O que é educação física?

Projeto da UEL pretende responder essa pergunta por meio de pesquisa e entrevista com professores

A Professora Ana Maria Pereira, ao lado da orientanda que idealizou o projeto, Marina Bertoni

Edição: Tatiane Hirata
Pauta: Laura Almeida
Reportagem: Guilherme Popolin

A professora Ana Maria Pereira – graduada em Educação Física pela Universidade do Norte do Paraná (Unopar), doutora em Motricidade Humana pela Universidade da Beira do Interior, de Portugal – do Departamento de Estudos do Movimento Humano, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), orienta a estudante Marina Bertoni, do quarto ano de Educação Física (licenciatura), no projeto  de iniciação científica que visa encontrar uma resposta para a pergunta-título do trabalho: “O que é educação física?”.

A estudante Marina Bertoni teve a ideia de realizar o trabalho com essa temática no segundo semestre do 1º ano do curso, no momento em que leu o livro “Educação Física cuida do corpo e mente”, de João Paulo Medina, e começou a refletir sobre como seus professores conceituam a educação física. “A resposta vem confusa, com um pouco de funcionalidade”, diz a estudante que, no 2º ano,  pediu à professora Ana Maria Pereira para orientá-la com o projeto, que também será tema do seu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso).

A professora doutora Ana Maria Pereira explica que a educação física não apresenta um objeto de estudo definido, e que o senso comum acredita que os professores dessa área são apenas “educadores de físico”, não pensando na perspectiva da motricidade humana.  “Com esse projeto, estamos estudando a fundo o que é educação física, por meio de uma perspectiva de homem inteiro”, afirma.

A professora dra. Ana Maria Pereira explica que a educação física está presente em três grandes áreas: a ensinada na escola, nas ciências do desporto e no mundo “fitness”, direcionada para a saúde e beleza. “Penso, logo existo” – a professora recorre ao filósofo Descartes* para ilustrar a sociedade que supervaloriza os trabalhadores intelectuais, e vê o curso de educação física como “fácil”, ligado somente à parte biológica e física.

“Viver significa movimentar, e a nossa profissão não tem olhado pra isso”, afirma a professora Ana Maria Pereira. De acordo com ela, a educação física deveria ensinar uma cultura corporal do movimento, como a dança que é um patrimônio. “Um professor deveria ensinar na escola conteúdos de dança, ginástica, luta e esporte a serviço da formação da pessoa, desenvolvendo a coragem e autonomia”, diz. Mesmo defendendo essa concepção, a professora assume que pode enxergar por outras perspectivas até a conclusão do trabalho. “Não tenho problema nenhum em mudar de ideia, nada é eterno. Só crescemos quando temos humildade para ouvir o que o outro tem a dizer”.

O projeto segue por etapas. A estudante Marina Bertoni conta que a primeira parte foi dedicada à história e a entender o processo de desenvolvimento da educação física a partir da Grécia, local de sua gênese. “O objetivo dessa etapa é analisar se existia uma identidade e quais foram os precursores de cada época”, afirma a estudante  ,que agora busca na literatura a opinião de autores que já estudaram o assunto, para depois começar as entrevistas com os docentes que atuam no curso de educação física (licenciatura). Após ouvir as entrevistas, será feita uma análise dos discursos dos professores e as respostas divididas por categoria.

Marina Bertoni acredita que esse estudo vai ajudar os novos profissionais a entenderem qual a identidade do curso de educação física (licenciatura), na UEL, e até mesmo os professores que ministram as aulas poderão refletir sobre qual a “cara” do curso em que estão inseridos. “Um dos motivos que me fizeram planejar esse trabalho é que o pensamento dos professores influencia muito na formação dos alunos”, diz. A professora Ana Maria Pereira, orientadora da estudante, completa: “cada discurso é carregado ideologicamente de uma concepção de homem, de mundo e como sociedade”, conclui.

* René Descartes (1596 -1650) foi um filósofo francês, fundadores do moderno movimento racionalista. Introduziu a dúvida como elemento primordial para a investigação filosófica e científica, e a partir dele, as ciências físicas e naturais liberaram-se da escolástica e da religião, dando início a sua impressionante marcha ascendente para a consagração no mundo moderno. Mais em: http://educaterra.terra.com.br/voltaire/cultura/descartes.htm

Crédito da Foto: Guilherme Popolin
 
Ano 7 – Edição 86 -11/04/2010
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