Estudo da UEL analisa o espaço das bicicletas na cidade

Projeto de pesquisa avalia como a construção e fiscalização de ciclovias em Londrina podem diminuir o número de acidentes

“Não adianta colocar uma ciclovia se os pedestres a invadem depois", afirma a professora Márcia Siqueira

Edição: Tatiane Hirata
Pauta: Laura Almeida
Reportagem: Guilherme Popolin
Tendo como foco os acidentes que envolvem bicicleta na cidade de Londrina-PR, o projeto de pesquisa “As Bicicletas e o espaço urbano em Londrina: Fluidez ou Rugosidade”, orientado pela professora Márcia Siqueira de Carvalho – graduada em Geografia pela Universidade Federal Fluminense (UFF), pós-doutora em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo (USP) e docente do curso de Geografia da Universidade Estadual de Londrina (UEL) -, utiliza dados do Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (SIATE) para traçar um panorama sobre os locais em que ocorrem mais acidentes e como eles poderiam ser evitados se existisse um espaço exclusivo para o trânsito de bicicletas.  
 
Um dos motivos que levou a professora a dar início ao projeto é que na cidade de Londrina, o SIATE atende  a maioria dos acidentes, gerando uma diminuição na proporção dos que envolvem mortes, se comparado os de trânsito e os com armas de fogo. Os dados dos atendimentos, que estão disponíveis na página do SIATE*, são divididos em: acidentes de bicicleta com ônibus, com automóvel, com moto e quedas de bicicletas.
 
Para Márcia Siqueira, o grande número de acidentes envolvendo bicicletas está relacionado com a falta de ciclovias na cidade, o que leva o usuário a andar irregularmente. Além disso, a maioria utiliza a bicicleta como meio de transporte para o trabalho. “Os ciclistas são muito expostos aos riscos, saem de manhã e voltam à tarde, geralmente em horários de pico (das 7h às 8h e das 18h às 19h) e entardecer”, afirma a coordenadora, que diz ser impossível reconhecer uma bicicleta no período da noite, já que muitos não utilizam equipamentos simples, como a lanterna.
 
“O espaço para as bicicletas precisa ser organizado na cidade”, explica Márcia Siqueira, uma vez que a maioria dos usuários é de trabalhadores, isso incentivaria um número maior de pessoas a usarem, diminuiria a demanda dos ônibus e possibilitaria uma economia dos usuários em relação aos gastos com transporte. Uma das necessidades básicas para a construção de uma ciclovia é unir pontos estratégicos que não tenham um relevo muito inclinado.  Além de que, quando existe um espaço próprio “pode-se cobrar do ciclista que ele ande na mão certa”, diz a professora, referindo-se às pessoas que andam na contramão para enxergar quem está vindo e evitar o atropelamento.
 
A pesquisadora afirma que as ciclovias podem ser implantadas em cidades que já possuem calçadas e ruas largas , eliminando uma parte da rua que está para estacionamento, ou nas calçadas de divisão no centro das pistas. Ela cita o exemplo de São Paulo para demonstrar que os planejadores não se preocupam com a bicicleta e seus usuários, já que na grande metrópole foram criadas faixas para moto, ônibus, mas não pensaram em uma para bicicletas. “Em Londrina, a gestão passada estava estudando essa questão. Na campanha do atual prefeito o assunto voltou a ser discutido, porém, as ciclovias que foram criadas são voltadas pro lazer”, explica.
 
De acordo com a professora, Londrina precisa de ciclovias para as pessoas que as utilizam para ir ao trabalho, e não no sentido do lazer, como a do Lago Igapó, ou no sentido de desafogar o centro, como ocorre em cidades européias. Para ela, primeiramente, deveria ser feito um levantamento das ciclovias já existentes e a manutenção das mesmas com pintura de faixa, placas e sinalização do pedestre com o ciclista. “Sem isso, a ciclovia acaba virando pista de cooper, como aconteceu na avenida Leste-Oeste”, diz.
 
A coordenadora Márcia Siqueira acredita que é preciso criar espaços específicos para a bicicleta para depois ordenar, fiscalizar e controlar. “Não adianta colocar uma ciclovia se os pedestres a invadem depois, o que aconteceu no Igapó”, conta. Segundo ela, o trânsito de Londrina vem sendo disciplinado com quebra-molas, o que é ilegal. “A maioria dos acidentes ocorrem na marginal das estradas, onde não tem ciclovia. O espaço está pronto, falta construir”, conclui.
 
*O Site do SIATE pode ser acessado através do seguinte endereço: http://www.bombeiroscascavel.com.br/modules/mastop_publish/?tac=SIATE
 
Créditos da Foto: Arquivo Pessoal
 
Ano 7 – Edição 83 – 21/03/2010

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