Projeto visa descobrir as causas e as possíveis soluções para a criminalidade juvenil

A pesquisa leva em conta todos os fatores que induzem o jovem a entrar na criminalidade, como a história social e familiar e o anseio pelo reconhecimento da sociedade

Edição: Beto Carlomagno e Vitor Oshiro

Pauta: Ana Carolina Contato

Reportagem: Guilherme Santana

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A Dra. Vera Lúcia Suguihiro afirma que o projeto alcançará o resultado desejado quando conhecer a motivação do envolvimento do jovem com o crime

Quem é o responsável pela criminalidade infanto-juvenil? O jovem infrator? O governo mesmo? Ou a sociedade? Se essas e outras perguntas sobre o tema norteiam seus pensamentos, a resposta provavelmente virá com o projeto de pesquisa “Criminalidade Juvenil: A vulnerabilidade dos adolescentes”. Segundo a coordenadora do projeto, assistente social e professora Dra. Vera Lúcia Tieko Suguihiro¹, o estudo tem como objetivo encontrar as razões que caracterizam o envolvimento do jovem com a criminalidade.

Além do acompanhamento da Dra. Vera Suguihiro na prática do Serviço Social, o projeto possui a colaboração da psicóloga professora Dra. Mari Nilza Ferraride Barros². As duas professoras identificaram a ampliação do envolvimento de adolescentes em relação à criminalidade junto da grande discussão sobre reduzir a maioridade penal³, e segundo a psicóloga, os dois fatores coincidindo dão o significado de que a sociedade vem imputando ao jovem a culpa de seu crime. “Nós percebemos que é mais fácil transferir ao adolescente um nível de envolvimento com o crime do que pensar em políticas públicas”, afirmou a coordenadora, que em seguida cita duas questões que permeiam o trabalho: “Porque o jovem está se envolvendo com a criminalidade?” e “O  que determina esse aumento de infratores?”.  A pesquisa, de acordo com a assistente social, resgatou toda a condição sócio-histórica e familiar das crianças e dos adolescentes em situação de risco para entender o envolvimento com o crime e, a partir daí, encontrar as falhas das políticas públicas de atendimento ao adolescente.

O projeto se desenvolveu em duas etapas. A primeira, pesquisa quantitativa, com um levantamento estatístico de quantos jovens cumpriram medida sócio-educativa nos últimos cinco anos no CENSE II (Centro de Sócio-Educação). “Tentamos realizar o trabalho no CENSE I, mas pela permanência nesse órgão ser pequena, 45 dias, não era possível conseguir resultados sem um grupo focal, então passamos para o CENSE II, que é onde os jovens já estão cumprindo a medida sócio-educativa e de internamento, determinada pelo juiz”, explica a Dra. Mari Nilza Barros, a respeito da maneira como se deu o primeiro passo do projeto, que ainda levaria em conta o registro de passagem, se há ou não reincidências, a natureza do crime e a idade desse jovem.

A segunda etapa, segundo a Dra. Mari Nilza, é baseada em entrevistas com os adolescentes no CENSE II. “Explicamos o objetivo da pesquisa, pedimos autorização para os familiares, pois era importante reconstruir a história familiar, socialização e o histórico da prática de delitos. Ao mesmo tempo eram realizadas entrevistas com os familiares para conhecer a história familiar e todos os aspectos da criação dos filhos”, esclarece a pesquisadora. De acordo com a Dra. Vera Lúcia Suguihiro, até o fim do ano será formulado um relatório que será encaminhado à Secretaria de Estado da Criança e da Juventude (SECJ) cuja sede fica em Curitiba. “A intenção é elaborar medidas públicas que possam prevenir a criminalidade na juventude, ou seja, a partir dos programas, evitar os problemas e não mediá-los depois”, afirma a coordenadora.

Até o momento, o projeto já obteve alguns resultados com o grupo focal no CENSE II. A psicóloga Mari Nilza explica que há vários programas que podem ser implantados: “o que nós observamos é que, antes de praticarem os delitos, muitos desses jovens estavam trabalhando. Por lei, eles não podem trabalhar antes dos 14 anos (a partir dessa idade e antes dos 18, são considerados aprendizes). A maioria não conclui a escola, deste modo acabam fracassando”, completa. “Esses adolescentes têm necessidade de reconhecimento social, como não conseguem isso dentro da legalidade, e sua necessidade continua, ele busca outras estratégias, às vezes o tráfico, ou o roubo”, continua a psicóloga, que logo finaliza: “Eles querem dinheiro, status, poder, essas coisas que todo ser humano procura; mas o tráfico é mais sedutor. Geralmente se engajam nessas práticas por não terem projeto de vida, e vivem o momento em um consumismo e loucuras para se satisfazerem”.

Algumas soluções apontadas pela coordenadora Vera Lúcia são o desenvolvimento de habilidades e competências que esses adolescentes possuem, além de os estimularem a acreditar em si mesmos. A psicóloga Dra. Mari Nilza complementa que “é necessário um envolvimento desses jovens em outros projetos, como de artes cênicas, literatura, entre outros. Dessa forma, valorizar a capacidade desse adolescente que não se sente valorizado, que é discriminado e anseia por reconhecimento social”.

<i>¹ Vera Lúcia Tieko Suguihiro, graduada em Serviço Social pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), mestrado e doutorado em Políticas Sociais na Pontifica Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

² Mari Nilza Ferraride Barros, graduada em Psicologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), com pós-graduação e mestrado em Psicologia na PUC-SP.

³ A maioridade penal, também conhecida como “idade da responsabilidade criminal”, é a idade a partir da qual o indivíduo pode ser penalmente responsabilizado por seus atos, em determinado país ou jurisdição. A maioridade penal no Brasil ocorre aos 18 anos, segundo o artigo 27 do Código Penal, reforçado pelo artigo 228 da Constituição Federal de 1988 e pelo artigo 104 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) – Lei nº 8.069/90.(fonte: www.wikipedia.com.br)

Créditos foto: Guilherme Santana

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