Molécula pode tratar doenças neuropáticas

abril 20, 2010

Descoberta pelo professor Waldiceu Verri, a Interleucina-33 é um dos atuais objetos de estudo entre os pesquisadores que trabalham com dor neurológica no Brasil

Edição: Fernanda Cavassana
Pauta: Edson Vitoretti
Reportagem: Willian Casagrande

A dor neuropática é uma das principais condições de dor neurológica, segundo o artigo “Dor neuropática: dez questões comuns”¹, publicado pelo jornal médico britânico The Neurologist  (2001;7). Ainda segundo o artigo, essa dor caracteriza-se como uma desorganização das vias que transmitem a dor, localizadas nos neurônios, e entre seus principais sintomas da dor neurológica, está a depressão, que pode ser severa e levar até ao suicídio. Mas como tratar essa doença? Esta resposta pode vir dos estudos do professor doutor Waldiceu Aparecido Verri Junior, do Departamento de Patologia do Centro de Ciências Biológicas da UEL (CCB).

Há aproximadamente dois anos, Verri estuda a molécula Interleucina-33, uma citocina² produzida por macrófagos³ que pode atuar no combate às dores neuropáticas e inflamatórias. A pesquisa tem por objetivo investigar, pelas palavras de Verri, “como se dá a ligação entre nossas células do sistema imune e as células sensoriais, que ocorre por meio de citocinas como a IL-33”.

Doutor em Farmacologia pela Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto/SP, o professor comenta que a proposta de estudar a molécula surgiu com o seu projeto de pós-doutoramento. “Descobrimos a IL-33 em 2005, e, por meio da parceria com os pesquisadores da Universidade de Glasgow, na Escócia, que já haviam descoberto a existência de receptores da molécula nas células, conseguimos amostras da citocina e base estrutural para efetuar a pesquisa”, diz Verri. O estudo também recebe colaboração do Centro de Ciências Farmacêuticas na USP, em Ribeirão Preto.

A Interleucina, segundo o pesquisador, também pode atuar no tratamento da artrite como “mediadora” entre as moléculas. A citocina, quando aplicada, age no combate às placas arterioscleróticas, responsáveis pela doença. O projeto ainda recebeu um prêmio de 20 mil dólares do International Association for the Study of Pain (IASP), em março, destinado às pesquisas recentes que obtiveram destaque no cenário internacional. O professor comenta que o dinheiro será usado no próprio projeto “O dinheiro do prêmio irá para a UEL, que comprará todos os equipamentos necessários para o andamento do trabalho”.

O pesquisador salienta também que o montante da premiação é exclusivo da UEL. “A USP de Ribeirão Preto tem uma boa estrutura e recebe maiores recursos do governo do Estado. Essa premiação virá direto para o nosso ambiente acadêmico.”O estudo de neuropatia, no Brasil, é um ramo difícil e pouco conhecido, segundo o pesquisador. Exploradas há cerca de 15 anos, as dores neuropáticas apresentam-se com motivos em parte desconhecidos pelos acadêmicos.

Os pólos de pesquisa neuropáticas no país são maiores em São Paulo, onde há mais trabalhos referentes à dor, mas Verri comenta que há importantes pesquisadores e centros de observação no Ceará e no Paraná. O professor ainda explicita que esse filão profissional tende a crescer. “A tendência é que uma área não tão explorada venha a ser escolhida pelos acadêmicos pelo potencial de notabilidade que ela pode ter, mesmo estando em um ramo difícil e de poucas soluções à vista.”

1. Link do artigo: http://emglab.com.br/html/dor_neuropatica.html Autores: A.L. Oaklander e S.J. Gill
2. Citocina: extenso grupo de moléculas envolvidas na emissão de sinais entre as células.
3. Macrófagos: Células de grande extensão do tecido conjuntivo (tecido conectivo, que tem por
função ligar as células somáticas)

Legenda da foto: Professor Waldiceu Verri e alunos pesquisando no laboratório de Farmácia

Ano 7 – Edição 87 -18/04/2010

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Projeto analisa Período Militar no Brasil

abril 20, 2010

Estudo busca discutir e ampliar os conhecimentos a respeito dos governos militares na América Latina, com destaque para o brasileiro


Edição: Fernanda Cavassana
Pauta e Reportagem: Guilherme Vanzela

O projeto “O Brasil se prepara para o golpe militar” coordenado pelo professor Hernan Ramiro Ramirez, Licenciado e Bacharel em História e Mestre em Partidos Políticos pela Universidad Nacional de Córdoba (Argentina), Doutor em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRS), e Pós-Doutorado em Ciência Política no Instituto Universitário de Pesquisas do Estado do Rio de Janeiro (IUPERG), aborda segundo o doutor Ramirez, um tema muito importante em muitos aspectos, não apenas desde o ponto de vista histórico. “Muitos desdobramentos têm tido consequências políticas e sociais concretas para a vida em democracia”, afirma o coordenador.


De acordo com o Dr Hernan Ramirez, o tema da ditadura militar se encontra ainda um tanto encoberto para a sociedade brasileira. “O que me preocupa é que as ditaduras são vistas como militares e não em toda sua dimensão. A sociedade civil participou, por isso devemos considerar esses eventos como civico-militares. Empresários, meios de comunicação, igrejas, políticos de diversos partidos, ainda na ativa, e acadêmicos, dentre outros, foram fundamentais para desestabilizar os governos democraticamente constituídos e fizeram parte das administrações autoritárias”, argumenta Hernan Ramirez.

O papel dos meios de comunicação no período e o discurso que os militares transmitiam por meio deles,é presente nas discussões do projeto. De acordo o Dr Ramirez, “os militares não agiram sozinhos, eles tiveram apoio para deslegitimar o governo Jango, durante o golpe e para tocar e legitimar a ditadura depois. O Estadão estava metido no golpe até o pescoço. A Folha inclusive emprestava seus carros para a operação Bandeirantes. Apenas a Última Hora do Samuel Wainer, sustentava o Jango”, e ele complementa falando que os militares optaram em usar os meios de comunicação já existentes, comprando espaço e pressionando alguns dos seus donos, editores e jornalistas ao invés de criar meios próprios.

A questão da “marcha da família com Deus pela liberdade”, movimento que deu certa sustentação ao regime militar, também é abordada no projeto. O professor identifica que houve grande manipulação para que realmente ocorresse o protesto. “No meu livro e no do Dreifuss¹, que me serviu de base, fica claro que não foi um movimento espontâneo, importantes setores da sociedade civil estavam participando de forma articulada. Inclusive, já em 1962, em uma reunião do Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais (IPES), um dos seus membros colocava a questão de como a classe média poderia ser manobrada para os seus propósitos. E mais, colocava a mulher como virtual ponta de lança da estratégia. A aliança da cruz, da espada e do dinheiro já se deu várias vezes na história mundial. A Igreja até essa época tinha muito poder ideológico. No entanto devemos distinguir: a Igreja de 1964 não era a de 1968”, afirma o professor.

Ao ser perguntado sobre punições as pessoas envolvidas em crimes de tortura, Hernan Ramirez fez a seguinte consideração: “O delito de tortura é considerado pela justiça internacional como imprescritível. Devem ser julgados, não apenas para punir, mas para demonstrar que as instituições funcionam e reparam, mas tarde do que cedo, as atrocidades cometidas”, e conclui dizendo: “Essas são discussões circulares, que permanecerão vivas enquanto os atores sociais que as protagonizaram permanecerem vivos e as suas consequências ainda sejam sentidas”.

1. O cientista social René Armand Dreifuss é graduado em Ciências Políticas e História pela Universidade de Haifa, em Israel, mestre em Política, pela Universidade de Leeds e PhD em Ciência Política pela Universidade de Glasgow, ambas na Grã Bretanha. Escreveu vários livros como 1964: A Conquista do Estado (Vozes, 1981); A Internacional Capitalista (Espaço & Tempo, 1986); O Jogo da Direita na Nova República (Vozes, 1989); Política, Poder, Estado e Força – Uma Leitura de Weber (Vozes, 1993); A Época da Perplexidade (Vozes, 1996).

Ano 7 – Edição 87 -18/04/2010


Política e Religião são focos de projeto do departamento de Ciências Sociais

abril 20, 2010

A pesquisa tem como objeto de estudo o discurso-memória de lideranças religiosas da Igreja Católica na Arquidiocese de Londrina

Edição: Fernanda Cavassana
Pauta e Reportagem: Bruna Letícia Gonçalves

O projeto de pesquisa “Religião e Política em Londrina-PR: O Discurso- Memória das Lideranças Religiosas” orientado pelo doutor Fábio Lanza ” graduado em Ciências Sociais pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), com doutorado na área pela mesma universidade e docente deste mesmo curso na Universidade Estadual de Londrina (UEL) “visa estabelecer relações entre as posturas assumidas pelos diversos setores da Igreja Católica em Londrina, a experiência pessoal dos futuros entrevistados, pertencentes ao clero católico londrinense, e os posicionamentos político-ideológicos do período da Ditadura Militar (1964-1985).

Durante a graduação, o professor enveredou na pesquisa sobre “a Ditadura Militar e a Igreja Católica” e, com uma proposta de mestrado sobre “Discurso-Memória do Clero da Arquidiocese de São Paulo”, trouxe esta mesma idéia de estudos para Londrina.

O Projeto abrange tanto a disciplina de Ciências Sociais, como as de História e de Serviço Social. Assim, está associado com o Laboratório de Estudo sobre Religiões e Religiosidades (LER) – vinculado com a Associação Nacional de História (ANPUH) – e com a disciplina Sociologia das Religiões, além de contar com a colaboração de professores e de alunos das áreas citadas.

A maior referência em pesquisa na área de história oral utilizada é o Centro de Documentação e Pesquisa Histórica (CDPH) da UEL. Porém, grande parte do acervo encontrada envolve apenas os pioneiros, com poucas contribuições no campo religioso. “É urgente buscar constituir esses arquivos históricos a partir dos depoimentos, das entrevistas. Temos uma exigência e uma necessidade que envolve tanto a historiografia como a sociologia que é fazer essas entrevistas e procurar prepará-las e disponibilizá-las para o CDPH”, antes que essas memórias sejam perdidas,
alerta o professor.

Com menos de um ano de implantação, o projeto ainda está no começo das pesquisas e entrevistas. “Inicialmente, o nosso foco é privilegiar as fontes, os depoimentos dos possíveis entrevistados que vivenciaram o período da ditadura militar”, conta Lanza e complementa que futuramente pode abranger a atual situação das relações políticas da arquidiocese. Apesar do pouco tempo, o projeto já conta com, em média, dez entrevistas realizadas pelos alunos das
matérias envolvidas e com o desenvolvimento do mesmo, outras ainda serão feitas. Elas podem não possuir um conteúdo muito aprofundado, mas “são referências que não existiam e que vão ser todas doadas para o CDPH”, finaliza o orientador.

Ano 7 – Edição 87 -18/04/2010


Edição 86

abril 12, 2010

Para fazer o download da edição 86, clique no link:

http://www.4shared.com/document/ztOmrROW/Conexo_Cincia_-_11_de_abril_de.html


Mestrado em Serviço Social lança Coletânea

abril 12, 2010

Livro foi escrito por participantes do programa de mestrado em Serviço Social da UEL

 
 

A professora dra. Olegna Guedes, durante o lançamento do livro

Edição: Tatiane Hirata
Pauta: Laura Almeida
Reportagem: Marina Dias
 
O mestrado em Serviço Social da UEL lançou em março a coletânea “Serviço Social e Políticas Públicas: processos de trabalho e direitos Sociais”. O livro foi organizado pela professora doutora Olegna de Souza Guedes – graduada em Serviço Social pela PUC de São Paulo, em Filosofia pela USP, com mestrado e doutorado concluídos também pela PUC de São Paulo. A publicação foi feita pela Eduel, em parceria com o Fundo de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão da UEL (FAEPE). Após o lançamento da publicação, foi dada a aula inaugural do Mestrado pela professora doutora Maria Lúcia Martinelli, do Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da PUC-SP. A aula teve como tema a “Pesquisa qualitativa no Serviço Social”.

Conexão Ciência: Quando começou a organização do livro e como surgiu a ideia de montar a coletânea?

Prof. Dra. Olegna Guedes: A organização se deu no período de maio a julho de 2008. A ideia surgiu da certeza de que tínhamos um acervo de produção que precisava ser circulado, publicado. E como soubemos através do comitê FAEPE da possibilidade de verbas para que o livro fosse publicado, organizamos a coletânea dentro das possibilidades do edital do FAEPE.

Conexão Ciência: Quem são os autores dos textos publicados?
 
Prof. Dra. Olegna Guedes: São professores do curso de mestrado com orientandos que hoje são professores de outras universidades, algumas do Paraná, outras de outros estados.
 
Conexão Ciência: É possível estimar o tempo de pesquisa que foi necessário para que os textos fossem escritos?
 
Prof. Dra. Olegna Guedes: É muito trabalho de pesquisa. Cada trabalho está dentro da linha de pesquisa do orientador, à qual ele dedica sua carreira. É como se fosse um momento da pesquisa que o orientador desenvolve. E naquele momento foi partilhada daquela forma com aquele orientando.
 
Conexão Ciência: O mestrado em Serviço Social tem duas linhas de pesquisa e o livro também se divide nessas duas linhas. Quais são elas?
Prof. Dra. Olegna Guedes: As linhas são a de Políticas Sociais e a de Processos de Trabalho em Serviço Social. São duas linhas fundamentais dentro do Serviço Social no Brasil, porque o assistente social trabalha eminentemente com políticas sociais, públicas ou privadas, mas ele é um gestor de políticas públicas. A primeira linha [de Políticas Sociais] trata da atividade fim dele e quais são os processos de trabalho que envolvem essa gestão das políticas sociais. A outra linha [de Processos de Trabalho em Serviço Social] avalia o que é o serviço social, o fazer e o pensar do serviço social.
 
Conexão Ciência: Quais foram os critérios de escolha dos temas?
 
Prof. Dra. Olegna Guedes: Cada orientador escolheu dentre seus orientandos uma dissertação, exceto eu, que só tinha uma orientanda. Os colegas escolheram por critérios diferenciados. Dois desses critérios foram a facilidade de acesso e o interesse por aquele assunto naquele determinado momento.
 
Conexão Ciência: Qual é a contribuição que vocês pretendem trazer com esta publicação?
Prof. Dra. Olegna Guedes: Queremos contribuir para fortalecer o projeto ético-político do serviço social e a produção da pesquisa em serviço social. O Serviço Social é uma profissão que pesquisa muito sobre o que ele faz, então escrevemos e pesquisamos sobre o nosso fazer, isso eu acho muito interessante. É um fazer técnico, interessado e pautado na realidade.
 
Crédito da foto: Marina Dias
 
Ano 7 – Edição 86 -11/04/2010

Estudo promove otimização do cultivo da soja

abril 12, 2010

Processo de Fixação Biológica de Nitrogênio reduz gastos e impacto ambiental, além de aumentar a produtividade

A coordenadora do projeto, professora Mariângela Hungria

Edição: Tatiane Hirata
Pauta: Edson Vitoretti jr
Reportagem: Leonardo Caruso

Estudo de bactérias capazes de se unir com raízes de leguminosas e otimizar a produção de soja – este é o tema do projeto da pesquisadora em Microbiologia do Solo da Embrapa Soja, professora doutora Mariângela Hungria. A também professora de pós-graduação em Microbiologia do Solo da Universidade Estadual de Londrina (UEL) –  formada em Engenharia Agronômica pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ/USP) e com pós-doutorados em Microbiologia e Bioquímica do Solo nas Universidades de Sevilla, da California e Cornell University, espera com esse trabalho aumentar a produtividade e a qualidade das plantações de soja, combater a poluição causada pela utilização de fertilizantes nitrogenados e reduzir gastos.

A professora Mariângela Hungria explica que o processo de Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN) é feito a partir de bactérias que possuem uma enzima* (nitrogenase) capaz de transformar o nitrogênio presente no ar em formas utilizáveis por outros seres vivos, como as plantas. “Apesar de 80% do ar presente na atmosfera ser composto pelo gás nitrogênio, de fórmula N2, assim como nos humanos, a maior dificuldade está em transformar esse composto químico em formas assimiláveis. O grande aliado da soja são essas bactérias”, explica.

A professora também explica que essas bactérias são resultados de anos de evolução e, provavelmente, vieram suprir a falta de nitrogênio das plantas em ambientes pouco nitrogenados. Ela acrescenta que, ao haver a fixação dos rizóbios (as bactérias específicas tratadas na pesquisa) nas raízes da soja, em um processo de simbiose, a planta passa a fornecer carbono necessário para sobrevivência das bactérias e estas, por sua vez, passam a fornecer o nitrogênio utilizado pela planta para crescimento e produção de grãos.

O trabalho da pesquisadora consiste em, a partir de análise de mudas de soja tidas como boas produtoras de grãos, retirar os nódulos simbióticos e posteriormente isolar e analisar as bactérias. “Fazemos uma análise do material genético e das características bacterianas e, após esses estudos, inoculamos os rizóbios em sementes de soja e cultivamos em laboratório. Se há um resultado positivo (boa produção e crescimento), nós aplicamos em campo.” As espécies de bactérias utilizadas por ela nas pesquisas são Bradyrhizobium japonicum e B. elkanii.

De acordo com professora doutora Mariângela Hungria, o processo de fixação biológica de nitrogênio não agride o ambiente. “A utilização desse processo na agricultura ajuda a reduzir a poluição, uma vez que o nitrogênio captado pelas bactérias é diretamente transmitido à planta, diferentemente dos fertilizantes nitrogenados, que vêm prontos para captação dos nutrientes pela soja, mas que são facilmente escoados pela água das chuvas.” A professora explica que essa perda de nitrogênio utilizado em fertilizantes pode contaminar lençóis d’água e rios, causando conseqüências como aumento de algas e eutrofização (consumo excessivo e acelerado de oxigênio por organismos, levando a uma alteração do ecossistema). “No caso da aplicação da soja com fixador biológico de nitrogênio, não há necessidade de uso de fertilizantes”, acrescenta.

Outra conseqüência direta do trabalho da pesquisadora se dá em termos econômicos. Segundo ela, “utilizando-se a fixação biológica de nitrogênio, a economia chega a 6,6 bilhões de reais. O custo com bactérias é muito inferior à utilização de fertilizantes. É necessária muita energia para transformar o gás nitrogênio em formas captáveis pela raiz da soja” – explica – “Além do que, a soja produzida por FBN possui um teor maior de proteínas.” Esse maior índice protéico nos grãos reflete também em economia para os pecuaristas que utilizam a soja como ração animal.

O projeto possui parcerias com o Instituto Agronômico do Paraná, Universidade Norte do Paraná, Centro Universitário Filadélfia (UniFil) e outros centros de pesquisa da Embrapa. Recentemente, a Embrapa Soja e a Universidade Estadual de Londrina assinaram um convênio para incubação de empresas do agronegócio. A professora Mariângela Hungria acredita que este acordo vai ajudar a suprir a alta demanda exigida pelo mercado, além de incentivar alunos na pesquisa e produção agrária.
 
*As enzimas são proteínas especializadas na catálise de reações biológicas. Elas estão entre as biomoléculas mais notáveis devido a sua extraordinária especificidade e poder catalítico, que são muito superiores aos dos catalisadores produzidos pelo homem. Praticamente todas as reações que caracterizam o metabolismo celular são catalisadas por enzimas. Fonte:http://www.enq.ufsc.br/labs/probio/disc_eng_bioq/trabalhos_pos2003/const_microorg/enzimas.htm
 
Crédito da foto: Leonardo Caruso
Ano 7 – Edição 86 -11/04/2010

Arquitetura do comércio de Londrina é analisada em projeto

abril 12, 2010

Estudo sobre plantas de prédios comerciais ajuda estudantes na compreensão das necessidades de diferentes empresários

"Os alunos encontram em projetos como esse a chance de ingressarem no mercado voltado ao comércio", afirma a professora dra. Maria Luiza Grassiotto

Edição: Tatiane Hirata
Pauta: Laura Almeida
Reportagem: Mônica Alves
 
 
As particularidades na arquitetura e desenvolvimento do comércio são o objeto de estudo principal do projeto “Tipologia e características dos espaços comerciais em Londrina”, coordenado pela professora Maria Luiza Fava Grassiotto, do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UEL – Graduada em Geografia pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), Mestre em Estruturas Ambientais Urbanas pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU – USP) e Doutora em Arquitetura e Urbanismo também pela FAU – USP. Com o intuito de discutir as diferenças na projeção dos prédios e a dinâmica desse processo evolutivo, o estudo começou a ser realizado há cerca de dez anos.
O cronograma da pesquisa passa pela análise de pontos estratégicos para o comércio de Londrina, que segundo a professora doutora Maria Luiza Fava Grassioto possui sete subcentros urbanos, sendo eles as avenidas Souza Naves, Madre Leônia, Higienópolis, Bandeirantes, Arthur Tomas, Maringá e Tiradentes. Ainda de acordo com a professora, esses pontos apresentam as lojas que mais se encaixam no contexto internacional de arquitetura, já que possuem características muito parecidas com os espaços comerciais espalhados pelo mundo. A escolha dos melhores pontos comerciais e com uma arquitetura mais propícia para a análise dos estudantes é uma questão muito importante do material de estudo, já que eles são divididos em grupos e enviados para a realização do trabalho de campo, seguido de discussões em sala. “Como o curso de graduação não possui uma disciplina que abriga esses estudos, já que todo o cronograma é baseado em residências e construções maiores, os alunos encontram em projetos como esse a chance de ingressarem no mercado voltado ao comércio, que é uma área muito abrangente hoje em dia”, completa a professora.
Mesmo com semelhanças com construções de fora, o Brasil possui diversas particularidades na área. “Ao analisarmos os shopping centers, por exemplo, percebemos que o país é pioneiro no uso de quiosques nos corredores. Tais construções são a oportunidade que pequenos comerciantes têm para levar seus serviços a um mercado consumidor maior e bem mais abrangente. Cabe ao arquiteto criar um espaço adequado a isso”, explica a professora doutora Maria Luiza Grassiotto. 
As análises acerca das construções vão além do projeto arquitetônico e passam pela disposição dos móveis até o planejamento da iluminação. “A mistura de estilos, predominante no movimento conhecido como ‘novo ecletismo’ *, nos leva a ter uma visão mais ampla em relação aos prédios em Londrina. A cidade tem exemplares de várias tendências, desde galerias como o Centro Comercial até grandes lojas de departamentos dispostas de maneira a agradar o cliente e trazê-lo para dentro do estabelecimento, que é o principal interesse dos empresários”, afirma a doutora. 
De forma prática, o projeto conta com trabalhos de campo em que os estudantes visitam os espaços selecionados e conversam com os responsáveis pelas construções. Com término previsto para julho desse ano, a pesquisa já foi muito elogiada em palestras proferidas pela professora Maria Luiza Grassiotto, sendo premiada com mil dólares na IX Conferência Lores, realizada pela Escola Politécnica da USP e com visibilidade internacional. Com participação de cerca de oito estudantes (dois contemplados com bolsas de iniciação científica) e 5 professores, os resultados do projeto devem compor um livro sobre a história da arquitetura no comércio de Londrina. Para mais informações, entrar em contato com o Departamento de Arquitetura pelo telefone (43) 3371 4535.

* Movimento arquitetônico predominante no país desde meados do século XIX, em que se utiliza a mistura de stilos arquitetônicos do passado para a criação de uma nova linguagem arquitetônica. Fonte: ARCOWEB – Arquitetura e Design (http://www.arcoweb.com.br/)

 

Crédito da Foto: Mônica Alves

 
Ano 7 – Edição 86 -11/04/2010