A dança como meio de socializar as crianças

Projeto de extensão do Departamento de Estudos do Movimento do Corpo incentiva crianças do Colégio de Aplicação a conhecer o próprio corpo e a respeitar seus limites

Pauta: Daniela Brisola

Reportagem: Camila Venceslau

Edição: Beatriz Assumpção e Marcia Boroski

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Está sendo desenvolvido no CEFE, Centro de Educação Física e Esportes da UEL, da Universidade Estadual de Londrina, UEL, o projeto de extensão “Dança na escola: uma proposta para ampliar a socialização de alunos do ensino fundamental em acompanhamento progressivo da 1ª a 3ª série em escola pública de Londrina/PR”. Quem coordena o projeto é a professora especialista em Movimento Humano pela UEL, Débora Beatriz Martins. O trabalho é feito com o auxílio dos estagiários do curso de Licenciatura em Educação Física da Universidade. Eles ensinam dança para 40 crianças do Colégio de Aplicação da UEL e as ajudam a criar consciência de seu espaço e a respeitar o espaço dos outros. Os ensaios do grupo acontecem duas vezes por semana, na quadra de esportes do CEFE. O projeto “Dança na escola” teve início em junho do ano passado, mas os ensaios do grupo só começaram este ano. Seu término está previsto para maio de 2011.

Conexão Ciência: Qual o objetivo do projeto?

Profa. Débora Beatriz Martins – O objetivo, no geral, é intervir junto aos estudantes de forma progressiva. Comecei com os alunos da primeira série do Colégio de Aplicação da UEL e vou com eles até a terceira série, para inserir a dança como elemento de ampliação da socialização. Na socialização você prepara a pessoa e tudo aquilo que há ao redor dela.

Conexão Ciência: Por que a escolha de alunos da 1ª a 3ª série?

Profa. Débora Beatriz Martins –Eu escolhi a primeira série por que o nosso objetivo é um trabalho contínuo com a dança. É como ensinar a criança a ler e escrever. E a proposta que eu sempre tive com a dança é de fazer uma união com outras disciplinas.Com toda sua imaginação, elas ajudam a montar as próprias coreografias, baseadas nas brincadeiras que mais gostam, mas sempre respeitando o que o colega gosta também. Quem assiste, vê um pouquinho de cada um e não uma dança com a “cara” do professor de dança.

Conexão Ciência: De que maneira a dança funciona como elemento de socialização?

Profa. Débora Beatriz Martins – A socialização vai ser feita ao longo do projeto, isso ao longo dos três anos de sua duração. Hoje quando se trabalha com crianças tem que ter muito cuidado, porque os movimentos que eles desenvolvem, se analisarmos, são próprios de cada um deles. Eu não chego lá e falo “vocês vão fazer esse passo”. Nós só orientamos as atividades que eles vão desenvolver, pois a forma como eles desenvolvem as atividades são próprias deles. Espero que ao final do acompanhamento da dança, a criança tenha uma melhor interação com as outras pessoas e que não tenha bloqueios. As atividades que desenvolvemos servem para que a criança aprenda a se gostar, a reconhecer seus limites e os limites dos outros. No final destes três anos de ensino de dança no Aplicação eu quero que a criança saia com a consciência de que aprendeu algo para sua vida.

Conexão Ciência: Existem atividades específicas e direcionadas para cada faixa etária?

Profa. Débora Beatriz Martins – Não, todas as atividades desenvolvidas com crianças de primeira série também podem ser aplicadas em pessoas adultas também. É claro que algumas se voltam para o lado emocional, por que não tem como desenvolver um movimento que não tenha uma ação justificada. A criança tem que sentir prazer naquilo que ela realiza e este prazer deve ser intrínseco a ela, pois se não, ela não vai conseguir se desenvolver na dança. Trabalhando dessa maneira é possível perceber quem são os mais agressivos, os líderes da turma, identificar quais são as crianças que tem dificuldade maior de relacionamento e assim, podemos fazer um mapeamento das necessidades de cada criança, para definirmos de que maneira isso pode ser melhorado.

Conexão Ciência: Já foi feito algum diagnóstico do projeto?

Profa. Débora Beatriz Martins – Ainda não fizemos nenhum diagnóstico, pois o projeto teve início praticamente no segundo semestre deste ano, mas eu e os estagiários que me auxiliam, discutimos quais as melhores atividades a serem aplicadas e em conjunto decidimos o que vai ser feito de acordo com as necessidades que as crianças possuem.No final das atividades, pretendemos desenvolver um caderno pedagógico, para que outros professores da escola possam dar continuidade ao trabalho. Ao longo dos anos em meu trabalho com dança, percebi que depois que terminei as atividades nas escolas o projeto não tinha continuidade. Agora, a nossa proposta é que a professora da turma que estamos trabalhando também atue junto conosco. Assim, além de formar a criança, formamos o professor também.

Conexão Ciência: Para você, o que a dança significa na vida destas crianças?

Profa. Débora Beatriz Martins – Hoje, o que eu observo nos colégios que não possuem aulas de dança, é que todos pensam que a dança é para quem sabe dançar, e isso não é verdade, pois todo movimento repetido ao som de uma música se transforma em dança. É claro que não exigimos que a criança possua técnica de um dançarino de balé. Queremos que elas tenham prazer nos movimentos e uma outra concepção sobre a dança.

Créditos da foto: Camila Venceslau

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