Projeto estuda a aptidão física de jovens com deficiência visual

Hábitos nutricionais e a prática de atividade física de adolescentes com deficiência visual é a base do estudo

Professora Doutora Márcia Greguol trabalha com adolescentes com deficiência visual no projeto "Hábitos Nutricionais e de Prática de Atividade Física entre Adolescentes com Deficiência Visual"

Edição: Beto Carlomagno
Pauta: Laura Almeida
Reportagem: Roberta Barboza de Oliveira

Formada em Esporte pela Universidade de São Paulo, (USP), a professora Doutora em Biodinâmica do Movimento Humano também pela USP, Márcia Greguol, trabalha nessa área com a inclusão de adolescentes cegos na rede regular de ensino. Professora de Crescimento e Desenvolvimento e Prescrição de Exercícios para Populações Especiais no curso de Esporte da Universidade Estadual de Londrina, (UEL), ela afirma que foi a partir do tema de seu doutorado que surgiu a idéia para o projeto de pesquisa do qual é coordenadora: “Hábitos Nutricionais e de Prática de Atividade Física entre Adolescentes com Deficiência Visual“.

O projeto é parte de “Análise Longitudinal da Aptidão Física Voltada À Saúde de Adolescentes Cegos do Município de Londrina”, outro projeto de pesquisa coordenado por Márcia Greguol. “Durante dois anos, avaliei a evolução da aptidão física em adolescentes cegos, percebendo que existe uma diferença muito grande do que seria normal, em níveis de atividade e aptidão física, entre eles e os que não têm a deficiência. Após verificar isto na realidade de São Paulo, resolvi fazer esta mesma sondagem aqui em Londrina”. O projeto conta com a participação de outros dois professores da UEL, Abdallah Achour Júnior* e Rosângela Marques Busto**, ambos do curso de Esporte da universidade, e a bolsista pela Fundação Araucária e aluna do terceiro ano do mesmo curso, Bruna Barboza Seron.

Segundo a professora, foram feitos questionários que registraram os dados pessoais e os detalhes da locomoção rotineira dentro de um período de uma semana de dezoito adolescentes com deficiência visual. Eles são de Londrina e de cidades da região, como Cambé e Rolândia. Alguns freqüentam instituições de ensino com salas adaptadas, como a Escola Estadual Hugo Simas e o Instituto Londrinense de Instrução e Trabalho dos Cegos, (ILIT).

“Trabalhamos com jovens de doze a dezoito anos porque é desde pequeno que se mudam os hábitos. Além disso, é muito difícil encontrar pesquisas relacionadas à saúde de adolescentes, mais difícil ainda é encontrar sobre a saúde de adolescentes com deficiência. Tivemos que praticamente ir à sua procura, pois muitos ficam somente em casa e nós nem ficamos sabendo sobre eles”, explica Márcia Greguol. “Assim, participaram dez meninos e seis meninas, cegos, que não tem outras deficiências”.

Outro motivo para fazer a pesquisa seria uma preocupação com as doenças crônico-degenerativas. “São doenças que não tem cura, apenas tratamento, geralmente sendo causadas por estilos de vida inadequados, como o sedentarismo. Já que os deficientes têm mais tendências a serem sedentários, podemos supor que eles também têm mais chances de sofrerem de doenças crônico-degenerativas, como hipertensão e diabetes”, diz a coordenadora do projeto.

De acordo com Márcia Greguol, o projeto entrará em sua reta final em abril, com a utilização de pedômetros. “O pedômetro é um instrumento que mede o número de passos. Vamos pedir aos participantes que os utilizem por quatro dias, para depois compararmos os dados obtidos com os dos questionários e os de jovens que podem ver. Em seguida, vamos apresentar nossos dados e conclusões a seus pais e aos locais que eles freqüentam”. Mesmo assim, a professora afirma que algumas observações já podem ser feitas.

“Pelos questionários, ficamos sabendo que muitos deles chegam a passar, em dias de semana, quatro, cinco horas em casa. Ás vezes, até oito horas. Isso sem falar que, por terem que estudar mais que as crianças, os adolescentes não tem tantas oportunidades para se movimentar e se exercitar”. A dieta deles, entretanto, é saudável, diz Márcia Greguol. “A alimentação costuma ser balanceada, e eles não tem tantas oportunidades de comer fora quanto os jovens que não são deficientes. Mas, independentemente disso, todas as crianças e jovens devem desenvolver-se bem fisicamente e praticar exercícios“. Do contrário, diz ela, haverá toda uma geração de adultos sedentários.

* Graduado em Educação Física pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), mestre também em Educação Física Universidade Federal de Santa Catarina e doutor no mesmo curso pela Universidade de São Paulo.
** Licenciada pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) em Educação Física, especialista em Educação Especial pela mesma universidade, com mestrado em Educação Estudios Avanzados e doutorado em Ciencias da Educação, ambos pela Universidad de Extremadura, na Espanha.

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