Exposição homenageia fotógrafo Haruo Ohara

Temporada Ohara em Londrina expõe cerca de 180 obras do fotógrafo japonês radicado em Londrina

Edição: Beto Carlomagno
Pauta: Laura Almeida
Reportagem: Juliana Mastelini Moyses

Museu Histórico, Museu de Arte e Biblioteca Pública de Londrina recebem as obras dos irmãos Haruo e Hideomi Ohara com a mostra Temporada Ohara em Londrina. A estreia da exposição foi no dia nove de abril e contou com a participação de autoridades, organizadores e familiares do homenageado. “Haruo Ohara-Fotografias” fica em cartaz no Museu Histórico até o dia nove de julho. “Haruo Ohara- Forma e Abstração”  fica no Museu de Arte até o dia oito de maio. E “Hideomi Ohara- Gratidão através da expressão” fica em cartaz na biblioteca até 30 de abril.
Haruo Ohara nasceu no Japão e emigrou para o Brasil na década de 1920, aos 17 anos de idade, onde trabalhou como lavrador e simultaneamente fotografou sua vida e seus familiares. O acervo do fotógrafo, por decisão da família, foi doado ao Instituto Moreira Salles (IMS), do Rio de Janeiro, que a partir de então conserva as obras do fotógrafo. Segundo a diretora do Museu de Arte de Londrina, Sandra Jóia, a Temporada Ohara é uma homenagem a Haruo e a todos os familiares Ohara pela importância da família no cenário londrinense.

Conexão Ciência: Como está articulada a Temporada Ohara em Londrina? Como funcionam as exposições?
Sandra Jóia:
No Museu Histórico estão expostas as imagens de expressão, figuras humanas e cenas do cotidiano intituladas Haruo Ohara- Fotografias.
No Museu de Arte, está a mostra Haruo Ohara- Forma e Abstração, são fotografias que possuem uma linguagem artística que se identifica com o abstrato, como se pode ver o pedacinho de uma flor, o tronco de uma árvore, os tijolos enfileirados. Foi um olhar muito sensível do coordenador do Instituto Moreira Sales, Sérgio Burgi, e da equipe ao fazer esse recorte no acervo de Haruo Ohara. O visitante que olha, ao interagir com esse trabalho vai se emocionar, porque são cenas inusitadas e inesperadas que Haruo captou. São detalhes que eu jamais pensaria que alguém tivesse olhar sensível para expressar. Essa exposição fica no Museu de Arte até o dia oito de maio, já que temos aqui outra programação em comemoração aos 17 anos do museu.
Na Biblioteca está a mostra Hideomi Ohara- Gratidão através da expressão. São telas do irmão de Haruo, Hideomi Ohara, que ao longo dos anos ele, que hoje está com 85 anos, foi captando. Hideomi tem muitos trabalhos e nós fizemos um recorte mostrando um pouquinho de cada coisa que ele pinta. São 12 obras de óleo sobre tela, muito bonitas.

Conexão Ciência: Qual o objetivo da Temporada Ohara em Londrina?
Sandra Jóia:
O Objetivo é homenagear o fotógrafo e também mostrar para a cidade que o acervo de Haruo Ohara não ficou em Londrina, mas pode ir e voltar se nós quisermos.
É uma satisfação trazer esse acervo para a cidade e mostrar como o Instituto Moreira Salles está sendo cuidadoso na preservação das obras de Haruo Ohara, um fotógrafo de grande expressão no Brasil
Estou muito contente com esta exposição porque é a forma que encontramos de homenagear a família Ohara em Londrina e prestar nossa gratidão a Haruo Ohara, pioneiro na fotografia na cidade, na fotografia estética, pioneiro no linguajar poético para fotografar. A Temporada foi a maneira que encontramos para agradecer a família Ohara pelo seu pioneirismo e contribuição para Londrina.

Conexão Ciência: Qual a importância para a cidade de Londrina em receber este acervo?
Sandra Jóia:
Esta exposição trata-se do tão importante acervo de Haruo Ohara, que tem um caráter tanto histórico, como artístico e cultural. Ele fotografou o período de colonização da cidade, um momento em que tudo estava fluindo. Com isso, Haruo registrou a história de Londrina, desde a década de 1930 até a década de 1990.

Conexão Ciência: Como surgiu a ideia da exposição e porque o interesse em fazer a exposição das obras de Haruo Ohara?
Sandra Jóia:
As fotografias de Haruo Ohara estão no Instituto Mareira Salles no Rio de Janeiro. Em 2008, quando o instituto lançou a primeira exposição das obras do fotógrafo, nos presentearam com o catálogo Haruo Ohara – Fotografias. Nós do Museu de Arte nos interessamos em trazer essa exposição para Londrina, já que Haruo Ohara viveu em Londrina e fotografou os anos de colonização da nossa cidade. Ele fotografava a família, cenas do cotidiano, e com isso contribuiu para registrar a evolução histórica da cidade. Sem falar que a família Ohara é uma família muito expressiva na cidade.

Conexão Ciência: Como foi a organização da mostra em Londrina?
Sandra Jóia:
Eu entrei em contato com o IMS para promover a exposição aqui no aniversário de 75 anos de Londrina, em dezembro do ano passado. Fizemos uma parceria com o Museu Histórico para colocar uma parte da exposição lá, já que o Museu de Arte não comportava toda a exposição. Ao conversar com a Casa de Cultura, descobrimos que eles estavam envolvidos com um projeto internacional de fotografia, o Fotolink. E a Kinoarte estava produzindo um curta-metragem sobre Haruo Ohara. Assim, envolvemos todos esses projetos para trabalharmos juntos, mas não foi possível realizar a mostra em dezembro, porque o curta não estava pronto, o Fotolink estava em processo de organização e o Museu de Arte já estava com outra exposição programada.
Porém, tudo se encaixou perfeitamente e ficou resolvido que faríamos uma ação integrada envolvendo comunidade, familiares Ohara e Universidades no ano seguinte, não seria exatamente na comemoração de 75 anos da cidade, mas não faria muita diferença já que a cidade ainda estaria com 75 anos.

Conexão Ciência: Como você disse anteriormente, a Temporada Ohara em Londrina é uma ação integrada entre várias instituições. Qual é o papel de cada uma na mostra?
Sandra Jóia:
Nessa ação integrada, cada um ficou responsável por uma parte. Coube ao Museu de Arte a organização da mostra abstrata do fotógrafo. O Museu Histórico ficou responsável por tudo relacionado a fotografias de familiares ou cenas do cotidiano.  Fernanda Magalhães da Casa de Cultura ficou envolvida com o Fotolink e com a exposição do neto de Haruo Ohara, o Saulo Ohara, que é um fotógrafo contemporâneo. Já o Rodrigo Grota e o pessoal da Kinoarte ficaram responsáveis pelo curta metragem. Tudo para que no início de abril fizéssemos a abertura dos eventos que denominamos de Temporada Ohara em Londrina.

Conexão Ciência: A senhora falou que a obra de Haruo Ohara tem visibilidade nacional. Quando ele ganhou essa visibilidade?
Sandra Jóia:
Muitos artistas ganham visibilidade depois que morrem. Haruo Ohara, ao contrário, quando faleceu já tinha visibilidade. Ele participou de Bienais em São Paulo, participou do Festival Internacional de Londrina (Filo), então já era conhecido nacionalmente, já possuía uma história na fotografia, tinha um trânsito entre outros estados. Lógico que quando ele faleceu, todo mundo se preocupou em preservar e mostrar o reconhecimento que tinham para com o trabalho dele, o que fez com o reconhecimento que ele já tinha se fortalecesse, por isso que seu trabalho está no Instituto Moreira Salles entre fotógrafos de muita expressão no cenário brasileiro.

Conexão Ciência: Porque o acervo de Haruo Ohara não ficou na cidade?
Sandra Jóia:
O acervo de Haruo Ohara não ficou em Londrina porque a cidade não tinha condições para preservar as obras. Na época, o Museu Histórico não tinha reserva técnica especializada e equipamentos para conservar e preservar as fotografias e negativos de Haruo.  Muitos dos negativos do fotógrafo são em vidro, o que exige um cuidado muito maior para a conservação e não tínhamos estrutura para conservar este acervo.

Conexão Ciência: Quando esse acervo foi encaminhado para o Instituto Moreira Salles?
Sandra Jóia:
Haruo Ohara faleceu em 1999 com 90 anos. No início do ano 2000, os familiares começaram a pensar para onde encaminhariam o acervo, porque eram muitas peças: máquinas fotográficas, documentos, registros do dia-a-dia, negativos, inúmeras fotografias. Ele tinha um laboratório particular, então dá para imaginar a quantidade de peças que estavam contidas nesse acervo.
A família começou a se preocupar com o destino que daria a esse materiais pensando justamente no caráter histórico que eles possuíam, já que Haruo registrou em fotos as décadas de 1930 à 1990. O forte do trabalho dele foi em Londrina e região,  ele era apaixonado por registrar cenas dos familiares, cenas do cotidiano.
Em 2003 houve um pensamento da família de doar as obras para a Fundação Cultural de Curitiba, porque então as obras ficariam no Paraná. Mas em uma das visitas do neto do Haruo, Saulo Ohara, à Fundação Moreira Salles, a família conheceu o instituto e num consenso entregaram todo acervo sem custo algum, já que o objetivo da família era que se preservasse as obras possibilitando que outras gerações conhecessem o trabalho.
E foi o que eles conseguiram porque o instituto está fazendo isso muito bem. Nos sentimos gratificados de podermos oferecer à comunidade a Temporada Ohara , e trazer estudantes para o museu no programa educativo, para não só visitar a mostra, mas  dialogar com esse tipo da arte, conhecer um pouco da história da cidade, da história de Haruo Ohara, nessa função que o museu tem de colaborar com o processo formativo do cidadão, começando pelas crianças.

Serviço:
Locais e datas

Haruo Ohara-Fotografias
Local: Museu Histórico de Londrina (rua Benjamin Constant, 900 – Centro – antiga Estação Ferroviária). Tel.: 3323-0082
Período: de 10 de abril a 9 de julho
Horário de visitação: de 3ª a 6ª feira, das 9 h às 11h30 e das 14h30 às 17h30. Sábados e domingos, das 9h às 11h30 e das 13h30 às 17h.
Entrada Gratuita

Haruo Ohara- Forma e abstração
Local:
Museu de Arte de Londrina (rua Sergipe, 640). Tel.: 3337-6238
Período: de 10 de abril a 8 de maio.
Horário de visitação: de 2ª a 6ª feira, das 9h às 18h. Sábados, das 8 h às 13h
Entrada Gratuita

Hideomi Ohara- Gratidão através da expressão
Local:
Espaço Cultural da Biblioteca Pública de Londrina (av. Rio de Janeiro, 413). Tel.: 3371-6500
Período: de 10 a 30 de abril
Horário de visitação: de 2ª a 6ª feira, das 8h às 19h. Sábados, das 8h às 13h.
Entrada Gratuita

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