Argumentação na publicidade e na mídia impressa

Projeto analisa os recursos linguísticos utilizados em textos argumentativos

Edição: Beto Carlomagno
Pauta: Laura Almeida
Reportagem: Karina Constâncio

“A argumentação é utilizada para convencer alguém sobre determinada opinião, por isso o uso dela na publicidade e nas mídias em geral, é essencial.” É o que diz a doutora Esther Gomes de Oliveira, coordenadora do projeto “Argumentação no discurso publicitário e outras mídias” que tem como objetivo analisar os recursos lingüísticos que contribuem para construção de um texto argumentativo. Esther possui graduação em Letras pela Faculdade de Educação e Cultura do ABC em São Caetano do Sul, especialização pela Faculdade São Judas Tadeu em São Paulo, mestrado em Língua Portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e doutorado em Lingüística pela Universidade de São Paulo (USP)

O projeto teve início este ano e foi resultado do interesse da professora e de alguns colegas no campo da publicidade. “Antes de começar este projeto, nós já tínhamos trabalhado com outras pesquisas relacionadas ao meio publicitário. Eram elas: ‘Lingüística textual e semântica argumentativa na publicidade’ e ‘Aspectos gramaticais na publicidade’. Com o término desses dois projetos, resolvemos abranger o objeto de análise para outras mídias.”

A análise é feita de acordo com a maneira de que cada recurso influencia no discurso publicitário e das mídias impressas, principalmente revistas e jornais (editorial, charge, HQ, quarta do leitor). Segundo a doutora Esther Gomes de Oliveira, um adjetivo, por exemplo, colocado em um texto argumentativo produz um efeito de sentido que vai ser percebido pelo interlocutor e que vai conduzi-lo a chegar a uma conclusão. “O adjetivo mais usado na propaganda é o ‘novo’, já foi feita uma estatística e isso foi constatado. Se eu digo ‘novo’ quer dizer que o que tinha antes não prestava? Dá para perceber o que está implícito”, afirma. Dentre os recursos analisados, estão a intertextualidade*, adjetivação*, intensificação*, figuras de linguagem* e modalizadores*. De acordo com a coordenadora, o uso correto desses recursos é o responsável pela produção de um bom texto.

Esther Gomes de Oliveira destaca que um dos tipos de análise é por meio da comparação de propagandas do início do século passado com as modernas. “Em 1920/1930 não existia fotografia, era desenho, portanto, o texto era maior e mais informativo. Era necessária a descrição das características do produto. Hoje, com as tecnologias obtidas, a fotografia e o uso das cores são muito explorados. Por conta disso, a linguagem não verbal da propaganda é muito importante. A imagem e o texto escrito se completam, e o uso do texto pode ser diminuído”, afirma a coordenadora.

Como o projeto é recente, as análises ainda estão no começo. Mesmo assim, em junho será realizada uma apresentação no I Colóquio Internacional de Estudos Linguísticos e Literários, na Universidade Estadual de Maringá (UEM). Além das apresentações em congressos, e das publicações de artigos em periódicos, a coordenadora conta que ao final da pesquisa eles pretendem fazer um livro com os resultados obtidos. Participam do projeto, mais três professoras do Departamento de Letras Vernáculas e Clássicas, Isabel Cristina Cordeiro, graduada em Letras pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e com mestrado e doutorado em Estudos da Linguagem pela mesma universidade; Rosemeri Passos Baltazar, graduada em Licenciatura em Letras pela UEL e mestre em Letras também pela UEL; Suzete Silva, graduada em Letras com Habilitação em Português e Inglês com as respectivas Literaturas, pela Fundação Faculdade de Educação, Ciências e Letras de Paranavaí e é mestre e doutora em Estudos da Linguagem pela UEL; e alunos de graduação, mestrado e doutorado.

* Intertextualidade: referência explícita ou implícita de um texto em outro.

* Adjetivação: qualificar, caracterizar substantivos por meio do uso de adjetivos.

* Intensificação: utilizar-se de advérbios de intensidade (muito, pouco, demais, tão, menos) para modificar o sentido do verbo.

* Figuras de linguagem: são recursos que tornam mais expressivas as mensagens. Subdividem-se em figuras de som, de construção, de pensamento e de palavras.

Fonte: http://www.brasilescola.com/portugues

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