Sabonete líquido anti-séptico está sendo desenvolvido na UEL

Alunos e professores do curso de Farmácia idealizaram o produto a partir da flor cravo de defunto

Pauta: Daniela Brisola
Reportagem: Roberta Oliveira
Edição: Vitor Oshiro, Kauana Neves e Guilherme Santana

“A mesma flor que hoje enfeita as praças e os canteiros de várias cidades está a caminho de dar origem a um sabonete líquido bactericida”. É o que diz a professora de Cosmetologia da Universidade Estadual de Londrina, (UEL), Audrey Lonni. Ela é graduada em Farmácia e Bioquímica na UEL e concluiu o mestrado em Química dos Recursos Orgânicos na mesma Universidade.

Desde o começo desse ano, a professora é a coordenadora do projeto “Avaliação da Atividade Anti-séptica das Folhas e Flores de Tagetes pátula”, que estuda a criação de um sabonete a partir dessa variedade francesa da flor que compõe o título do trabalho, mais conhecida como cravo de defunto.

“Priorizamos a Tagetes porque, diferentemente de outras plantas muito empregadas, não havia nenhum cosmético produzido com ela”, a professora Audrey Lonni explica, e diz que a idéia do projeto era, desde o começo, trabalhar com plantas medicinais que possuíssem uma utilidade para a cosmetologia. “Fazendo uma revisão bibliográfica, descobrimos essa flor [o cravo de defunto]. Vários estudos relatavam o potencial antimicrobiano do seu óleo essencial, mas não havia nada falando de suas flores ou folhas. Ou uma produção desse tipo com elas. Então, pensamos em criar um sabonete líquido anti”séptico(1) para as mãos a partir delas.” Líquido porque, segundo a professora, os sabonetes em barra tendem a prejudicar a pele já que, por sua própria composição, seu pH(2) difere do da pele, que é levemente ácida, devido às secreções naturais, como o suor.

A coordenadora Audrey Lonni explica que o sabonete é produzido a partir da uma junção de três ingredientes principais: tensoativo, emoliente e o extrato das flores. “A primeira substância é anfifílica, tendo a capacidade de remover a sujeira da pele ou do cabelo junto com a água. Emolientes são os responsáveis por amaciar a pele”. Já o extrato dos cravos, a professora explica é obtido através de flores provenientes de uma floricultura de Campinas. Ao chegar, faz-se um processo chamado de exsicata(3) com as flores. “Uma exsicata é quando se cola a amostra ressecada da planta em uma folha sulfite e assim sua espécie pode ser confirmada pela taxonomista(4) no herbário, onde ficam armazenadas as amostras. É como o RG da planta”, complementa.

Finalizada essa etapa, a professora explica que a extração pode ser obtida por várias técnicas diferentes e comuns desse tipo de produção, como a maceração, que é deixar a flor em contato com o líquido extrator por cerca de vinte dias. “Outra técnica que tentamos foi a percolação. Analogicamente falando, é como se você fosse fazer café, e o que se têm é o extrato. Mas a técnica que rendeu melhores resultados foi a turbo extração. Literalmente, trituramos as flores, que acabaram provando ser a melhor fonte para o extrato, no liquidificador. O resultado é uma mistura hidroalcoólico, então o extrato cheira a álcool. Vamos adicionar uma essência qualquer para que ele ganhe um odor agradável, de preferência, floral”, afirma.

De acordo com a pesquisadora Audrey Lonni, o sabonete líquido, ainda não se encontra na fase de testes, mas já apresenta ter uma ótima relação custo benefício “Cerca de 5 ml do extrato floral rende 100ml do sabonete líquido, custando mais ou menos uns dez reais para produzir”. Para a professora, entretanto, a maior vantagem é mesmo sua característica anti- séptica, isto é, de agir na parede celular de fungos e bactérias, destruindo-os.

E neste ponto, a coordenadora Audrey Lonni cita que, quando colocaram bactérias em contato com o extrato da flor, essa característica foi confirmada por ela e pelos outros membros do projeto – dois professores e quatro alunos do curso de Farmácia da UEL, entre outros colaboradores. “Os resultados estão vindo, tanto que nós recebemos o primeiro lugar no III Congresso de Extensão da Universidade Norte do Paraná (UNOPAR)”, conta.

Na opinião dela, a atual tendência para que quase todos os produtos cosméticos tenham alguma origem natural é positiva. “Substâncias anti-sépticas de origem sintética podem causar efeitos colaterais como alergias”, revela a pesquisadora.

Apesar de satisfeita com os resultados parciais, a coordenadora afirma que há planos futuros. “Além da criação de uma patente do sabonete anti-séptico para uma futura comercialização, pensamos em produzir e criar patentes para um sabonete para o rosto que trate da acne; um pré-cirúrgico; e até um enxaguante bucal”, conclui.

(1) Anti-séptico se refere a tudo o que for utilizado no sentido de degradar ou inibir a proliferação de microrganismos presentes na superfície da pele e mucosas. São substâncias usadas para desinfectar ferimentos, evitando ou reduzindo o risco de infecção por ação de bactérias ou germes. (Fonte: Wikipédia)
(2) PH é o símbolo para a grandeza físico-química “potencial hidrogeniônico”. Essa grandeza indica a acidez, neutralidade ou alcalinidade de uma solução líquida. (Fonte: Wikipédia)
(3) Exsicata é uma amostra de planta seca e prensada numa estufa (herborizada), fixada em uma cartolina de tamanho padrão acompanhadas de uma etiqueta ou rótulo contendo informações sobre o vegetal e o local de coleta, para fins de estudo botânico. Exsicatas são normalmente guardadas num herbário. (Fonte: Wikipédia)
(4) Taxonomista é aquele encarregado de estudar e classificar os organismos vivos. (Fonte: Wikipédia)

Crédito da foto: Roberta Oliveira

Ano 6 – Edição 82 – 30/nov/2009

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