O perfil da violência em Londrina

Projeto do departamento de Geociências “Geografia da Violência Urbana em Londrina” analisa dados referentes a agressões e acidentes na cidade

foto Geografia

Pauta: Ana Carolina Contato
Reportagem: Willian Casagrande Fusaro
Edição: Kauana Neves

Os números em relação à violência urbana na cidade são preocupantes: ocupa o 60° lugar no índice de assassinatos de jovens, com uma média de 3,01 em cada mil vítimas, de acordo com o Instituto de Homicídios na Adolescência (IHA), e tem 65% de seus moradores inseguros com relação à violência urbana, segundo pesquisa feita pelo instituto Paraná Pesquisas, de Curitiba/PR. Com vistas a estudar esse quadro, iniciou-se o projeto “Geografia da Violência Urbana de Londrina”, coordenado pela professora doutora Márcia Siqueira de Carvalho, do Departamento de Geociências da Universidade Estadual de Londrina (UEL). O projeto, que iniciou em 2008, tem previsão de término para 2011.

A professora, graduada em Geografia pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e pós-doutora em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo (USP), explica os objetivos do projeto e seus pontos básicos. “Pretendemos estabelecer uma geografia da violência urbana em Londrina, tanto em ambientes públicos, como ruas, praças, quanto em lugares privados, como residências, lojas etc.”, explica. O projeto também aborda, de acordo com a docente, os tipos de violência que ocorrem na cidade e como se dá essa análise. “A grande divisão (do objeto de estudo do projeto) se dá entre acidentes, muitos deles automobilísticos, e agressões, tanto por armas brancas ” armas perfurantes ou cortantes, como facas, espadas, punhais etc. – quanto por armas de fogo. Para conseguir os dados, estamos atrelados a SIATE (Polícia Militar do Paraná), que nos passa as informações para listarmos os acontecimentos”.

Os dados do SIATE são importantes, segundo Márcia Siqueira, porque possibilitam observar a localização do ocorrido, a idade da vítima e a hora em que acontecem os acidentes e agressões. Apesar de o estudo abordar a criminalidade tanto nos espaços privados quanto nos públicos, a coordenadora afirma que as ocorrências se dão mais em locais públicos. “Observamos que os acidentes e as agressões acontecem mais em vias públicas. As referências para os atendimentos de que o SIATE dispõe são basicamente de locais públicos, como ruas, praças, dentre outros lugares”, comenta.

O tráfico de drogas, de acordo com a pesquisadora, é o fator que mais se associa à criminalidade em Londrina. O maior motivo de mortes por causa externas é a violência vinculada a armas de fogo e armas brancas, entretanto há, segundo a pesquisadora, um “alto índice de letalidade” nos acidentes com carros. Em relação à região mais afetada, a professora afirma que é a central, tanto nos acidentes automobilísticos quanto nas agressões, estas que acontecem, na maioria das vezes, próximas ao Terminal Central. Os motivos das agressões e dos desastres não são estudados pelo projeto. pois há o intuito primeiro de localizar e mapear os ocorridos. “É evidente que há influência de fatores externos em alguns casos, mas os acidentes de bicicleta, por exemplo, ocorrem geralmente às cinco e meia e seis horas, ou seja, em horários em que não há grande uso de bebidas alcoólicas pelos indivíduos. Também não consideramos a presença ou não de unidades policiais. Apenas observamos o quanto são perigosas algumas áreas urbanas de Londrina”.

Para o estudo do projeto, a docente esclarece buscar em princípios sociológicos a explicação dos fatores da violência nas cidades. “No campo da Sociologia, há fatores que fomentam e também os que afirmam a violência urbana. A pobreza, por exemplo, é um fator que pode levar à violência, embora não seja um fator causal das agressões. Alguns fatores existem e, às vezes, não são tão relevados, como a cultura machista, que pode levar à violência contra as mulheres, e o fator cultural, o qual faz os indivíduos obterem, geralmente por meio do crime, da prostituição ou do tráfico, produtos que representam status social”, diz a doutora Márcia Siqueira. A docente afirma, também, que a análise dos “fatores sociais” ajuda na compreensão das relações de violência localizadas na sociedade.

Além da coordenadora, projeto conta com a participação do graduando Leandro Balan, bolsista do CNPQ e estudante de iniciação científica, e das mestrandas em Geografia Carolina Kobayashi e Saadia Maria Borba Martins.

Legenda da foto: Carolina Kobayashi, Márcia Siqueira de Carvalho e Leandro Balan, participantes do projeto “Geografia da Violência Urbana em Londrina”, que iniciou em 2008 e tem previsão de término para 2011

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