Mal-estar no ambiente de trabalho

Projeto da UEL estuda o fenômeno do assédio moral nas relações profissionais e ajuda na prevenção e tratamento de vítimas

Cristiane

Pauta: Daniela Brisola
Reportagem: Guilherme Popolin
Edição: Kauana Neves

“Frequência, tempo e intencionalidade”.Segundo a professora Cristiane Vercesi, da UEL, esses são os fatores determinantes para que exista o assédio moral. Formada em psicologia pelo Centro de Estudos Superiores de Londrina, e Doutora em Educação pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, utiliza sua experiência na área de Psicologia Organizacional e do Trabalho para coordenar o projeto de extensão: “Assédio Moral: Uma proposta preventiva da manutenção do bem-estar nas relações de trabalho”.

O objetivo do projeto é conscientizar e reduzir as formas de opressão, perseguição e ameaça nas relações de trabalho. De acordo com a professora, a prática sistemática de assédio moral está presente em vários aspectos da sociedade, mas nos ambientes em que se tem relação de poder (pai-filho, chefe-subordinado) é encontrada com mais frequência. “As vítimas são pessoas muito envolvidas com seus trabalhos, e exercem muito bem as suas tarefas. Provocam a insegurança do assediador, que aproveita qualquer oportunidade para destruí-la”, afirma Cristiane Vercesi.

Segundo a professora Cristiane Vercesi, esse tipo de ação é feita de forma que pareça irrelevante, como pequenos atos e comentários pejorativos, que formam uma complexa rede do assédio. “As situações criadas, como boicote ou informações errôneas, criam situações que fazem a vítima entrar em crise, sua exercitando incompetência”, afirma. De acordo com a professora, além do mal-estar no ambiente de trabalho, que pode resultar na remoção de setor ou demissão do funcionário, também acarreta problemas, como insônia, queda de cabelo e, em casos mais extremos, suicídios.

O projeto consiste em reuniões semanais com o grupo de supervisão, em que participam estudantes do 4º e 5º anos de psicologia. São realizadas atividades de leitura, que preparam os estudantes para o bom entendimento e abordagem do tema. Na clínica psicológica* são realizados atendimentos a servidores em dois horários semanais. A professora Cristiane Vercesi já proferiu palestras em Curitiba e em várias cidades do norte do Paraná. O grupo de estudantes acompanha a professora durante as palestras para receber essa formação e poder esclarecer as pessoas. Para a doutora, o trabalho é a própria divulgação, sendo o “boca-a-boca”, o principal meio.

“Minha perspectiva é dentro da psicologia social“, afirma a professora Cristiane Vercesi, para explicar como é feita a avaliação do projeto, que é através dos aspectos da consciência e subjetividade. Para a professora, o resultado das ações do projeto é imediato, já que o sujeito, ao conversar ou assistir uma palestra, começa a entender toda a situação que está acontecendo com ele, e, assim, se proteger. “É um processo de conscientização e reflexão. Configuramos o fenômeno para a pessoa, e ao se dar conta do problema, ela já apresenta uma melhora”, explica a doutora, que compartilha a idéia da socialização do problema, como benefício para o sujeito, pois causa um relaxamento e um olhar diferenciado sobre as dificuldades.

Para a professora, as pessoas, quando assumem o poder sobre alguma coisa, muitas vezes não refletem se elas são competentes, e acham que o poder é suficiente para realizar a função. “Espero que as pessoas parem de ser perversas em suas atividades cotidianas, e que sejam mais competentes”, conclui.

*O atendimento na clínica psicológica acontece duas vezes por semana, no horário de almoço. O contato para obter mais informações e agendar uma consulta é o telefone do Centro de Ciências Biológicas (CCB): 3371-4487. Não é cobrada nenhuma taxa e o sigilo é absoluto.

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