Algoritmos ajudam no fluxo de trânsito de Londrina

Projeto desenvolveu um plano de gerenciamento de tráfego que pode ajudar nos congestionamentos

Edição: Beto Carlomagno
Pauta: Edson Vitoretti Jr.
Reportagem: Marcia Boroski

Em uma cidade como Londrina, cuja população é de mais de meio milhão de habitantes, segundo matéria do Bonde de 2008*, o tráfego de veículos, assim como o de pessoas, é grande. Segundo dados do Detran-PR, a média de veículos por pessoa é de 0,52, totalizando uma frota de 266.812 mil veículos.

O eixo central da cidade é onde mais circulam carros, motos e ônibus, e, segundo a professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL), doutora Silvia Galvão de Souza Cervantes, o planejamento de tráfego atual da cidade não consegue absorver tal frota.

Dentro de tais circunstâncias a professora, que é doutora em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) desenvolve um projeto no Departamento de Engenharia Elétrica da UEL. O projeto coordenado pela doutora, “Desenvolvimento de algoritmos para controle de tráfego urbano”, se propõe a desenvolver um plano de gerenciamento de tráfego para a malha central de Londrina. Essa malha central, delimitada pela pesquisadora, é o quadrilátero formado pelas avenidas JK, Higienópolis, Jorge Casoni e Leste-Oeste, o qual reúne cerca de 70 semáforos. É nessa região, segundo a doutora, que durante os horários de pico, nota-se os principais congestionamentos da cidade.

Os semáforos são a ferramenta que a professora utilizou para desenvolver um plano de gerenciamento de tráfego. “A administração do tempo semafórico (tempo de verde e tempo de vermelho) pode garantir o fluxo do tráfego e evitar alguns destes congestionamentos”, explicou a doutora Silvia Cervantes.

Este gerenciamento é feito por meio de algoritmos, os quais são desenvolvidos a partir de dados reais. Algoritmo, segundo o dicionário Aurélio Buarque de Holanda, é um “Processo de cálculo, ou de resolução de um grupo de problemas semelhantes, em que se estipulam, com generalidade e sem restrições, regras formais para a obtenção de resultado ou de solução de problema”.

A doutora Silvia Cervantes obteve dados sobre o transito de Londrina (o fluxo de veículos nestas vias em determinados horários, o tempo semafórico, a quantidade de semáforos, de cruzamentos e outros que possam variar) através do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (IPPUL). E foi por meio dos dados que o órgão municipal forneceu que a pesquisadora pode formular o algoritmo.

Como resultado da pesquisa “foram produzidos três algoritmos, que podem ser alimentados e a partir disso, fornecerem soluções para o fluxo de veículos” afirma a coordenadora do projeto. Eles estão configurados em programas de computador e ainda não tem previsão para serem patenteados. “Alguns algoritmos, como os que nós desenvolvemos, podem ser aplicados em outros municípios. Com pequenas adaptações à cada cidade, como número e localização de semáforos e características físicas das vias, eles podem ser utilizados. Por exemplo, em cidades de porte igual ou menor ao de Londrina”, afirma a pesquisadora.

Cada algoritmo foi desenvolvido para um tipo de semáforo: controlador eletromecânico, automático, sensorial. “O semáforo eletromecânico é o mais antigo e permite uma única programação de cada vez, que deve ser feita manualmente. O automático, ou eletrônico recebe uma programação que se altera sozinha em diferentes horários do dia (se assim for programado) para atender diferentes demandas de veículos. O automático pode ser programado por horário ou ainda receber informações de demanda veicular em tempo real, através de sensores (sensorial) utilizados para a contagem de veículos. Desta forma, o controlador responde às variações de quantidades de veículos tão logo estas aconteçam”, explica a doutroa Silvia Cervantes.

Como é de interesse municipal a urbanização, o projeto buscou firmar convênios com a Prefeitura e com a Companhia Municipal de Transito e Urbanização (CMTU), porém não houve retorno. “Nós não conseguimos apoios oficiais, somente os dados. O projeto não contou com investimentos financeiros e também com pesquisa de outras áreas do conhecimento que a urbanização envolve”, disse Silvia Galvão de Souza Cervantes. O projeto está na fase de finalização e conforme a pesquisadora, não tem previsão de continuidade por falta de apoio.

*http://www.bonde.com.br/bonde.php?id_bonde=1-3–738-20080830

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