Molécula pode tratar doenças neuropáticas

Descoberta pelo professor Waldiceu Verri, a Interleucina-33 é um dos atuais objetos de estudo entre os pesquisadores que trabalham com dor neurológica no Brasil

Edição: Fernanda Cavassana
Pauta: Edson Vitoretti
Reportagem: Willian Casagrande

A dor neuropática é uma das principais condições de dor neurológica, segundo o artigo “Dor neuropática: dez questões comuns”¹, publicado pelo jornal médico britânico The Neurologist  (2001;7). Ainda segundo o artigo, essa dor caracteriza-se como uma desorganização das vias que transmitem a dor, localizadas nos neurônios, e entre seus principais sintomas da dor neurológica, está a depressão, que pode ser severa e levar até ao suicídio. Mas como tratar essa doença? Esta resposta pode vir dos estudos do professor doutor Waldiceu Aparecido Verri Junior, do Departamento de Patologia do Centro de Ciências Biológicas da UEL (CCB).

Há aproximadamente dois anos, Verri estuda a molécula Interleucina-33, uma citocina² produzida por macrófagos³ que pode atuar no combate às dores neuropáticas e inflamatórias. A pesquisa tem por objetivo investigar, pelas palavras de Verri, “como se dá a ligação entre nossas células do sistema imune e as células sensoriais, que ocorre por meio de citocinas como a IL-33”.

Doutor em Farmacologia pela Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto/SP, o professor comenta que a proposta de estudar a molécula surgiu com o seu projeto de pós-doutoramento. “Descobrimos a IL-33 em 2005, e, por meio da parceria com os pesquisadores da Universidade de Glasgow, na Escócia, que já haviam descoberto a existência de receptores da molécula nas células, conseguimos amostras da citocina e base estrutural para efetuar a pesquisa”, diz Verri. O estudo também recebe colaboração do Centro de Ciências Farmacêuticas na USP, em Ribeirão Preto.

A Interleucina, segundo o pesquisador, também pode atuar no tratamento da artrite como “mediadora” entre as moléculas. A citocina, quando aplicada, age no combate às placas arterioscleróticas, responsáveis pela doença. O projeto ainda recebeu um prêmio de 20 mil dólares do International Association for the Study of Pain (IASP), em março, destinado às pesquisas recentes que obtiveram destaque no cenário internacional. O professor comenta que o dinheiro será usado no próprio projeto “O dinheiro do prêmio irá para a UEL, que comprará todos os equipamentos necessários para o andamento do trabalho”.

O pesquisador salienta também que o montante da premiação é exclusivo da UEL. “A USP de Ribeirão Preto tem uma boa estrutura e recebe maiores recursos do governo do Estado. Essa premiação virá direto para o nosso ambiente acadêmico.”O estudo de neuropatia, no Brasil, é um ramo difícil e pouco conhecido, segundo o pesquisador. Exploradas há cerca de 15 anos, as dores neuropáticas apresentam-se com motivos em parte desconhecidos pelos acadêmicos.

Os pólos de pesquisa neuropáticas no país são maiores em São Paulo, onde há mais trabalhos referentes à dor, mas Verri comenta que há importantes pesquisadores e centros de observação no Ceará e no Paraná. O professor ainda explicita que esse filão profissional tende a crescer. “A tendência é que uma área não tão explorada venha a ser escolhida pelos acadêmicos pelo potencial de notabilidade que ela pode ter, mesmo estando em um ramo difícil e de poucas soluções à vista.”

1. Link do artigo: http://emglab.com.br/html/dor_neuropatica.html Autores: A.L. Oaklander e S.J. Gill
2. Citocina: extenso grupo de moléculas envolvidas na emissão de sinais entre as células.
3. Macrófagos: Células de grande extensão do tecido conjuntivo (tecido conectivo, que tem por
função ligar as células somáticas)

Legenda da foto: Professor Waldiceu Verri e alunos pesquisando no laboratório de Farmácia

Ano 7 – Edição 87 -18/04/2010

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