Mais possibilidades de comunicação para o deficiente visual

A partir de um sistema que transforma as informações digitadas no computador em código braile, o deficiente visual tem a mais possibilidade de inserção na sociedade


Pauta: Ana Carolina Contato

Reportagem: Beatriz Pozzobon

Edição: Beatriz Assumpção e Fernanda Cavassana

Os deficientes visuais também são beneficiados pelos avanços tecnológicos. O projeto “Implementação de uma interface de leitura fixa em braile para deficientes visuais”, coordenado pelo professor da UEL, Walter Germanovix, é um exemplo disso, já que o projeto tem o objetivo de melhorar a qualidade de vida de pessoas cegas.

Engenheiro elétrico, formado em 1980 pelo Instituto Nacional de Telecomunicações (INATEL) e doutor pela Universidade de Londres em 1988, Walter Germanovix afirma que todo projeto nasce de uma necessidade ou de uma observação.  O projeto de leitura fixa em braile pode ser considerado que nasceu dos dois fatores. “Estava observando uma pessoa a utilizar o Messenger (programa de mensagens instantâneas) e pensei: Como uma pessoa com deficiência visual poderia estar ali fazendo o uso desse sistema, uma vez que ela teria que teclar os dados no computador? Então eu tive a idéia de que aqueles caracteres que estavam aparecendo no monitor do computador pudessem ser transformados em braile”, afirma Germanovix.

No período de duração do projeto, três anos, o professor elaborou um protótipo*, que ainda precisa ser desenvolvido para ser comercializado.  O produto foi chamado de “Interface** Braile Automatizada”. Essa interface é dividida em duas partes: hardware e software. O hardware é o conjunto eletromecânico do protótipo, responsável em transformar uma superfície, inicialmente plana, em código braile. “A superfície plana é equipada de pontos, para a formação dos caracteres braile, que quando acionados eletricamente, formarão a letra, palavra ou frase escrita na linguagem que o deficiente visual possa ler. O hardware também compreende circuitos eletrônicos analógicos e digitais, onde a parte digital é constituída por microprocessador”, explica Germanovix.

O software (programa criado pelo professor) faz a interface do usuário com o microcomputador e permite processar os sinais elétricos gerados para a formação dos caracteres. O software foi utilizado no teste prático, como explicado por Germanovix: “um aluno deficiente visual utilizou o sistema e, a cada caractere digitado ele leu, por meio do tato, o caractere na interface braile automatizada”.

Esse projeto é inovador na medida em que se comunica com o deficiente visual por meio do próprio código braile. A comunicação com essas pessoas é feita, em outros sistemas do mercado, por meio de sons. Segundo Walter Germanovix, esses sistemas são falhos, pois podem incomodar os que estão por perto em locais como: instituições bancárias, escolas, órgãos públicos, entre outros. A inovação se dá justamente na não utilização de sons como meio de comunicação com o portador de deficiência visual.

O sistema pode também produzir os sons em casos específicos, como na alfabetização de pessoas cegas.  “Na condição de alfabetização, o computador repete as letras que estão sendo geradas”, afirma Germanovix. Como explica o professor, o sistema foi desenvolvido de forma que as pessoas que tenham a visão em condições normais possam interagir e ajudar no aprendizado do alfabeto braile.

O projeto foi iniciado em 2006 e concluído em 2008. De acordo com o professor, a pesquisa foi concluída com a produção do software, ou seja, ainda não foi colocada em prática com o hardware. Germanovix, por sua vez, se mostra confiante na continuidade: “Temos planos para que em breve mais alunos se envolvam para dar continuidade no projeto, e ai sim, ele venha ser uma realidade”. Os resultados foram publicados ano passado na “Semana Nacional de Ciência e Tecnologia” promovida pela UEL. E também foram apresentados no IV Congresso Latino-americano de Engenharia Biomédica realizado na Venezuela em 2007.

*Protótipo é um produto que ainda não foi comercializado, mas está em fase de testes ou de planejamento.

**Interface é a conexão entre dois dispositivos em um sistema de computação. Também usado para definir o modo (texto ou gráfico) de comunicação entre o computador e o usuário.


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