Professor convidado ministra aulas no curso de especialização do Departamento de Comunicação Social

março 28, 2010

Cineasta, pesquisador, jornalista e fotógrafo, Pedro Karp Vasquez é o convidado a lecionar no mestrado em Comunicação Visual e na especialização em Fotografia da UEL

Edição: Fernanda Cavassana
Pauta: Laura Almeida
Reportagem: Willian Casagrande Fusaro

A especialização em Fotografia e o mestrado em Comunicação Visual, do Departamento de Comunicação Social da UEL, receberam, durante os dias 8 e 12 de março, o professor Pedro Karp Vasquez, que ministrou a aula inaugural do curso de especialização. Fotógrafo, jornalista e historiador, além de cineasta pela parisiense Université de la Sorbonne,em 1978, Vasquez tem vasta experiência nas suas áreas de estudo. Ajudou a fundar, em 1982, o Instituto Nacional de Fotografia (Infoto) da Fundação Nacional de Arte (Funart), órgão responsável pelo apoio às manifestações artísticas no país, vinculado ao Ministério da Cultura (Minc). Abaixo, em entrevista concedida ao CONEXÃO CIÊNCIA, o professor comenta, dentre outros assuntos, sobre a sua vida profissional e suas perspectivas para o desenvolvimento da pesquisa da fotografia na UEL e no Brasil.

Conexão Ciência: O que o senhor achou da especialização em Fotografia e do mestrado em Comunicação Visual oferecidos pela UEL?

Prof. Pedro Karp Vasquez – Os cursos e a proposta do doutorado, que está em andamento, são projetos exemplares. O professor Paulo Boni deu uma repercussão grande para esses cursos por meio da revista Discursos Fotográficos, da pós-graduação, e também pelo fato de trazer bons pesquisadores, como Boris Kossoy e Simonetta Persichetti. Lecionar aqui é uma experiência ímpar, porque não há cursos assim em todos os lugares. Toda essa experiência da UEL, em torno da fotografia, parece-me exemplar e, no futuro, muitos bons profissionais sairão da universidade.

Conexão Ciência: Como se deu o convite?

Prof. Pedro Karp VasquezFoi feito pelo professor Paulo César Boni, que eu conheço há três anos. O mundo da fotografia, no Brasil, ainda é pequeno, mas mesmo assim é fácil achar os profissionais que trabalham com isso mediante pesquisa. Vim a Londrina três anos atrás para participar de um workshop e conheci Paulo Boni, que também participava do projeto. Após isso, fiz uma entrevista à revista Discursos Fotográficos e, posteriormente, fui convidado a lecionar aqui fotografia e cinema.

Conexão Ciência: Por que decidiu pela fotografia e, mais especificamente, pela pesquisa nessa área?

Prof. Pedro Karp Vasquez: Meu contato com a fotografia foi na infância. Aos 13 anos, quando estudava em uma escola experimental, em Niterói/RJ, em 1970, fiz um curso na área. Naquela época o estudo da fotografia no Brasil era pouco explorado. Interessava-me pela formação artística, mas também me interessei por artes plásticas e estudei Jornalismo na Universidade Federal Fluminense (UFF), na década de 70, mas não finalizei o curso. Quanto à pesquisa, eu nunca quis e nem tive a intenção de ser um pesquisador, eu me interessava em chamar a atenção das pessoas para entender os outros fotógrafos e acabei escrevendo alguns livros, fazendo trabalhos como, por exemplo, a história do Brasil contada pelo selo e pelos cartões postais.

Conexão Ciência: O cinema é próximo da fotografia, como arte, porque os dois trabalham com a estética da imagem. O que a oportunidade de estudar no exterior trouxe de diferente ao senhor?

Prof. Pedro Karp Vasquez: O que eu acho importante é que, na França, há o gosto de “saber pelo saber”. A própria Université de la Sorbonne é pública e foi fundada com o intuito de universalizar o ensino na França e não encara o ensino superior como técnico, e sim como uma formação humana e crítica, características inerentes ao pesquisador acadêmico e ao professor. Criei o hábito de estudar diariamente não com uma finalidade prática, mas pelo gosto de saber. Acho que essa é a essência verdadeira do ensino universitário. Outra peculiaridade é que os profissionais de lá são mais generalistas, não são tão especializados quanto os daqui.

Conexão Ciência: Como está o panorama atual da fotografia?

Prof. Pedro Karp Vasquez: A fotografia está em momento de transição pela entrada dos meios digitais. A própria máquina fotográfica digital, por exemplo, já é uma câmera filmadora. Isso já é uma mudança interessante, pois se tem a opção de fazer mais tarefas em um aparelho só. Os indivíduos sentem-se compelidos a usar esses artifícios, mesmo que durante o lazer. Nas redações, em relação aos profissionais, há uma revolução: o editor de fotografia, na grande imprensa, não tem mais tantos poderes quanto antigamente. O repórter fotográfico é quem fica encarregado de escolher as fotos e fazer a primeira edição, e então o editor escolhe, em cima da decisão do repórter fotográfico, as fotos que irão para o jornal ou para a revista. Outra coisa importante é que o número de repórteres fotográficos está diminuindo, devido à facilidade de um repórter de texto, com uma câmera portátil de baixo custo, fotografar e editar as fotos.

Conexão Ciência: E aqui no Brasil? Qual é a situação atual?

Prof. Pedro Karp Vasquez: A fotografia, no Brasil, assim como o cinema nacional, sempre será pequena. Isso acontece porque são meios que movimentam poucos profissionais, mas atingem um público imenso. Há menos de mil fotógrafos e fotojornalistas no Brasil, e o mesmo fotógrafo pode trabalhar para três ou quatro veículos diferentes, produzindo para um público maior. No cinema, o número de profissionais aqui é restrito pela nossa indústria cinematográfica ser pequena em estrutura. A televisão, aqui, é muito mais assistida do que o cinema, e as centrais de produção das emissoras são para nós o que Hollywood é para os estadunidenses. Além disso, o jornalismo impresso, meio pelo qual veiculam as fotos, fica a reboque da televisão atualmente porque não tem estrutura para manter correspondentes em muitos lugares, como as emissoras de televisão fazem. Tudo isso faz com que o meio da fotografia e dos jornais impressos permaneça pequeno.

Ano 7 – Edição 84 – 28/03/2010


Museu de Ciência e Tecnologia expõe projetos para a população

março 28, 2010

Estudantes exibem seus experimentos nos salões da instituição no campus da UEL

Edição: Fernanda Cavassana
Pauta: Laura Almeida
Reportagem: Lucas Martins

“Divulgar a Ciência e a Tecnologia inseridas num contexto cultural mais amplo”. Segundo o Prof. Sérgio de Mello Arruda – bacharel em Física, mestre em Ensino de Ciências e doutor em Educação pela Universidade de São Paulo (USP) – esse é o principal objetivo do Museu de Ciência e Tecnologia, instituição que faz parte do Centro de Ciências Exatas (CCE) e que expõe os projetos experimentais desenvolvidos pelos próprios alunos da Universidade Estadual de Londrina (UEL) para a população da cidade e de outros locais.

Localizado próximo a AINTEC (Agência de Inovação Tecnológica), o museu iniciou suas atividades em 2005. De acordo com Arruda, a ideia de construir uma instituição parecida surgiu no começo da década de 90 e, só depois de dez anos, é que foi possível adquirir os recursos para a realização da obra. O professor ainda explica que, no começo, só foram construídos os dois salões que hoje abrigam as experiências dos estudantes da universidade e anos mais tarde, foram inaugurados os outros setores, como o Planetário e o Observatório.

Segundo Arruda, uma das atividades realizadas pelo Museu de Ciência e Tecnologia de Londrina (MCTL) é o atendimento voltado para alunos do Ensino Fundamental e Médio, tanto de escolas públicas, quanto de particulares. O professor explica que já foram feitas várias visitas de estudantes de diversas cidades do interior do Paraná e de outros estados. Entretanto, ele destaca que esse projeto foi interrompido em consequência da construção de outros setores e só retornou dois anos depois.

A ciência e a tecnologia não ficam só em Londrina. Por meio do projeto “Museu Itinerante” desenvolvido pelo MCTL, elas também viajam para outras cidades do interior do Paraná e de São Paulo. Arruda explica que essa atividade faz parte de tantos outros trabalhos desenvolvidos pelo “Universidade sem Fronteiras” da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná.1 “Em 2008 e 2009, visitamos 75 municípios ao longo das diversas regiões do estado, o que deu em média um atendimento a 40 mil alunos”, afirma o professor. Segundo ele, essa atividade tem como principal objetivo levar a ciência e a tecnologia para cidades que apresentam um baixo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano)2 e garante que em todos os núcleos visitados essa meta foi alcançada.

“Além dessas atividades, também temos os estudos de Astronomia que são realizados no Planetário, no centro da cidade – onde existem equipamentos voltados para o céu – e no Observatório localizado no museu”, afirma Arruda. Segundo ele, essa atividade se concentra em cursos para professores que dão aulas para o Ensino Médio e Fundamental e para estudantes de diversos níveis. O professor também explica que, desses estudos, são montados cursos, jornadas e projetos de iniciação científica.

De acordo com Arruda, as atividades desenvolvidas pelo MCTL fazem parte de uma nova forma de ensino: a educação não-formal. O professor afirma que a intenção é aglutinar conhecimento e adotar a educação continuada, assim como divulgar sua pesquisa para a comunidade. Segundo ele, o ensino de ciência e tecnologia está cada vez mais fora do controle das escolas, pois, nessas instituições, o currículo não abrange todo o conhecimento e fica difícil de competir com mídias que tem uma forma mais eficaz de transmitir informações, como a internet.

O professor explica que o MCTL planeja ampliar o atendimento. Ele afirma que, desde o início, apenas estudantes foram atendidos e puderam visitar o museu. No entanto, Arruda pretende abri-lo para a visitação de outras comunidades, independente de agendamento. “ Nós, até então, temos atendido mais a comunidade escolar. Mas, temos um objetivo maior: atender toda a população, não só as escolas”, comenta. Ele explica que isso ainda não foi possível, pois precisa terminar a fase de implantação e o quadro de funcionários ainda não é o adequado para esse tipo de projeto.

Para agendar uma visita ao Museu de Ciência e Tecnologia de Londrina, os interessados devem entrar em contato pelo telefone (43) 3371-4804 ou (43) 3371-4805 e falar com a secretária.

1.Universidade Sem Fronteiras: Programa desenvolvido pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná, cujo objetivo é promover a relação entre estudantes e profissionais das universidades estaduais e a população. Essa parceria entre a Secretaria e as universidades se dá por meio de financiamento de projetos que atendam a comunidade em geral. (Fonte: http://www.seti.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=27)

2. IDH: O Índice de Desenvolvimento Humano representa o nível de qualidade de vida de uma população. Ele é medido através dos indicadores de riqueza, educação e expectativa de vida. (Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/IDH)

Ano 7 – Edição 84 – 28/03/2010


Técnicas vocais e de regência são oferecidas à comunidade

março 28, 2010

Projeto desenvolvido pelo departamento de música na UEL busca auxiliar pessoas na área vocal e de regência

Edição: Fernanda Cavassana
Pauta: Laura Almeida
Reportagem: Isabella Sanches

Dar subsídios à área de técnica vocal e de regência, principalmente para pessoas que já estão na área da Música e que gostariam de aprimorar suas técnicas e conhecimentos, é o objetivo do projeto: “Procedimentos técnicos em regência e prática vocal: Atendimento a comunidade versão II”, desenvolvido pela professora Lucy Maurício Schimiti, do Departamento de Música da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

Segundo a professora Lucy Schimiti, a ideia do projeto surgiu devido à falta de cursos sistemáticos nessa área. “As pessoas que são líderes de grupos vocais ou instrumentais não têm cursos específicos no âmbito de regência e técnica vocal, então a ideia foi aproveitar que temos uma formação nessa área para atender a comunidade”, explica a coordenadora. Lucy Schimiti possui graduação em Letras pela UEL, graduação em bacharelado em Música pela Faculdade de Música Mãe de Deus e mestrado em Letras pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho

A professora explica que a orientação para os inscritos no projeto é dada de forma tanto individual quanto em grupo, dependendo do interesse da pessoa e do problema em foco a ser resolvido. “Há quem procura orientação individualmente para resolver um problema de voz, como falta de projeção ou pouca sonoridade; outras pessoas chegam em grupos, quando por exemplo um líder trás integrantes do grupo que estão com dificuldades para tentar resolve-las.”

Lucy conta que o projeto busca oferecer subsídios para que as pessoas resolvam problemas específicos, como os de repertório, ou quando se lida com adolescentes, resolver dificuldades com a mudança de voz, principalmente nos meninos, trabalha também com a classificação de voz. “As vezes as pessoas nos procuram somente para saber se sua voz é adequada a um soprano, ou para saber se sua voz encaminha mais para o grave ou para o agudo”, expõe a coordenadora do projeto.

Segundo a professora, o projeto é aberto para a comunidade e não há pré-requisitos para participar da Técnica Vocal, basta apenas que a pessoa esteja procurando aprender. Já para participar das noções de regência, é necessário que a pessoa já esteja liderando algum grupo. “Para a área de regência nós estamos limitando para quem já é líder, porque têm pessoas que não possuem perspectivas de reger um grupo, mas estão no projeto para aproveitar. Então, nós ficamos um tempo dando aula sem ver nenhuma aplicação disso, a limitação é para que isso não aconteça”, explica.

De acordo com Lucy Schimiti, não há um número certo de pessoas inscritas, pois o projeto não é um curso em que a pessoa obrigatoriamente tenha que seguir horários, os integrantes permanecem nele enquanto acharem necessário. “Tem gente que vem umas cinco vezes e depois que seu problema é resolvido, não aparece mais.”

O projeto, que está na sua segunda versão, antes funcionava com o nome de “Assessoria Para Regentes Corais de Londrina e Região”, mas com o mesmo propósito. “Há anos nós trabalhamos com a assessoria de pessoas na área vocal e de regência, dando condições para que as pessoas que nos procuram possam assumir um grupo”, explica a professora.

De acordo com ela, o que foi observado até o momento com o projeto foi a pouca procura por parte dos líderes, principalmente das Igrejas e Regentes de Coros. Segundo a professora, a maior procura é feita por pessoas da comunidade, professores, pessoas que querem formar um grupo dentro de uma empresa ou da sua comunidade, pessoas que cantam ou fazem teatro, ou seja, gente que lida com a voz de maneira geral.

Outro ponto observado foi a falta de orientação nessa área. “Grande parte das pessoas têm vontade de fazer alguma coisa na área vocal, mas nem sempre encontram onde fazer. Existe de certa forma uma escassez de profissionais que trabalham com isso, o que faz com que as pessoas fiquem sem orientação”, constata. A professora Lucy Schimiti explica que o projeto busca suprir essa carência, fazendo reflexões, discutindo e oferecendo subsídios às pessoas na área de regência e preparação vocal.

Ano 7 – Edição 84 – 28/03/2010


Ginástica como parte do currículo escolar

março 28, 2010

Estudo busca organizar os conteúdos da ginástica, para que essa possa ser conhecida pelos alunos da educação básica

Edição: Fernanda Cavassana
Pauta: Laura Almeida
Reportagem: Beatriz Pozzobon

“O objetivo deste projeto de pesquisa é analisar e organizar os conteúdos da ginástica para serem ministrados em aulas de Educação Física escolar.” Essa afirmação é da professora doutora Ana Maria Pereira, que juntamente com a professora doutora Marilene Cesário, criou o projeto “Ginástica na escola: a organização do conhecimento”. A professora Ana Maria Pereira, que conversou com o Conexão Ciência, é formada em Educação Física pela Universidade do Norte do Paraná (Unopar), doutora em Motricidade Humana pela Universidade da Beira do Interior, de Portugal e, atualmente trabalha no Departamento de Estudos do Movimento Humano, da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

De acordo com ela, esse projeto nasceu nas salas de aula e nas discussões nos grupos de pesquisa. A professora afirma que a ginástica está presente no currículo escolar, mas que o conteúdo é raramente ministrado. “Nós temos observado que quando o aluno se forma e vai para o mercado de trabalho na escola, ele tem a tendência a não ministrar o conteúdo de ginástica, assim como dança e luta. Os estudantes de Educação Física chegam à escola e se restringem ao basquetebol, voleibol, handebol, e futsal”, diz.

Ana Maria Pereira afirma que os professores da educação básica estão negando conhecimento aos alunos. “Não são todos os conteúdos da Educação Física que são socializados para o aluno. Há muita coisa para se aprender.” De acordo com ela, o profissional precisa organizar seu projeto político pedagógico dentro da escola. “Mas, como muitas vezes o professor fica restrito ao que gosta, ou ao que tem mais habilidade, elaboramos o estudo para organizar o conhecimento da ginástica.”

Ana Maria Pereira defende a prática da ginástica na escola, justamente pelos benefícios que pode trazer aos estudantes. Segundo ela, a prática regular da atividade auxilia na resistência muscular, na flexibilidade, nas resistências aeróbicas e anaeróbicas. Além de melhorar a força, equilíbrio, coordenação e potência. “A ginástica vem educar o movimento, vem ajudar na qualidade de vida e no desenvolvimento das habilidades”, afirma. A professora acha essencial que a prática, esteja aliada com a parte teórica. “Entender o histórico dessa atividade, qual a importância, quais os conteúdos, como se deu a construção desse patrimônio, são conteúdos importantes para que o aluno entenda o porquê da prática”, explica.

“Apesar dos benefícios concedidos pela prática da ginástica, essa é raramente aprendida na educação básica”, afirma Ana Maria. Ela explica que esse fato decorre da super valorização do esporte no Brasil, e com isso, as outras áreas da Educação Física acabam ficando de lado. A professora argumenta também que o aluno acredita que a aula é sinônimo de lazer. “O aluno vai pra aula de Educação Física para se divertir, e não para aprender. Isso porque ele encontra aquelas modalidades na aula em um ambiente de lazer. O papel do professor de Educação Física é mostrar aos estudantes que ele estudou e está lá para ensinar, mas, infelizmente, não é o que acontece”, lamenta.

De acordo com a professora Ana Maria Pereira, é necessário mudar esse paradigma. Ela afirma que há muitos projetos que estudam essa questão, e que partir de um “trabalho formiguinha” espera reverter essa situação. “Os projetos de pesquisa querem mudar essa realidade. A UEL já está mudando através desses projetos. Garantimos a alteração em nosso currículo”, garante.

Os resultados do projeto devem ser publicados em forma de livro didático, nos próximos dois anos. O livro tem por objetivo reorganizar e dar novo significado ao conhecimento da ginástica, dividindo por ciclos os conteúdos a serem ministrados pelos professores. A professora explica que ele é importante também para que o próprio professor possa se familiarizar ao conteúdo, e assim poder explicar aos alunos os benefícios em termos biológicos e as habilidades da prática da ginástica, aliada com a teoria. “O meu sonho é que com conhecimento organizado, o professor também possa se organizar didaticamente para ministrar aulas de ginástica na escola”, conclui.

Ano 7 – Edição 84 – 28/03/2010


Edição 83

março 23, 2010

Para fazer o Download da Edição 83, clique no link:

http://www.4shared.com/file/247159408/cc988b53/Conexo_Cincia_-_21_de_maro_de_.html


“Educar para valorizar a vida” propõe metodologias para promover um estilo de vida saudável

março 22, 2010

Livro ensina educadores e profissionais a lidar com a questão da saúde e do bem estar

 

O livro aborda comportamentos de risco, como o vício do tabagismo e do alcoolismo

Edição: Tatiane Hirata
Pauta: Fernanda Cavassana
Reportagem: Leonardo Caruso
 

O Livro “Educar para valorizar a vida”, lançado no dia oito de março deste ano, é uma coletânea de artigos e resultados de trabalhos na área de educação e saúde, que tem por objetivo principal fornecer uma base metodológica no tratamento e cuidados de pessoas com problemas com álcool, drogas, cigarro, estresse, transtornos depressivos, maus tratos, abuso, entre outros. O livro é destinado principalmente a educadores e profissionais da saúde. No seu lançamento, realizado na Associação Médica de Londrina, o Conexão Ciência conversou com a organizadora do livro e também autora, Professora Doutora Sandra Vargas Nunes – graduada em Medicina pela Universidade Estadual de Londrina e em Educação Física pela Universidade Norte do Paraná, mestre e doutora em Medicina e Ciências da Saúde*, também pela UEL -, que atua principalmente com abordagem e tratamento de dependência do tabaco e substâncias psicoativas, abuso sexual na infância e adolescência e esquizofrenia.

 
 
Conexão Ciência: Qual foi o objetivo ao reunir os artigos, o que vocês querem passar para o publico leitor?
Dra. Sandra Vargas Nunes:
O objetivo é ‘educar a saúde’ para que possamos prevenir condutas de risco, tais como: abuso de substâncias psicoativas como álcool, drogas e cigarro, gravidez na adolescência, DST, maus tratos na infância. Para os educadores, indicamos métodos de como lidar com essas questões nas escolas e, para os profissionais da área de saúde, como trabalhar com pacientes para que estes tenham um estilo de vida saudável.
 
Conexão Ciência:  Em que consiste esse estilo de vida que o livro propõe?
Dra. Sandra Vargas Nunes:
Nós motivamos o ser humano a viver de maneira a preservar a saúde e garantir qualidade de vida. Por exemplo, o tabagismo é hoje a maior causa de mortes evitáveis, então nós trabalhamos com motivação dos pacientes para mudar comportamentos como o hábito de fumar. Para cada estagio motivacional, há uma estratégia.
 
Conexão Ciência: O tratamento central que vocês propõem segue essa linha?
Dra. Sandra Vargas Nunes:
Nós acreditamos que o paciente é ator da sua própria vida. Ele deve desejar as mudanças e é necessário um mecanismo neural para que o faça. E para tanto, é preciso que haja motivação.
 
Conexão Ciência: Utilizando essa metodologia, os resultados são satisfatórios?
Dra. Sandra Vargas Nunes:
Mudança de comportamento é um processo de muitas recaídas. No caso do nosso trabalho com tabagismo, cerca de 90% das pessoas desejam parar, mas apenas 25% param, pois não é só o desejo, tem que trabalhar algumas barreiras. Mudança de hábito não é fácil. O livro é reflexo da prática que já tivemos.
 
Conexão Ciência: Desde que vocês começaram esse estudo na década de 90, o que vocês identificam como mudança na prática da prevenção?
Dra. Sandra Vargas Nunes:
A prevenção é um processo que demora de duas a três décadas. Sentimos que o comportamento tem mudado. Em relação ao cigarro, principalmente, o trabalho educativo nas escolas tem mudado. Era bonito fumar nos anos 70, hoje não é mais. Houve uma mudança de política, mas ela pode ser ainda mais aprofundada, focando na população de maior risco e vulnerabilidade – a jovem.
 
Conexão Ciência: Qual foi o critério utilizado para reunião dos artigos que compõem o livro?
Dra. Sandra Vargas Nunes:
Basicamente são  projetos dessa linha de escola, saúde e assistência, como o Centro de Referência de Abordagem e Tratamento do Tabagismo, do Hospital das Clínicas da Universidade Estadual de Londrina, os assuntos interdisciplinares de saúde mental, o próprio programa de tabagismo.
 
Conexão Ciência: E quais os temas abordados?
Dra. Sandra Vargas Nunes:
O livro é composto por 19 capítulos e começa com promoção da saúde e qualidade de vida. Depois, trabalhamos os estágios motivacionais de mudança e, para cada estágio, qual a estratégia. Lidamos também com alguns estados emocionais que dificultam o tratamento, como depressão e ansiedade. Fatores de risco e protetores, substâncias que causam dependência, álcool, as drogas, sedativos, tabaco, gravidez na adolescência, DSTs são alguns dos fatores de risco abordados. Também o mito do prazer, da intimidade e como é que se trabalha isso. Analisamos o ‘aspecto sono’, que é qualidade de vida, adesão ao tratamento, as relações, os maus tratos na infância e tabagismo.
 
Conexão Ciência: A respeito da divulgação e distribuição, como serão realizadas?
Dra. Sandra Vargas Nunes:
Haverá a venda e cem livros ficarão com a APS Down (Associação de Pais e Amigos de Portadores de Síndrome de Down). Nós temos 500 livros – 100 para a APS e os outros 400 vamos vender para conseguir mais 500 livros.
 
*Para os interessados no programa de Doutorado em Medicina e Ciências da Saúde da Universidade Estadual de Londrina, mais informações na página: http://www.uel.br/pos/cienciasdasaude/mmi_index.htm
 
Créditos da foto: http://2.bp.blogspot.com/
 
Ano 7 – Edição 83 – 21/03/2010

Projeto do Departamento de Psicologia trabalha Inclusão Social em Londrina

março 22, 2010

Com ajuda de voluntários, ‘Galera de Deus’ ajuda bairos carentes

A professora Maria Luiza Marinho Casanova com as doações de cadernos e apostilas que foram trocados por cadernos novos

Edição: Tatiane Hirata
Pauta: Laura Almeida
Reportagem: Marina Dias
A professora Doutora Maria Luiza Marinho Casanova, do departamento de Psicologia Geral e Análise do Comportamento da UEL, é responsável pelo projeto de extensão Galera de Deus: Ações multidisciplinares para estruturação familiar e inclusão social em bairros do município de Londrina. Entre os objetivos do projeto, que é voltado para comunidades carentes, estão a prevenção da delinquência, o incentivo aos estudos e a reestruturação familiar. Para alcançar tais objetivos, são promovidas, entre outras ações, oficinas que incentivam a geração de renda para as famílias e doação de alimentos e materiais escolares, além de oficinas de música e atividades lúdicas.
 
É comum conhecermos pessoas que manifestam seu desejo de ajudar o próximo. No entanto, tal desejo nem sempre se concretiza. Há quem faça boas ações, mas raramente ouvimos histórias como a da psicóloga. “O Galera de Deus é mais que um projeto de extensão, ele começou como um projeto de vida meu e do meu marido. Surgiu da vontade de ajudar as outras pessoas, quebrar a rotina da pobreza em que muitos vivem”, explica a professora, que é pós-doutora em Psicologia Clínica pela Universidade de Granada, na Espanha, doutora em Psicologia Clínica pela USP, especializada em Psicoterapia na Análise do Comportamento e graduada em Psicologia pela UEL. “No começo, com a correria do dia-a-dia, achávamos que não iríamos conseguir, então meu marido saiu do emprego dele para se dedicar exclusivamente ao projeto”, completa.
 
Maria Luiza também conta que o Galera de Deus começou com doações menores e foi crescendo à medida que conseguia parceiros. “Quando tinha promoção de legumes no supermercado, nós comprávamos em grande quantidade para levar para as comunidades. Ao perceber isso, o supermercado se interessou em nos ajudar, porque muitos desses legumes são jogados fora quando ainda estão em boas condições de consumo, mas já não se encaixam no padrão exigido pelo estabelecimento para que ele seja vendido”, diz. Segundo a coordenadora do projeto, desde julho de 2009, o projeto distribui no mínimo 300 quilos de alimento por dia – de segunda a sábado – em bairros da zona leste de Londrina, entre eles Fraternidade e Jardim Pindorama.
 
As parcerias como a do supermercado são parte importante do Galera de Deus. “Nossa sede fica no Jardim Pindorama e o aluguel é pago por um empresário que faz parceria com o projeto. Uma loja de instrumentos musicais doou flautas para que as crianças pudessem ter aulas de música, ministradas por uma voluntária ”, afirma a psicóloga, que se diz satisfeita também com a divulgação do projeto que tem sido feita em telejornais da cidade.
 
“No começo, nós chegávamos com os alimentos sem saber pra quem doar. Os moradores dos bairros ficavam desconfiados, mas não tivemos nenhum problema. Da primeira vez que eu fui a uma dessas comunidades, não consegui dormir porque fiquei pensando na alegria daquelas crianças tão pequenas ao ganharem legumes, que a maioria das crianças não gosta”, lembra-se a psicóloga. Ela conta que, hoje, as pessoas dos bairros atendidos indicam outras localidades para receber ajuda. “Na Fraternidade, nos disseram que o bairro Santa Fé era bastante necessitado. Quando entregamos alimentos no Santa Fé, uma senhora disse que tínhamos que ir ao Morro Carrapato, porque lá eles precisavam mais ainda”, diz  Maria Luiza.
 
Para a coordenadora do projeto, o Galera de Deus é uma forma de fazer com que os estudantes da universidade tenham contato com a realidade dos bairros atendidos. “É uma oportunidade de os estudantes se envolverem. Por atendermos lugares afastados, muita gente não tem conhecimento dessas realidades. Ajudar o próximo traz coisas boas não só para a vida de quem é ajudado, mas de quem ajuda também. O sentimento de indiferença deixa de existir”, afirma a professora. Além dos estudantes de psicologia, o projeto também conta com pessoas da área do Design Gráfico e é aberto a todo o público que se interesse em ser voluntário. “Muitas pessoas propõem atividades que gostariam de fazer nas comunidades carentes. A contação de histórias que teremos em breve vai acontecer porque duas voluntárias se disponibilizaram a fazer”, explica a psicóloga.
 
As atividades que o Galera de Deus promove visam prevenir a delinqüência e que as crianças tenham problemas com drogas. Segundo Maria Luiza, foram oferecidas atividades de férias, sorvetadas, um encontro com o corpo de bombeiros e arrecadação de cadernos e apostilas antigas que foram trocados por material escolar por uma papelaria da cidade, também parceira do projeto. Esta última ação foi feita com o objetivo de incentivar os estudos. No entanto, a coordenadora diz que conquistar a confiança dos pequenos é só uma parte do trabalho: “É preciso atingir as famílias. Vamos começar a dar palestras para orientar os pais sobre como lidar com os filhos. Há muita falta de informação”. A professora diz ainda que pretende promover cursos de alfabetização para adultos e cursos profissionalizantes, como incentivo para a geração de renda.
 
O vínculo do projeto Galera de Deus com a psicologia vem por meio da prevenção da delinqüência. “Falta informação nas famílias e a psicologia não tem mais dúvidas do que deve ser feito para evitar a delinquência das crianças. Elas precisam de amor, limites e supervisão”, explica Maria Luiza Casanova. Ela completa dizendo que pretende fazer um estudo à longo prazo das crianças atendidas. “Já é possível observar mudanças no comportamento de algumas crianças. Estou muito satisfeita com os resultados do projeto até agora”, diz. 
Quem se interessar em fazer parte do projeto Galera de Deus pode entrar em contato pelo e-mail galeradedeus@uel.br ou pelo número (43) 8824-7689.
 
 
 
Créditos da Foto: Arquivo Pessoal
 
Ano 7 – Edição 83 – 21/03/2010