Edição 88

abril 26, 2010

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Exposição homenageia fotógrafo Haruo Ohara

abril 26, 2010

Temporada Ohara em Londrina expõe cerca de 180 obras do fotógrafo japonês radicado em Londrina

Edição: Beto Carlomagno
Pauta: Laura Almeida
Reportagem: Juliana Mastelini Moyses

Museu Histórico, Museu de Arte e Biblioteca Pública de Londrina recebem as obras dos irmãos Haruo e Hideomi Ohara com a mostra Temporada Ohara em Londrina. A estreia da exposição foi no dia nove de abril e contou com a participação de autoridades, organizadores e familiares do homenageado. “Haruo Ohara-Fotografias” fica em cartaz no Museu Histórico até o dia nove de julho. “Haruo Ohara- Forma e Abstração”  fica no Museu de Arte até o dia oito de maio. E “Hideomi Ohara- Gratidão através da expressão” fica em cartaz na biblioteca até 30 de abril.
Haruo Ohara nasceu no Japão e emigrou para o Brasil na década de 1920, aos 17 anos de idade, onde trabalhou como lavrador e simultaneamente fotografou sua vida e seus familiares. O acervo do fotógrafo, por decisão da família, foi doado ao Instituto Moreira Salles (IMS), do Rio de Janeiro, que a partir de então conserva as obras do fotógrafo. Segundo a diretora do Museu de Arte de Londrina, Sandra Jóia, a Temporada Ohara é uma homenagem a Haruo e a todos os familiares Ohara pela importância da família no cenário londrinense.

Conexão Ciência: Como está articulada a Temporada Ohara em Londrina? Como funcionam as exposições?
Sandra Jóia:
No Museu Histórico estão expostas as imagens de expressão, figuras humanas e cenas do cotidiano intituladas Haruo Ohara- Fotografias.
No Museu de Arte, está a mostra Haruo Ohara- Forma e Abstração, são fotografias que possuem uma linguagem artística que se identifica com o abstrato, como se pode ver o pedacinho de uma flor, o tronco de uma árvore, os tijolos enfileirados. Foi um olhar muito sensível do coordenador do Instituto Moreira Sales, Sérgio Burgi, e da equipe ao fazer esse recorte no acervo de Haruo Ohara. O visitante que olha, ao interagir com esse trabalho vai se emocionar, porque são cenas inusitadas e inesperadas que Haruo captou. São detalhes que eu jamais pensaria que alguém tivesse olhar sensível para expressar. Essa exposição fica no Museu de Arte até o dia oito de maio, já que temos aqui outra programação em comemoração aos 17 anos do museu.
Na Biblioteca está a mostra Hideomi Ohara- Gratidão através da expressão. São telas do irmão de Haruo, Hideomi Ohara, que ao longo dos anos ele, que hoje está com 85 anos, foi captando. Hideomi tem muitos trabalhos e nós fizemos um recorte mostrando um pouquinho de cada coisa que ele pinta. São 12 obras de óleo sobre tela, muito bonitas.

Conexão Ciência: Qual o objetivo da Temporada Ohara em Londrina?
Sandra Jóia:
O Objetivo é homenagear o fotógrafo e também mostrar para a cidade que o acervo de Haruo Ohara não ficou em Londrina, mas pode ir e voltar se nós quisermos.
É uma satisfação trazer esse acervo para a cidade e mostrar como o Instituto Moreira Salles está sendo cuidadoso na preservação das obras de Haruo Ohara, um fotógrafo de grande expressão no Brasil
Estou muito contente com esta exposição porque é a forma que encontramos de homenagear a família Ohara em Londrina e prestar nossa gratidão a Haruo Ohara, pioneiro na fotografia na cidade, na fotografia estética, pioneiro no linguajar poético para fotografar. A Temporada foi a maneira que encontramos para agradecer a família Ohara pelo seu pioneirismo e contribuição para Londrina.

Conexão Ciência: Qual a importância para a cidade de Londrina em receber este acervo?
Sandra Jóia:
Esta exposição trata-se do tão importante acervo de Haruo Ohara, que tem um caráter tanto histórico, como artístico e cultural. Ele fotografou o período de colonização da cidade, um momento em que tudo estava fluindo. Com isso, Haruo registrou a história de Londrina, desde a década de 1930 até a década de 1990.

Conexão Ciência: Como surgiu a ideia da exposição e porque o interesse em fazer a exposição das obras de Haruo Ohara?
Sandra Jóia:
As fotografias de Haruo Ohara estão no Instituto Mareira Salles no Rio de Janeiro. Em 2008, quando o instituto lançou a primeira exposição das obras do fotógrafo, nos presentearam com o catálogo Haruo Ohara – Fotografias. Nós do Museu de Arte nos interessamos em trazer essa exposição para Londrina, já que Haruo Ohara viveu em Londrina e fotografou os anos de colonização da nossa cidade. Ele fotografava a família, cenas do cotidiano, e com isso contribuiu para registrar a evolução histórica da cidade. Sem falar que a família Ohara é uma família muito expressiva na cidade.

Conexão Ciência: Como foi a organização da mostra em Londrina?
Sandra Jóia:
Eu entrei em contato com o IMS para promover a exposição aqui no aniversário de 75 anos de Londrina, em dezembro do ano passado. Fizemos uma parceria com o Museu Histórico para colocar uma parte da exposição lá, já que o Museu de Arte não comportava toda a exposição. Ao conversar com a Casa de Cultura, descobrimos que eles estavam envolvidos com um projeto internacional de fotografia, o Fotolink. E a Kinoarte estava produzindo um curta-metragem sobre Haruo Ohara. Assim, envolvemos todos esses projetos para trabalharmos juntos, mas não foi possível realizar a mostra em dezembro, porque o curta não estava pronto, o Fotolink estava em processo de organização e o Museu de Arte já estava com outra exposição programada.
Porém, tudo se encaixou perfeitamente e ficou resolvido que faríamos uma ação integrada envolvendo comunidade, familiares Ohara e Universidades no ano seguinte, não seria exatamente na comemoração de 75 anos da cidade, mas não faria muita diferença já que a cidade ainda estaria com 75 anos.

Conexão Ciência: Como você disse anteriormente, a Temporada Ohara em Londrina é uma ação integrada entre várias instituições. Qual é o papel de cada uma na mostra?
Sandra Jóia:
Nessa ação integrada, cada um ficou responsável por uma parte. Coube ao Museu de Arte a organização da mostra abstrata do fotógrafo. O Museu Histórico ficou responsável por tudo relacionado a fotografias de familiares ou cenas do cotidiano.  Fernanda Magalhães da Casa de Cultura ficou envolvida com o Fotolink e com a exposição do neto de Haruo Ohara, o Saulo Ohara, que é um fotógrafo contemporâneo. Já o Rodrigo Grota e o pessoal da Kinoarte ficaram responsáveis pelo curta metragem. Tudo para que no início de abril fizéssemos a abertura dos eventos que denominamos de Temporada Ohara em Londrina.

Conexão Ciência: A senhora falou que a obra de Haruo Ohara tem visibilidade nacional. Quando ele ganhou essa visibilidade?
Sandra Jóia:
Muitos artistas ganham visibilidade depois que morrem. Haruo Ohara, ao contrário, quando faleceu já tinha visibilidade. Ele participou de Bienais em São Paulo, participou do Festival Internacional de Londrina (Filo), então já era conhecido nacionalmente, já possuía uma história na fotografia, tinha um trânsito entre outros estados. Lógico que quando ele faleceu, todo mundo se preocupou em preservar e mostrar o reconhecimento que tinham para com o trabalho dele, o que fez com o reconhecimento que ele já tinha se fortalecesse, por isso que seu trabalho está no Instituto Moreira Salles entre fotógrafos de muita expressão no cenário brasileiro.

Conexão Ciência: Porque o acervo de Haruo Ohara não ficou na cidade?
Sandra Jóia:
O acervo de Haruo Ohara não ficou em Londrina porque a cidade não tinha condições para preservar as obras. Na época, o Museu Histórico não tinha reserva técnica especializada e equipamentos para conservar e preservar as fotografias e negativos de Haruo.  Muitos dos negativos do fotógrafo são em vidro, o que exige um cuidado muito maior para a conservação e não tínhamos estrutura para conservar este acervo.

Conexão Ciência: Quando esse acervo foi encaminhado para o Instituto Moreira Salles?
Sandra Jóia:
Haruo Ohara faleceu em 1999 com 90 anos. No início do ano 2000, os familiares começaram a pensar para onde encaminhariam o acervo, porque eram muitas peças: máquinas fotográficas, documentos, registros do dia-a-dia, negativos, inúmeras fotografias. Ele tinha um laboratório particular, então dá para imaginar a quantidade de peças que estavam contidas nesse acervo.
A família começou a se preocupar com o destino que daria a esse materiais pensando justamente no caráter histórico que eles possuíam, já que Haruo registrou em fotos as décadas de 1930 à 1990. O forte do trabalho dele foi em Londrina e região,  ele era apaixonado por registrar cenas dos familiares, cenas do cotidiano.
Em 2003 houve um pensamento da família de doar as obras para a Fundação Cultural de Curitiba, porque então as obras ficariam no Paraná. Mas em uma das visitas do neto do Haruo, Saulo Ohara, à Fundação Moreira Salles, a família conheceu o instituto e num consenso entregaram todo acervo sem custo algum, já que o objetivo da família era que se preservasse as obras possibilitando que outras gerações conhecessem o trabalho.
E foi o que eles conseguiram porque o instituto está fazendo isso muito bem. Nos sentimos gratificados de podermos oferecer à comunidade a Temporada Ohara , e trazer estudantes para o museu no programa educativo, para não só visitar a mostra, mas  dialogar com esse tipo da arte, conhecer um pouco da história da cidade, da história de Haruo Ohara, nessa função que o museu tem de colaborar com o processo formativo do cidadão, começando pelas crianças.

Serviço:
Locais e datas

Haruo Ohara-Fotografias
Local: Museu Histórico de Londrina (rua Benjamin Constant, 900 – Centro – antiga Estação Ferroviária). Tel.: 3323-0082
Período: de 10 de abril a 9 de julho
Horário de visitação: de 3ª a 6ª feira, das 9 h às 11h30 e das 14h30 às 17h30. Sábados e domingos, das 9h às 11h30 e das 13h30 às 17h.
Entrada Gratuita

Haruo Ohara- Forma e abstração
Local:
Museu de Arte de Londrina (rua Sergipe, 640). Tel.: 3337-6238
Período: de 10 de abril a 8 de maio.
Horário de visitação: de 2ª a 6ª feira, das 9h às 18h. Sábados, das 8 h às 13h
Entrada Gratuita

Hideomi Ohara- Gratidão através da expressão
Local:
Espaço Cultural da Biblioteca Pública de Londrina (av. Rio de Janeiro, 413). Tel.: 3371-6500
Período: de 10 a 30 de abril
Horário de visitação: de 2ª a 6ª feira, das 8h às 19h. Sábados, das 8h às 13h.
Entrada Gratuita


Algoritmos ajudam no fluxo de trânsito de Londrina

abril 26, 2010

Projeto desenvolveu um plano de gerenciamento de tráfego que pode ajudar nos congestionamentos

Edição: Beto Carlomagno
Pauta: Edson Vitoretti Jr.
Reportagem: Marcia Boroski

Em uma cidade como Londrina, cuja população é de mais de meio milhão de habitantes, segundo matéria do Bonde de 2008*, o tráfego de veículos, assim como o de pessoas, é grande. Segundo dados do Detran-PR, a média de veículos por pessoa é de 0,52, totalizando uma frota de 266.812 mil veículos.

O eixo central da cidade é onde mais circulam carros, motos e ônibus, e, segundo a professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL), doutora Silvia Galvão de Souza Cervantes, o planejamento de tráfego atual da cidade não consegue absorver tal frota.

Dentro de tais circunstâncias a professora, que é doutora em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) desenvolve um projeto no Departamento de Engenharia Elétrica da UEL. O projeto coordenado pela doutora, “Desenvolvimento de algoritmos para controle de tráfego urbano”, se propõe a desenvolver um plano de gerenciamento de tráfego para a malha central de Londrina. Essa malha central, delimitada pela pesquisadora, é o quadrilátero formado pelas avenidas JK, Higienópolis, Jorge Casoni e Leste-Oeste, o qual reúne cerca de 70 semáforos. É nessa região, segundo a doutora, que durante os horários de pico, nota-se os principais congestionamentos da cidade.

Os semáforos são a ferramenta que a professora utilizou para desenvolver um plano de gerenciamento de tráfego. “A administração do tempo semafórico (tempo de verde e tempo de vermelho) pode garantir o fluxo do tráfego e evitar alguns destes congestionamentos”, explicou a doutora Silvia Cervantes.

Este gerenciamento é feito por meio de algoritmos, os quais são desenvolvidos a partir de dados reais. Algoritmo, segundo o dicionário Aurélio Buarque de Holanda, é um “Processo de cálculo, ou de resolução de um grupo de problemas semelhantes, em que se estipulam, com generalidade e sem restrições, regras formais para a obtenção de resultado ou de solução de problema”.

A doutora Silvia Cervantes obteve dados sobre o transito de Londrina (o fluxo de veículos nestas vias em determinados horários, o tempo semafórico, a quantidade de semáforos, de cruzamentos e outros que possam variar) através do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (IPPUL). E foi por meio dos dados que o órgão municipal forneceu que a pesquisadora pode formular o algoritmo.

Como resultado da pesquisa “foram produzidos três algoritmos, que podem ser alimentados e a partir disso, fornecerem soluções para o fluxo de veículos” afirma a coordenadora do projeto. Eles estão configurados em programas de computador e ainda não tem previsão para serem patenteados. “Alguns algoritmos, como os que nós desenvolvemos, podem ser aplicados em outros municípios. Com pequenas adaptações à cada cidade, como número e localização de semáforos e características físicas das vias, eles podem ser utilizados. Por exemplo, em cidades de porte igual ou menor ao de Londrina”, afirma a pesquisadora.

Cada algoritmo foi desenvolvido para um tipo de semáforo: controlador eletromecânico, automático, sensorial. “O semáforo eletromecânico é o mais antigo e permite uma única programação de cada vez, que deve ser feita manualmente. O automático, ou eletrônico recebe uma programação que se altera sozinha em diferentes horários do dia (se assim for programado) para atender diferentes demandas de veículos. O automático pode ser programado por horário ou ainda receber informações de demanda veicular em tempo real, através de sensores (sensorial) utilizados para a contagem de veículos. Desta forma, o controlador responde às variações de quantidades de veículos tão logo estas aconteçam”, explica a doutroa Silvia Cervantes.

Como é de interesse municipal a urbanização, o projeto buscou firmar convênios com a Prefeitura e com a Companhia Municipal de Transito e Urbanização (CMTU), porém não houve retorno. “Nós não conseguimos apoios oficiais, somente os dados. O projeto não contou com investimentos financeiros e também com pesquisa de outras áreas do conhecimento que a urbanização envolve”, disse Silvia Galvão de Souza Cervantes. O projeto está na fase de finalização e conforme a pesquisadora, não tem previsão de continuidade por falta de apoio.

*http://www.bonde.com.br/bonde.php?id_bonde=1-3–738-20080830


Argumentação na publicidade e na mídia impressa

abril 26, 2010

Projeto analisa os recursos linguísticos utilizados em textos argumentativos

Edição: Beto Carlomagno
Pauta: Laura Almeida
Reportagem: Karina Constâncio

“A argumentação é utilizada para convencer alguém sobre determinada opinião, por isso o uso dela na publicidade e nas mídias em geral, é essencial.” É o que diz a doutora Esther Gomes de Oliveira, coordenadora do projeto “Argumentação no discurso publicitário e outras mídias” que tem como objetivo analisar os recursos lingüísticos que contribuem para construção de um texto argumentativo. Esther possui graduação em Letras pela Faculdade de Educação e Cultura do ABC em São Caetano do Sul, especialização pela Faculdade São Judas Tadeu em São Paulo, mestrado em Língua Portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e doutorado em Lingüística pela Universidade de São Paulo (USP)

O projeto teve início este ano e foi resultado do interesse da professora e de alguns colegas no campo da publicidade. “Antes de começar este projeto, nós já tínhamos trabalhado com outras pesquisas relacionadas ao meio publicitário. Eram elas: ‘Lingüística textual e semântica argumentativa na publicidade’ e ‘Aspectos gramaticais na publicidade’. Com o término desses dois projetos, resolvemos abranger o objeto de análise para outras mídias.”

A análise é feita de acordo com a maneira de que cada recurso influencia no discurso publicitário e das mídias impressas, principalmente revistas e jornais (editorial, charge, HQ, quarta do leitor). Segundo a doutora Esther Gomes de Oliveira, um adjetivo, por exemplo, colocado em um texto argumentativo produz um efeito de sentido que vai ser percebido pelo interlocutor e que vai conduzi-lo a chegar a uma conclusão. “O adjetivo mais usado na propaganda é o ‘novo’, já foi feita uma estatística e isso foi constatado. Se eu digo ‘novo’ quer dizer que o que tinha antes não prestava? Dá para perceber o que está implícito”, afirma. Dentre os recursos analisados, estão a intertextualidade*, adjetivação*, intensificação*, figuras de linguagem* e modalizadores*. De acordo com a coordenadora, o uso correto desses recursos é o responsável pela produção de um bom texto.

Esther Gomes de Oliveira destaca que um dos tipos de análise é por meio da comparação de propagandas do início do século passado com as modernas. “Em 1920/1930 não existia fotografia, era desenho, portanto, o texto era maior e mais informativo. Era necessária a descrição das características do produto. Hoje, com as tecnologias obtidas, a fotografia e o uso das cores são muito explorados. Por conta disso, a linguagem não verbal da propaganda é muito importante. A imagem e o texto escrito se completam, e o uso do texto pode ser diminuído”, afirma a coordenadora.

Como o projeto é recente, as análises ainda estão no começo. Mesmo assim, em junho será realizada uma apresentação no I Colóquio Internacional de Estudos Linguísticos e Literários, na Universidade Estadual de Maringá (UEM). Além das apresentações em congressos, e das publicações de artigos em periódicos, a coordenadora conta que ao final da pesquisa eles pretendem fazer um livro com os resultados obtidos. Participam do projeto, mais três professoras do Departamento de Letras Vernáculas e Clássicas, Isabel Cristina Cordeiro, graduada em Letras pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e com mestrado e doutorado em Estudos da Linguagem pela mesma universidade; Rosemeri Passos Baltazar, graduada em Licenciatura em Letras pela UEL e mestre em Letras também pela UEL; Suzete Silva, graduada em Letras com Habilitação em Português e Inglês com as respectivas Literaturas, pela Fundação Faculdade de Educação, Ciências e Letras de Paranavaí e é mestre e doutora em Estudos da Linguagem pela UEL; e alunos de graduação, mestrado e doutorado.

* Intertextualidade: referência explícita ou implícita de um texto em outro.

* Adjetivação: qualificar, caracterizar substantivos por meio do uso de adjetivos.

* Intensificação: utilizar-se de advérbios de intensidade (muito, pouco, demais, tão, menos) para modificar o sentido do verbo.

* Figuras de linguagem: são recursos que tornam mais expressivas as mensagens. Subdividem-se em figuras de som, de construção, de pensamento e de palavras.

Fonte: http://www.brasilescola.com/portugues


Projeto analisa utilização de objetos na criação cênica

abril 26, 2010

Pesquisa do Departamento de Artes Cênicas da UEL estuda a influência de adereços e imagens na performance do ator

O aluno Thales Maciel Maniezzo durante processo de criação cênica

Edição: Beto Carlomagno
Pauta e Reportagem: Mariana Tamião Mortari

Voltado para um trabalho autônomo baseado em construções práticas e individuais dos alunos participantes, o Projeto de Pesquisa “Identidade, Jogo Cênico e o Objeto-Imagem” do Departamento de Artes Cênicas da UEL tem como objetivo principal “definir um modelo de abordagem geral sobre o objeto, a imagem, o jogo cênico e a identidade nos processos de criação da cena”, como afirma José Fernando Amaral Stratico, graduado em Educação Artística com habilitação em Artes Plásticas pela Universidade Estadual de Londrina, mestrado em Artes Plásticas e doutor em Artes Cênicas, ambos pelo Instituto de Artes da University of Central England, em Birmingham, Inglaterra.

Segundo o professor doutor José Fernando Stratico, docente coordenador do projeto, o trabalho é dividido em duas frentes de pesquisa, escolhidas de acordo com o interesse do próprio aluno, que atuam em conjunto e se completam: “uma frente prática, focada na criação de cenas, e uma teórica, com interesse primário no estudo da utilização de adereços para essa criação”.

Conforme explicado pelo doutor Stratico, a frente prática abrange um trabalho mais voltado para a performance e a junção do trabalho cênico com outras linguagens artísticas, o qual consiste a idéia central do jogo cênico quando em relação a um objeto ou imagem, um hibridismo de formas de arte que é essencial para esse tipo de abordagem. “Os alunos pesquisam essa abordagem com objetos de cunho variado, de procedências variadas. Objetos, por exemplo, pessoais, que tragam memórias, objetos encontrados ao acaso ou objetos públicos, de um determinado público, cujos signos possam ser notificados e transformados a partir da criação cênica”, explica o coordenador.

Em contrapartida, segundo ressaltado pelo professor doutor Stratico, a abordagem teórica, encabeçada por alunos de iniciação científica do projeto, volta-se mais para um entendimento histórico e analítico da presença de objetos e imagens na história do teatro, bem como em outras formas de manifestação artística que tenham sofrido influência do teatro e da cena.

“O projeto nos deu liberdade desde o início, nele eu conduzo o treinamento, escolho o objeto e os elementos para meu trabalho”, explica Thales Maciel Maniezzo, 21 anos, aluno do 4º ano do curso de Artes Cênicas da UEL e colaborador do projeto. “Dentro da faculdade, nós até temos isso, mas não dessa forma tão liberal. Sempre nos é dado algum treinamento, ou estímulo para então partir para a criação”, completa.

O professor doutor Stratico ainda evidenciou que o ponto inicial para a criação do atual projeto deu-se a partir da já existente ligação do coordenador com a pesquisa sobre o jogo cênico, a identidade e a performance, área em que atua e que havia sido abordada em um projeto anterior, o qual tratava a questão do jogo e da improvisação em processos pedagógicos da área. Com a pesquisa, o professor pretende “delinear não só uma teoria a respeito dos processos do jogo e dos processos criativos do teatro, mas também algo que ajudasse o próprio ensino do mesmo, à medida que oferecesse elementos que dissessem respeito à pedagogia”, declarou.


Edição 87

abril 20, 2010

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Pesquisa do IAPAR estuda as microalgas como fonte de energia

abril 20, 2010

Projeto busca a produção de combustíveis a partir de óleos extraídos desses micro-organismos

Edição: Fernanda Cavassana
Pauta: Edson Vitoretti
Reportagem: Lucas Martins

Microalgas são, segundo os conceitos da Biologia, seres unicelulares que representam a base da cadeia alimentar de muitos ecossistemas aquáticos. Entretanto, para o projeto desenvolvido pela pesquisadora do Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), Dra Diva de Souza Andrade – graduada em Agronomia pela Universidade Federal de Lavras (UFLA), mestre em Ciências do Solo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e doutora em Ciência Biológicas pela London University Wye College ” esses micro-organismos têm outras funções. Segundo a doutora, esse

trabalho desenvolvido no IAPAR pretende descobrir uma maneira de retirar, de forma comercial, o óleo de certas microalgas para a produção de biocombustíveis. Em entrevista ao Conexão Ciência, ela explica mais sobre esses estudos:

Conexão Ciência: No que consiste o projeto?
Dra Diva de Souza Andrade:
O projeto consiste no desenvolvimento de tecnologias para a multiplicação em massa das microalgas, visando a produção de meios combustíveis e outros produtos a base desses micro-organismos Para isso, o IAPAR pretende fazer um levantamento do estado da arte do que já tem publicado e conhecer todas as espécies que já estão catalogadas.

Conexão Ciência: E como surgiu a ideia de montar este projeto?
Dra Diva de Souza Andrade:
O IAPAR trabalha já com bioenergia de plantas, visando a produção de biocombustíveis, em parceria com algumas empresas: como a Companhia Paranaense de Energia (COPEL) e a Petrobras. E, mais recentemente, a COPEL veio com essa demanda de produzir fontes alternativas de energia por meio de micro-organismos,querendo que nós utilizemos esses seres vivos para a retirada da massa e da extração de lipídeos.


Conexão Ciência: E como desenvolve o cultivo dessa microalga?
Dra Diva de Souza Andrade:
O cultivo principal dela é em água, tanto em salobra (mares), como água doce (lagoas). São nesses lugares que ela consegue crescer e ser uma fonte de alimento para outros seres. Como elas são micro-organismos fotossintéticos ” conseguem realizar a fotossíntese, como as plantas durante o dia, também podem diminuir a liberação do gás carbônico e produzir uma quantidade num tempo muito mais rápido do que as plantas.

Conexão Ciência: Qual é o custo-benefício desse tipo de combustível?
Dra Diva de Souza Andrade:
O custo-benefício seria a possibilidade de uma grande produção dessa biomassa e o fornecimento de matéria-prima suficiente para suprir uma grande parte de nossas indústrias e também por ser uma energia renovável. Além disso, ela pode ser cultivada em locais que não sejam destinados para plantas de grãos e alimentos. Esses seriam os seus benefícios. Mas, até o momento, ainda não existe um cultivo que seja de larga escala e viável economicamente. Existem criações de laboratórios em quantidades menores. Porém, o custo ainda é alto para produzir essa biomassa.

Conexão Ciência: Para que seria usado esse biocombustível?
Diva de Souza Andrade:
A demanda seria para energia. Mas, os óleos que são extraídos dessas microalgas já são estudados há muitos anos em vários países. Esses lipídeos também podem ser usados em cosméticos e para a alimentação. E, no caso, a COPEL exigiu para que esses estudos sejam dirigidos para a criação de óleos combustíveis que seriam uma fonte de energia alternativa. Mas, até no momento, o projeto está na sua fase inicial. Pode ser que o mais viável economicamente não seja combustível de veículos, e sim, para outros coprodutos.

Conexão Ciência: A retirada em massa desses micro-organismos pode destruir o ecossistema?
Diva de Souza Andrade:
A princípio, existem coleções de microalgas que estão sendo formadas pelo IAPAR. Portanto, a retirada delas não seria do ecossistema. Só seria uma cédula que seria multiplicada em laboratórios por meio de biorreatores1. E, a produção do biocombustível seria em condições controladas.

1.biorreatores: Sistema de frascos de vidros contendo material biológico para ser reproduzido. Por meio de tubos de borracha flexíveis que os interligam, os recipientes recebem ar e água por aspersão – processo constituído por respingos de substâncias ” e borbulhamento.

Ano 7 – Edição 87 -18/04/2010