Encontro discute a inserção das culturas africana e indígena nas escolas públicas do Paraná

maio 31, 2010

Com a realização de palestras, debates e oficinas, o evento contou com a participação de educadores de todo o estado.

Edição: Fernanda Cavassana
Pauta: Laura Almeida
Reportagem: Lucas Martins

A fim de discutir a inserção das culturas afro-brasileira e indígena nas escolas públicas do Paraná, o Fórum Permanente de Educação e Diversidade Étnico Racial do estado (Fpeder – PR), junto com outras 23 instituições – entre elas, o FENEL (Fórum das Entidades Negras de Londrina);  o NEREA (Núcleo de Educação das Relações Étnico Raciais e Afro-descendência e o NEEA (Núcleo de Estudos Afro-Asiáticos) – promoveu um encontro na Universidade Estadual de Londrina (UEL) no final de abril.

Segundo um dos organizadores do evento, o professor Edmundo Novaes – formado em Educação Física pela UEL e pós-graduado em Recreação e Lazer Sócio-cultural e em História e Cultura Africana e Afro-brasileira – “o encontro é a reunião de diversas entidades do movimento negro do estado e que discutem sobre a questão educacional.” Novaes também explica que esse evento é produzido todo ano pelo Fórum e que, ao todo, já foram realizadas sete reuniões dessas entidades.

De acordo com o professor, a ideia de implantar um Fórum que discuta as questões étnico raciais nas escolas públicas do Paraná também surgiu há sete anos. Ele explica que, em 2003, o MEC (Ministério da Educação) criou grupos que se interessassem sobre esses assuntos em todo o território nacional. Assim, no mesmo ano, nasce o Fpeder em Curitiba, que iniciou o debate sobre o cumprimento da lei nº 10 639 de 9 de janeiro de 2003 . Esta lei declara obrigatório o ensino da História, da Cultura e da Literatura africanas e afro-brasileiras em todas as escolas do país.

Segundo Novaes, a iniciativa de criar um fórum como esse já produziu alguns efeitos no Paraná. Ele afirma que em 2007, a Secretaria Estadual de Educação fundou o Departamento da Diversidade e no ano seguinte, inaugurou o NEREA. O professor ainda afirma que “a partir da criação desses órgãos, a implementação da lei nº 10.639 ganhou mais força e agilidade.”

O organizador do encontro que ocorreu na UEL também afirma que o evento é resultado das ações desse Fórum. Segundo ele, nesse ano, houve várias palestras, mesas redondas e oficinas que retratavam a inserção das culturas afro-brasileira e indígena no país. O professor Novaes ainda explica que as atividades realizadas durante os três dias eram voltadas para os educadores da rede pública de ensino do Paraná e que houve grande participação desse público no encontro.Foram abertas 1.200 vagas e 1.164 preenchidas. Atingimos, em relação a quantidade de público, o nosso objetivo”, afirma.

Edmundo Novaes explica que o Encontro continuará a ocorrer nos próximos anos. Segundo ele, o evento seguinte está marcado para 2011 e será na cidade de Pinhais. Entretanto, o professor destaca que a proposta mais importante do Fórum é atingir o objetivo proposto na sua criação em âmbitos maiores. “Os principais planos que temos é que tanto o Estado quanto o Ensino Superior possam conhecer um pouco mais sobre a lei. E, que possam inserir mais o que ela prega, pelo menos, nos cursos de licenciatura. Pois, um cidadão ou um profissional só sairá da universidade com uma visão sem estereótipos e sem folclorismos se conhecer um pouco mais das culturas dos povos que construíram o país”, afirma.

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Projeto do departamento de Artes Visuais interpreta o corpo como arte

maio 31, 2010

“Do mesmo jeito em que antes existia uma tela, existe agora uma moldura no próprio corpo”


Edição: Fernanda Cavassana
Pauta e Reportagem: Allyson Pallisser

O professor doutor Jardel Dias Cavalcanti, graduado em História pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), com mestrado em História da Arte e doutorado em História da
Cultura pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), coordena o projeto “Corpo Arte: Reflexão Poética”, do departamento de Artes Visuais. Com o objetivo de iniciar os estudantes em pesquisas de iniciação científica e tendo em vista que os alunos possuem obsessão pela representação deles mesmos dentro da arte, o projeto se inicia com duas linhas de pesquisa: uma teórica e outra prática.

Além de estudar o corpo enquanto produtor da obra, o projeto também o estuda dentro da história da arte. Isso porque além da linha de pesquisa poética, o projeto também visa à parte teórica, na qual o corpo é visto e usado desde a época da arte grega até hoje.

Justamente por causa de uma observação, de que os alunos possuem obsessão pela representação do corpo na própria obra, o projeto é criado na Universidade Estadual de Londrina (UEL), para desenvolver essas duas frentes de pesquisa, sendo esse um tema de relevância não só para os pesquisadores da área, mas para toda a sociedade.

Nos encontros feitos no projeto, são discutidas as obras de vários artistas, tanto do passado quanto contemporâneos. Entre eles, Francis Bacon, um pintor irlandês que viveu na Inglaterra, e Lucian Freud, neto de Sigmund Freud e um grande pintor inglês.

Dentro do projeto existem esculturas, instalações de alunos artistas em andamento, uma bibliografia específica sobre o corpo na arte e também um ensaio em que o professor Jardel irá publicar: um livro que discute o corpo no século XX a partir da psicanálise, da história e da sociologia.

O projeto também conta com seis alunos de graduação: Camila de Melo Carnelos, Emanuel dos Santos Monteiro, Iuri Aleksander Dias, Leticia Rodrigues Tinoco, Maria Valeria Ghering e Vanessa Tavares da Silva. E a colaboração da professora Vanessa Tavares da Silva que possui mestrado em Cultura Visual pela Universidade Federal de Goiás, do professor doutor Marcos Rodrigues Aulicino, que possui doutorado em Artes pela UNICAMP, e da professora Luli Hata, mestre em Teoria Literária pela UEL. Tendo início em junho de 2009 e término previsto para maio de 2012.

Segundo professor Jardel uma das conclusões que ele já pode tirar do projeto é de que: “investigando a arte e a realidade, nós vemos que existem vários corpos diferentes. Esses corpos vivem de forma diferente, sentem de forma diferente, e se relacionam entre si de forma diferente. A arte nos ensina isso, a entender esse corpo a partir de várias diversidades de expressão de existência, de manifestação social ou de recolhimento”.


Projeto do Departamento de História recupera memórias da cidade de Londrina

maio 31, 2010

Pesquisadores investigam patrimônios londrinenses para enriquecer o conhecimento histórico local

Antiga rodoviária, atual Museu de Arte de Londrina

Edição: Fernanda Cavassana
Pauta e Reportagem: Amanda Tostes

Um novo olhar sobre a história de Londrina. Esta é a proposta da pesquisa que está sendo desenvolvida no Departamento de História da Universidade Estadual de Londrina (UEL). O foco de estudo está em abordagens inovadoras para a historiografia local. Aspectos como cidade, paisagem, representação, traçado e patrimônio são alvo dessa análise.

Recebem atenção especial as edificações arquitetadas por Vilanova Artigas, ícone do modernismo brasileiro. São elas a antiga rodoviária, onde está situado o Museu de Arte, o prédio da Secretaria da Cultura e o do Teatro Ouro Verde.

Além desse estudo da área central, que é a mais antiga, o grupo trabalha os conceitos de cidade, cidade de médio porte e cidade nova. Enfoque dado devido às características do norte do estado, formado por municípios com esse perfil, explica a coordenadora do projeto.

“Questões Urbanas – Questões de Urbanização: História, Imagens, Traçados, Representações” é o nome do projeto coordenado pela professora Zueleide Casagrande de Paula, graduada em História pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), mestre pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP) e doutora pela mesma instituição.

A idéia de criá-lo surgiu do envolvimento anterior da coordenadora com pesquisas desse interesse. No doutorado, abordou uma discussão acerca do tombamento do bairro paulistano Jardim América que hoje pertence à região dos Jardins. Sua tese foi indicada ao Prêmio Jabuti de Literatura, um dos mais reconhecidos do meio acadêmico.

O projeto pretende um resgate da memória da cidade a partir de 1950, ainda pouco conhecida. “Percebi que este era um viés a ser explorado e com vasto campo para investigação”, conta Zueleide de Paula.

Uma das atividades trata da investigação dos motivos que levaram à construção da atual catedral e à demolição da primeira igreja. Outra vai mapear as imagens do Jornal Folha de Londrina dos patrimônios locais.

Capítulos, artigos e relatórios registrarão os resultados alcançados pelo projeto que, numa perspectiva mais ampla, de acordo com a pesquisadora, produzirá uma contribuição social. “Sem muita pretensão, procuramos abordar a relevância da história local para a população que dela busque saber. Obviamente, tenho clareza de que esta é uma das interpretações possíveis no campo da história. Muitas outras virão. Esperamos.”, comenta a professora.

Créditos da foto: Beatriz Botelho


Projeto busca por maior sustentabilidade na agricultura

maio 31, 2010

Estudo desenvolvido pelo Departamento de Agronomia trabalha as relações dos biondicadores de solo, com o objetivo de oferecer alternativas para a agricultura

Pro. Dr. Amarildo Pasini, coordenador do projeto “Bioindicadores da qualidade do solo”

Edição: Fernanda Cavassana
Pauta: Laura Almeida
Reportagem: Guilherme Vanzela

O projeto “Bioindicadores da qualidade do solo”, coordenado pelo Prof. Dr. Amarildo Pasini, graduado em Agronomia e mestre em Entomologia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com doutorado e pós doutorado em Entomologia pela Universidade de São Paulo (USP), trabalha a relação dos bioindicadores de solo e a incidência da macrofauna em determinadas áreas rurais.

Bioindicadores de solo são “organismos que possuem uma sensibilidade maior as mudanças do ambiente, e que são usados para demonstrar o efeito das mudanças ambientais, e, desta forma, funcionam como um “medidor” de mudanças no estado ambiental”, relata doutor Pasini. Ele complementa dizendo: “Eles possuem características definidas, como: ciclo rápido, criação em laboratório e a biologia toda conhecida. Insetos ou outros organismos de pequeno porte, como minhoca, são exemplos de bioindicadores”.

Um dos objetivos da pesquisa, de acordo com o professor Amarildo Pasini é: “avaliar as conseqüências de determinados tipos de produtos químicos (agrotóxicos), utilizados no tratamento de sementes no campo, sobre os bioindicadores”. O método de pesquisa, consiste em colocar bioindicadores de solo, em determinados substratos padrões, com alguma carga de produto químico, e avaliar a reação deles. Se lhes causar reações adversas, é provável que venha a acarretar certas alterações prejudiciais ao solo”, complementa Pasini.

Os resultados preliminares desta pesquisa, tem apontado efeitos adversos de alguns produtos sobre espécies de bioindicadores. Ou seja, embora estes produtos possam proteger as sementes de fungos e pragas, podem, por outro lado, acarretar mudanças prejudiciais ao meio ambiente, merecendo mais estudos”, pontua professor Dr. Amarildo Pasini. Ele complementa dizendo: “Quando o homem exerce uma ação sobre um tipo de solo, como: tirar a mata, colocar cultura de soja ou utilizar agrotóxicos, gera mudanças na temperatura e na umidade do solo,além de alterar a incidência de raios solares no local. Ao fazer isso, o homem tem noção que causa um impacto, mas alega que precisa produzir alimentos. Porém ele deve produzir alimentos pensando em uma forma mais sustentável de fazer isso”.

Outro intuito da pesquisa, de acordo com Doutor Pasini, consiste em avaliar determinadas áreas do campo, tais como pastagens, culturas convencionais (soja, trigo, milho, etc), matas e verificar a incidência da macrofauna nas regiões. Macrofauna são espécies de animais invertebrados que, geralmente, podem ser vistos a olho nu e que habitam o solo, como formigas, cupins, minhocas, entre outros.

“Tem-se percebido nas pesquisas que há maior diversidade da macrofauna em ambientes mais equilibrados, comparativamente a áreas que sofrem mais ações do homem, como a utilização de maquinas pesadas e agrotóxicos”,coloca o professor Amarildo Pasini. Ele cita entre os ambientes com maior incidência de macrofauna as pastagens e cultivos em plantio direto, sendo que neste último se preserva uma camada de matéria orgânica sobre o solo.

Doutor Pasini conclui dizendo que: “o principal objetivo da pesquisa é avaliar as conseqüências da interferência que o homem realiza no meio ambiente, com o intuito de apontar causas, conseqüências e oferecer algumas alternativas, de modo a proteger o ambiente para que a agricultura possa ter sustentabilidade”.



Edição 92

maio 24, 2010

Para fazer o download da edição 92, clique no link abaixo:

http://www.4shared.com/document/UKwbqh0V/Conexo_Cincia_-_23_de_maio_de_.html


Embalagens biodegradáveis desenvolvidas a partir do amido

maio 23, 2010
Pesquisas trazem a substituição de materiais de difícil reaproveitamento por materiais de biodegradação como possível solução para acúmulo de lixo

Coordenadora do projeto, Suzana Mali de Oliveira à esquerda e a mestranda responsável pelo desenvolvimento e confecção das bandejas, Ana Elisa Stefani Vercelhese, à direita

 
Edição: Tatiane Hirata
Pauta: Edson Vitoretti Jr
Reportagem: Claudia Yukari Hirafuji
Vivemos em uma época em que o consumo aumenta, assim como o descarte de materiais que demoram meses e, muitas vezes, anos para se decomporem no meio ambiente, causando acúmulo de lixo. Devido a isso, há uma crescente preocupação com esse grande volume de resíduos sólidos urbanos, que gera o interesse em pesquisas de desenvolvimento na elaboração de embalagens biodegradáveis capazes de substituir, pelo menos em parte, os materiais plásticos convencionais.

 
“Enquanto os materiais comuns não sofrem ação rápida na natureza, a biodegradação ocorre em menos de um ano, dependendo de um conjunto de condições como a umidade, presença de microorganismos, enzimas que estes produzem e ação do calor”, afirma a professora dra. Suzana Mali de Oliveira –  graduada em Farmácia e Bioquímica pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), com mestrado e doutorado em Ciência de Alimentos, também pela UEL; que atua como professora adjunta do departamento de Bioquímica e Biotecnologia e como docente e orientadora do programa de mestrado em Biotecnologia na mesma instituição – ressalta que, “além de o material ser biodegradável, há ainda a preocupação de vir de uma fonte renovável”.
 
A importância desse tema se reflete no projeto coordenado pela professora Dra. Suzana Mali: “Aplicação de nanocompósitos no desenvolvimento de embalagens biodegradáveis para alimentos”, financiado pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico). O estudo teve como precursora a dra. Maria Victória Eiras Grossmann*, do Departamento de Ciência e Tecnologia de Alimentos, e conta com um grupo de participantes, entre eles: prof. dr. Fabio Yamashita**, prof. dra. Adelaide Del Pino Beleia***, ambos do Departamento de Ciência e Tecnologia de Alimentos, prof. dr. Luiz Henrique Dall’Antonia **** do Departamento de Química e estudantes do mestrado em Biotecnologia e do mestrado e doutorado em Ciência e Tecnologia de Alimentos. Estes pesquisadores têm como objetivo desenvolver embalagens biodegradáveis a partir do amido de mandioca, fibras do bagaço da cana-de-açúcar e nanoargilas (são de origem vulcânica e são usadas de 2 a 5% nas embalagens para reforçá-las, explica a professora Susana Mali).
 
Uma parte do projeto é o trabalho da mestranda em Biotecnologia Ana Elisa Stefani Vercelheze ( possui graduação em Farmácia e Bioquímica pelo Centro Universitário Filadélfia e especialização em Bioquímica Aplicada pela UEL), que está desenvolvendo bandejas para substituição do isopor. A estudante é orientada pela prof. dra Suzana Mali de Oliveira, com co-orientação do prof. dr. Fábio Yamashita. Outra parte do projeto é desenvolvida pelo mestrando em Ciência de Alimentos Rodrigo Santos, que desenvolveu filmes de amido, polímero síntético (cadeia artificial formada pela repetição de pequenas e simples unidades de carbono) e nanoargilas, sob orientação do prof. dr Fábio Yamashita. 

De acordo com a professora Suzana Mali, a matéria-prima base é o amido, pois é biodegradável, barato e abundante – Paraná é o maior produtor brasileiro de amido de mandioca, com 65% da produção nacional***** – , além de responder bem aos processos industriais. A substância não está sendo trabalhada apenas no processo laboratorial, mas já em escala piloto. A doutora ainda explica: “porém, embalagens feitas de amido puro são frágeis, pois esse material é sensível à umidade e quebradiço, o que impossibilita seu uso. No entanto, em misturas com outros biopolímeros tornam possíveis sua produção”. A professora cita o exemplo do plástico feito com o amido e a goma xantana, mas explica que apesar de originar-se de uma fonte renovável, ele não trouxe melhorias, pois é também sensível à umidade. “Portanto, trabalhamos com uma série de formulações entre diversos tipos de materiais, sempre tendo em vista o amido e buscando a estabilidade nas condições ambientais, flexibilidade maior e que sejam aplicáveis na área de alimentação”, afirma.

*Possui graduação em Química pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Arapongas, mestrado em Ciências de Alimentos pela Universidade Estadual de Londrina e doutorado em Tecnologia de Alimentos pela Universidade Estadual de Campinas.
** Possui doutorado em Engenharia de Alimentos pela UNICAMP.
***Possui graduação em Agronomia pela Universidade Federal de Pelotas, mestrado em Grain Science and Industry – Kansas State University e doutorado em Grain Science and Industry – Kansas State University.
****Possui graduação em Quimica com atribuição Tecnológica pela Universidade de São Paulo, mestrado em Ciências e Engenharia de Materiais pela Universidade de São Paulo, doutorado em Química (Físico-Química) pela Universidade de São Paulo/Université de Sherbrooke (Canadá), e atuou como pós-doutrando no Instituto de Química/USP.
*****Dados confirmados pela avaliação do secretário da Agricultura e do Abastecimento, Valter Bianchini, inserido na noticia: http://www.aen.pr.gov.br/modules/noticias/article.php?storyid=38038&tit=Mistura-da-fecula-de-mandioca-a-farinha-de-trigo-vai-ajudar-Parana 
 
Crédito da foto: Claudia Yukari Hirafuji
 
Ano 7 – Edição 92 -23/5/2010

Estudo analisa a realidade de enfermeiros no dia-a-dia de um hospital

maio 23, 2010
Sentimentos de prazer e de sofrimento no cotidiano de profissionais que trabalham em unidades de emergência

A professora dra. Mara Lúcia Garanhani

Edição: Tatiane Hirata
Pauta: Edson Vitoretti Jr
Reportagem: Deborah Vacari

“O que realmente importa é vermos o paciente se recuperando da sua doença. Sair de alta hospitalar curado”, esse é um dos vários relatos colhidos pela mestranda em Saúde Coletiva Fernanda da Silva Floter Godoy*, que em sua dissertação retratou os sentimentos de sofrimento e prazer de enfermeiros em unidades de emergência. A mestranda tem como orientadora a professora doutora Mara Lúcia Garanhani** e esse estudo foi realizado em Londrina no Hospital Universitário.

De acordo com o dicionário Michaelis, enfermeiro é:  “aquele que trata dos doentes nos hospitais ou no domicílio”, porém, além disso, o enfermeiro, profissional polivalente, tem como atribuições: fazer previsão e provisão de materiais e de equipamentos, supervisionar e treinar a equipe, orientar internos e residentes de enfermagem e, também, lidar com conflitos – atribuições mencionadas na dissertação da mestranda.

“Alta demanda de pacientes, deficiências com estrutura física e até falta de leitos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI)”, são problemas encontrados pelos enfermeiros no percurso de seu trabalho, ressaltados pela orientadora prof. dra. Mara Garanhani.

“Se nós não tomarmos cuidado, levamos estresse para casa. Fecho os olhos e fico pensando no paciente, no que aconteceu, é uma coisa horrível”. Com esse relato é possível mostrar o que o estudo evidenciou sobre os sentimentos de sofrimento vividos pelo enfermeiro que vão desde estresse, angústia até situações de conflito e impotência. A doutora evidencia que “o envolvimento é tamanho que o enfermeiro não se ‘desliga’. Angústia e sofrimento estão relacionados à tensão de lidar com o sofrimento e com a morte”.

A professora dra. Mara Garanhani cita o médico francês Christophe Dejours***, que mostra em seus estudos que todo trabalhador, frente ao sofrimento no trabalho, procura utilizar estratégias defensivas. “Essas estratégias defensivas podem ser buscadas individualmente: em academias, na prática de caminhadas, na religião e na família. Existem também as que podem ser praticadas coletivamente como reuniões mais frequentes entre os trabalhadores. A estratégia de defesa coletiva está falha,  porque o setor de Recursos Humanos, na área da saúde, está voltado para questões trabalhistas”, destaca a professora Mara Garanhani.

Os sentimentos de prazer ressaltados pelo estudo estão compreendidos no que tangencia a organização do atendimento, primeiro contato com o paciente, detectar precocemente os agravos com risco de morte, recuperação do sujeito hospitalizado, alívio da dor e na recuperação do paciente e, também, espaço de aprendizagem. “Os enfermeiros tem alegrias no trabalho em grupo – experiência de cooperação, apoio – e, é claro, na possibilidade de ajudar o paciente”, afirma a doutora Mara Garanhani.

 A orientadora ressalta, ainda, que o enfermeiro é a ‘porta de entrada’ do hospital, por ter, de certo modo, o primeiro contato com o paciente.“O enfermeiro é, também, elo entre família, paciente e equipe médica”, conclui.

*Fernanda da Silva Floter Godoy possui graduação em Enfermagem e Obstetrícia pela Universidade Estadual de Londrina (1998). Tem especialização na área de gestão de serviços e educação.  Atualmente é aluna do Mestrado em Saúde Coletiva pela Universidade Estadual de Londrina.

**Mara Lúcia Garanhani possui graduação em Enfermagem pela Universidade Estadual de Londrina (1982), mestrado em Enfermagem Fundamental (1993) e doutorado em Enfermagem, ambos pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo em (2004). Atualmente é professora associada da Universidade Estadual de Londrina, participa do conselho editorial das revistas: REME – Revista Mineira de Enfermagem e Terra e Cultura.

***Christophe Dejours é um médico francês com formação em psicossomática e psicanálise e é diretor científico do Laboratório de Psicologia do Trabalho e da Ação no CNAM de Paris. FONTE: www.scielosp.org/pdf/csp/v21n3/39.pdf

Crédito da foto: Deborah Vacari
 Ano 7 – Edição 92 -23/5/2010