Ginástica como parte do currículo escolar

Estudo busca organizar os conteúdos da ginástica, para que essa possa ser conhecida pelos alunos da educação básica

Edição: Fernanda Cavassana
Pauta: Laura Almeida
Reportagem: Beatriz Pozzobon

“O objetivo deste projeto de pesquisa é analisar e organizar os conteúdos da ginástica para serem ministrados em aulas de Educação Física escolar.” Essa afirmação é da professora doutora Ana Maria Pereira, que juntamente com a professora doutora Marilene Cesário, criou o projeto “Ginástica na escola: a organização do conhecimento”. A professora Ana Maria Pereira, que conversou com o Conexão Ciência, é formada em Educação Física pela Universidade do Norte do Paraná (Unopar), doutora em Motricidade Humana pela Universidade da Beira do Interior, de Portugal e, atualmente trabalha no Departamento de Estudos do Movimento Humano, da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

De acordo com ela, esse projeto nasceu nas salas de aula e nas discussões nos grupos de pesquisa. A professora afirma que a ginástica está presente no currículo escolar, mas que o conteúdo é raramente ministrado. “Nós temos observado que quando o aluno se forma e vai para o mercado de trabalho na escola, ele tem a tendência a não ministrar o conteúdo de ginástica, assim como dança e luta. Os estudantes de Educação Física chegam à escola e se restringem ao basquetebol, voleibol, handebol, e futsal”, diz.

Ana Maria Pereira afirma que os professores da educação básica estão negando conhecimento aos alunos. “Não são todos os conteúdos da Educação Física que são socializados para o aluno. Há muita coisa para se aprender.” De acordo com ela, o profissional precisa organizar seu projeto político pedagógico dentro da escola. “Mas, como muitas vezes o professor fica restrito ao que gosta, ou ao que tem mais habilidade, elaboramos o estudo para organizar o conhecimento da ginástica.”

Ana Maria Pereira defende a prática da ginástica na escola, justamente pelos benefícios que pode trazer aos estudantes. Segundo ela, a prática regular da atividade auxilia na resistência muscular, na flexibilidade, nas resistências aeróbicas e anaeróbicas. Além de melhorar a força, equilíbrio, coordenação e potência. “A ginástica vem educar o movimento, vem ajudar na qualidade de vida e no desenvolvimento das habilidades”, afirma. A professora acha essencial que a prática, esteja aliada com a parte teórica. “Entender o histórico dessa atividade, qual a importância, quais os conteúdos, como se deu a construção desse patrimônio, são conteúdos importantes para que o aluno entenda o porquê da prática”, explica.

“Apesar dos benefícios concedidos pela prática da ginástica, essa é raramente aprendida na educação básica”, afirma Ana Maria. Ela explica que esse fato decorre da super valorização do esporte no Brasil, e com isso, as outras áreas da Educação Física acabam ficando de lado. A professora argumenta também que o aluno acredita que a aula é sinônimo de lazer. “O aluno vai pra aula de Educação Física para se divertir, e não para aprender. Isso porque ele encontra aquelas modalidades na aula em um ambiente de lazer. O papel do professor de Educação Física é mostrar aos estudantes que ele estudou e está lá para ensinar, mas, infelizmente, não é o que acontece”, lamenta.

De acordo com a professora Ana Maria Pereira, é necessário mudar esse paradigma. Ela afirma que há muitos projetos que estudam essa questão, e que partir de um “trabalho formiguinha” espera reverter essa situação. “Os projetos de pesquisa querem mudar essa realidade. A UEL já está mudando através desses projetos. Garantimos a alteração em nosso currículo”, garante.

Os resultados do projeto devem ser publicados em forma de livro didático, nos próximos dois anos. O livro tem por objetivo reorganizar e dar novo significado ao conhecimento da ginástica, dividindo por ciclos os conteúdos a serem ministrados pelos professores. A professora explica que ele é importante também para que o próprio professor possa se familiarizar ao conteúdo, e assim poder explicar aos alunos os benefícios em termos biológicos e as habilidades da prática da ginástica, aliada com a teoria. “O meu sonho é que com conhecimento organizado, o professor também possa se organizar didaticamente para ministrar aulas de ginástica na escola”, conclui.

Ano 7 – Edição 84 – 28/03/2010

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