana

 

O sol pode apresentar tanto efeitos benéficos quanto maléficos ao organismo humano. De acordo com informações publicadas no site Spiner (www.spiner.com.br), a exposição solar promove a síntese da vitamina D, necessária para fortalecer os ossos e evitar o raquitismo, além de ter um papel importante na manutenção da saúde mental e do ritmo biológico humano. No site também é informado que o sol, se em excesso e sem a devida proteção (filtro solar e tratamento pós-sol) pode ocasionar vários problemas à saúde, como queimadura, sardas, reações de fotossensibilidade, imunossupressão e envelhecimento precoce da pele.

A professora Alessandra Lourenço Cecchini, graduada em Farmácia e Bioquímica pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), mestre em Bioquímica pela Universidade de São Paulo (USP) e doutora em Toxicologia pela mesma Universidade, está coordenando o projeto “Ação de biomoléculas antioxidantes na prevenção da lesão de células da pele de camundongos expostos a irradiação UVB” e busca alternativas para proteger a pele dos efeitos do raio ultravioleta B. Alessandra afirma que os raios ultravioletas A e B, mais conhecidos como UVA e UVB, são alguns dos raios que compõem a luz solar. Mas, conforme ela, o UVA causa o fotoenvelhecimento da pele e o UVB queimaduras solares.

A proposta deste projeto, segundo Alessandra Cecchini, é “pesquisar um composto que proteja e evite a lesão celular da pele pela exposição ao raio UVB, além de tentar entender o que acontece nela e os mediadores químicos envolvidos nesta lesão”. A professora afirma que os radicais livres são moléculas extremamente reativas, originadas, na maioria das vezes, pela quebra de moléculas de água, e que eles desestabilizam nosso organismo. Por isso, o projeto busca encontrar moléculas antioxidantes (substâncias que inibem a oxidação de moléculas biológicas importantes) capazes de evitar a formação destes radicais livres e as lesões por eles ocasionadas. “A melanina é o pigmento natural da epiderme, produzida pelos melanócitos, que a protege e absorve a radiação ultravioleta. Ela é um antioxidante natural que temos e, no projeto, buscamos outros compostos que ajam da mesma forma”, explica Alessandra Cecchini.

A coordenadora do projeto acrescenta que a pele costuma se proteger por si só, mas ao longo da vida há a diminuição dessa capacidade. Assim, inflamações freqüentes e seguidas no tecido epitelial (aquela vermelhidão que causa ardor e pode causar descamação) podem acarretar em câncer de pele. São três os tipos, de acordo com a professora Alessandra Cecchini: o melanoma, que é o mais grave, o carcinoma espinocelular e o carcinoma basocelar, o mais leve deles. Apesar de corresponder a cerca de 25% de todos os tumores malignos registrados no Brasil, os cânceres de pele têm alto percentual de cura desde que detectado precocemente e retirado com intervenção cirúrgica .

A doutora Alessandra Cecchini certifica que o projeto terá continuidade em 2010. Primeiro, no início do ano, um artigo sobre o envelhecimento da pele será publicado. Depois, ao longo dos meses, o estudo avançará de células animais para humanas, com a cultura de fibroblastos, células da pele.  Dessa forma, biomoléculas antioxidantes provenientes de plantas, principalmente da soja, serão transformadas em fórmula farmacêutica e testadas, para agirem na prevenção de lesões celulares ocasionadas pela exposição ao sol.