Pesquisa do IAPAR estuda as microalgas como fonte de energia

Projeto busca a produção de combustíveis a partir de óleos extraídos desses micro-organismos

Edição: Fernanda Cavassana
Pauta: Edson Vitoretti
Reportagem: Lucas Martins

Microalgas são, segundo os conceitos da Biologia, seres unicelulares que representam a base da cadeia alimentar de muitos ecossistemas aquáticos. Entretanto, para o projeto desenvolvido pela pesquisadora do Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), Dra Diva de Souza Andrade – graduada em Agronomia pela Universidade Federal de Lavras (UFLA), mestre em Ciências do Solo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e doutora em Ciência Biológicas pela London University Wye College ” esses micro-organismos têm outras funções. Segundo a doutora, esse

trabalho desenvolvido no IAPAR pretende descobrir uma maneira de retirar, de forma comercial, o óleo de certas microalgas para a produção de biocombustíveis. Em entrevista ao Conexão Ciência, ela explica mais sobre esses estudos:

Conexão Ciência: No que consiste o projeto?
Dra Diva de Souza Andrade:
O projeto consiste no desenvolvimento de tecnologias para a multiplicação em massa das microalgas, visando a produção de meios combustíveis e outros produtos a base desses micro-organismos Para isso, o IAPAR pretende fazer um levantamento do estado da arte do que já tem publicado e conhecer todas as espécies que já estão catalogadas.

Conexão Ciência: E como surgiu a ideia de montar este projeto?
Dra Diva de Souza Andrade:
O IAPAR trabalha já com bioenergia de plantas, visando a produção de biocombustíveis, em parceria com algumas empresas: como a Companhia Paranaense de Energia (COPEL) e a Petrobras. E, mais recentemente, a COPEL veio com essa demanda de produzir fontes alternativas de energia por meio de micro-organismos,querendo que nós utilizemos esses seres vivos para a retirada da massa e da extração de lipídeos.


Conexão Ciência: E como desenvolve o cultivo dessa microalga?
Dra Diva de Souza Andrade:
O cultivo principal dela é em água, tanto em salobra (mares), como água doce (lagoas). São nesses lugares que ela consegue crescer e ser uma fonte de alimento para outros seres. Como elas são micro-organismos fotossintéticos ” conseguem realizar a fotossíntese, como as plantas durante o dia, também podem diminuir a liberação do gás carbônico e produzir uma quantidade num tempo muito mais rápido do que as plantas.

Conexão Ciência: Qual é o custo-benefício desse tipo de combustível?
Dra Diva de Souza Andrade:
O custo-benefício seria a possibilidade de uma grande produção dessa biomassa e o fornecimento de matéria-prima suficiente para suprir uma grande parte de nossas indústrias e também por ser uma energia renovável. Além disso, ela pode ser cultivada em locais que não sejam destinados para plantas de grãos e alimentos. Esses seriam os seus benefícios. Mas, até o momento, ainda não existe um cultivo que seja de larga escala e viável economicamente. Existem criações de laboratórios em quantidades menores. Porém, o custo ainda é alto para produzir essa biomassa.

Conexão Ciência: Para que seria usado esse biocombustível?
Diva de Souza Andrade:
A demanda seria para energia. Mas, os óleos que são extraídos dessas microalgas já são estudados há muitos anos em vários países. Esses lipídeos também podem ser usados em cosméticos e para a alimentação. E, no caso, a COPEL exigiu para que esses estudos sejam dirigidos para a criação de óleos combustíveis que seriam uma fonte de energia alternativa. Mas, até no momento, o projeto está na sua fase inicial. Pode ser que o mais viável economicamente não seja combustível de veículos, e sim, para outros coprodutos.

Conexão Ciência: A retirada em massa desses micro-organismos pode destruir o ecossistema?
Diva de Souza Andrade:
A princípio, existem coleções de microalgas que estão sendo formadas pelo IAPAR. Portanto, a retirada delas não seria do ecossistema. Só seria uma cédula que seria multiplicada em laboratórios por meio de biorreatores1. E, a produção do biocombustível seria em condições controladas.

1.biorreatores: Sistema de frascos de vidros contendo material biológico para ser reproduzido. Por meio de tubos de borracha flexíveis que os interligam, os recipientes recebem ar e água por aspersão – processo constituído por respingos de substâncias ” e borbulhamento.

Ano 7 – Edição 87 -18/04/2010

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