Semana de Comunicação da UEL recebe profissionais para discutir sobre a função e o futuro do comunicador

Evento abordou temas variados e contou com uma série de atividades para os estudantes e interessados na área

Edição: Beto Carlomagno e Vitor Oshiro

Pauta: Ana Carolina Contato

Reportagem: Lucas Oliveira Martins

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Palestra de abertura da semana, com a jornalista Rachel Bragatto, cuja discussão envolvia o papel da mídia na democracia de um país

A importância da mídia para a democracia, relações entre comunicação e cultura, assessoria de imprensa, marketing e tantos outros assuntos foram abordados pelos eventos que ocorreram durante a I Semana de Comunicação da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que se realizou entre os dias 26 e 29 de outubro no Centro de Educação, Comunicação e Artes (CECA).

Segundo o presidente do Centro Acadêmico de Comunicação e graduando do 3º ano de Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo da UEL, Auber Silva, a semana teve o objetivo de discutir a prática comunicacional entre estudantes, professores e profissionais. Ainda segundo ele, o evento recebeu 95 inscrições, atingindo um pouco menos do que um terço de todos os estudantes de Comunicação Social da Universidade.

Entre as oficinas oferecidas pelo evento, estavam atividades de produção gráfica, jornalismo online, produção radiofônica e de oratória. De acordo com Auber Silva, “a origem de cada oficina tem como base a necessidade ou de introduzir algum conhecimento importante ou de aperfeiçoar este conhecimento já apresentado nas disciplinas dos cursos.”

Para abrir a Semana, a jornalista Rachel Bragatto (graduada em Comunicação Social – Jornalismo/Publicidade e Propaganda pela Universidade Federal do Paraná, mestre em Sociologia – na área de Sociedade e Políticas Públicas nas Democracias Contemporâneas na mesma instituição, e membro da Comissão Paranaense Pró-Conferência Nacional de Comunicação) ministrou palestra sobre o papel da mídia na democracia de um país.

Para Rachel Bragatto, “a liberdade de expressão e o acesso à informação são direitos de todos. Entretanto, no Brasil, esse direito não é respeitado pelos detentores dos meios de comunicação.” Além disso, ela afirma que “94% dos proprietários das emissoras são de identidade privada e não apresentam nenhum comprometimento com a função de noticiar a verdade para a população”.

Na palestra, a jornalista ainda declarou que tudo que é veiculado pela imprensa apresenta alguma forma de intenção ou uma razão que esteja de acordo com os interesses dos donos da chamada “grande mídia” – os principais meios de comunicação nacional.

A seguir, a cobertura de duas mesas redondas da Semana.

 

Jornalismo esportivo

“Marginalizado e precisando de renovação”. Essas foram as palavras citadas por Lúcio Flávio (graduado em Comunicação Social – Jornalismo pela Faculdade Metropolitana de Londrina – IESB – e repórter esportivo da rádio Paiquerê AM desde 1997) e Diego Prazeres (formado em Comunicação Social – Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUCPR – e editor da seção de esportes do Jornal de Londrina) para descrever a atual situação do jornalismo esportivo.

Segundo os participantes da mesa redonda que ocorreu na manhã do dia 27 de setembro no CECA, essa modalidade do jornalismo sempre foi considerada à parte de todas as outras. Eles explicam que isso ocorre porque “há muita promiscuidade no meio esportivo”. Os convidados da mesa redonda contaram que, a exemplo disso, são solicitados e abordados, várias vezes, por dirigentes de clube e até mesmo por parentes de jogadores para que promovam a imagem do atleta ou do próprio time. Para superar essa confusão, Lúcio Flávio atenta que é necessário que o profissional saiba separar o que é fonte e o que não passa de uma tentativa de promoção pessoal ou coletiva motivada por interesses.

Questionados sobre a preferência dos profissionais da área em querer só cobrir assuntos futebolísticos, os jornalistas argumentaram que essa predileção por futebol é uma questão cultural e que essas são as notícias mais lidas e procuradas pelo público do jornal. Eles afirmaram que, para tentar mudar essa situação, eles dão destaques a fatos referentes a outras modalidades esportivas.

A colaboração da tecnologia nas coberturas de campeonatos também foi pauta para a mesa redonda. Diego Prazeres e Lúcio Flávio explicaram que, graças às inovações tecnológicas, várias dificuldades encontradas anteriormente pelos profissionais da área estão sendo superadas. Eles ainda destacaram que é preciso ficar atento para não se tornar dependente dessas modernidades para cumprir uma reportagem.

Os integrantes da mesa ainda responderam às perguntas feitas pelos participantes e abordaram sobre alguns aspectos da política esportiva brasileira em relação à Copa e Olimpíadas.

 

Comunicação Online

Profissionais que começaram no meio impresso e que passaram a expressar suas ideias nas páginas da internet foram os convidados para a mesa redonda da noite do dia 27 de setembro, que tinha como assunto, a comunicação online. Nelson Capucho (autor do portal Londrix*) e Claudio Osti (graduado em Comunicação Social – Jornalismo pela UEL e criador do blog Paçoca com Cebola**) discutiram sobre essa nova forma de se fazer jornalismo.

Para os participantes da mesa, a migração do impresso para o meio virtual é um processo irreversível. Eles acreditam que, daqui a 15 ou 20 anos, os leitores dedicarão tempo para se informar somente por meio da internet. Capucho e Osti também afirmam que a comunicação online será uma das ferramentas que dará ao jornalismo um novo fôlego. Entretanto, para que isso ocorra, será necessário que esse canal sofra algumas mudanças.

Entre essas modificações, está uma melhor forma de se controlar os direitos autorais dos criadores da notícia. Pois, segundo Osti, a internet é um meio onde não há leis e que, consequentemente, a originalidade daquilo que é veiculado pela transmissão online perde a sua função.

Durante o debate, Capucho ainda afirmou que não existe uma padronização em relação à linguagem utilizada por esse meio. De acordo com o criador do portal Londrix, existem endereços eletrônicos que utilizam um tipo formal e outros que se valem da linguagem mais informal. Entretanto, ele acredita que esse processo nunca mudará devido às inúmeras ferramentas de comunicação digital que são criadas.

Os participantes da mesa ainda responderam às perguntas das pessoas presentes que se referiram sobre a censura dos comentários na internet, a febre do twitter, o processo pelo qual o jornalismo impresso está passando e sobre o futuro dos jornalistas quanto às novas práticas midiáticas.
* http://www.londrix.com.br/

** http://pacocacomcebola.blogspot.com/

Créditos Foto: Vitor Oshiro

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